Sete Cumes do Caraça

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O Parque Natural da Serra do Caraça contém exatamente sete cumes. Diferentemente do Cipó, onde as montanhas são separadas por distâncias, distribuindo-se ao longo de um grande planalto, no Caraça elas integram a crista de uma mesma serra, confinada num espaço relativamente limitado.

Isto permitiria em tese uma poderosa travessia que percorresse toda a cumeeira da serra. Entretanto, ela não tem sido praticada, e por duas razões principais: a dificuldade do trajeto, que dizem ser maior do que o da Serra Fina, e mais recentemente a proibição de acampar na região, o que obrigaria a fazer apenas um ou dois picos por vez.

O Santuário

É até simples chegar ao reino encantado do PN do Caraça, que há mais de três séculos impressiona os mineiros: existe asfalto até o antigo colégio e seminário do Caraça, que dista apenas uma centena de km da capital.

As terras da Serra do Caraça foram cedidas em 1770 em sesmaria para o garimpo do ouro, que felizmente não foi achado. Em meados do século, o imigrante português Irmão Lourenço Távora, de história misteriosa, lá construiu uma ermida. Uma comunidade religiosa cresceu à sua volta, tornando-o um local de peregrinação.

O Santuário do Caraça operou como um importante seminário por dois séculos, até o incêndio que o destruiu parcialmente no fim da década de 1960. Nele funcionava uma escola de grande prestígio, tendo sido a primeira em todo o Estado, conhecida por sua excelência e disciplina. Aos poucos, foi sendo esvaziada pelas outras alternativas de ensino que surgiram com o progresso de Minas.

O Santuário do Caraça com a igreja e a pousada à frente e o perfil da cara deitada ao fundo (Fonteb – wikimedia commons).

Eu o conheci quando estava decaído, os aposentos não passavam de celas precárias. Para caminhar por lá, tive de dividir com os poucos padres que restaram as refeições e as orações. Nesta ocasião, tive o privilégio de acompanhar o restauro de seu órgão e apreciar as preciosas pinturas de Mestre Ataíde. Ele foi um artista barroco renomado pela amenidade de suas figuras e pelo alegre vermelho de suas vestes.

Mas tive também de provar o suspeito licor de jabuticaba do Padre Zico – depois das longas caminhadas que sua fantasia e falta de direção me iludiam a fazer, sem outro resultado que não meu cansaço e a persistência do sabor adocicado do elixir.

Depois o seminário foi restaurado e tornou-se um destino turístico muito disputado. Ele protege uma serra, abriga uma pousada e contém muitas curiosidades. Destas, a principal talvez seja o lobo guará que aparece todas as noites não para rezar, pois animais não são crentes, mas para ser alimentado. Outra é a presença de João Júlio, que talvez guie visitantes nessa região há três décadas.

Os atuais lobos apareceram a partir da década de 1990 e são filhos do casal que conheci antes, e que lá surgiu em 1982. O estudo de sua movimentação indicou que toda a área do parque seria necessária para mantê-los, por ser seu relevo tão acidentado – os lobos preferem transitar nas partes baixas. Foi por esta razão que os filhotes acabaram expulsando os pais.

A Serra

Você notará que a Serra do Espinhaço tem uma fisionomia forte e áspera, com rochas fraturadas e vegetação rupestre. O Espinhaço é menos elevado, mas mais acidentado do que a Mantiqueira, embora com exposições rochosas mais raras, dada a presença mais alta da sua cobertura vegetal.

Sobretudo, é bem mais longo e diverso: se a Mantiqueira se estende por cerca de 400 km, o Espinhaço corre pelos 1.200 km que separam a região ao sul de Belo Horizonte dos espaços ao norte da Chapada Diamantina baiana. Ambas as serras, com suas riquezas em minérios de ouro, diamante e ferro, foram muito importantes na ocupação do nosso território.

A serra e o campo no Parque do Caraça. A Bocaina está à direita (Fonte – minasgerais.com.br).

Dizem os mineiros que a Serra do Caraça é um calcanhar do Espinhaço, ao situar-se no seu início. Como este até certo ponto perde elevação à medida que avança ao norte, aqui seus picos tendem a ser mais altos. Aproximam-se dos 2.000 metros vs. a altitude média da cadeia de 1.400 metros – excluindo, porém, a importante Serra do Itambé.

