Leo Houlding e equipe tentam escalada em livre no Monte Roraima

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Blocos soltos, sujos e molhados. Tarântulas, escorpiões e cobras. Um big wall com direito a tudo isso e ainda tempestades nos finais de tarde. Assim esta sendo a tentativa dos escaladores Leo Houlding, Anna Taylor, Waldo Etherington, Wilson Cutbirth e dos cinegrafistas Matt Pycroft e Dan Howardlivrar para abrir e livrar uma nova via na proa do Monte Roraima.

A grande proa do Roraima.

Dormindo na parede.

Apesar das adversidades na parede a equipe se mantém firme em busca do cume em uma corrida contra o tempo. Eles planejam chegar ao topo da montanha até o entardecer do dia 04/12. A rota escalada é nova e eles a estão chamando de The Anvil (A Bigorna).

descobrindo o caminho.

A parede possui inclinação negativa, o que ajuda a proteger da chuva, mas também torna a subida mais pesada. Essa é uma escalada complexa. Até o momento, a equipe enfrentou o desafio de escalar com cautela e segurança para não mover os blocos com a necessidade de fazer movimentos dinâmicos para ultrapassar problemas de boulder.

Segundo Houlding publicou em seu instagran, a linha serpenteia pela parede entre grandes esquinas, lages e tetos. E para vencer o desafio eles precisam escalar a última, que segundo ele, aparenta ser a enfiada mais difícil. Ela é composta por três tetos com rocha cada vez mais podre e solta.

trabalhando para livrar uma das enfiadas.

Eles precisam chegar ao cume até o dia 05/12 com todos os equipamentos para conseguir pegar carona em um helicóptero e sair da montanha. “Ainda não estamos em pânico, mas estamos cientes de quanto tempo resta para chegar ao cume”, relatou Houlding.

 Logística na selva

O desfio de escalar essa montanha começou muito antes de chegar a base da parede. O grupo começou a expedição no início de novembro transportando equipamentos. Eles lançaram quase uma tonelada de carga na floresta usando um avião, paraquedas e um sistema de rastreamento para recuperá-las.

Equipe com tudo preparado para a aventura.

Lançando equipamentos na selva.

Planejando a expedição junto com moradores da região.

Moradores locais e a equipe abriram trilhas para chegar até os pacotes lançados pelo avião. Nenhum material foi perdido, porém um deles aterrissou em um lago e submergiu completamente na água. Após secar os equipamentos eles continuaram a expedição.

Uma segunda parte dos equipamentos foi levada pelo grupo e 10 moradores da região até a base da parede. Foram aproximadamente sete dias para percorrer quase 100 km em meio à selva.

 

Descansando durante a caminhada pela floresta até a base da parede.

Escalada no Monte Roraima

O Monte Roraima é um Tepuy que desperta a curiosidade de montanhista do mundo todo. Ele esta localizado no coração da floresta amazônica, entre o estado brasileiro de Roraima, a Venezuela e a Guiana. Seu formato de mesa com um cume de quase 30 km² guarda inúmeras surpresas e inspirou o livro O Mundo Perdido de Conan Doyle.

Aproximação ao monte Roraima por trekking.

Existem expedições de trekking para conhecer esse paraíso perdido, mas a escalada por suas paredes ainda é um desafio complexo e pouco procurada. A primeira escalada foi realizada em 1973, pelos escaladores ingleses Joe Brown e Don Whillans, Mo Anthoine e pelo escocês Hamish MacInnes. Em 1991, Luis Makoto Ishibe, Hugo Armelin e Michel Bogdanowicz abriram a primeira rota brasileira.

Eliseu Frechou, Marcio Bruno Oliveira e Fernando Leal também fizeram história conquistando a via Guerra de Luz e Trevas na proa em 2010. Essa aventura rendeu o documentário Dias de Tempestade que conta a jordana dos três escaladores.

Veja abaixo o Documentário Dias de Tempestade:

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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