Que tal um highline no Trango Tower?

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Antonia Rüede-Passul e Lukas Irmler levaram o equilíbrio a 6.251 metros de altitude no Paquistão. Antes da fita, houve aclimatação, escalada e duas chegadas ao cume.

Se equilibrar numa fita no parque já exige concentração. Agora imagine fazer isso no alto de uma torre de granito do Paquistão, com o K2 no horizonte e o ar rarefeito a mais de seis mil metros. O convite parece simples: que tal um highline no Trango Tower? Só esqueceram de avisar que chegar até a largada já daria uma expedição inteira.

Foi o que fizeram Antonia Rüede-Passul e Lukas Irmler, que atravessaram uma highline a 6.251 metros de altitude na Trango Nameless Tower, no Karakoram. A aventura aconteceu em agosto de 2026 e foi apresentada pelos atletas em um relato publicado no Instagram em outubro.

Travessia de highline no alto da Trango Nameless Tower, no Paquistão.
Equilíbrio no alto da Trango Tower. Reprodução do carrossel de @lukasirmler e colaboradores no Instagram.

Highline e slackline: qual é a diferença?

Slackline é a prática de se equilibrar sobre uma fita sintética instalada entre dois pontos. A fita se movimenta e responde ao peso do praticante: manter o equilíbrio exige ajustes constantes do corpo. A cena mais conhecida é aquela de uma fita baixa entre árvores, em que uma saída de lado pode terminar com os pés no chão.

Highline é uma modalidade do slackline praticada em altura, com vãos abaixo da fita, entre paredes rochosas ou cumes, por exemplo. Portanto, não são dois esportes sem relação: o highline faz parte da família do slackline.

A diferença também está no sistema de segurança. Conforme explica a International Slackline Association, a montagem de highline utiliza uma linha de backup e conexão do praticante por cadeirinha, leash e anéis. Não é simplesmente levar uma fita de parque para um precipício. A instalação exige conhecimento específico de ancoragens, redundância e resgate.

6.251 metros de altitude, não de distância até o chão

Esse número merece uma pausa: 6.251 metros indicam a altitude em relação ao nível do mar. Não significam que existiam 6.251 metros de vazio debaixo dos pés dos atletas. A distância vertical entre a fita e o terreno abaixo é outra medida, não informada no relato consultado.

Isso não diminui a aventura. Além da exposição da travessia, há o esforço de escalar e trabalhar num ambiente de altitude, onde o ar é mais rarefeito.

Antes de andar na fita, foi preciso escalar a montanha

Segundo os atletas, a preparação incluiu a subida da Great Trango Tower, de 6.280 metros, para aclimatação. Depois veio a escalada da Nameless Tower pela Eternal Flame. São torres diferentes: a primeira ajudou na adaptação à altitude; a segunda recebeu a highline.

Parede rochosa da Trango Tower em registro da expedição de highline.
A parede também fazia parte do caminho. Reprodução/Instagram: @lukasirmler e colaboradores.

O relato menciona escalada difícil, queda de pedras e tempo imprevisível. Para realizar a travessia, a equipe precisou alcançar o cume duas vezes, fixar cordas e montar a linha acima dos seis mil metros. Andi Reichert, Simon Mayer, Samuel Tomaselli e o parceiro identificado como @gleitzeitalpinist tiveram papel de liderança na escalada.

É uma combinação de montanhismo, logística e equilíbrio. Nesse contexto, organizar o material na mochila deixa de ser um detalhe: cada item precisa acompanhar a equipe até um lugar onde nem o primeiro passo é simples.

Um recorde feminino e uma primeira vez para Lukas

Na publicação, a equipe anuncia a marca de Antonia como recorde mundial feminino de altitude em highline e apresenta a linha como a mais alta já atravessada no Karakoram. Para Lukas, foi a primeira highline acima dos seis mil metros.

Highliner sobre a fita com montanhas e neve do Karakoram ao fundo.
Uma travessia cercada pelas montanhas do Karakoram. Reprodução/Instagram: @lukasirmler e colaboradores.

Para acompanhar os registros diretamente de quem esteve lá, siga @antonia.exploringearth e @lukasirmler. O carrossel mostra tanto o equilíbrio sobre a fita quanto a dimensão das paredes que precisaram vencer.

Depois dessa, a slackline do parque talvez até pareça mais amigável.

Fontes: relato dos atletas no Instagram; International Slackline Association — modalidades do slackline.

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Texto publicado pela própria redação do Portal.

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