O mais próximo dos picos é o Carapuça, seguido pela montanha fendida do Beiço do Diabo. O Pico do Sol, apesar de ser o ponto culminante, é uma suave corcova que parece um tanto afastada. A seguir o maciço desce abruptamente, voltando a subir na impressionante parede do Inficionado. É esta movimentação que simula o desenho de uma enorme cara deitada, que deu nome à região.

Mas a serra continua, com uma depressão da qual emerge a forma saliente do Pico da Verruginha, por onde transitavam os tropeiros de antigamente. Ele é central, desta forma separando as metades SE à esquerda e NW à direita. Nesta última direção, você verá as elevações do Canjerana, Três Irmãos e Conceição, variando aproximadamente de 1.700 a 2.000 metros, montanhas pouco ou nada visitadas, devido a seu relativo afastamento.

São essas elevações que completam os sete picos do Caraça.

O Parque

O Parque Natural da Serra do Caraça é uma reserva privada, não pertencendo ao Estado – é uma RPPN. Está contido nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara. São 11 mil hectares, num cenário magnífico, com a torre gótica da igreja subindo como uma seta à frente do vale de entrada, como que sinalizando o esplêndido cinturão rochoso que a contorna.

A Serra do Caraça tem a forma de uma ferradura de talvez 30 km de extensão linear em toda a volta. Ela protege o Ribeirão Caraça, cujo vale tem 10 km de comprimento e algo menos de largura. Ele e seus afluentes formam uma dezena de poços, corredeiras e cachoeiras. O perfil serrano que você verá é bastante movimentado: primeiro as encostas recobertas de vegetação, a seguir as belas paredes de quartzito acinzentado e por fim os picos remotos ao longo da linha de cumeeira.

Panorama do Campo de Fora no Parque do Caraça.

Foi criado a seu lado o PN da Serra do Gandarela, amplo o suficiente para alcançar os municípios da Grande Belo Horizonte. Ela se articula não só com o Caraça, mas também com as Serras do Curral e da Moeda. Desta forma, talvez seja possível criar um precioso mosaico integrando estas reservas e preservando mananciais, vegetações e animais da mineração sempre faminta.

O Ribeirão Caraça é afluente do Rio Piracicaba, que deságua no Doce, na vertente leste do Espinhaço. Além da reserva acima, o Piracicaba participa também do enorme PE do Rio Doce; infelizmente sua bacia já foi toda modificada e suas águas recebem os péssimos efluentes de grandes empresas de celulose, mineração e siderurgia.

A vegetação apresenta transições entre a mata atlântica do sul e leste e o cerrado do norte e oeste – angicos, ipês e candeias, além de muitas orquídeas. Contém ainda campos de altitude e rupestres, com seu aspecto rústico. Os campos coloridos de ocre, os rudes afloramentos rochosos, as cachoeiras em patamar e os cursos d´água com escuros remansos têm a aspereza típica do Espinhaço.

O Caraça abriga uma fauna expressiva de tamanduás, raposas, onças e antas, com muitas aranhas, besouros, cobras e aves. É surpreendente que essa população possa sobreviver tão perto da cidade, do ruído e da mineração. Esta última atividade ameaça continuamente a vida nas encostas serranas e os aquíferos no seu interior.

 Os Sete Cumes

Apresento abaixo um resumo dos cumes da Serra do Caraça. Porém com uma surpresa – a ausência do Verruguinha e a presença do Agulhinha. Excluí o primeiro por sua menor relevância em relação aos demais picos da serra. E escolhi o segundo por seu desenho maravilhoso, apesar de não pertencer ao interior da parede – e, portanto, ao Parque, por estar voltado para fora. Entretanto, não incluí o temível Pico do Baiano, que está a seu lado.

Pico Posição Trilha2 Tempo2 Altitude
Carapuça SE 5 ½ km 2 ½ h 1.955 m
Pico do Sol SE 10 km 3 ½ h 2.072 m
Inficionado SE 9 ½ km 5 h 2.068 m
Canjerana NW 12 km 4 h 1.890 m
Três Irmãos NW 8 km 3 h 1.675 m
Conceição NW 9 ½ km 3 ½ h 1.800 m
Agulhinha 1 Exterior 7 km 5 ½ h 1.810 m

(1) O Agulhinha não pertence à reserva, fica fora do interior da ferradura. (2) Trilha e tempo para jornadas de ida, os retornos sendo mais rápidos.

Mas, não menos importante do que todas essas gloriosas travessias, o Caraça é um local de silêncio e recolhimento, como disse um de seus visitantes, um paraíso desenhado nas montanhas mineiras.

Mapa resumido dos picos e córregos do Caraça.

