O que é o Magma?

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Imagem do Interior da Terra

O magma é uma pasta que existe no interior da terra, aquecida entre 600° e 1.200°C, mantida normalmente no interior de câmaras situadas a até 150 km de profundidade. É constituída por silicatos de ferro e magnésio, e mais compostos voláteis ricos em enxofre, cristais em suspensão e bolhas de gás.

O magma integra o manto, camada intermediária entre a crosta superficial e o núcleo profundo da Terra (ver imagem). Se a crosta não chega a atingir 100 km de profundidade, o manto mergulha a quase 3.000 km, contendo 80% do volume do planeta. O coração da Terra é o núcleo, feito de ferro e níquel, cuja parte externa é líquida e a interna é sólida, devido à gigantesca pressão do material sob o raio terrestre de 6.000 km.

Mapa das Placas Tectônicas

Como não é possível perfurar sequer além de 15 km, a composição do interior da Terra é investigada indiretamente, através das ondas sonoras. O planeta é 35% ferro, 30% oxigênio e cerca de 15% cada de silício e magnésio (vejam que não consta o carbono, a matéria prima da vida). A densidade média é de 5.5 ton/m³, sendo 3.0 na superfície e 8.0 no núcleo. Afora o magma derramado por vulcanismo sobre a superfície, este só pôde até hoje ser observado no próprio local por três vezes – em áreas vulcânicas como Havaí e Islândia.

A crosta pode chegar a 1.000°C, enquanto o manto profundo está a 2.000°C. O interior terrestre é terrivelmente quente, a 4.000°C. O manto superior onde está o magma é mais fluido do que o interno e se movimenta sobre ele. A força por ele exercida ocasiona o movimento das placas tectônicas na crosta terrestre. Na realidade, toda a superfície de nosso planeta veio do magma e por ele se movimenta.

Mapa das Dorsais Oceânicas

O magma tende a formar-se nos ambientes de baixa pressão e alta temperatura, em zonas de subdução (deslizamento de uma placa tectônica sob sua vizinha), de rifte (fratura criada pelo afastamento entre duas placas), de dorsais oceânicas (as cordilheiras submersas) e de pontos quentes (pela convecção térmica de material aquecido).

Exemplos de cada são as Cordilheiras do Himalaia e dos Andes, o gigantesco Vale do Rifte na África, as dorsais do Pacífico e do Índico, e a Islândia, junto com o Havaí. Veja os mapas das placas e das dorsais. Cerca de 80% do magmatismo é causado pela aproximação das placas, chamada de convergência. A divergência ou afastamento representa 15% do magmatismo.

Esquema de Divergência e Convergência de Placas

Uma rocha e o magma que a gerou não têm um limite para mudar do estado sólido para o líquido, apenas um intervalo entre duas temperaturas. A inferior corresponde à fusão do seu primeiro componente (quando os demais ainda estarão sólidos) e a superior, do último (quando todos já estarão líquidos).

Entre estas temperaturas, o magma será uma pasta com sólidos e líquidos misturados. Elas variam de -180°C da evaporação do oxigênio a +3.600°C da ebulição do magnésio. Os materiais em fusão são 20 a 35% do volume total, mas raramente excedem 50%; assim, o magma é mais sólido do que líquido.

Esquema de Erupção Vulcânica

Uma rocha formada pela solidificação do magma é chamada de ígnea. Mas quando ele funde, o material amolece, pode ser espremido e subir. Neste caso, a queda de pressão pode liberar os gases contidos. Magmas ricos em sílica, com suas fortes ligações atômicas, são mais viscosos e seus gases são então liberados de forma explosiva. Magmas pobres em sílica são mais fluidos, facilitando o suave escape dos gases. Voltarei logo a este assunto.

Quando o magma resfria lentamente no interior da crosta, forma as rochas intrusivas; quando ele irrompe de forma violenta, gera as rochas vulcânicas ou extrusivas (figura ao lado). Magmas basálticos são extrusivos, produzidos por exemplo nas dorsais oceânicas. Magmas andesíticos são também vulcânicos, formados nas zonas de subdução continental ou oceânica. Magmas graníticos e dioríticos são intrusivos, originados em zonas de subdução. De todos, o magma basáltico é o mais denso, cerca de 25% acima do granítico.

Lava Encordoada do Havaí

Os vulcões tendem naturalmente a formar-se nas margens das placas tectônicas, onde é mais fácil haver a liberação de gases. Mas podem ainda aparecer no interior das placas, como em Galápagos, ou nos pontos quentes, como no Havaí. As lavas por eles expelidas podem resultar de magmas máficos ou félsicos. Estes termos são usados pelos geólogos para descrever sua composição mineral.

As lavas máficas (de até 50% de Si, com presença de ferro e magnésio) costumam ser mais pesadas e fluidas, quentes e rápidas, porém são pouco explosivas. As lavas félsicas (de 70% de Si, com sódio e potássio) são mais leves e viscosas, com escoamentos lentos, menos quentes, mas muito explosivas (ver exemplo de lava máfica encordoada). O basalto e o gabro são rochas de origem máfica, enquanto o granito e o riolito são félsicas.

Nem todas as rochas são ígneas, como o basalto ou o andesito. Na superfície elas sofrem a ação continuada de agentes como chuva, calor, vento, pressão, bactérias ou gelo – e vão se fraturando e depositando, formando novas rochas. Feitas por sedimentos acumulados, são chamadas de sedimentares, recobrindo 80% dos continentes. Exemplos são o arenito, certos calcários e o carvão.

Ciclo de Formação das Rochas

Mas as rochas, qualquer que tenha sido sua origem, podem ser alteradas pelo calor e pressão no interior da crosta, formando as rochas metamórficas. Ou seja, podem resultar da transformação de rochas ígneas, sedimentares e mesmo metamórficas. As mais comuns são o mármore (originado do calcário), o quartzito (gerado pelo arenito) ou o gnaisse (derivado do granito). Ver resumo ao lado.

Rochas Sedimentares, Ígneas e metamórficas

As rochas mais antigas são naturalmente as ígneas, que geraram todas as demais e começaram a se formar na era pré-cambriana. As sedimentares são as mais recentes, estando em transformação desde o passado distante até os dias de hoje (ver esquema). Esse processo de transformação é contínuo – e para todo o sempre o magma estará alimentando continuamente a superfície de nosso planeta.

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Sobre o autor

Alberto Ortenblad - Colunista

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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