Classificação de trilhas Técnicas: Uma necessidade Real

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O sistema de classificação de trilhas no Brasil, pelo menos o vigente até 2017, carrega equívocos que foram se acumulando com o tempo e podem causar situações reais, como esta – Uma pessoa se acidentou gravemente numa trilha guiada profissionalmente, cuja classificação constava como sendo “caminhada moderada superior”, e a família entrou com um processo judicial contra o guia. O despacho do juiz foi o seguinte:

Ao meu entender, caminhada é feita com as pernas e pés. A vítima foi enganada porque se acidentou numa escalada, portanto, a total responsabilidade é do acusado que a partir de agora é réu e terá que cumprir com as devidas penas...”

O mesmo pode acontecer se o acidente for dentro de uma caverna ou dentro de um rio, e o passeio ter sido vendido como “caminhada”. Ou seja, essas trilhas não estão corretamente regulamentadas por falta de critérios de classificação claros. O sistema de classificação de trilhas vigente até 2017 pode acarretar em interpretações errôneas, ao ponto de algumas pessoas considerarem uma verdadeira escalada técnica de rocha como “caminhada”, além de outros exemplos.

Muitas trilhas de montanhas no Brasil não podem ser classificadas apenas como caminhada porque possuem partes íngremes com escalada de vegetação, blocos de rocha, trechos curtos com escalada de agarras ou fendas, descida com corda, travessia de cavernas e cruzamento de rios. Essas trilhas tão pouco podem ser classificadas como escalada ou espeleologia, ou seja, existe um meio termo que causa muitos problemas e os sistemas de classificação de caminhada e de escalada não conseguem graduá-las adequadamente, como já havia sido dito por Faria (2006). Para isso é necessário um terceiro tipo de classificação sugerida neste trabalho, específico para “trilhas técnicas”, e que ainda não existe no Brasil, na tentativa de prevenir (ou minimizar) futuros acidentes, ou mesmo amparar legalmente guias e empresas.

Evolução da Graduação de Caminhadas no Brasil

Antes dos anos 1800 grupos de pessoas civis já faziam caminhadas por lazer, no entanto, a partir dos anos 1900 essa atividade passou a ser organizada. Obviamente caminhada sempre existiu, os índios brasileiros caminhavam centenas de quilômetros antes dos europeus chegarem. Boa parte dos traçados das principais rodovias brasileiras, como a (BR116) ou a (BR101), entre muitas outras, eram largas trilhas indígenas. Militares, paramilitares e milicianos fizeram travessias gigantescas de milhares de quilômetros por todo o território brasileiro durante os séculos 19 e 20, às vezes eram percorridos a pé quase 70 km em um dia. Em 1916 o Marechal Rondon fez uma longuíssima marcha para subir o Monte Roraima para demarcação de fronteira.

Ao longo do século 19 (de 1801 a 1900), já era comum grupos de pessoas andarem em trilhas longas como recreação, por exemplo, entre os anos 1860 e 1910 o carioca Marc Ferrez subiu com outras pessoas muitas montanhas no Brasil, como mostram muitas de suas fotos (Ferrez, 2015). O Maciço do Marumbi, no Paraná, também recebia grupos de caminhada pelo menos a partir de 1870, conforme Hartmann (2007). Grupos organizados que incluíam imigrantes germânicos já faziam caminhadas em Itatiaia antes de 1900, como mostra Lucena (2008). Os clubes de excursionismo do Rio de Janeiro passaram a organizar caminhadas de forma sistemática a partir de 1919, mas não existia uma graduação, tanto a caminhada como a escalada nacional eram basicamente copiadas dos militares, incluindo as vestimentas, calçados, mochilas e cantis. Aliás, era comum caminhar com espingarda (Figura 1). Por exemplo, a primeira subida (documentada) das Agulhas Negras teve o lance de escalada final feito com ajuda de uma espingarda. Até um tempo atrás chamavam essa subida de “Caminhada das Agulhas Negras”, apenas recentemente passaram a graduar como escalada, todavia, essa linha também não se encaixa propriamente em modelo de escalada.

Figura 1 – Esta foto de 1890 mostra uma travessia que era feita pelos costões de Jurujuba (Niterói RJ). Nota-se ainda que não era apenas uma caminhada, existiam trechos técnicos. Muitos não usavam calçados porque escorregavam e eram artigos de luxo, além disso, iam armados com espingardas. Fonte: Ferrez (2015).

Antigamente não havia distinção entre escalada e caminhada de montanha, eram consideradas a mesma coisa, isso foi mudar apenas a partir da terceira década do século 20 com a consolidação do Centro Excursionista Brasileiro (CEB) e do Centro Excursionista Rio de Janeiro (CERJ), e com a influência dos imigrantes alemães, austríacos e suíços, que eram relativamente numerosos nessas agremiações. Surgiu nessa época a graduação das caminhadas que era dividida em 3 níveis, baseada no militarismo, entretanto, a palavra militar usada era “marcha”. Marcha leve, marcha moderada e marcha pesada. A partir dos anos 40 passaram a graduar a dificuldade das linhas de escalada técnica nas montanhas, sendo adotando o sistema usado pela União Internacional de Associações de Alpinismo (UIAA), com níveis representados pela numeração romana, subdivididos em (-) inferior e (+) superior: I-, I+, II-, II+… VI- e VI+. O sistema de classificação de caminhada passou a copiar essa subdivisão da seguinte forma: leve, leve superior, semimoderada, moderada superior, semipesada, pesada e pesada superior.

