Escalador totalmente cego encadena via de 9a

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O montanhismo e a escalada estão cheios de histórias de superação. O amor pelas montanhas e pela atividade faz com que seus praticantes rompam barreiras que a primeira vista parecem impossíveis. Assim, aconteceu com o escalador com deficiência visual, Javier Aguilar, na Espanha. Ele se tornou o primeiro escalador totalmente cego a encadenar uma via de 5.12d / 7C francês, um 9A brasileiro.

Aguilar escalando a via – Foto: @rockandjoy

A conquista de Aguilar foi na via To Su Puta Madre a Caballo em Los Cahorros, Granada, na Espanha, no último dia 16/06. Primeiramente ele entrou na via utilizando um top-hope e a repetiu por cerca de 10 vezes até decorar todos os movimentos. Então, decidiu escalar guiando e após 3 semanas se tornou o primeiro deficiente visual a encadernar uma via dessa graduação.

Anteriormente, ele havia batido outro recorde ao encadear “El marujeo” 7b/+. Javi, como é chamado também já esteve no pódio da Copa do Mundo de Paraclimbing por duas vezes, em 2018 e 2019. Após a última competição, Aguilar resolveu investir em um projeto na rocha para aproveitar a sua resistência.

Porém, durante a sua preparação para escalar, a Espanha foi atingida pela pandemia de Coronavírus, e Aguilar ficou em confinamento. Mesmo em quarentena, ele continuou seus treinamentos físicos para não perder resistência em casa. Após o confinamento ele voltou para a rocha, testou a via de 30 metros, realizou todos os movimentos identificando os locais para colocar as mãos e pés e os memorizou.

Javi e seu amigo Sancho – foto: @rockandjoy

Em entrevista para o site Rock and Joy, Javi contou que a via é dura para ele, e que as primeiras tentativas foram bastantes exaustivas, porém quanto mais ele tentava e conseguia passar os crux, começou a ter um pensamento mais positivo de que conseguiria.

:: Confira a entrevista completa de Javi em espanhol aqui!
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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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