O que é um Exoplaneta?

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Numa coluna anterior, comentei sobre a atual definição de planeta, não tão óbvia assim. Escrevo agora sobre os planetas distantes, orbitando além de nosso Sistema Solar: os chamados exoplanetas.

A primeira observação de um sistema planetário orbitando à volta de uma estrela que não o Sol foi feita em 1992. Os dois astrônomos responsáveis por este feito foram capazes de detectar uma movimentação à volta de um pulsar.

A Primeira Foto de um Exoplaneta (Fonte: wikipedia)

Pulsares são pequenas estrelas de nêutrons muito densas, por terem perdido seus prótons e elétrons (o nêutron é a mais pesada partícula atômica). O feixe de sua energia só pode ser percebido no momento em que esteja incidindo sobre a Terra.

Imagem Esquemática de um Pulsar (Fonte: hyperscience.com)

Os menores planetas exosolares foram encontrados à volta de estrelas apagadas como os pulsares. Eles foram apelidados de Netunos, pois suas massas eram parecidas com a deste corpo (17 vezes a da Terra). Mas em 1995 ocorreu a primeira descoberta de um planeta girando à volta de uma estrela da sequência principal, que é onde a maior parte delas está localizada.

Imagem de Planeta Orbitando uma Anã Vermelha (Fonte: Divulgação)

Acabou de ser noticiada a descoberta do Sistema Trappist, onde nada menos do que sete planetas orbitam à volta de uma estrela anã. São corpos com massa na média de ¾ da Terra, à pequena distância de 40 anos luz.

Suas temperaturas são relativamente amenas, pois circulam suficientemente próximas de seu fraco sol para poderem se aquecer. Em consequência, seus períodos orbitais são mínimos, inferiores a uma semana na média (vs. um ano para a Terra). Dos sete, três ocupam a zona habitável, com possibilidade de água e vida.

O Sistema Planetário Trappist (Fonte: www.eso.org)

Existe uma nova classe de planetas chamada de Super-Terra. São corpos sólidos muito maiores do que a Terra, porém menores do que Urano (15 vezes a massa da Terra). São rochosas e aquáticas, com fortes gravidades e densas atmosferas. Mais de vinte delas foram descobertas.

Em especial, foram encontradas Super-Terras orbitando uma anã vermelha. Estas são as mais comuns das estrelas, com massa de até metade da do Sol. Sua energia é gerada lentamente e sua temperatura é relativamente fria – digamos, 2.000°K vs. 6.000°K do Sol.

O Sistema Planetário Gleisi 581 (Fonte: wikipedia)

Uma destas anãs vermelhas, que tem o gentil nome de Gleise 581, tem seis planetas à sua volta. Os mais próximos não seriam habitáveis. Mas o mais distante deles, embora muito frio, poderia ser habitável se sua atmosfera contivesse gases de efeito estufa que o aquecessem. Ele é uma Super-Terra com massa quase 8 vezes maior do que a nossa.

Existem inúmeros planetas chamados de Kepler, distantes 500 a 2.700 anos-luz, com massas de 1.5 a nossa e localizados em zonas habitáveis. O incomum Kepler 16 b orbita duas estrelas – ou seja, lá você teria dois pores e nascentes do sol, além de uma sombra dupla! Essas esperanças de nova vida no universo.

Comparação de Kleper 186 f com a Terra (Fonte: www.astronoo.com.pt)

A partir do primeiro, foram descobertos cerca de 2 mil exoplanetas, grande parte dos quais com massa igual ou maior do que a de Júpiter (300+ a da Terra). Não está claro se esses grandes corpos se parecem com os nossos gigantes gasosos.

Gráfico de Exoplanetas Descobertos por Ano (Fonte: www.infoescola.com)

É provável que sejam totalmente diferentes, talvez objetos de amônia ou de carbono, não de hidrogênio.

Alguns estão em órbitas próximas a suas estrelas, expostos a seu calor e radiação – são os chamados Planetas Ctônicos (ou subterrâneos). Porém até hoje nenhum foi fisicamente detectado.

Mas a descoberta de exoplanetas enormes começou a levar a uma ambiguidade: a medida em que um planeta se confundiria com uma estrela. Planetas superpesados aproximam-se de estrelas conhecidos como anãs marrons.

Elas são corpos celestes de baixa luminosidade que não conseguem fundir o hidrogênio, como fazem as verdadeiras estrelas. Fundem ao invés o deutério, um isótopo pesado do hidrogênio.

Figura Esquemática de uma Anã Marrom (Fonte: teacherdeniseselmo.wordpress.com)

Entretanto, o deutério é muito raro – na nossa natureza, há um átomo de deutério para quase 3 milhões de hidrogênio. E a maioria das anãs marrons já teria terminado de fundir seu deutério bem antes de terem sido descobertas. Assim, tornam-se indistintas dos planetas superpesados.

Sendo sua massa superior à de um planeta, mas não tão massiva quanto a de uma estrela, as anãs marrons são consideradas estrelas fracassadas. Por causa dessa característica, são vistas como o elo perdido entre os planetas superpesados e as estrelas.

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Sobre o autor

Alberto Ortenblad - Colunista

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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