Mares Aquecidos, Mares Revoltos (Parte I): A Oceania e o Fim das Nações Insulares

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I

Há um fato curioso na história dos continentes: durante o passado remoto, por várias vezes eles migraram para se agrupar num único bloco e depois voltaram a se separar.

Acredita-se que o primeiro supercontinente foi Ur (ou Primordial), há 3 bilhões de anos – veja que a idade da Terra é de 4.5 bilhões de anos. Ele então se fundiu com outras massas terrestres e foi sucedido por Colúmbia e depois por Rodínia, há 1 bilhão de anos.

E assim as placas tectônicas subjacentes continuaram se aproximando ou se afastando, deslizando e movimentando o relevo acima delas. O mais recente supercontinente criado foi Pangeia, ½ bilhão de anos atrás. Significa simplesmente Toda a Terra. Ele começou a se fragmentar a partir de 200 milhões de anos, originando gradualmente os cinco continentes que conhecemos hoje.

O Pacífico se originou desse triangulo minúsculo entre as enormes placas ancestrais.

Um único continente significa um único mar: o Oceano Pantalassa (ou Todo o Mar), que cobriu 70% da superfície do planeta. Ele era assentado sobre três placas tectônicas, cujo movimento criou o Oceano Pacífico. Originalmente, ele não era mais do que um minúsculo triangulo entre elas, mas começou a se expandir e formou o maior de todos os mares.

O círculo de fogo do Pacífico, repleto de fossas e de meio milhar de vulcões.

Este processo fraturou as placas originais numa infinidade de microplacas. Esta é provavelmente uma das explicações para o enorme número de ilhas da Oceania. É uma região afetada por uma incrível instabilidade geológica. Você já viu antes como o assoalho do Pacífico tem um relevo tão acidentado e confuso. As muitas fendas criadas favoreceram a formação de fossas e vulcões, ao longo do chamado Círculo de Fogo.

II

E como as muitas ilhas puderam se formar? Acredito que houve três causas, a começar pela movimentação tectônica, que colidiu e fraturou as placas, dispersando o material formador das ilhas.

Os processos principais foram de subdução (quando uma placa oceânica densa afunda por baixo de outra placa continental mais leve, elevando e fraturando o relevo) e obdução (causada pela raspagem relativamente rara dos topos da placa oceânica ao submergir, desprendendo material formador).

Houve também a ação do vulcanismo, que expeliu lava por meio de erupções ou bolhas aquecidas e de vazamentos pelas muitas fraturas existentes. Este material foi formando as ilhas vulcânicas.

Por último, o crescimento dos corais submersos, cujos recifes costumam criar atóis ou ilhas à volta de vulcões extintos e submersos. Essas formações vulcânicas são relativamente recentes. Veja que sua associação com os corais tendeu a formar ilhas rasas, a pouca distância acima do mar.

III

Normalmente é considerado que a Oceania englobe a Austrália, a Nova Zelândia e a Nova Guiné – que são as únicas ilhas grandes (na verdade, gigantescas) e que compreendem virtualmente o total de terra desta região.

Imagine que o conjunto das pequenas ilhas somado corresponde a apenas 1% da terra disponível na Oceania. Isto é um pouco além de 100 mil km² – acho esse número suspeito, me parece até grande demais.

Esse surpreendente conjunto de 10 mil ilhas ocupa um terço do Pacífico e abarca uma superfície de 10 milhões de km², claro que quase exclusivamente de mar. Os seus muitos países não têm nenhuma divisa terrestre entre si.

Praticamente atravessada pelos dois Trópicos e pelo Equador, a Oceania estende-se por 12 mil km de leste a oeste, atravessando oito fusos horários. Pertence aos quatro hemisférios e, cortada pela linha de data, parte de seus países está um dia antes dos demais.

Mapa da Oceania, com suas três grandes ilhas. A oeste, a Indonésia, a China e as Filipinas. A leste, o arquipélago do Havaí. Veja o tracejado dos dois Trópicos.

Durante os períodos glaciais, a Austrália e a Nova Guiné formavam um único continente, habitado desde 50 mil anos atrás pelos chamados australoides, antecessores dos aborígenes australianos.

A população do Sudeste asiático misturou-se com os australoides a partir de 6 mil anos atrás. Os povos resultantes foram os maiores navegantes da história, orientando-se pelos astros, os ventos e as ondas.

Ao longo dos 4 mil anos seguintes foram ocupando o oceano – Vanuatu, Fiji, Tonga, as Ilhas Salomão até a Nova Zelândia, os arquipélagos do Havaí e a Ilha da Páscoa. As ilhas têm uma população basicamente indígena, acrescida de chineses, indonésios e indianos.

As pessoas costumam migrar entre arquipélagos à busca de melhores condições de vida. Por isso, a miscigenação é alta entre os 3.5 milhões de habitantes dessa região gigantesca.

