Naomi Uemura, as conquistas de um montanhista solitário

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O montanhista japonês Naomi Uemura desafiou montanhas e longas travessias de uma forma diferente. Ele foi um grande explorador, fotografo e jornalista que se dedicava a fazer suas aventuras sozinho. Entre os principais feitos está o título de primeira pessoa a alcançar o polo norte e o primeiro homem a chegar no cume do Denali durante o inverno em solitário.

Uemura pousa para fotografo da National Geografic, Ira Block, durante a expedição

“É 9 de março de 1978 o quarto dia desde que saí do meu acampamento principal, localizado na costa do Oceano Glacial Ártico, em Cape Columbia, Canadá. Alimento a firme determinação de ser o primeiro homem a chegar sozinho ao Polo Norte”, escreveu Uemura em seu diário.

Apesar de tímido o montanhista japonês sempre foi amigável.

Para essa jornada ele contou com o apoio de um avião que lançava comida em alguns pontos da rota de quase 800 quilômetros. Mas enfrentou um urso polar e chegou ao seu destino sozinho, apenas com a companhia de seus 17 cachorros. Uma grande história que foi publicada na revista The National Geografic em setembro de 1978 e ficará registrada para sempre.

Uemura também realizou outra travessia épica nas geladas terras do polo norte. Ele caminhou mais de 12.000 quilômetros no Ártico, entre a Groenlândia e o Alasca. Para tanto, ele levou dezoito meses andando puxando um trenó ao lado de seu time canino.

Todavia, Uemura não se dedicava apenas as aventuras no gelo. Ele realizou ainda uma grande exploração na maior floresta tropical do mundo, percorrendo mais de seis mil quilômetros de rios, incluindo o Rio Amazônas.

As montanhas

Entretanto, a história de Uemura começa um pouco antes. Ele se apaixonou pelas montanhas durante a faculdade e começou a se aventurar sozinho pela região de Tóquio no Japão. Assim, antes de completar 30 anos ele já havia escalado o Monte Kilimanjaro na África, o Aconcágua na America do Sul , Mont Blanc e o Matterhorn nos Alpes.

Uemura escalando o Everest.

Ele também participou da primeira expedição japonesa a escalar o topo do mundo, o Monte Everest , conquistando o respeito e admiração de seus conterrâneos.  Graças a esse feito o montanhista japonês foi homenageado com a criação do Naomi Uemura Adventurer Museum (Museu do Aventureiro Naomi Ueruma) em sua cidade natal. O local conta com um acervo de mais de 200 peças entre pertences utilizados pelo explorador, cartas e relatos de suas expedições.

Naomi Uemura Adventurer Museum, museu dedicado a homenagear o montanhista.

Em 1984, mesmo com toda sua experiência adquirida ao longo dos anos, Uemura desapareceu aos 43 anos logo após chegar ao topo do Monte McKinley (atual Denali) com 6.194 metros. Na época ele foi o primeiro alpinista em solo a chegar nesse cume. Sua morte permanece um grande mistério, uma vez que seus equipamentos e diário foram encontrados em uma caverna. Porém, as equipes de resgate não conseguiram localizar o corpo.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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