Nova via de escalada no Fitz Roy desafia escaladores

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Quando se trata de escalada tradicional, ouvir dizer que uma via tem um trechinho Off-Width (uma técnica de entalamento em chaminé de meio corpo) causa arrepios até mesmo nos escaladores mais experientes. Muitas pessoas desistem de fazer uma rota para não ter que passar por esses trechos. Pode se dizer que é uma das técnicas mais odiadas e preteridas. Agora imagine uma linha onde há mais de 350 metros dessa técnica? Assim é a via conquistada pelos escaladores Sean Villanueva O’Driscoll e Jon Griffin na face sul do  enigmático Fitz Roy em El Chalten na Argentina.

Jon Griffin escalando a El Chaltenense

Eles a chamaram de El Chaltenense em homenagem a cidade em que estão hospedados a mais de um ano. A graduação sugerida pelos dois escaladores é de 7a francês na cordada mais difícil, o que equivale ao 7c brasileiro. Entretanto, a maior parte do trajeto foi graduada como 6c (7a Brasileiro). Mas não se anime, em se tratando de escalada tradicional, Off-Width e Fitz Roy, isso requer muita concentração e esforço físico e mental para ser vencido.

A dupla feliz pela conquista.

A escalada

Esforço que os dois tiveram que fazer desde o inicio. Eles escalaram as duas primeiras cordadas da Via The Colorado Route e seguiram por uma sequência de Off-Width. Ao todo foram oito cordadas em que eles optaram por usar proteção móvel. Todavia, como a fenda é larga, apenas os Camalots #5 e #6 serviam para dar um pouco de proteção a escalada. Assim, esse foi o primeiro desafio mental, por terem apenas duas peças tamanho #6, eles precisaram subir alguns trechos sem proteger.

A fenda larga dificulta a colocação de proteções.

“ Alguns momentos foram desesperadores! Onde eu escorregava alguns centímetros, ficava completamente sem fôlego, tentava encontrar alguma maneira de bloquear alguma parte do meu corpo, ou um pé, um joelho, uma perna, um braço, o peito. O ácido lático acumulou-se num músculo que nunca tinha sentido antes, tentei recuperar o fôlego, impedir a minha mente de querer desistir! Me recuperei e depois voltei a escalar e tentar recuperar aqueles poucos centímetros que tinha perdido”, contou O ‘ Driscoll.

“Eu estive de olho nessa linha por alguns anos. É quase tudo # 5 e # 6, punho duplo, punho fechado, asa de galinha , armlock … sustentado até o fim, implacável, sem saliências até a parte superior mais fácil … Sim, é uma via do rei! “, disse Sean em entrevista a

Assim, enfrentando as cordadas de Off-Width intercaladas com pequenas sessões de chaminé, eles chegaram ao cume da montanhas as 3:40 da manhã. Lá dormiram por algumas horas antes de iniciar a descida pela Via Franco Argentina. Além do desafio da escalada, eles também enfrentaram o frio. Os dois levaram apenas um saco de dormir para se abrigarem. Bivacaram sem barraca e nem mesmo fogareiro. Ambos tiveram queimaduras de frio nos pés, mas apenas O’Driscoll precisou se tratar.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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