Posteriormente outros clubes foram fundados no Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, sendo fundamentais na implementação e organização de caminhadas e escaladas no País, dando grandes contribuições, conforme (Faria, 2006). Todavia, essa classificação é baseada em subjetividades, não segue critérios técnicos bem definidos e dá margens a má interpretação. Tal classificação nasceu dentro do CEB para ser usada nas montanhas do Rio de Janeiro e passou a ser adotada pelas agremiações de outros estados. Porém, existem diferenças geológicas, geomorfológicas e ambientais em todos os cantos do País, com cânions, cavernas, cruzamento de rios largos e travessias de costa rochosa repleta de campos de blocos e costões. Ou seja, tal classificação passou a não atender as necessidades de outras regiões brasileiras. O nível máximo era caminha pesada superior e o exemplo mais conhecido era a travessia Petrópolis-Teresópolis (RJ).

No final dos anos 1980 e década de 1990 as caminhadas organizadas saíram da exclusividade dos clubes e tentaram seguir modelo independente, surgiu aqui os ”trekkings”, que queria dizer caminhada de travessia longa que normalmente exigia alguns dias. Em 1986 a extinta rede de academias de ginástica Corpore inaugurou tal sistema no Rio de Janeiro. Logo depois o Camping Clube do Brasil começou a fazer o mesmo, mas oferecendo certa infraestrutura, como a travessia Prado-Porto Seguro, na Bahia. Na mesma época surgiram em São Paulo algumas empresas de “trekking”, oferecendo serviços de forma mais profissional.

A partir do ano 2000 a travessia da Serra Fina (MG-SP-RJ) ficou famosa e notaram que ela era mais extensa que a Petrópolis-Teresópolis. Posteriormente perceberam a existência de várias outras caminhadas “esportivas” com extensão superior a 50 km. Depois foram ligadas uma travessia à outra, somando as distâncias, dando origem a travessias excepcionalmente longas, como a Andaraí-Pati-Lençóis, que é secular, existindo muito antes da formação dos clubes de excursionismo. Recentemente foi criada a Transmantiqueira, de aproximadamente 350 km, além de outras.

Daí surgiu a demanda para outros níveis de graduação e durante um congresso realizado no Rio de Janeiro em 2014, foram adicionados os níveis “caminhada extra pesada” e “longo curso”. Com isso a graduação nominal qualitativa perdeu a progressão lógica, que pelo menos havia antes. Além disso, “caminhada pesada superior” parece sinônimo de “caminhada extra pesada”. O termo ”longo curso” destoa do resto, embora na descrição fique mais claro. Em 2015 a Federação de Esportes de Montanha e Escalada do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) formalizou a nova metodologia de classificação de trilhas, como segue o exemplo na tabela 1.

Tal nomenclatura do grau qualitativo, de acordo com a primeira coluna da tabela 1, poderia ser substituída por grau numérico ou alfanumérico, para dar espaço para futuras expansões para níveis ainda mais difíceis, sem ter que adotar nomes discrepantes, como os usados atualmente. As descrições metodológicas expostas em FEMERJ (2015) não seguiam critérios claros, tornando a classificação subjetiva. A partir disso surgiram exemplos completamente equivocados, que misturavam caminhada com escalada, mas sendo que o objetivo chave era criar metodologia para classificar caminhada.

Grau qualitativo Descrição aproximada da FEMERJ
Leve

Leve superior

Moderada

Moderada superior

Pesada

Pesada superior

Extra pesada

Longo curso

Até 3 km ou desnível vertical de até 400 m;

Até 6 km ou desnível de até 600 m;

Até 12 km ou desnível de até 800 m;

Até 18 km ou desnível de até 1200 m;

Até 24 km ou desnível de até 2000 m;

Até 36 km, ou desnível acima de 2000 m;

Acima de 36 km com desnível acima de 2000 m;

Maior que 50 km (sem desnível indicado).

Tabela 1 – Níveis de dificuldade das caminhadas – Fonte, FEMERJ (2015).

E assim, um grande número trilhas de montanhas, costa rochosa e cânions não podem ser classificadas tecnicamente, se forem seguidos os critérios de caminhada e escalada. Por exemplo, como classificar uma trilha que tem longos trechos íngremes de escalada pela vegetação, onde subimos agarrados em bromélias e raízes frágeis? Isso é muito comum nas serras brasileiras. Também é muito comum trilhas com escalada em blocos; em paredes com agarras, fendas ou costões íngremes; algumas travessias passam por cavernas acidentadas que jamais poderiam ser classificadas como caminhada; vias equipadas com cabo de aço ou escada de ferro também não são caminhadas; em várias linhas classificadas como caminhada são necessárias descidas de corda; outras passam por dentro de rios largos que necessitam equipamentos especiais para atravessar. Surge aí a demanda para outro tipo de classificação para graduar outra classe de trilha, o que já é prática tradicional na América do Norte, Europa e alguns países da Oceania e África. Por falta de um nome melhor, neste trabalho é adotado o termo “Trilha Técnica”.

