Por um sistema de certificação de cumes

0

English version bellow

O mundo do montanhismo foi recentemente sacudido por uma medida anunciada pelo governo do Nepal, que visa alterar as regras para a obtenção de permissões de escalada ao Monte Everest. Segundo a proposta, todo aquele que almeja escalar a montanha mais alta do mundo deverá comprovar ter escalado, anteriormente, um pico de 7.000 metros. A controvérsia, no entanto, reside em um detalhe crucial: essa ascensão prévia de 7.000 metros deve ser realizada, obrigatoriamente, em território nepalês.

Veja mais: Nova Regra do Everest divide alpinistas – Coluna do Pedro Hauck

Embora o Ministério do Turismo do Nepal argumente que esta exigência visa aumentar a segurança dos montanhistas e garantir um melhor controle sobre as ascensões em seu território — onde tem jurisdição direta, mas não tem sobre ascensões em outros países como China, Paquistão ou América do Sul —, a medida é amplamente vista com ceticismo e levanta sérias críticas na comunidade.

O ponto de discórdia é que a exigência não é baseada puramente na habilidade técnica ou na experiência em alta montanha. Enquanto subir uma montanha de 7.000 metros certamente confere experiência crucial de altitude, a obrigatoriedade de fazê-lo somente no Nepal é vista por muitos como uma clara reserva de mercado. A regra, ao invés de ser um filtro de competência global, força os postulantes ao Everest a fazerem viagens adicionais e a consumirem mais serviços (guias, logistics, permits) dentro do Nepal, beneficiando diretamente a indústria de turismo local.

A polêmica sugere a necessidade de um debate mais amplo sobre como a experiência em montanhismo é verificada e certificada de forma justa e globalmente reconhecida, o que nos leva a questionar: não seria o momento de repensar a qualificação dos montanhistas através de um sistema padronizado, menos suscetível a interesses econômicos localizados?

Essa discussão toca em um ponto que me é muito pessoal e familiar, especialmente considerando minha dedicação em incentivar e registrar as ascensões brasileiras às montanhas mais altas de nosso continente. Muitas vezes, fui questionado sobre por que não estendo esse trabalho de registro para todas as nacionalidades que escalam na América do Sul. De fato, é uma tarefa enorme e complexa, e por isso, fiquei aliviado quando John Biggar aceitou a incumbência de gerenciar este registro de forma mais ampla. Esse esforço é crucial, pois cria uma estatística valiosa e preserva a história do montanhismo andino. Contudo, ele é inerentemente difícil: enquanto alguns montanhistas, por desinteresse ou falta de hábito, simplesmente deixam de registrar seus cumes, outros — o que é mais problemático para a integridade dos dados — chegam a inflar ou falsificar seus currículos, tornando a verificação uma batalha constante contra a falta de padronização e a desonestidade. Felizmente, no meu caso, não precisei enfrentar este problema.

A Necessidade de uma Governança Global: O Papel da UIAA

Certificado de cume da ascensão de uma montanha nepalesa.

Mas a questão que realmente se impõe é: por que um indivíduo, como eu ou o John Biggar, ou uma entidade governamental local, como o Ministério do Turismo do Nepal, precisa realizar esse trabalho de verificação e controle? Por que nossas federações nacionais de montanhismo, ou, de forma mais pertinente, a União Internacional das Associações de Montanhismo (UIAA), a autoridade máxima e reconhecida globalmente em nosso esporte, não assume para si a incumbência de criar e gerenciar um sistema de certificação de cumes universal?

O ponto central desta discussão, e o objetivo fundamental deste texto, é fazer exatamente essa sugestão. A UIAA, como representante de milhões de montanhistas em todo o mundo, possui a legitimidade, a estrutura e, sobretudo, a responsabilidade de estabelecer padrões éticos e técnicos que transcendam fronteiras e interesses econômicos pontuais.

 

Os Benefícios de um Registro Global de Cumes

 

Um sistema de certificação de cumes gerenciado pela UIAA traria inúmeros benefícios:

  1. Padronização e Integridade Global: Estabeleceria critérios uniformes para a comprovação de ascensões, eliminando a ambiguidade e as variações regionais que hoje facilitam a desonestidade e a manipulação de currículos. A validação seria um processo neutro e técnico, e não uma ferramenta de “marketing” ou de reserva de mercado, como sugere a regra nepalesa.
  2. Filtro de Segurança e Competência: Ofereceria um registro confiável que poderia ser usado por governos (como o Nepal, ao invés de criar regras próprias), agências de guias e operadores de expedições para verificar a real experiência dos clientes antes de permitir ascensões a picos de alto risco, como o Everest. Isso aumentaria a segurança geral, baseada em mérito e experiência real, e não em interesses geográficos.
  3. Preservação Histórica Centralizada: Consolidaria o registro histórico do montanhismo mundial em uma única base de dados respeitada, garantindo a permanência e a precisão das estatísticas para as futuras gerações de alpinistas e historiadores.

