Novos voos históricos em El Chatén

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A temporada em El Chaltén começou fria e com muitas tempestades. Mas o que ninguém esperava é que aquele clima patagônico daria lugar a boas janelas de tempo possibilitando grandes escaladas e voos históricos na região.

No último dia 22/02, mais um voo de parapente foi realizado com sucesso desde o cume do Fitz Roy. Dessa vez foi o guia de montanha e praticante de voo livre argentino, Pablo Pontoriero, que decolou do icônico Fitz Roy após ter escalado a Supercanaleta. Assim, ele voou por cerca de 30 minutos e conseguiu pousar próximo a ponte do Rio Electrico, a cerca de 100 metros do seu carro.

Pablo Pontoriero se preparando para decolagem.

De acordo com o perfil Patagônia Vertical, ele é experiente no esporte porém, tentava realizar esse voo a mais de uma década. Pontoriero contou com a parceria dos escaladores Quique Clausen e Kico Cerda para chegar ao cume, onde os três fizeram um bivaque. No início do mês, Fabian Buhl decolou de parapente desde o Cerro Torre, entrando para a história do esporte como o primeiro a realizar esse voo após escalar a montanha.

Base Jumping

Ainda no começo de fevereiro, Pierre Sancier, Arnaud Bayol e Alban Alozy saltaram de montanhas do conjunto do Fitz Roy. O trio de atletas franceses faz parte do Groupe Militaire de Haute Montagne (Grupo Militar de Alta Montanha) e praticam a modalidade de Base Jumping.

Imagem do salto desde a Agulha de La S.

Os três fizeram uma primeira decolagem no Mojon Rojo durante uma curta janela de tempo bom. Logo após tentaram saltar da Agulha Poincennot, mas devido às condições climáticas tiveram que abortar o voo. Então, por último eles realizaram mais um voo desde a Agulha de La S. Para chegar a esse cume eles escalaram a Via Amy.

Vista da Agulha de La S e Mojon Rojo durante o voo.

Esses foram os primeiros saltos de Base Jumping desde o conjunto de montanhas localizado em El Chaltén. Assim, essa aventura devera fazer parte de um filme que será lançado pela National Geographic Adventure em Junho.

Os pioneiros

Escalar uma das montanhas do maciço de El Chaltén nunca foi fácil. Assim, subir uma dessas montanhas e descer voando é um feito que pertence a uma lista de nomes muito mais seleta.

Todavia, os primeiros a conseguirem o feito foi a dupla Matthias e Michael Pinn em 1988. Entretanto, para voar desde o Fitz Roy, os dois passaram dois dias escalando a Supercanaleta e precisaram realizar um bivaque de emergência enrolados em seus parapentes.

Primeiro voo desde de o Fitz Roy

O montanhista Rolando Garibotti, da Patagônia vertical recuperou um depoimento de Matthias narrando essa experiência. “Por causa de uma tempestade, já nos resignamos a fazer rapel na rota franco-argentina e estamos procurando o início dos rapeis, quando de repente vemos nuvens térmicas subindo na estepe. Ao norte do cume vejo um sulco de neve de dez metros de largura, 40 graus de inclinação, intercalado com blocos de granito.

Ficou imediatamente claro para nós que este deveria ser o nosso ponto de partida. Nós decidimos voar. Raspas de névoa branca sobem da estepe, tornando as correntes de ar visíveis. As nuvens de condensação permanecem como enormes bandeiras de neve no lado contra o vento do Fitz Roy, envolvendo-nos. Michael coloca o seu parapente. Ele espera até que uma ligeira corrente de ar permita uma tentativa. Nós dois estamos mentalmente tensos. Michael levanta ambas as mãos, as linhas esticam-se, um puxão curto, o parapente sobe, ele começa a correr. Cinco seis passos concentrados, a velocidade do ar foi alcançada, ele descola e voa. Sentimos um alívio incrível. Depois de um voo de 30 minutos, aterrissamos na Piedra Del Fraile”.

 

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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