Caracterização de Trilha Técnica

No Brasil é usado de forma genérica o termo “escalaminhada” quando uma trilha tem algum lance de escalada, ou seja, não é uma simples caminhada, é preciso ter alguma técnica para subir blocos, escalar pequenas paredes, chaminés e costões, ou atravessar corredores horizontais apertados. Os norte-americanos e canadenses dividem o montanhismo da seguinte forma: caminhada, “escalaminhada” (scrambling), escalada exposta de rocha, escalada técnica de rocha e escalada técnica de gelo, como descrevem Graydon (1992) e Ortenburger & Jackson (1996). Porém, existem ainda outras formas de classificar e nenhuma é oficial, são todas sugestivas. Na Europa também tem classificações com graduações específicas para essas modalidades e existem livros e guias que tratam exclusivamente de cada uma delas.

Todavia, voltando ao Brasil, “escalaminhada” não faz muito sentido quando atravessamos grutas e cruzamos rios largos. Algumas pessoas sugeriram a adoção de modelos estrangeiros para classificar trilha técnica no Brasil, como a americana ou suíça, todavia, essas classificações foram elaboradas para climas temperados e ambientes alpinos, que são muito diferentes das condições ambientais encontradas nos climas tropical, subtropical e tropical de altitude, por isso é melhor criar um sistema próprio, como é justificado no texto.

Nas montanhas brasileiras muitos trechos de escalada em rocha foram equipados com cabo de aço para facilitar a ascensão, a “Caminhada do Dedo de Deus” que dá acesso aos picos (com exceção do dedo indicador, o mais alto) na verdade segue por uma longa encosta rochosa equipada com cabo de aço. Hoje isso é conhecido como via ferrata, como é também a linha normal de acesso norte da Pedra do Baú (SP), equipada com degraus de vergalhão. Ou seja, com a evolução dessas atividades no Brasil e com o surgimento de centenas de milhares de praticantes e um grande número de trajetos abertos, tornou-se necessário separar essas atividades: escalada é uma atividade distinta; caminhada diz respeito ao deslocamento com as pernas e pés; no meio fica a “trilha técnica” que é um conjunto de atividade híbridas que precisa ter classificação à parte (Figura 2).

Fora das montanhas existem outros exemplos. Existem muitas caminhadas no Brasil para acessar cachoeiras que são tipicamente trilhas técnicas, algumas seguem por dentro de cânions, ou mesmo por dentro do leito pulando e escalando blocos de rocha e avançando também por dentro do fluxo de água. Como exemplo algumas cachoeiras da Chapada Diamantina (BA): Trilha da Cachoeira do Sossego e Travessia da Cachoeira da Fumaça. Existem algumas que tem trechos de escalada, como a Travessia do Cânion do Travessão, na Serra do Cipó (MG) e Trilha da Cachoeira da Fumacinha (Ibicoara BA). Essas trilhas são complexas ainda por serem cânions profundos, expostos periodicamente aos fluxos torrenciais repentinos, conforme Faria (2000), onde a taxa de fatalidade cresce a cada ano.

Na costa rochosa de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro existem muitas travessias complexas que são feitas entre grandes quantidades de blocos rochosos, que exigem técnicas de escalada e conhecimento sobre a oscilação da maré, inclusive existe classificação para isso, conforme estudos de Faria (2016 e 2018). Muitos dos chamados “caminho de pescador” são dotados de passagens técnicas com lances de escalada e cordas fixas, com alto risco de fatalidade.

Todos esses exemplos justificam o termo trilha técnica porque abrangem outras formas de deslocamento, com escalada e descida técnica de corda, enquanto “caminhada” fica restrita ao deslocamento pelo simples ato de andar. Seguem 10 exemplos diferentes e conhecidos que já foram ou são classificados equivocadamente como caminhada:

1 – Normal das Agulhas Negras (PNI-RJ) – Trechos de escalada em costão, paredes e blocos.
2 – Trilha da Pedra da Gávea (RJ) – Trecho de escalada em parede e em blocos.
3 – Crista do Pico do Escalavrado (PNSO RJ) – Longos costões e trechos de escalada.
4 – Trilha Noroeste do Gigante-Olimpo (PR) – É preciso subir longos trechos de costão rochoso íngreme equipados com correntes finas.
5 – Pico Médio de Friburgo (RJ) – É preciso escalar pela vegetação, blocos e costão íngreme.
6 – Sul da Pedra do Baú (SP) – Longos trechos íngremes com degraus de vergalhão.
7 – Travessia G1-G3 do Morro da Pedreira (MG) – Travessia de cavernas, costões de calcário e blocos.
8 – Circuito do Lapão (Lençóis BA) – É necessário atravessar caverna de centenas de metros sem luz natural, com subida e descida de paredes rochosa e blocos.
9 – Travessia do Cânion Malacara (RS/SC) – É necessário fazer diversas descidas técnicas de corda.
10 – Travessia Andaraí-Pati-Lençóis (BA) – Várias travessias de rios que podem ser problemáticas durante as chuvas.

Figura 2 – Cume do Pão de Açúcar em 1910, o Costão era o único acesso. Até os anos 1980 essa via era considerada caminhada, embora alguns já considerassem “escalaminhada” porque tem longo trecho de costão rochoso e era necessário escalar pela vegetação. Posteriormente a vegetação caiu, ficando mais difícil e depois alguns blocos foram retirados, ficando mais difícil ainda. Hoje podemos classificar como caminhada técnica. Fonte: Ferrez (2015).

