Russos recuam no Khumbu e buscam acesso à Aresta Oeste do Everest fora da temporada principal

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Neve profunda interrompeu a passagem pela cascata de gelo. Equipe continua a expedição no outono nepalês, fora da principal janela comercial de ascensões.

Uma equipe de quatro montanhistas russos recuou de uma tentativa de atravessar a Cascata de Khumbu e passou a explorar o acesso à Aresta Oeste do Everest. A mudança foi relatada pela integrante Natalya Belyankina e noticiada pela ExplorersWeb em 15 de outubro. A expedição acontece no outono do hemisfério norte, fora da principal temporada comercial de ascensões à montanha.

O recuo não significa o encerramento da expedição. O grupo abandonou aquela tentativa de passagem pelo Khumbu, alcançou o colo de Lho La por outra aproximação e retornou a uma área mais baixa para descansar.

Face norte do Everest vista do Tibete em fotografia de arquivo de 2006.
Everest visto pelo lado tibetano em 2006. Imagem de arquivo; não mostra a rota nem a expedição atual, que está no lado nepalês. Foto: Luca Galuzzi, CC BY-SA 2.5. Reprodução redimensionada.

Neve profunda interrompeu o avanço

Em seu relato público, Belyankina descreveu o esforço para abrir caminho entre gelo, blocos instáveis e fendas, muitas delas cobertas pela neve. Segundo ela, no segundo dia o grupo ganhou apenas cerca de 100 metros de altitude em seis horas de deslocamento. Diante do desgaste, decidiu descer.

A equipe é liderada por Andrei Vasiliev. Conforme a ExplorersWeb, a primeira investida começou em 9 de outubro. O grupo encontrou a cascata sem as passagens preparadas que caracterizam a operação comercial da primavera.

Natalya Belyankina com jaqueta vermelha e proteção contra o frio durante a expedição ao Everest.
Natalya Belyankina em imagem publicada junto ao relato da saída de aclimatação no Everest. Imagem: reprodução/Instagram @natalya_belyankina.

Um caminho diferente pelo Lho La

A alternativa foi o Lho La, um colo na fronteira entre Nepal e Tibete que permite acessar a Aresta Oeste. A aproximação também apresentou dificuldades: Belyankina mencionou terreno rochoso e encostas expostas a avalanches e quedas de gelo.

Atingir esse colo, portanto, não equivale a completar a aresta ou chegar ao cume. Até os relatos consultados, os russos haviam realizado uma saída de aclimatação e reconhecimento. A montanhista informou que a equipe descansaria antes de voltar a subir.

Por que escalar o Everest em outubro é diferente?

A principal concentração de expedições ao cume ocorre na primavera nepalesa, sobretudo em abril e maio. O British Mountaineering Council descreve o ciclo habitual com chegada das equipes a partir do fim de março e tentativas de cume frequentemente em maio.

O outono também é uma estação reconhecida para o montanhismo no Nepal. Assim, estar “fora de temporada”, neste caso, significa estar fora da janela de maior movimento e estrutura comercial do Everest — não que a montanha esteja necessariamente fechada ou que a expedição seja irregular.

Há ainda uma diferença importante entre escalar e caminhar até a base. A primavera e o outono são períodos tradicionais para o trekking ao acampamento base, segundo o Nepal Tourism Board. Isso não torna as condições do trekking equivalentes às de uma ascensão ao cume.

A história dos russos mostra justamente essa distância: enquanto visitantes percorrem a trilha da base, quem entra na montanha precisa lidar com as condições específicas do gelo e da neve, mesmo quando o calendário parece favorável para outras atividades na região.

Fontes: ExplorersWeb, 15/10/2026; Natalya Belyankina, relato da expedição; British Mountaineering Council; Nepal Tourism Board — montanhismo e clima. Apuração atualizada em 16/10/2026.

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Texto publicado pela própria redação do Portal.

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