Terremoto assusta trekkers no Panamá; veja como se proteger na cidade e na montanha

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Vídeo de trekkers no Morro Picacho durante um tremor viralizou nas redes sociais. Abalos sísmicos também levaram autoridades a inspecionar trilhas no vulcão Barú, enquanto especialistas recomendam cuidados específicos para quem está em áreas montanhosas.

Cerro Picacho no Panamá. Foto: caminandopanama.org

Já imaginou estar aproveitando um dia de trilha quando, de repente, o chão começa a tremer? Foi o que aconteceu com um grupo de trekkers no Morro Picacho, no Panamá. O episódio foi registrado em vídeo, que viralizou nas redes sociais e mostra a montanha tremendo enquanto os excursionistas demonstram surpresa e preocupação. Após alguns segundos, com a estabilização da imagem, o grupo volta a rir, aparentemente aliviado com o fim do tremor.

O grupo se reúne para se proteger durante o terremoto. Foto: captura de vídeo

Apesar do susto, nenhum dos montanhistas ficou ferido, segundo as informações disponíveis sobre o episódio.

O caso ocorreu em meio a uma sequência de terremotos que atingiram o Panamá nos dias 9 e 11 de outubro, incluindo um abalo de magnitude 7,7. Embora os tremores tenham provocado preocupação, não houve registro de mortes nos episódios mencionados. As informações divulgadas apontaram que 27 pessoas ficaram feridas. Há relatos também de comunidades que seguem isoladas desde que o terremoto destruiu infraestruturas de estradas e pontes.

Autoridades inspecionam trilhas após terremoto

Após o tremor de magnitude 7,0 registrado na província de Chiriquí, autoridades ambientais do Panamá mobilizaram equipes para verificar as condições de acesso ao vulcão Barú, um dos principais destinos de montanhismo do país.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente do Panamá (MiAMBIENTE), guardas-parques, técnicos e operadores turísticos inspecionaram a trilha de acesso e a área do cume. A avaliação visual não identificou deslizamentos, queda de árvores ou rochas, nem pontos que representassem riscos aos visitantes naquele momento.

Terremotos também atingiram outras regiões turísticas em 2026

O episódio no Panamá não é isolado. Ao longo de 2026, terremotos também atingiram regiões turísticas de diferentes países, incluindo Flores, na Indonésia; a região do Eje Cafetero, na Colômbia; Kumamoto, no Japão; e Granada, na Espanha.

Esses eventos reforçam a importância de conhecer os riscos naturais do destino antes de viajar. Em regiões montanhosas, os efeitos de um terremoto podem ir além dos danos a edifícios e estradas: a movimentação do terreno pode provocar queda de pedras, deslizamentos e, em determinadas condições, contribuir para a instabilidade de encostas nevadas.

Para quem está em uma trilha, a distância de centros urbanos, a dificuldade de comunicação e o acesso limitado das equipes de resgate podem tornar a resposta a uma emergência ainda mais complexa.

Mas você sabe como agir se um terremoto acontecer durante uma caminhada ou uma escalada?

Como se proteger de um terremoto na cidade

Durante um terremoto, a prioridade é proteger a cabeça e o pescoço, afastar-se de objetos que possam cair e evitar deslocamentos desnecessários enquanto o solo estiver tremendo. A conduta adequada depende do local em que você se encontra.

Se estiver dentro de um edifício:

– Abaixe-se, proteja a cabeça e o pescoço e, se possível, abrigue-se sob uma mesa resistente.

– Segure-se na estrutura de proteção até o tremor parar.

– Se não houver abrigo, proteja a cabeça com os braços e fique longe de janelas, espelhos e móveis altos.

– Não corra para a rua durante o tremor e não utilize elevadores.

Mesas e móveis resistentes podem ajudar a se protegem durante um terremoto. Imagem gerada com Inteligência artificial

Se estiver na rua:

– Procure uma área aberta, longe de edifícios, fachadas, muros, postes e outras estruturas que possam cair.

– Abaixe-se e proteja a cabeça até o tremor passar.

– Evite permanecer próximo a cabos elétricos ou estruturas danificadas.

Se estiver dirigindo:

– Reduza a velocidade e pare em um local seguro, longe de pontes, viadutos, túneis, edifícios e postes.

– Permaneça no veículo até o tremor parar, desde que não haja um perigo imediato que exija sair.

– Antes de retomar o trajeto, observe as condições da via e siga as orientações das autoridades.

O que fazer durante um terremoto na montanha?

Em trilhas e áreas de montanhismo, a resposta exige atenção adicional aos riscos do relevo. Paredões, encostas íngremes, canaletas e terrenos instáveis podem se tornar zonas de exposição à queda de pedras e a deslizamentos.

Se estiver caminhando em uma trilha:

– Interrompa a caminhada e procure manter o equilíbrio. Abaixe-se, se necessário.

– Proteja a cabeça e o pescoço com os braços, a mochila ou o capacete, caso tenha disponível.

– Se for possível sem aumentar o risco, afaste-se de paredões, encostas íngremes, ravinas e trechos sob rochas instáveis.

– Não tente correr por uma trilha estreita ou atravessar uma encosta exposta enquanto o terreno estiver tremendo.

Se estiver em uma encosta ou abaixo de uma parede de escalada:

– Proteja a cabeça, use capacete e fique atento à queda de pedras e à movimentação do terreno.

– Quando o tremor parar, avalie cuidadosamente se existe uma rota segura para sair da área exposta.

– Evite permanecer abaixo de paredes rochosas, canaletas e cones de detritos, onde pedras podem continuar caindo.

– Não atravesse áreas com sinais de deslizamento recente, rachaduras novas ou movimentação do solo.

Em setores de escalada, pedras soltas pode ser uma grande ameaça. Imagem gerada com inteligência artificial

Em terrenos nevados, também é necessário reavaliar o risco de avalanches. Um terremoto pode desestabilizar encostas, mas a ocorrência de uma avalanche depende de outros fatores, como as condições da neve, a inclinação e as características do terreno.

Por isso, não retome automaticamente a ascensão após o fim do tremor. É necessário reavaliar a rota, as condições meteorológicas, a estabilidade das encostas e as possibilidades de retorno. Se houver risco iminente, a prioridade deve ser sair da zona de exposição por uma rota segura, seguindo as orientações do guia ou da equipe de resgate.

Cuidados após o tremor

Tanto nas cidades quanto nas montanhas, terremotos secundários podem ocorrer após o abalo principal. Mesmo quando o solo para de tremer, os riscos podem continuar presentes.

Algumas medidas importantes são:

– Verifique se há feridos e preste primeiros socorros dentro dos seus conhecimentos e capacidades.

– Afaste-se de edifícios danificados, encostas instáveis e áreas sujeitas à queda de pedras.

– Não entre em construções com sinais de danos estruturais.

– Na montanha, reavalie a rota antes de prosseguir e procure informações sobre bloqueios, operações de resgate e alertas locais.

– Se houver falha de comunicação, economize a bateria do celular e utilize os dispositivos de emergência disponíveis no grupo, conforme os procedimentos previstos.

– Não retome a atividade apenas porque o tremor terminou. Se houver dúvidas sobre a segurança do percurso, interrompa a progressão e procure orientação.

Em regiões costeiras, há ainda um cuidado específico: se você sentir um terremoto forte ou prolongado em uma área sujeita a tsunamis, siga imediatamente as orientações locais e procure terrenos elevados ou áreas mais afastadas da costa, sem esperar um alerta oficial quando as recomendações de emergência determinarem evacuação imediata.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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