De bicicleta e corda: italianos atravessam os Alpes em 61 dias e conectam 23 vias

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Lorenzo D’Addario e Francesco Ratti conectaram grandes paredes com 2.400 quilômetros de bicicleta, inspirados em Patrick Berhault. A aventura terminou no Mediterrâneo.

Entre uma parede e outra, a bicicleta substituiu o carro. Os guias italianos Lorenzo D’Addario e Francesco Ratti concluíram uma travessia dos Alpes em 61 dias, conectando 23 vias de escalada com aproximadamente 2.400 quilômetros pedalados. A viagem começou em 24 de agosto, no Triglav, na Eslovênia, e terminou em 23 de outubro, na costa da Ligúria, na Itália.

Batizado de Grande Traversée des Alpes, o projeto reuniu montanhas emblemáticas, entre elas Eiger, Grandes Jorasses, Mont Blanc e Matterhorn. A conquista foi apresentada pelos italianos como uma experiência de deslocamento e escalada com as próprias forças, inspirada no francês Patrick Berhault.

Montanhista em uma crista rochosa durante a etapa do Matterhorn, na travessia dos Alpes.
Registro da etapa do Matterhorn, publicado em 30 de setembro durante a travessia. Foto: acervo da expedição / Instagram @lorenzo.daddario.

Uma viagem que ligou estradas e grandes paredes

Não se tratou de apenas atravessar a cadeia montanhosa por trilhas. Os deslocamentos de bicicleta conectaram escaladas de grande compromisso, exigindo uma mudança constante entre pedalar, aproximar-se das paredes e enfrentar terreno técnico.

O acompanhamento publicado pelo Lo Scarpone, do Clube Alpino Italiano, já descrevia a passagem das Dolomitas de Brenta para os Alpes Centrais, com vias como a Cassin no Pizzo Badile e o Spigolo Vinci no Pizzo Cengalo. A proposta retomava o espírito de Berhault, sem reproduzir exatamente seu itinerário.

Nos registros do próprio D’Addario, as etapas aparecem como capítulos da viagem: o Pilastro Rosso do Brouillard no Mont Blanc, a passagem pelo Matterhorn, a Meije e, na reta final, as escaladas na Rocca dei Campanili, no setor do Mongioie.

Os números da travessia

  • 61 dias de viagem;
  • 23 vias no itinerário de escalada;
  • 2.400 km de deslocamento de bicicleta;
  • 18 mil metros verticais escalados em paredes, segundo o balanço divulgado.

As 23 vias não equivalem a 23 montanhas diferentes: o roteiro inclui mais de uma linha em alguns locais. Da mesma forma, a distância pedalada corresponde aos deslocamentos de bicicleta, não à extensão das escaladas.

Um dos integrantes da expedição com a bicicleta durante a travessia dos Alpes.
As bicicletas conectaram as etapas da expedição. Foto: acervo da travessia / Instagram @lorenzo.daddario, publicação de 28 de setembro.

A montanha também definiu o ritmo

O relato final menciona uma interrupção provocada pela chegada de neve nos Alpes Ocidentais. Houve espera até que as condições permitissem continuar. Ao fim das últimas escaladas, a dupla pedalou até Albenga e celebrou a conclusão com um mergulho no Mediterrâneo.

É uma aventura em que a ligação entre as montanhas também faz parte da história. Antes de pensar na próxima agarra, havia mais um trecho de estrada e uma boa quantidade de pedal pela frente.

Os registros dos protagonistas podem ser acompanhados nos perfis @lorenzo.daddario e @fran.ratti.

Fontes: relatos dos atletas no Instagram, Lo Scarpone/CAI e balanço da travessia na Planetmountain. Consultados em 26 de outubro de 2026.

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Sobre o autor

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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