Os exemplos são muitos, mas o mais emblemático é o uso do Pico do Cabeça de Peixe (PNSO) como modelo de caminhada pesada, exposto na Metodologia de Classificação de Trilhas de Caminhada, publicada pela FEMERJ (2015). Essa subida tem pouco de caminhada, é um trajeto muito íngreme e exposto, com desnível vertical de quase 1200 m. É preciso escalar pela vegetação, têm lances de blocos, subida de aderência em costão e trechos de parede e fendas verticais equipadas com cordas fixas que estão podres. Sem essas cordas a subida pode ser classificada como escalada técnica de nível moderado para um escalador, mas pode ser extremo para um não-escalador. A subida dessa montanha pode ter dificuldade equivalente à escalada do Dedo de Deus. Ou seja, isso jamais poderia ser classificado como caminhada. Outro exemplo curioso na mesma tabela da FEMERJ é o acesso normal da Pedra da Gávea (RJ), classificada como modelo de “Caminhada Moderada Superior”. Além de existir alguns lances de bloco fáceis, há um trecho de escalada pura onde muitos usam corda para descer.

Como Classificar a Dificuldade da Trilha Técnica

Como já foi exposto anteriormente, a proposta é criar uma classificação que leve em consideração a extensão e/ou desnível vertical, junto com a dificuldade técnica, apresentada por trechos com escalada de blocos, paredes com agarras e fendas, escalada pela vegetação, descida com corda, travessia de cavernas e cruzamento de rios.
Como base é usado o modelo de classificação de trilhas publicado na FEMERJ (2015), porém, simplificado em 4 níveis, como mostra a tabela 2.

Sigla Graduação Descrição resumida
L Leve Até 6 km ou desnível de até 600 m;
M Moderada Até 24 km ou desnível de até 2000 m;
P Pesada Até 36 km, ou desnível acima de 2000 m;
EP Extra pesada Acima de 36 km, ou desnível maior que 2000 m

Tabela 2 – Simplificação do modelo de classificação de trilhas.

Trilhas técnicas com escalada em rocha

A situação mais comum numa trilha técnica são trechos curtos com blocos rochosos, costão e/ou parede de rocha que podem ter agarras ou fendas, além de chaminés. As classificações das dificuldades desses tipos de escalada são bem conhecidas e difundidas, entretanto, seria complicado usá-las em um sistema híbrido como o presente, sendo assim, para isso foi criada uma escala simplificada. O nível “extremo” adotado aqui pode ser considerado “mediano” para um escalador experiente, ou seja, são classificações com objetivos distintos (Figura 3).

Figura 3 – Travessia do Pontal do Atalaia (Arraial do Cabo RJ). Escalada e desescalada de costões íngremes e longos, podendo ser caracterizada como nível 3 (difícil). Com recomendação de equipamentos de segurança (Tabela 3).

O termo “altura do peito” é usado aqui como referência para a escalada de bloco, platô de vegetação ou de terra. Abaixo desse nível é considerado fácil, acima pode ser moderado ou difícil. Isso é baseada em experiência de campo (tabela 3).

Pode-se considerar ainda que o trecho de escalada deve ser menor que 20 m de altura (vertical), inclinação máxima de 80° e conter em abundância bons apoios (agarras) para mãos e pés em função da resistência física dos braços de uma pessoa não-escaladora. Situações acima desses parâmetros deve ser entendida como escalada de técnica de rocha, e não trilha técnica.

Como foi exposto anteriormente, essas trilhas não são restritas aos ambientes de montanha, na costa rochosa das regiões Sul e Sudeste existem muitas trilhas com situações parecidas. O mesmo ocorre em trilhas dentro de cânions para acessar cachoeiras. Um exemplo que pode calibrar este modelo é o Costão do Pão de Açúcar (RJ), que é o mais conhecido.

1

fácil

– Escalada de bloco com altura máxima na linha do peito;
– Costão menor que 30 m de extensão com rocha lisa até 30° de inclinação ou rugosa até 45° de inclinação e;
– Chaminé curta entre 0,4 e 0,7 m de largura;
– Geralmente não é necessário o uso de equipamento de segurança.

2

moderada

– Escalada de vários blocos sucessivos com altura na linha do peito;

– Parede rochosa com inclinação em torno 45° de inclinação, menos de 20 m de altura e com agarras grandes e abundantes que cabem mãos e pés;

– Fenda de até 0,3 m de largura que cabem confortavelmente braços e pernas;

– Chaminé menor que 20 m de altura, entre 0,4 e 0,7 m de largura e boas agarras no interior;

– Dependendo da exposição à altura, pode ser necessário uso de equipamentos de segurança.

3

difícil

– Costão rochoso com centenas de metros de extensão, com inclinação entre 30° e 45°;

– Parede rochosa de no máximo 80° e até 20 m de altura, com abundância de agarras médias (cabem os dedos com todas as falanges);

– Fenda com até 0,3 m de largura com boas pegas para as mãos;

– Chaminé com largura menor que 0,5 m ou maior que 0,7 m e sem agarras no interior .

– É recomendável equipamentos de segurança e pode haver necessidade de uso de material de escalada.