Os britânicos ocuparam a Austrália e a Nova Zelândia a partir do século XVIII e introduziram um novo governo, uma nova religião, economia e cultura.

Durante a II Guerra, japoneses e americanos praticaram destruições jamais vistas em locais como Guam, Havaí e Kiribati. E o mundo ocidental provocou o crescente aquecimento global, com consequências que você logo saberá.

IV

Os colonizadores ocidentais dividiram esse enorme espaço em três áreas, de acordo com a exploração e o comércio da época – a Melanésia (devido à pele mais escura dos seus nativos), a Micronésia (pelo pequeno tamanho dos atóis) e a Polinésia (a partir da grande quantidade de ilhas).

As três grandes regiões da Oceania, desde a Nova Guiné a oeste até a Ilha da Páscoa a leste (Fonte – Divulgação).

Esta não é uma região de flora tão expressiva, pois a pouca terra apenas permite coqueiros, palmeiras e árvores de mangue e de fruta pão.

Da mesma forma, a fauna interessante habita as águas, sob a forma dos peixes e crustáceos mais variados, e os ares, com pássaros de todas as cores. Mas há animais bem desagradáveis, como serpentes, morcegos, ratos e muitos insetos, que proliferam sob o forte calor.

Na nossa imaginação essas tantas ilhas são associadas ao paraíso, com águas cristalinas, areias brancas, céus azuis, palmeiras ao vento e pacíficos povos sorridentes.

Entretanto, a vida real na Oceania é complexa e contraditória, e às vezes difícil e mesmo miserável. Seus habitantes estão expostos a doenças tropicais, escassez de água, tufões, ressacas e erupções. Bem como desemprego e más condições de trabalho, corrupção e violência. Um paraíso que pode conviver com um inferno.

Mas há algo pior ainda: muitas dessas ilhas correm o risco de simplesmente sumir. Não no futuro remoto, mas ao alcance de uma geração. A próxima.

V

Kiribati é uma das mais peculiares nações do mundo. Antigo território britânico, é hoje uma república independente. Composta por mais de 30 ilhas, das quais apenas 20 são habitadas, estende-se por algo como 4 mil km de leste a oeste, ao longo da Polinésia.

O incrível desenho alongado de Kiribati, entre a Melanésia e a Polinésia.

Mas conta com apenas 800 km² de terra, lar de 120 mil kiribatis. Desconfio que a área seja entretanto bem menor. É o mais oriental país do mundo, pois é cortado pela linha de data – é lá que o Sol nasce primeiro, na Ilha do Milênio (a antiga Caroline), assim renomeada porque ali foi inaugurado o terceiro milênio.

Mas Kiribati vai desaparecer. Formado por atóis e recifes, tem portanto uma altura mínima em relação ao oceano. Você já sabe, o mundo está sujeito ao aquecimento global, que elevou em 1⁰C a temperatura média desde meados do século XIX. Rapidamente deveremos alcançar 1.5⁰C e, quem sabe, até o fim do século 2⁰C, o que seria (ou será) catastrófico.

Queria fazer uma observação. Você talvez tenha percebido como esses aumentos divergem, conforme as fontes. Por exemplo, o famoso crescimento de 1⁰C às vezes sequer é alcançado e outras vezes é excedido.

A razão é o período observado, ou seja, a data a partir da qual o aumento é medido. Melhor seria divulgar qual é a temperatura efetiva da Terra, e não seu aumento. A tempo: essa temperatura é bem amena, de 14⁰C.

O aumento da temperatura e a elevação do nível do mar.

Entre outros efeitos, um dos mais evidentes é o aumento do nível dos mares. E por três razões. As colossais geleiras que existem no planeta naturalmente começaram a degelar com o calor, sua água fluindo para o oceano. Como elas não conseguem ser drenadas, pois não há um vertedouro planetário, acabaram elevando o nível oceânico. Por outro lado, a água aquecida expande e incha, e seu volume maior traz ainda mais elevação.

Mas existe outra razão. Os alísios, ventos que sopram no sentido NW (responsáveis por impulsionar as velas das grandes navegações do século XVI), estão empurrando a água do Pacífico no sentido oeste, de encontro às ilhas da Oceania.

Os mares de Kiribati subiram 3 mm/ano durante vinte anos, estão acelerando para 7 mm/ano e devem acumular 80 cm até o fim do século. E veja que o Kiribati inteiro está abaixo de 2 metros de diferença do oceano.

Só um comentário. Como seria possível medir o nível médio de algo tão móvel como o oceano? Veja que seus níveis são influenciados não só pelo calor, mas também por ventos, correntes e marés. Assim, seria muito difícil verificá-los por assim dizer direta e localmente. Sua medição é na verdade feita por um conjunto de satélites, que alcançam todo o globo – e seus resultados são então integrados.