As Montanhas do Leste

Vou agora me referir brevemente aos três picos mais visitados, por ordem de acesso. A primeira é o Carapuça, cujo caminho começa no lago ou tanquinho. Estende-se por 5½ km num rumo nordeste (todas as distâncias deste texto são de ida). A ascensão é razoável, mais de 650 metros, o que lhe irá tomar 2½ hs de ida.

Após as ruinas de uma capela, atinge num platô a Gruta de Lourdes, onde você verá duas pedras pontudas, como um casal conversando. O final é íngreme e sombreado, até encontrar no cume uma infeliz casinha de alvenaria, a 1.955 metros. Ao longo desta subida, você poderá ver a torre em seta da igreja do Santuário, os campos da Bocaina no vale abaixo e as formações rochosas da serra a sudeste.

Já a trilha para o Pico do Sol começa um pouco antes da Cascatinha, de onde você subirá a sudeste por uma íngreme parede de pedras, até atingir o chamado portal. Este é uma abertura rochosa que dará acesso a um vale elevado, cerca de 400 metros acima do campo lá de baixo. Agora você cruzará esta região razoavelmente plana e voltará a subir pelo leito rochoso de um rio, até um colo elevado. Sua parede irregular irá levá-lo ao cume, o mais alto de toda a cordilheira.

Os altos do Pico do Sol, o ponto mais alto em todo o Espinhaço (Fonte – wikiloc).

O resultado de o Pico do Sol estar recuado é que você terá que caminhar muito até alcançá-lo, calculo que 10 km de trilha. Outra consequência é que ele fica praticamente na borda da serra, portanto com um grande desnível em relação à região externa. É por isso que a vista do Sol lhe trará uma surpresa, quando você olhar a leste e descortinar as colinas verdejantes da bacia do Rio Doce.

À sua frente você verá as formações irregulares do Espinhaço, incluindo o Itabirito e a distante linha do Cipó. A oeste, você novamente encontrará o perfil da Serra do Caraça. E, logo em frente, o Pico do Baiano, uma das maiores rotas mineiras de escalada, visitado pelo lado oposto de Catas Altas, ao qual voltarei neste texto. Serão ao todo pelo menos 7 hs, para uma ascensão de praticamente 800 metros.

O Inficionado é a montanha mais difícil do PN do Caraça, com uma jornada de talvez 8 hs, sendo 5 delas para chegar. Trata-se de uma formação rochosa gigantesca, cujo extenso topo é irregular e recortado por fendas, algumas delas bastante profundas.

Abriga sobre suas rochas a imensa Gruta Centenário (3.800 metros de desenvolvimento), a mais alta do Brasil e considerada a maior do mundo em quartzito. Trata-se de um labirinto com acesso desde o topo do pico e que exige muita aventura para ser explorada. Existe ainda ao norte a Gruta da Bocaina (3.600 metros). Outro acidente marcante no topo é a Garganta do Diabo no lado leste, que possibilita amplo e belo visual do Vale da Bocaina.

A Garganta do Diabo na saída da Gruta do Centenário nos altos do Inficionado (Fonte – wikiloc).

Serão provavelmente 9½ km até atingir o cume. Sua altitude permite um desfrute visual impressionante de toda a região, inclusive do seu irmão maior, o Pico do Sol (que dista apenas dois km em linha reta), do vale onde está o Santuário e até mesmo da Serra do Curral na capital mineira. Com sorte, você poderá ser saudado pela revoada dos andorinhões que por lá transitam.

As Montanhas do Oeste

No assim chamado Campo de Fora você andará 7½ km de ida para conhecer suas belezas, especialmente a vegetação, o relevo e as cachoeiras. Em primeiro lugar, dirija-se ao Canjerana, uma trilha longa, mas cômoda de 12 km – a ascensão de 600 metros  é suavizada pela extensão do caminho. Havia no passado uma estação de energia no topo do pico, que acionava os trens lá embaixo, de forma que foi aberta uma estrada até lá. É por esta razão que a trilha é até hoje tão larga.

Serão talvez 4 hs até o cume, sendo 2/3 da extensão no plano ou em leve aclive e o restante de subida. Você atravessará vegetações de campo, de capoeira e de mata, até atingir o pequeno cume da montanha, que terá de dividir com as construções feiosas lá existentes. Infelizmente, a vista para fora alcança os terrenos alterados pela mineração. Na direção oposta a leste, você verá as terras protegidas do Caraça.

Os Picos Três Irmãos e Conceição na crista oeste do Caraça vistos do Pico do Sol (Fonte – wikiloc).