4

extrema

– Parede rochosa de no máximo 80° e até 20 m de altura, com agarras pequenas e médias (cabem entre uma e duas falanges dos dedos);

– Fenda menor que 0,1 m (10 cm) de largura com boas pegas;

– Chaminé vertical lisa muito apertada (entre 0,3 e 0,4 m de largura) ou muito larga (mais de 1 m). É recomendável equipamentos de segurança e material de escalada.

Tabela 3 – Graduação de escalada em rocha nas trilhas técnicas.

Trilhas técnicas com escalada de vegetação

Este item também justifica uma classificação brasileira, ou tropical, em função da biodiversidade. As características descritas a seguir normalmente não são encontradas em ambientes temperados e alpinos. Os paranaenses criaram o “grau de mato” (M) para as trilhas da Serra do Marumbi, em mato fácil, mato médio e mato difícil, de acordo com Hartmann (2007). Entretanto, eles não explicam tal graduação. No País existem faixas de altitudes, do nível do mar a 2900 m, com vegetação distinta, cada qual com características diferentes. Por exemplo, nos campos de altitude e nos campos rupestres das serras do Mar, Mantiqueira, Espinhaço e Geral existem bambus muito finos e pequenos arbustos com enorme resistência, além de gramíneas em grandes tufos. Nas áreas de altitudes mais baixas as raízes de arbustos e árvores fornecem ótimos apoios. Nos costões das áreas costeiras e também nas montanhas existem bromélias de diversos tipos que são usadas como apoio para mãos e pés. Com tanta biodiversidade, pode ser considerado o seguinte, de acordo com a Tabela 4 e Figura 4:

1

fácil

– Encosta com inclinação menor que 45°, com raízes e troncos firmes;

– Costão de até 45°, com abundância de bromélias ou outro tipo de vegetação;

2

moderada

– Encosta maior que 45°, com raízes e troncos firmes;

3

difícil

– Encosta maior que  45° como bambu fino ou vegetação rala;

– Platô de vegetação com altura acima da linha do peito, em parede rochosa acima 70°;

– Arbustos finos com base acima da linha do peito, em parede rochosa acima 70°;

– Dependendo da exposição à altura, é recomendável uso de equipamentos de segurança.

4

extrema

– Encosta com inclinação maior que 45° com poucas bromélias e/ou gramínea e musgo;

– É recomendável uso de equipamentos de segurança.

Tabela 4 – Graduação de escalada de mato.

Figura 4 – Pico da Coroa do Frade (PNSO RJ). Considerada como trilha pesada com muitas passagens de escalada em vegetação com passagens difíceis, algumas extremas. Foto: Antonio Faria.

Trilhas técnicas com descida de corda

As descidas com corda podem ser simples, por exemplo, quando é possível usar as mãos como freio. Podem ainda ser complexas, quando é necessária aplicação de conhecimento técnico usado na escalada e na espeleologia. Atualmente se tornou popular o uso do termo “rapel” para descida com corda como atividade de lazer. Contudo, isso é apenas uma técnica, existem várias outras. Em geral, nas trilhas técnicas em montanhas que possuem trechos de escalada, é necessária corda parta fazer a descida com segurança. Em alguns casos a descida é feita por caminhos diferentes da subida, com a necessidade de longas descidas de corda de até 30 m. Por outro lado, em muitas trilhas de travessia pode não haver a necessidade de escalar, mas pode ser preciso usar corda para descer alguns trechos, como exemplo a travessia do Cânion Malacara (RS/SC).

Foi usado o limite de 30 m em função do comprimento padrão médio das cordas de escalada, que medem 60 m. Para realizar a descida e a recuperação da corda, ela passada por dentro de grampos ou por detrás de árvores, e é dobrada na metade, como mostram muitos manuais de escalada. Desta forma, podemos ter as seguintes situações, como mostra a Tabela 5 e Figura 5:

1

fácil

Trecho de descida menor que 10 m de altura, em encosta com menos de 45° de inclinação. Pode se descer usando as mãos como freio;

2

moderada

Descida de encosta com até 30 m de altura e menor que 45° de inclinação. Recomenda-se usar equipamentos técnicos.

3

difícil

Descida de parede rochosa vertical ou com inclinação negativa, menor que 30 m de altura. Equipamentos técnicos são indispensáveis.

4

extrema

Parede vertical ou negativa com mais de 30 m de altura, com possibilidade de descidas longas sucessivas. Equipamentos técnicos são indispensáveis.

Tabela 5 – Graduação das descidas com corda.

Figura 5 – Descida técnica de corda do Pico do Cabeça de Peixe (PNSO RJ). Essa trilha tem duas descidas de corda que exige equipamentos específicos, e outras que a mão pode ser usada como freio. Somente este quesito a torna tecnicamente difícil. Foto: Antonio Faria.