Ao delegar a verificação de experiência a um órgão supranacional e apolítico, retiramos a capacidade de que governos e empresas locais utilizem as regras de ascensão como alavancas para o lucro próprio, garantindo que o foco permaneça na segurança, no mérito e na verdadeira essência exploratória do montanhismo. A UIAA deve dar este passo e criar o Registro Global de Cumes Certificados.

Valor simbólico: Ao término de uma expedição, o certificado de cume que distribuo a meus clientes.

A Proposta de Implementação: Rede de Certificação Federativa

Reconheço que a implementação de um sistema de certificação global, gerenciado pela UIAA, representaria um esforço considerável. No entanto, esse desafio seria mais agudo na fase inicial de estruturação.

A chave para mitigar essa complexidade e garantir a capilaridade e legitimidade do sistema reside na criação de uma Rede Global de Certificadores. Esta rede não exigiria que a UIAA centralizasse toda a verificação de ascensões, mas sim que delegasse a primeira etapa do processo de certificação às suas entidades membros: as federações nacionais de montanhismo.

O modelo seria o seguinte:

  • Delegação Técnica: Cada federação nacional de montanhismo, sob a égide da UIAA, seria incumbida de designar ou formar um Corpo Técnico de Certificação.
  • Reconhecimento Local: Este corpo técnico seria composto por montanhistas e guias experientes, capazes de analisar a documentação (GPS, fotos, relatórios de ascensão) e reconhecer a validade de um cume alcançado por seus membros nacionais. Eles teriam o conhecimento local para avaliar o contexto e a integridade da ascensão.
  • Acreditação UIAA: Após a validação em nível nacional, a ascensão seria submetida à UIAA para a acreditação final e inclusão no Registro Global de Cumes Certificados. A UIAA atuaria, neste caso, como o órgão de auditoria e guarda final dos dados, garantindo a uniformidade dos critérios entre as federações.

Dessa forma, o trabalho pesado de verificação primária seria distribuído e executado por entidades com conhecimento local (as federações), enquanto a UIAA garantiria a padronização e a autoridade global do registro. Isso transformaria um esforço hercúleo em um trabalho colaborativo e sustentável.

Essa é uma consideração prática importante para a sustentabilidade do sistema.

Sustentabilidade Financeira: Taxas e Certificação

A implementação do Registro Global de Cumes Certificados pode e deve ser autossustentável, transformando-se em uma nova e ética fonte de receita para a UIAA e as federações nacionais, sem comprometer a integridade do processo:

  • Taxa de Avaliação de Cume: Poderia ser cobrada uma pequena taxa administrativa no momento da submissão da ascensão para avaliação pela federação nacional. Esta receita seria dividida, destinando-se a cobrir os custos operacionais do Corpo Técnico de Certificação da federação (remuneração dos avaliadores) e uma parcela para a UIAA, que mantém a infraestrutura e o status de auditoria global.
  • Certificação Opcional (Digital e Impressa): Após a acreditação bem-sucedida no Registro Global, o montanhista teria a opção de adquirir um certificado oficial.
    • Um Certificado Digital (em formato eletrônico, seguro e verificável) poderia ser oferecido por um valor nominal, garantindo um comprovante de fácil acesso e compartilhamento.
    • Um Certificado Impresso de Alta Qualidade (para fins de prestígio e recordação) poderia ser oferecido por um valor mais elevado, gerando uma receita adicional significativa.

Dessa forma, o sistema não só garante a segurança e a precisão histórica, como também fornece um incentivo financeiro direto para que as federações nacionais se engajem ativamente na certificação, fortalecendo toda a estrutura global do montanhismo. O pagamento estaria atrelado ao serviço de validação e não ao direito de escalar.

