Por Jorge Fernandes
Edição: Alan Tocantins
Registro publicado em 2015 sobre um ensaio empírico de proteções fixas. As condições e observações do relato são apresentadas abaixo como documentação do experimento; não constituem certificação nem instruções para instalar ou aprovar uma ancoragem.

Grampo P entortado após teste.
Contexto do ensaio
O texto original discutia o uso de grampos P e chapeletas nas vias brasileiras. Entre os argumentos favoráveis aos grampos estavam o custo e a possibilidade de abandono da via; entre as preocupações estavam a qualidade das soldas, a fabricação artesanal e a variedade de materiais e processos.
Esses argumentos não permitem classificar toda proteção como segura ou insegura apenas pelo formato. A resistência depende da peça, da fabricação, do estado de conservação, da instalação e da rocha. A possibilidade de passar uma corda em um olhal também não autoriza fazê-lo em qualquer proteção: formato, desgaste e instruções do sistema precisam ser considerados.

Proteção química após o teste.
Segundo o relato, escaladores do Rio de Janeiro registraram em vídeo o comportamento de diferentes proteções sob uma queda simulada. O objetivo declarado era observar as peças ensaiadas, sem demonstrar superioridade geral de grampos P sobre outros sistemas.
Preparação descrita pelos autores
Foi construída uma estrutura auxiliar para elevar o lastro, com redução por duas polias. Os autores informaram uma caixa de madeira de 12 kg, 68 kg de cascalho e 3 kg de corrente, totalizando 83 kg. Esse valor representa a massa do lastro; não é uma medida de força de impacto.
Condições relatadas

Parabolt decepado após teste.
O relato menciona grampos de 1/2 polegada, com 6 cm de tarugo inseridos na rocha, e um furo feito com broca de 12 mm, usando 10 cm da parte ativa. Os autores disseram ter alargado o furo para representar uma instalação inadequada e facilitar a observação depois do impacto. Essas dimensões foram preservadas como dados declarados do experimento, não como combinação recomendada para instalação.
A rocha foi descrita como granito, com superfície a 90° em relação ao solo. O texto informa elevação de 1,5 m e queda de 3 m sobre uma única proteção. Uma corrente foi usada no lugar da corda dinâmica, com o propósito declarado de transmitir mais impacto à peça.
Por que “fator 2” não resume esse ensaio?
O original chamou a situação de “queda fator 2”. A Petzl explica que o fator de queda relaciona a distância da queda ao comprimento de corda, e que sua interpretação como severidade se aplica à corda dinâmica. Atrito, sistema de segurança e movimento do assegurador também influem.
Uma queda de lastro preso por corrente não deve ser apresentada como equivalente a uma queda de escalador em corda dinâmica apenas por repetir uma razão geométrica. Sem medição e caracterização do sistema, não é possível inferir a força recebida pela proteção a partir de “83 kg” ou “fator 2”.

Todas as proteções após o teste.
Vídeo do experimento
O vídeo original foi mantido como registro. Sua montagem e os furos descritos não são um procedimento de instalação, inspeção ou teste de uma proteção que será usada por pessoas.
O que os resultados permitem concluir?
Os autores relataram que os grampos P ensaiados retiveram o lastro, embora tenham sofrido deformações. Essa observação se limita às amostras e às condições descritas. Foi retirada a conclusão de que seria “inegável” que um grampo P seguraria um escalador em qualquer queda.
Uma observação empírica pode produzir informações úteis. A limitação deste registro é não apresentar um ensaio padronizado que sustente aquela conclusão geral. Não se deve usar o vídeo para certificar um modelo, validar uma instalação diferente, ignorar corrosão ou aprovar a reutilização de uma peça deformada.
A UIAA reúne a norma 123 e orientações sobre ancoragens em rocha, incluindo fabricação, qualidade de soldas e corrosão. Esses temas mostram que resistir a um único impacto não resolve todas as questões de segurança. A avaliação deve considerar o sistema completo, o ambiente e as instruções correspondentes.
Uma chapeleta disponível na loja
A Chapeleta Inox Bonier SimPles é um produto atual para ancoragem fixa, com aço AISI 304L e furo de 10 mm declarados na ficha da loja. Ela é citada como exemplo de produto com documentação própria; o ensaio desta matéria não comprova sua resistência e não certifica uma instalação feita com ela.
O manual da SimPles disponibilizado pela Bonier exige capacitação, compatibilidade dos componentes e inspeções. Ele também proíbe passar a corda diretamente na chapeleta, indicando conector apropriado. “Inox” não significa ausência de corrosão em qualquer ambiente; confirme com o fabricante a versão adequada, especialmente perto do mar.
Instalação e avaliação de proteções fixas exigem competência específica. Uma peça avariada ou uma instalação duvidosa não deve ser aprovada a partir deste vídeo.