Trilhas técnicas com cruzamento de rios e mar

Independente da largura, muitos rios rasos com profundidade abaixo da linha do joelho podem ser atravessados andando normalmente, entretanto, existe uma variedade enorme de tipologias fluviais, de acordo com Knighton (1984), e as vazões oscilam muito em poucos dias. Geralmente os rios que precisam ser cruzados por dentro e que oferecem dificuldade, tem largura maior que 2 m. Pode ser fatal um curso fluvial com esta largura, profundidade de 1,5 m e correnteza com velocidade de 1 m/s. Lembrando que a profundidade e a velocidade das correntes mudam sazonalmente e as pessoas possuem estaturas diferentes. A profundidade de segurança adotada aqui é a da linha da cintura (± 1 m) e a velocidade crítica do fluxo de água é de 0,1 m/s (= 1 m em 10 s), que pode ser calculada facilmente com objetos flutuantes. Essa velocidade pode ser insignificante na altura do joelho, mas ao nível da cintura passa a exercer pressão maior e na altura do peito pode desestabilizar uma pessoa, conforme Faria (2000). Um indivíduo carregando nas costas mochila grande e pesada, se for derrubado pela correnteza pode se afogar em profundidade menor que 1 m. Ainda tem o agravante da mochila absorver água e ficar ainda mais pesada, como descreve Faria (2006). Em muitas situações pode ser necessário corda para segurança, todavia, existem técnicas para esse tipo de uso.

Em algumas travessias de litoral rochoso há trechos onde é preciso passar por dentro da água, às vezes é preciso nadar ou usar flutuadores, o que se caracteriza como passagem técnica. As travessias de cursos fluviais e marinhas podem ter as seguintes características, de acordo com a Tabela 6 e Figura 6.

1

fácil

– Rio raso e calmo: profundidade menor que 1 m e velocidade abaixo de 0,1 m/s. Geralmente tem fundo arenoso.

– Mar raso e sem ondas, geralmente tem fundo arenoso.

2

moderada

– Rio raso com corredeira: velocidade acima de 0,1 m/s; normalmente tem fundo pedregoso ou rochoso.

– Mar raso com ondas pequenas.

3

difícil

– Rio fundo e calmo: profundidade maior que 1 m e velocidade abaixo de 0,1 m/s. Pode necessário equipamentos de segurança.

– Mar fundo e calmo.

– Pode necessitar de equipamentos de segurança.

4

extrema

– Rio fundo com corredeira: apresenta fluxo muito turbulento com fundo pedregoso ou rochoso.

– Mar fundo e com ondas.

– É recomendável equipamentos de segurança.

Tabela 6 – Graduação de travessia de rios e mar

Figura 6 – Um dos vários cruzamentos de rio da Travessia Andaraí-Pati-Lençóis. Dependendo do nível da água, ou profundidade, que oscila com o tempo, esta travessia pode mudar de moderada para extrema. Foto: Antonio Faria.

Dependendo da pluviosidade, um rio raso e calmo pode mudar em poucos minutos para fundo e turbulento, em função dos fluxos torrenciais repentinos. O cruzamento com mochilas grandes e pesadas pode se tornar inviável.

Trilhas técnicas com travessia de caverna e corredor estreito

Muitas trilhas técnicas cruzam terrenos que possuem cavernas de rochas distintas, inclusive nas montanhas. Elas podem variar entre poucos metros a centenas de metros de extensão. Todavia, essas travessias precisam ser simples, caso o contrário seriam atividades espeleológicas, que possuem regras específicas. Espeleologia é a ciência/esporte que explora exclusivamente caverna e se tornou muito bem organizada, inclusive com sistema de graduação próprio e muito bem definido, que classifica em: fácil, médio, difícil e extremo, conforme mostra Lobo et aIl. (2011). Na trilha técnica a caverna é apenas um terreno de passagem, e não o objetivo principal, como é na espeleologia.

De acordo com Lino (2001) e Faria (2018), normalmente as cavernas são formadas por: sobreposição de blocos rochosos soltos, muito comuns nas serras brasileiras; erosão marinha em falhas geológicas ou em rochas intrusivas menos resistentes; erosão promovida pelos rios subterrâneos, especialmente em terrenos com rocha calcária.

Existem trilhas técnicas que atravessam terrenos com muitos blocos, como é o caso de extensos trechos do litoral das regiões Sul e Sudeste e do Planalto do Itatiaia (RJ/MG), além de muitas outras áreas. É muito comum nesse tipo de terreno a trilha passar por corredores horizontais apertados formados por fendas na rocha ou por blocos rochosos onde é usado técnica de escalada em chaminé, até mesmo para fazer travessias horizontais (Tabela 7 e Figura 7).

1

fácil

– Travessia de trechos curtos com corredores apertados;

– Travessia  de cavernas horizontais curtas com luz natural;

2

moderada

– Travessia de corredores apertados onde pode ser necessário a aplicação de técnica de chaminé para movimentação horizontal;

– Travessia de cavernas curtas e sem luz natural.

3

difícil

– Travessia de cavernas longas sem luz natural, com muitos blocos ou espeleotemas no piso. Pode ser necessário subir e descer desníveis na altura do peito.

4

extrema

– Travessia de cavernas com centenas de metros de extensão com piso muito irregular e sem luz natural, com trechos internos de escalada e desescalada;

– Travessia de caverna íngreme e sem luz natural de dezenas de metros de extensão, onde pode ser necessária a aplicação de técnicas de escalada;

– Pode haver cruzamento de rios subterrâneos;

– É recomendado o uso de equipamentos de segurança.

Tabela 7 – Graduação de cavernas e corredores para trilhas técnicas.

Figura 7 – Uma das travessias de caverna sem luz natural no Morro da Pedreira (Serra do Cipó MG). Este exemplo caracteriza uma passagem técnica de dificuldade média. Foto: Antonio Faria.