Valor Pessoal e Profissional da Certificação

É fundamental reconhecer que a certificação de cumes transcende a mera formalidade e toca em aspectos práticos e éticos do montanhismo. O registro oficial e auditado de ascensões serve a múltiplos propósitos, validando a experiência de um montanhista tanto em um nível pessoal quanto profissional:

  1. Combate ao Charlatanismo: Como apontado, não são poucas as histórias de montanhistas que distorcem ou falsificam seus currículos para obter patrocínios, atrair clientes para expedições ou vender cursos. O Registro Global de Cumes Certificados atuaria como uma fonte de verdade inquestionável, protegendo patrocinadores e, mais crucialmente, clientes que confiam suas vidas a guias e líderes de expedição. A certificação se tornaria o padrão de due diligence para a contratação.
  2. Qualificação Profissional: Para aqueles que almejam seguir a carreira de guia de montanha, a comprovação de experiência em altitude e em ambientes técnicos é um pré-requisito básico. Um currículo de cumes certificados pela UIAA eliminaria a subjetividade e a dificuldade na verificação por parte de escolas de guias e associações profissionais, agilizando o processo de entrada em programas de treinamento e certificação de alto nível.
  3. Segurança em Montanhas de Alto Risco: No caso de montanhas como o Everest, onde a experiência prévia é vital para a segurança, a certificação globalmente reconhecida pela UIAA se tornaria o mecanismo ideal para que governos e operadores exijam a prova de competência, substituindo regras localizadas e potencialmente enviesadas.
  4. Valor Pessoal e Histórico: Para o montanhista amador ou entusiasta, o certificado de cume é uma recompensa tangível e um registro perene de uma conquista significativa, servindo como uma recordação de alto valor pessoal. Ele transforma uma memória em um registro histórico validado pela autoridade máxima do esporte.

Lembrando que outras instituições de outros esportes de aventura, como o mergulho, já fazem algo parecido que funciona no mundo inteiro.

A sugestão de um sistema de certificação global para cumes não é uma ideia revolucionária no universo dos esportes de aventura; ela apenas transporta um modelo de sucesso já estabelecido para o montanhismo. Um exemplo notável é a PADI (Professional Association of Diving Instructors) no mergulho.

A PADI não é um órgão governamental, mas uma organização de treinamento e certificação que, ao longo das décadas, conseguiu estabelecer um padrão de segurança e competência globalmente reconhecido. Seus níveis de certificação (Open Water, Advanced Open Water, Rescue Diver, etc.) são aceitos por operadores de mergulho em praticamente todos os países do mundo, independentemente da jurisdição local.

Este sistema trouxe benefícios imensos:

Padronização Inquestionável:Um mergulhador certificado “Advanced Open Water” em um país tem suas habilidades reconhecidas e validadas em qualquer outro, eliminando a necessidade de testes locais ou de validações subjetivas.

Aumento da Segurança: A obrigatoriedade de seguir um currículo rigoroso e de comprovar experiência antes de avançar para níveis mais complexos (como mergulho profundo ou técnico) elevou o nível geral de segurança do esporte em escala mundial.

Legitimidade Profissional: As certificações PADI e de outras agências similares se tornaram o *passaporte* essencial para quem deseja atuar profissionalmente, seja como instrutor ou guia de mergulho.

A UIAA, ao criar e gerenciar o Registro Global de Cumes Certificados, assumiria um papel análogo ao da PADI, tornando-se a entidade que garante a prova de experiência e a segurança no montanhismo de alta montanha. O sistema funcionaria como um cartão PADI para montanhistas, garantindo que as habilidades e o currículo declarados sejam reais, auditados e globalmente válidos.

Toward a Summit Certification System

The mountaineering world was recently shaken by a measure announced by the government of Nepal, which aims to change the rules for obtaining climbing permits for Mount Everest. According to the proposal, anyone aspiring to climb the world’s highest mountain must prove they have previously climbed a 7,000-meter peak. The controversy, however, lies in a crucial detail: this prior ascent of 7,000 meters must be carried out, obligatorily, in Nepalese territory.

Although the Ministry of Tourism of Nepal argues that this requirement aims to increase the safety of mountaineers and ensure better control over ascents in its territory — where it has direct jurisdiction, but not over ascents in other countries such as China, Pakistan, or South America — the measure is widely viewed with skepticism and raises serious criticism within the community.

The point of contention is that the requirement is not based purely on technical ability or high-altitude experience. While climbing a 7,000-meter mountain certainly confers crucial altitude experience, the obligation to do it only in Nepal is seen by many as a clear market reservation. The rule, instead of being a filter for global competence, forces Everest aspirants to make additional trips and consume more services (guides, logistics, permits) within Nepal, directly benefiting the local tourism industry.

