Turista fica mais de 11 horas preso em penhasco após escorregar ao tentar tirar selfie no Tocantins

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Um homem de 50 anos ficou preso à beira de um precipício com cerca de 60 metros de altura, na Serra de Taguatinga. Resgate mobilizou bombeiros, que utilizaram técnicas de rapel para alcançar a vítima em uma área de mata fechada.

Um turista foi resgatado após passar mais de 11 horas preso em um penhasco na Serra de Taguatinga, no sudeste do Tocantins. O acidente aconteceu na manhã de 13/10, quando o homem se aproximou da borda de um precipício para tirar fotografias, escorregou e ficou em uma posição de difícil acesso. Segundo o Corpo de Bombeiros, o local apresentava uma queda livre de aproximadamente 60 metros.

O homem precisou permanecer praticamente imóvel enquanto aguardava o socorro. Ele conseguiu utilizar o celular para pedir ajuda e compartilhar sua localização, o que permitiu que as equipes identificassem o ponto onde estava.

Local onde o homem ficou preso. Imagem: captura de vídeo de @filipecavalcantebm

Após a operação a equipe de Bombeiros conseguiu chegar ao solo com a vítima em segurança, por volta das 18h. No entanto, o resgate foi concluído às 23h53 de 13/10. A vítima apresentava escoriações e relatou sede. Após ser retirada da área de risco, foi encaminhada de ambulância ao Hospital Municipal São João Batista, em Taguatinga.

Resgate exigiu rapel e abertura de caminho na mata

A operação começou após o comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, em Taguatinga, acionar o Corpo de Bombeiros. Segundo os militares, o chamado ocorreu às 12h14, embora o acidente tivesse acontecido por volta das 8h.

Bombeiro descendo a vítima com técnica de rapel. Imagem: Captura de vídeo de @filipecavalcantebm

Ao chegar à serra, a equipe precisou localizar a vítima e preparar um sistema de ancoragem para descer pelo penhasco utilizando técnicas de rapel. Os bombeiros alcançaram o homem e utilizaram equipamentos de segurança, incluindo capacete e cadeirinha, para retirá-lo da posição em que estava.

A operação não terminou com a retirada do precipício. Os militares ainda precisaram conduzir a vítima por um trecho de mata fechada, com barrancos e obstáculos naturais. Pessoas que estavam na região auxiliaram na abertura de passagem pela vegetação com facões, facilitando o deslocamento até um ponto seguro, onde uma ambulância aguardava.

Segundo o bombeiro Filipe Cavalcante, que participou do resgate, o homem informou que havia se aproximado do barranco para tirar fotografias. Ele explicou ainda que o homem é do Distrito Federal e não conhecia a região, mas estava sozinho de bermuda e de chinelo levado uma garrafa de água.

Selfies em locais expostos podem terminar em acidentes graves

O caso chama a atenção para os riscos de se aproximar de bordas de penhascos e precipícios para conseguir uma fotografia. Mesmo em locais que parecem estáveis, o terreno pode apresentar pedras soltas, areia, erosão ou superfícies escorregadias. Um passo em falso pode resultar em uma queda com consequências graves.

Em áreas naturais, a ausência de trilhas demarcadas, a vegetação fechada e a dificuldade de acesso também podem tornar o resgate mais complexo. Além disso, visitar uma região desconhecida sem planejamento, equipamentos adequados ou companhia pode aumentar a vulnerabilidade em uma situação de emergência.

Em abril, o portal AltaMontanha divulgou um estudo publicado na revista científica Journal of Travel Medicine denominado “Selfie-related deaths using web epidemiological intelligence tool (2008–2021): a cross-sectional study”. Esse trabalho científico analisou mortes relacionadas a selfies registradas entre 2008 e 2021, identificando 379 mortes em 292 incidentes.

Os resultados apontaram que cerca de 60% das vítimas eram homens, com idade média de 24,4 anos, e que as quedas de altura foram a principal causa de morte, responsáveis por 49,9% dos casos, seguidas por acidentes de transporte (28,4%) e afogamentos (13,5%). Aproximadamente 37% das vítimas eram turistas, e a Índia concentrou a maior proporção dos registros. Os autores alertam para os riscos de comportamentos perigosos em busca de fotografias impactantes e defendem medidas preventivas, como campanhas educativas, orientação aos viajantes e sinalização em áreas de risco

Para reduzir os riscos, a recomendação é manter distância das bordas, não ultrapassar barreiras de segurança e evitar se posicionar em locais instáveis para fotografar. Também é importante pesquisar previamente o percurso, utilizar calçados apropriados, levar água suficiente e informar alguém sobre o destino e o horário previsto de retorno.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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