Forma de Classificar Trilha Técnica

De acordo com o exposto nas tabelas anteriores, é possível montar um quadro geral com a classificação final das trilhas técnicas, de modo a se diferenciar da caminhada, da escalada e da espeleologia, apesar dessas atividades estarem interligadas. A matriz exposta na tabela 8, a seguir, mostra 16 possibilidades de graduação, combinando o nível da caminhada com o grau de dificuldade técnico. A graduação é dada em situação seca, sem água, sem gelo e sem neve, porque no Brasil não temos ambientes alpinos, apesar de tempos em tempos ocorrer formação de gelo e queda de neve em algumas trilhas. Obviamente o cruzamento dos rios é feito passando pela água.

Nível da caminhada Dificuldade Grau da trilha técnica
L (leve)

M (Moderada)

P (Pesada)

EP (Extra pesada)

1 (Fácil)

2 (Moderada)

3 (Difícil)

4 (Extrema)

L1, L2, L3 e L4

M1, M2, M3 e M4

P1, P2, P3 e P4

EP1, EP2, EP3 e EP4

Tabela 8 – Sistema de graduação de trilhas técnicas.

Para calibrar este modelo a seguir foi elaborada uma lista com alguns exemplos bem conhecidos:

L1 – Travessia da Serrilha do Papagaio (PNT RJ) – Escalada de vegetação, blocos e
passagens rochosas horizontais expostas.
L1 – Travessia G1-G3 do Morro da Pedreira (MG) – Travessia de cavernas, costões de
rocha calcária e blocos.
L2 – Trilha da Face Sul da Pedra do Baú (SP) – Longos trechos verticais com degraus de
ferro.
L3 – Crista do Escalavrado (PNSO RJ) – Trechos de escalada, longos costões íngremes e
expostos.
L3 – Costão do Pão de Açúcar (RJ) – Trechos de escalada, blocos e costões.
L4 – Travessia Praia Vermelha-Leme (RJ) – Travessias horizontais de costões íngremes,
lances de escalada e trecho feito nadando em águas profundas.
L4 – Circuito do Lapão (Lençóis BA) – Travessia de gruta longa e sem luz natural, com
escalada e desescalada de rochas e blocos.
M1 – Trilha da Cachoeira do Sossego (Lençóis BA) – Escalada de bloco, pequenos
trechos de escalada e cruzamento de rio.
M2 – Trilha da Pedra da Gávea (PNT RJ) – Trecho de escalada, escalada de bloco e
descida com corda.
M3 – Trilha do Pico Médio de Friburgo (RJ) – Escalada de bloco e vegetação, costão e
descida de corda.
M3 – Normal das Agulhas Negras (PNI-RJ) – Trechos de escalada, blocos, costão e
descida de corda.
P2 – Trilha Noroeste do Gigante-Olimpo (PR) – Escalada de vegetação, longos trechos
de costão íngreme equipados com correntes finas.
P3 – Normal do Pico do Garrafão (PNSO RJ) – Trecho de escalada, costões, escalada em
vegetação, travessia de caverna com luz natural e descida de corda.
P3 – Travessia do Cânion Malacara (RS/SC) – Diversas descidas técnicas de corda.
P4 – Pico do Cabeça de Peixe (PNSO RJ) – Trechos de escalada, escalada de bloco e
vegetação, descidas de corda.
EP2 – Travessia Andaraí-Pati-Lençóis (BA) – Várias travessias de rio.
EP2 – Transmantiqueira (SP-MG-RJ) – Dependendo de como é feita, pode ter escalada
de bloco/vegetação e costões.
EP3 – Pico do Yaripo (P.N. Pico da Neblina AM) – Escalada de bloco/mato e travessia de
rios.

Conclusão

A classificação sugerida neste trabalho buscou, de forma simples, resolver um problema antigo de graduação de trilhas de montanha, que não podem ser denominadas de “caminhada”, mas também não se encaixam nos modelos de escalada ou espeleologia. Todavia, também inclui trilhas fora do ambiente de montanha, que passam pela costa rochosa, ambientes fluviais e cavernoso. Ou seja, é uma classificação distinta que não substitui a graduação clássica de caminhada. Porém, sugere mudanças porque a metodologia de classificação de caminhada aceita até 2017 tem equívocos que dificultam graduar, deixando o usuário com dúvida, sem saber, ao certo, se trata-se de uma caminhada ou escalada. E isso pode levar à acidentes, que inclusive, estão se tornando comuns porque centenas de milhares de usuários, a maioria sem preparação adequada, estão frequentando as trilhas de montanhas, trilhas de cachoeiras e trilhas para praias isoladas na costa rochosa. Sendo assim, este documento visa dar embasamento técnico para classificação de trilhas técnicas, tornando-as. Entretanto, precisa ainda passar pelo crivo das federações e confederação dos esportes de montanha e escalada do Brasil.

