Onças voltam a aparecer na Serra do Mar

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Encontrar um animal selvagem durante uma trilha sempre é emocionante. Agora imagine encontrar uma majestosa onça pintada? Esse é o sonho (ou pesadelo) de qualquer amante da natureza.

O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar em parceria com o Instituto de Pesquisas Cananéia e Instituto Manacá realizam o monitoramento de diversos animais na Serra do Mar Paranaense e do sul de São Paulo, região que também é frequentada por montanhistas. Segundo Roberto Fusco, biólogo e pesquisador do Programa, não há como precisar exatamente quantas onças vivem em meio as montanhas da Serra do Mar.

Animal registrado na Serra do Mar. Foto: Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar.

Todavia, os pesquisadores já conseguiram identificar sete onças na região em que ela já foi considerada extinta. Eles também comemoram o fato de terem conseguido flagrar em uma armadilha fotográfica uma onça fêmea com dois filhotes. O que significa que esses animais estão voltando para região, e a torna prioritária nos programas de proteção ambiental.

“Uma vez que essa região é contínua a uma outra área prioritária já existente na Serra do Mar paulista, propomos uma expansão de 5.715 quilômetros quadrados a sul, o que torna o grande bloco de floresta da Serra do Mar paranaense e paulista a maior área prioritária para a conservação da onça-pintada na Mata Atlântica, totalizando 19.262 quilômetros quadrados”, diz Fusco.

Uma descoberta que precisa de proteção

Apesar das onças só terem sido flagradas em áreas remotas, elas continuam ameaças pela ação do homem. A falta de espaço e a caça são as principais ameaças ao animal. “As onças-pintadas, assim como outras espécies de grandes mamíferos, são as que mais sofrem, direta e indiretamente, com a fragmentação das florestas e a pressão de caça porque dependem de áreas extensas e saudáveis para sobreviver. Na Serra do Mar, esses animais encontraram refúgio em áreas montanhosas, mais remotas e com difícil acesso para humanos, fator que talvez tenha contribuído para que esses felinos ficassem tanto tempo sem ser registrados”, diz fusco.

Ao encontrar um animal é importante registrar a localização e informar os pesquisadores.

Fusco lembra que mesmo que o caçador não mate uma onça, ele pode causar danos à espécie ao caçar animais que estão na dieta alimentar dela. “Se, porventura, a espécie aumentar, que é o que a gente quer, precisamos trabalhar com a questão do conflito humano-fauna, para evitar que as pessoas matem a onça-pintada por medo, por intolerância, ou por retaliação, no caso da onça predar animal doméstico de alguma propriedade rural”.

Os pesquisadores fazem ainda um apelo para que os caçadores sejam denunciados, principalmente os que atuam em áreas de proteção ambiental e Unidades de Conservação.

Como agir ao encontrar uma onça?

De acordo com o Fusco, as onças não oferecem riscos ao ser humano, pois não fazemos parte da cadeia alimentar dela. Normalmente ela irá fugir o mais rápido possível. Apenas em casos específicos, quando estão com filhote ou uma caça, por exemplo, ela se defenderá dando avisos de que não é para chegar perto. Fusco explica que ela emitirá vocalizações ou baterá as patas no chão. Ainda de acordo com o pesquisador, basta respeitar o animal e sair de perto que não há risco de ataque.

Todavia, ele ressalta que se for possível tirar uma foto e marcar a localização do animal com as coordenadas geográficas pode ajudar muito nas pesquisas de proteção a espécie. O mesmo pode ser feito ao se encontrar uma pegada ou vestígios de que o animal passou pelo local. Porém, além de marcar a coordenada exata também é necessário utilizar algum objeto como escala para que os pesquisadores possam mensurar o tamanho da pegada. O material registrado deve ser encoaminhado para o Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar.

Assista o bate-papo realiazado com Roberto Fusco e saiba mais sobre o assunto!

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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