VI

Antes de afundar, Kiribati deve ficar sem água potável. Ela ocupa pequenos lençóis onde a água doce da chuva sobrenada a salgada. Eles estão sendo crescentemente invadidos pelo mar. Além de certo ponto, as águas salgadas irão afundar e expulsar as doces.

O povo local costuma armazenar a água das chuvas, mas elas não são regulares. E, talvez, antes de ficar sem água, a população fique sem peixe, devido à morte dos corais onde eles se criam, pelo aquecimento e acidificação do oceano.

Mapa da capital Tarawa. Uma lingua de terra contornando uma lagoa coralínea à esquerda. Nela moram dois terços da população total de Kiribati de 120 mil pessoas.

Segundo um estudo do Banco Mundial, o futuro do país pode ser terrível. Recifes degradados afetariam o suprimento alimentar e permitiriam ondas mais fortes, de efeitos devastadores. A erosão da costa destruiria as moradias e as estradas, perturbando a frágil economia local. Temperaturas elevadas trariam surtos de doenças como o dengue, bem como de intoxicações alimentares. Esse país sem tamanho, sem renda e sem voz seria vítima da fome, da doença e do oceano.

E como Kiribati está tentando se defender? Plantando árvores de mangue na costa, para protegê-la dos avanços do mar, mudando quando possível as moradias para o interior das ilhas, construindo muros e molhes costeiros com rochas importadas, aterrando corais com areia e pedra para criar novos espaços.

Além disso, Kiribati comprou 24 km² em Fiji, um arquipélago de origem mais vulcânica do que coralínea, portanto mais elevado. Fiji é um país próspero, mais de vinte vezes maior, que declarou estar disposto a acolher os migrantes. Entretanto, nos últimos dez anos não creio que tenha havido emigração.

É também possível migrar para a Nova Zelândia e talvez Austrália, onde existem parentes de praticamente todas as famílias de Kiribati.

Marawa, karawa, tarawa – mar, céu, terra – é a trindade ancestral do povo de Kiribati. Mas esse equilíbrio está se desfazendo. O oceano não é mais o coração seguro conhecido pelo povo. Está começando a exibir um aspecto ameaçador, de marés invasoras e ondas batidas. Na língua kiribati a palavra para ‘terra’ e ‘povo’ é a mesma. Se sua terra desaparecer, quem será você? diz o texto de Kennedy Warne que adaptei.

Casal de Kiribati.

Por outro lado, muitos deles não se enxergam como indefesos ilhéus náufragos, e sim como descendentes de viajantes, herdeiros de uma nobre tradição de perseverança e sobrevivência. Eles não vão migrar, eles vão ficar. E, talvez, possam ser úteis, como você saberá mais adiante.

VII

Se você achou Kiribati pitoresco, então vai se admirar com o pequenino Tuvalu, antigamente chamado de Ilhas Ellice. São apenas nove atóis localizados na Polinésia, um deles sendo desabitado, que eram no passado um protetorado britânico.

Situado no centro da Oceania, ocupa o espaço de inacreditáveis um milhão de km² ao longo de mais de 500 km. Mas sua terra se resume a míseros 26 km², onde residem pouco mais de 10 mil tuvaluanos. E, você já sabe, os atóis são especialmente afetados pelo avanço do oceano, devido às suas altitudes mínimas.

Este é o arquipélago de Tuvalu, com sua ilha principal de Funafuti (Fonte – Divulgação).

Ela hospeda a capital de Fongafale. Nela 4 mil pessoas se aglomeram – representam um terço da população total.

Se Kiribati tem um terço de sua renda representada pela ajuda internacional, Tuvalu depende quase que completamente dela. Mas essa pequena monarquia pratica algumas receitas interessantes: cobra pelo código telefônico 900 que lhe pertence e pelo domínio .tv de internet. Além disso, empresta sua bandeira para barcos internacionais e recebe de colecionadores pela emissão de seus selos e moedas.

Mas a situação do país é horrorosa. Seu solo poroso e salino não se presta para plantações. Alimentos básicos como inhame e mandioca são importados. Não existe sinal de televisão e o único jornal é quinzenal.

O crescente calor tem causado doenças frequentes. A deterioração dos corais tem envenenado os plânctons de que os peixes se alimentam, tornando-os nocivos ao consumo. Os jovens têm emigrado para Austrália e Nova Zelândia à busca de oportunidades.

VIII

E os mares enfurecidos têm contaminado a água potável, erodido o litoral e submergido os atóis. No seu trecho mais estreito, imagine que a capital Fongafale tem apenas 20 metros de largura.

