Lorena Hoffmam encadena a Via Kattegate 10b

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A escaladora paranaense Lorena Hoffmam encadenou a via Kattegate graduada em 10b em 01/07. A via esta localizada no Parque Ecológico do Braço Esquerdo em Corupá, Santa Catarina. Essa é a quarta via de décimo grau concluída por ela, que agora faz parte de um seleto grupo de escaladoras brasileiras a atingirem essa marca.

Lorena Hoffmam malhando a via Kattegate – Foto: Felipe Sisan

Lorena começo a escalar a cerca de 15 anos, porém há apenas três passou a se dedicar mais a escalada esportiva. Para ela a escalada é um estilo de vida e o que a faz feliz. Assim, ela faz questão de incentivar a todos a praticarem esse esporte e superar seus medos e limites de forma saudável.

Durante o processo para encadenar a via, Lorena enfrentou desafios além dos seus limites físicos e psicológicos. O Parque Ecológico do Braço Esquerdo foi fechado como prevenção ao Coronavírus, assim não foi possível malhar a via por um período. Todavia, a escaladora se manteve firme nos treinos em casa e focada em seu objetivo. Assim, quando o parque reabriu, ela retornou ao local e continuou o seu projeto.

Além da Kattegate, ela encadenou a via a Volta do Toicinho 10b, em dezembro de 2019, também em Corupá. Em ambas as vias, Lorena realizou a primeira ascensão feminina. Todavia, em seu currículo, Lorena possui ainda mais dois 10a, a Via Humildade no Ar e a Via  Skawuska. Assim, com esse feito fez com que ela entrasse para o pequeno grupo de escaladoras brasileiras que chegaram a essa graduação, ao lado de Luciana Di Franco, Bianca Castro, Janine Cardoso e Janaína Xavier.

 

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Lore na sequência do crux da Kategate 🧗‍♀️🧗‍♀️🧗‍♀️💪💪💪

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Conheça mais sobre essa escaladora e saiba mais sobre a sua mais nova conquista na entrevista:

O que é a escalada pra você? O que ela representa na sua vida?

Sabe aquela alegria, aquela felicidade que você sentia quando brincava na infância?
Pra mim a escalada traz essa sensação, como se fosse a minha “brincadeira de gente adulta” (há quem discorde sobre o fato de eu ser adulta de verdade).
Quando arrumo minha mochila para ir escalar me sinto partindo pra uma aventura e eu amo isso.
Escalada pra mim é vida! Vida feliz, saudável, divertida, emocionante e compartilhada.

Como foi pra você encadenar essa via?

Ahh foi emocionante!  Naquele momento, ao costurar a reunião, saber que eu tinha conseguido superar todos os meus limites (físicos, técnicos e psicológicos) foi incrível! Um turbilhão de emoções que não coube no peito e eu chorei (rsrs).

Por que você escolheu a Kattegate?

Eu gosto de entrar em projetos que me obrigam sair da zona de conforto, que seja um desafio às minhas limitações. E a Kattegate com certeza era um desafio e tanto. Começando pelo medo que eu tinha dela; por saber que era um 10b duro, com passadas físicas, descansos ruins e puladas de costura que rendem voos emocionantes.

Por quanto tempo você tentou?

Eu “conheci” a Kattegate  em fevereiro deste ano. Quando eu entro em projetos que eu sei que estão no meu limite (ou até acima dele), sei que tenho um longo caminho pela frente: tirar as passadas, isolar os “muvs”,  ganhar “resista” fazendo links entre as chapas, memorizar as sequências (o que é muito, muito difícil pra mim), depois ganhar “resista” e depois ganhar ainda mais “resista” tentando a cadena.

Esse processo todo levou quatro meses.

Qual o seu treinamento para mandar a via?

Basicamente treino duas vezes por semana e tento ir para rocha pelo menos uma vez por semana. O treinamento é variado e sem muita planificação, procurando adequar as minhas necessidades na via. Assim, se vejo que tá faltando força em algum crux, treino mais finger, campus e boulder. Se falta “resista” faço mais treinos no muro (4×4) e vias longas.

O que ela te ensinou?

Quando eu encadenei, fiz uma carta pra Kattegate. Por que ela realmente foi muito importante para mim.

Ela ensinou a me aceitar… de uma forma tranquila e gentil, a lidar com as minhas deficiências e limitações com carinho, com paciência, com cuidado. E ao mesmo tempo, entendi que precisava treinar para me adaptar, e superar os desafios que ela me trazia.

Foi um relacionamento lindo.

O que você diria para as pessoas que querem escalar assim?

Sei lá (rsrs). Vou te dizer o que funcionou pra mim, que foram as coisas que eu acho que mudaram a minha escalada.

A partir de um determinado momento passei a questionar os “pré” conceitos e rótulos que eu havia incorporado sobre a escalada durante os anos.

Assim, experimentei coisas novas superando aquela resistência inicial da mudança, não me intimidei com a graduação das vias (chamam isso de falta de noção também). E tornei hábito algo que é muito importante pra mim: malhar uma via, um projeto, enquanto eu estiver feliz com isso, desfrutando do processo.

A escalada pra mim é sinônimo de alegria, de felicidade. Se eu me pegar frustrada com alguma via, ou com a minha escalada, esse com certeza será o sinal de que cheguei num limite intransponível pra mim.

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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