The controversy suggests the need for a broader debate on how mountaineering experience is verified and certified in a fair and globally recognized way, leading us to question: wouldn’t it be time to rethink the qualification of mountaineers through a standardized system, less susceptible to localized economic interests?

This discussion touches on a point that is very personal and familiar to me, especially considering my dedication to encouraging and registering Brazilian ascents of the highest mountains on our continent. I have often been asked why I don’t extend this registration work to all nationalities climbing in South America. In fact, it is a huge and complex task, and for that reason, I was relieved when John Biggar accepted the task of managing this record more broadly. This effort is crucial as it creates valuable statistics and preserves the history of Andean mountaineering. However, it is inherently difficult: while some mountaineers, due to disinterest or lack of habit, simply fail to register their summits, others — which is more problematic for data integrity — go so far as to inflate or falsify their résumés, making verification a constant battle against a lack of standardization and dishonesty. Fortunately, in my case, I didn’t have to face this problem.The Need for Global Governance: The Role of the UIAA

But the question that really arises is: why does an individual, like me, or a local governmental entity, like the Ministry of Tourism of Nepal, need to carry out this verification and control work? Why don’t our national mountaineering federations, or, more pertinently, the International Climbing and Mountaineering Federation (UIAA), the highest and globally recognized authority in our sport, take on the task of creating and managing a universal summit certification system?

The central point of this discussion, and the fundamental objective of this text, is to make exactly this suggestion. The UIAA, as a representative of millions of mountaineers worldwide, has the legitimacy, structure, and, above all, the responsibility to establish ethical and technical standards that transcend borders and specific economic interests.The Benefits of a Global Summit Registry

A UIAA-managed summit certification system would bring numerous benefits:

  1. Standardization and Global Integrity: It would establish uniform criteria for proving ascents, eliminating the ambiguity and regional variations that currently facilitate dishonesty and résumé manipulation. Validation would be a neutral and technical process, and not a marketing tool or a market reserve, as the Nepalese rule suggests.
  2. Safety and Competence Filter: It would offer a reliable record that could be used by governments (like Nepal, instead of creating their own rules), guide agencies, and expedition operators to verify the real experience of clients before allowing ascents to high-risk peaks, such as Everest. This would increase overall safety, based on merit and real experience, and not on geographical interests.
  3. Centralized Historical Preservation: It would consolidate the historical record of global mountaineering in a single, respected database, ensuring the permanence and accuracy of statistics for future generations of climbers and historians.

By delegating the verification of experience to a supranational and apolitical body, we remove the ability of local governments and companies to use ascent rules as leverage for their own profit, ensuring that the focus remains on safety, merit, and the true exploratory essence of mountaineering. The UIAA must take this step and create the Global Certified Summit Registry.The Implementation Proposal: Federative Certification Network

I recognize that the implementation of a global certification system, managed by the UIAA, would represent a considerable effort. However, this challenge would be most acute in the initial structuring phase.

The key to mitigating this complexity and ensuring the capillarity and legitimacy of the system lies in creating a Global Network of Certifiers. This network would not require the UIAA to centralize all ascent verification, but rather to delegate the first stage of the certification process to its member entities: the national mountaineering federations.

The model would be as follows:

  • Technical Delegation: Each national mountaineering federation, under the auspices of the UIAA, would be tasked with designating or forming a Technical Certification Body.
  • Local Recognition: This technical body would be composed of experienced mountaineers and guides, capable of analyzing documentation (GPS, photos, ascent reports) and recognizing the validity of a summit reached by their national members. They would have the local knowledge to assess the context and integrity of the ascent.
  • UIAA Accreditation: After validation at the national level, the ascent would be submitted to the UIAA for final accreditation and inclusion in the Global Certified Summit Registry. The UIAA would act, in this case, as the auditing body and final data guardian, ensuring the uniformity of criteria among the federations.

In this way, the heavy lifting of primary verification would be distributed and executed by entities with local knowledge (the federations), while the UIAA would guarantee the standardization and global authority of the registry. This would transform a Herculean effort into collaborative and sustainable work.

This is an important practical consideration for the sustainability of the system.Financial Sustainability: Fees and Certification

The implementation of the Global Certified Summit Registry can and should be self-sustaining, transforming into a new and ethical source of revenue for the UIAA and national federations, without compromising the integrity of the process:

  • Summit Assessment Fee: A small administrative fee could be charged at the time of ascent submission for evaluation by the national federation. This revenue would be divided, intended to cover the operational costs of the federation’s Technical Certification Body (remuneration of evaluators) and a portion for the UIAA, which maintains the infrastructure and global auditing status.
  • Optional Certification (Digital and Printed): After successful accreditation in the Global Registry, the mountaineer would have the option of purchasing an official certificate.
    • A Digital Certificate (in electronic, secure, and verifiable format) could be offered for a nominal fee, ensuring easy access and sharing of proof.
    • A High-Quality Printed Certificate (for prestige and remembrance purposes) could be offered for a higher price, generating significant additional revenue.