Referências Bibliográficas

GRAYDON, D. Mountaineering: the freedom of the hills. The Montaineers. Seattle. 447 p. 1992.
FARIA, A.P. Dinâmica geomorfológica da costa rochosa do Estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Geomorfologia, V19 (1): 187 – 204. 2018.
FARIA, A.P. A Escalada Brasileira. Companhia da Escalada, 384 p. 2017.
FARIA, A.P. A costa rochosa brasileira, um mundo a ser explorado. Revista Montanhas, no 5: 64 – 68, 2016.
FARIA, A.P. Montanhismo Brasileiro Paixão e Aventura. Publit, 262 p. 2006.
FARIA, A.P. Córregos de alto risco. Ciência Hoje. V 28 no 165: 69 – 73. 2000.
FEMERJ. Metodologia de classificação de trilhas. V6.1, Outubro de 2015. www.femerj.org.
FERREZ, M. Rio. Editora Instituto Moreira Sales, 265 p. 2015.
HARTMANN, J.L. Marumbi: guia de escalada e introdução à história do montanhismo paranaense. 132 p. 2007.
KNIGHTON, D. Fluvial forms and processes. E. Arnold, London. 218 p. 1984.
LINO, C. F. Cavernas: o fascinante Brasil subterrâneo. Gaia, São Paulo, 288 p., 2001.
LUCENA, W.M. História do montanhismo no Rio de Janeiro. Publit, 264 p. 2008.
LOBO, H.A.S; SCALEANTE, J.A.B; RASTEIRO, M.A; ZAGO, S. Método para a classificação do grau de dificuldade em roteiros espeleoturísticos. 31o Congresso Brasileiro de Espeleologia. SBE, Ponta Grossa-PR. 2011.
ORTENBURGER, L.N.; JACKSON, R, G. A climber’s guide to the Teton Range. The Mountaineers. Seattle, 416 p. 1996.

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Sobre o autor

Antonio Paulo Faria - Colunista

Antonio Paulo escala há tanto tempo que parece que já nasceu escalando... 30 anos. Até o presente, abriu mais de 200 vias no Brasil e em alguns outros países. Ele gosta de escalar de tudo: blocos, vias esportivas, vias longas em montanhas, vias alpinas... Mas não gosta de artificiais, segundo ele "me parecem mais engenharia que escalar propriamente". Além disso, ele também gosta de esquiar, principalmente esqui alpino no qual pratica desde 1996. A escalada influenciou tanto sua minha vida que resolveu estudar geografia e geologia. Antonio Paulo se tornou doutor em 1996 e ensina em universidades desde 1992. Ele escreveu sobre escalada para muitas revistas nacionais e internacionais, capítulos de livros e inclusive um livro. Ou seja, ele vive a escalada.

5 Comentários

  1. Tendo em vista que a necessidade de classificação atende principalmente as atividades de turismo e na prevenção de litígios não acho conveniente nem construtivo se aprofundar em tecnicidades. O reclamante sempre irá se declarar como leigo e o julgador (juiz) quase certamente também leigo será neste assunto, então assumirá que na melhor das hipóteses o cliente não foi devidamente informado dos riscos da atividade proposta. Melhor não abrir brechas jurídicas nesta questão. Minha sugestão é sempre simplificar para o consumo das massas.
    1) Caminhada onde só se usem as pernas e os pés
    2) Escalaminhada quando se usam pernas, pés, braços e mãos
    3) Caminhada com escalaminhada quando as coisas se misturam
    4) Escalada quando usado qualquer tipo de equipamento artificial
    Óbvio que para os aficionados este sistema apresenta distorções gritantes uma vez que uma escalada de 5º grau em solo fica classificada como escalaminhada enquanto um lance equipado com cabo de aço, correntes, cordas ou degraus sem nenhuma relevância sobe para escalada.
    Mas acredito que esta simplificação faria um bem inestimável as empresas e aos guias que teriam mais segurança jurídica em sua atividade e principalmente às montanhas/montanhistas que se veriam livres de cordas fixas, degraus, cabos de aço e correntes em lugares desnecessários.
    Certamente as seguradoras estabeleceriam prêmios diferenciados para cada item da classificação, orientando também o valor dos passeios em função dos riscos melhor avaliados e finalmente haveria um incentivo de mercado (sem proibições nem fiscalização) para que clubes, empresas e guias parem de tentar transformar todo e qualquer trilha de montanha num passeio em parque urbano.

  2. Excelente texto e muito boa a proposição, mas não entendi – ou não captei – como se daria a numeração no caso de um ou mais critérios: por exemplo uma trilha com trecho de escalada e travessia de rio, a graduação seria pelo fator de maior dificuldade? Detalhes constariam numa descrição da trilha?

  3. Getulio

    Excelente artigo que chama a atenção para dificuldade antiga que temos em “objetivar” elementos de dificuldade e risco sem entrar em subjetivismos e sem focar apenas na capacitação física do indivíduo, como insistem alguns.
    Tenho para mim, concordando com o Fiori, que existe necessidade de ter um “sistema” para consumo turístico, nas atividades comerciais que exploram áreas naturais e temos também necessidade de ter um sistema sólido e simples para qualificar percursos diversos, envolvendo caminhada, escalada e suas diferentes mesclagens, conforme a severidade do meio natural, técnicas e riscos envolvidos.
    Neste sentido encontrei um bom recurso que é o MIDE (Método de Información de Excursiones), espanhol, que utiliza um sistema bem objetivo para classificar e também informar aos excursionistas as dificuldades e exigências do percurso, agrupados em 4 blocos “temáticos” por assim dizer: Meio (relevo, região, clima), Itinerário (orientação), tipo de Deslocamento e nível de Esforço físico. Ele tem suas lacunas, mas ajuda muito a sistematizar a informação, e sobretudo ajuda a traçar um “perfil” para a atividade, bem como interpretar onde encontram-se as dificuldades.

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