Nenhum dos planos anunciados de levantar uma parede para proteção do centro administrativo, de aumentar a altura da Ilha de Finafuti pela dragagem da areia do mar, de erguer um anel rochoso entre os recifes para barrar o oceano e de construir uma ilha flutuante – realmente avançou.

Uma vida sem perspectivas.

A jovem Tapua Pasuna, a Miss Tuvalu, pôde estudar no Exterior, mas sentiu-se obrigada a retornar. Mesmo encontrando seu país deteriorado, resolveu permanecer. Eu sinto que isso (seu país) é parte de quem eu sou, e não devo fugir dele, apesar de estar desaparecendo. Abandoná-lo agora, quando ele está sofrendo – não me sinto confortável. Eu não posso fazer isso.

Então, Pasuna é uma das que ficará. E talvez haja mesmo uma necessidade para que ela fique. Como você verá mais adiante.

IX

Vou agora lhe falar brevemente de outra pequena nação oceânica, Vanuatu. Com seu passado de colonizações francesa e inglesa, é hoje uma república parlamentarista independente, como resultado da Guerra do Coco.

Situada na Melanésia, suas 80 ilhas têm uma disposição alongada nos 1.300 km em que se estende de norte a sul. Chamada anteriormente de Novas Hébridas, está a SW de Kiribati e Tuvalu, no sentido da Austrália.

Mapa do Arquipélago de Vanuatu. É relativamente populoso, com 300 mil habitantes.

Como sua origem é vulcânica, tem um relevo íngreme, com um litoral rochoso, que desce abruptamente mar adentro, sem uma plataforma continental – mas, sim, tem praias paradisíacas e mares turquesas.

Então, diferentemente de todos os outros arquipélagos deste artigo, Vanuatu tem relativamente muita terra, algo como 12 mil km² de uma natureza mais abundante do que as outras. Por isso, é capaz de abrigar mais de 300 mil pessoas.

Portanto, não é tão exposta ao aumento do nível oceânico. Mas está situada em zona de convergência ou de atrito entre duas placas tectônicas, o que torna Vanuatu simplesmente o país do mundo mais sujeito a desastres naturais. Ele tem sido alvo de terremotos, ciclones, erupções vulcânicas e maremotos. Entretanto, sua população é considerada surpreendentemente uma das mais felizes de todas (se não a mais).

É um país relativamente montanhoso, com pico de 1.900 metros na maior ilha, Spiritu Santo (Fonte – Divulgação).

Vanuatu significa nossa terra para sempre. E a terra não pode por lei ser vendida a estrangeiros. Somos felizes quando estamos cultivando nossa própria terra … Tradicionalmente, somos um povo que cuida do meio ambiente. A felicidade é apenas uma consequência de quão respeitosos somos com a natureza, em como gerenciamos a terra e a água, dizem eles.

A pesca e a agricultura familiar fizeram de Vanuatu um país relativamente autossuficiente. Seu relevo facilitou a existência de quase 140 línguas diferentes, número equivalente ao do Brasil. E seu isolamento histórico tornou-o extremamente tradicionalista e supersticioso.

Uma das religiões locais é chamada de John Frum (ou John from America). John foi um soldado americano que, durante a II Grande Guerra, prometeu riqueza às ilhas e que, magicamente, os nativos pensam que o espírito dele pode fazê-las prosperar. Também acreditam que o Príncipe Philip (ex-marido da Rainha Elisabeth da Inglaterra) descende de um deus local da montanha. É preciso mesmo muita imaginação para ser feliz.

X

Mas quero terminar comentando sobre uma situação diferente. O Taiti é a principal ilha da Polinésia francesa, que contém cinco arquipélagos, com uma razoável área de terra de 4.200 km². A origem vulcânica permite um relativo desnível acima do oceano, embora haja também muitas ilhas coralíneas. É uma das sociedades mais prósperas da Oceania. Sua população é de 200 mil taitianos.

A imagem da região como um delírio tropical começou a partir da navegação ao redor da ilha pelo francês Louis-Antoine de Bouganville nos fins do século XVIII. Ele a descreveu como um paraíso na terra onde homens e mulheres viviam felizes em inocência, distantes da corrupção da civilização.

Bougainville estava certo ao reconhecer na região um paraíso na terra. A imagem é de Bora Bora (Fonte – wikimedia commons – Julius Silver).

A partir daí, a região atraiu crescentemente os europeus, dos quais o mais famoso foi o pintor Paul Gauguin. A influência estrangeira afetou as tradições nativas, pelo consumo do álcool e prática da prostituição. As doenças venéreas, o tifo e a varíola reduziram a população de 120 mil para meros 6 mil logo depois do fim daquele século.

Depois de 25 séculos de história, o povo do Taiti quase foi extinto, antes que pudesse conhecer os efeitos dos novos e estranhos mares aquecidos.

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Sobre o autor

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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