In this way, the system not only ensures safety and historical accuracy but also provides a direct financial incentive for national federations to actively engage in certification, strengthening the entire global structure of mountaineering. Payment would be linked to the validation service and not the right to climb.Personal and Professional Value of Certification

It is fundamental to recognize that summit certification transcends mere formality and touches on practical and ethical aspects of mountaineering. The official and audited record of ascents serves multiple purposes, validating a mountaineer’s experience at both a personal and professional level:

  1. Combating Charlatanism: As pointed out, there are many stories of mountaineers who distort or falsify their résumés to obtain sponsorships, attract clients for expeditions, or sell courses. The Global Certified Summit Registry would act as an unquestionable source of truth, protecting sponsors and, more crucially, clients who entrust their lives to guides and expedition leaders. Certification would become the standard of due diligence for hiring.
  2. Professional Qualification: For those who aspire to a career as a mountain guide, proof of experience at altitude and in technical environments is a basic prerequisite. A résumé of UIAA certified summits would eliminate subjectivity and difficulty in verification by guide schools and professional associations, speeding up the process of entering high-level training and certification programs.
  3. Safety on High-Risk Mountains: In the case of mountains like Everest, where prior experience is vital for safety, the globally recognized UIAA certification would become the ideal mechanism for governments and operators to demand proof of competence, replacing localized and potentially biased rules.
  4. Personal and Historical Value: For the amateur or enthusiast mountaineer, the summit certificate is a tangible reward and a perennial record of a significant achievement, serving as a remembrance of high personal value. It transforms a memory into a historical record validated by the highest authority in the sport.

Bearing in mind that other institutions in other adventure sports, such as diving, already do something similar that works worldwide.

The suggestion of a global summit certification system is not a revolutionary idea in the universe of adventure sports; it merely transports an already established successful model to mountaineering. A notable example is PADI (Professional Association of Diving Instructors) in diving.

PADI is not a government body but a training and certification organization that, over the decades, has managed to establish a globally recognized standard of safety and competence. Its certification levels (Open Water, Advanced Open Water, Rescue Diver, etc.) are accepted by dive operators in virtually every country in the world, regardless of local jurisdiction.

This system brought immense benefits:

  • Unquestionable Standardization: A diver certified “Advanced Open Water” in one country has their skills recognized and validated in any other, eliminating the need for local tests or subjective validations.
  • Increased Safety: The requirement to follow a rigorous curriculum and prove experience before advancing to more complex levels (such as deep or technical diving) raised the general level of safety of the sport on a global scale.
  • Professional Legitimacy: PADI and similar agencies’ certifications have become the essential passport for anyone wishing to work professionally, whether as an instructor or dive guide.

The UIAA, by creating and managing the Global Certified Summit Registry, would assume a role analogous to that of PADI, becoming the entity that guarantees proof of experience and safety in high-mountain mountaineering. The system would function as a PADI card for mountaineers, ensuring that declared skills and résumés are real, audited, and globally valid.

Compartilhar

Sobre o autor

Natural de Itatiba-SP e residente em Curitiba-PR desde 2007, Pedro Hauck é uma figura proeminente no montanhismo brasileiro. Sua formação inclui graduação em Geografia pela Unesp Rio Claro e mestrado em Geografia Física pela UFPR. Com uma carreira de mais de 27 anos, ele é guia de montanha profissional e instrutor de escalada credenciado pela ABGM, a única associação de guias de escalada profissional do Brasil. Seu currículo inclui a ascensão de mais de 180 montanhas acima de 4 mil metros, com mais da metade ultrapassando os 6 mil metros, além de um pico de 8 mil metros no Himalaia e dois de 7 mil. Pedro Hauck também atua como empresário do setor outdoor, sendo sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conceituadas lojas de montanhismo do país, da Via AltaMontanha, um dos maiores ginásios de escalada de Curitiba, e da Soul Outdoor, agência especializada em ascensão, trekking e cursos de montanhismo. Acompanhe Pedro Hauck no Instagram: @pehauck.

Deixe seu comentário