As montanhas do lado noroeste não costumam ser visitadas e, embora menos elevadas, podem apresentar trilhas complicadas, pela interferência da vegetação, dificuldade de acesso e falta de definição, além é claro do relevo vertical. É o caso do Três Irmãos ou Trindade, cujo caminho de 8 km percorre a longa crista da esquerda da montanha, aliás de belo visual. Todo o Santuário pode ser avistado lá de cima.

Já o Conceição parte do mesmo caminho do Trindade, só que mais adiante no vale. Ele fica à sua direita, sua trilha tem cerca de 9 ½ km e ele é bem mais elevado, com uma ascensão que estimo de 500 metros. Você terá de atravessar brejos e escarpas com alguma dificuldade, pois não há trilha definida. A vista alcança várias cidades, inclusive a capital. É possível transitar de um pico para o outro pelo árduo colo rochoso entre eles. Não completei nenhuma destas montanhas – observo que seu acesso hoje só é permitido com guia, aliás junto com os demais cumes.

O Agulhinha

Essa pirâmide maravilhosa se debruça para fora da parede leste da Serra do Caraça, na realidade perto do ponto onde o maciço se dobra a oeste para formar sua ferradura. Não mais pertence como os demais ao Parque do Caraça, apenas à Serra.

É próximo do Pico do Baiano (2.016 metros), conhecido como um dos tetos de toda a cordilheira. Esta é uma montanha técnica de 6⁰ grau, cujo cume só foi conquistado em 1994. Se você for um atleta, pode tentar atravessar os dois picos numa só jornada exaustiva, que deve lhe tomar o dia inteiro.

A parede do Agulhinha parece querer desabar sobre Catas Altas (Fonte – minube.com.br).

O Agulhinha (também chamado Horizontes) parece inacessível, quando olhado de baixo da vila colonial de Catas Altas. É um cenário deslumbrante, que chega a parecer surreal quando você enxerga a montanha a partir da capelinha isolada de Santa Quitéria. De fato, é conveniente que você possa agradar os santos para essa dura jornada.

Fiquei maravilhado quando conheci a vila. Me disseram que, no fim de semana anterior, 20 mil pessoas (ou quatro vezes a população) tinham participado do festival do vinho. Mas aqui vocês fazem vinho? perguntei. Sim, de jabuticaba. As palavras vão longe, podem vencer uma serra, pelo visto as do Padre Zico ensinaram ao povo os segredos da vinicultura.

Você pode abordar a vegetação de encosta a partir de um ponto alto, mas o desnível será considerável, suponho que por volta de 1.000 metros. Existem matacões e paredes inseridas na mata, com trechos íngremes de ascensões. No alto, será preciso subir um degrau ou canaleta aberta e larga, perigosamente exposta.

O amplo cume um tanto irregular não estará tão longe, mas só será alcançado depois de pelo menos 5 hs de esforço. Devido ao aclive, a trilha de 7 km não é tão grande – há poucos platôs no caminho. Como a montanha não ultrapassa a parede do Caraça, a principal vista será a leste, voltada para o vilarejo e seus campos infinitos – talvez seja esta a razão do belo nome de Horizontes que lhe deram.

Muitas Vezes Sete

Se você se entusiasmou por esse relato, pode pensar em replicá-lo para outros espaços. A primeira região óbvia seria o PN de Itatiaia, com seu magnífico planalto montanhoso. Lá você encontrará sem grande dificuldade duas vezes sete cumes candidatos – entre outros, Agulhas, Couto e Prateleiras, Pedras Partida e Assentada, Maromba e Serra Negra, Ovo e Gigante, Gorila e Gorilinha. Difícil será fazê-los todos, em especial as formações mais isoladas da borda norte.

Outra opção seria a Serra Fina, a formidável crista montanhosa entre os maciços do Marins e de Itatiaia. Sua travessia já implica a meu ver na ascensão de pelo menos quatro cumes, como a Pedra da Mina, o Três Estados, o Alto dos Ivos e o Capim Amarelo. Você poderá escolher muitos outros naquela vastidão. Mas terá de nomeá-los, porque poucos foram até agora batizados.

A magnífica Serra dos Marins seria uma bela oportunidade. Existe lá um circuito de seis picos e você poderia agregar mais um, talvez a ameaçadora montanha no ponto onde a estrada de subida afinal encontra o planalto. A Serra do Caparaó apresenta sete cumes na sua crista, desde o Tesouro ao norte até o Cristal ao sul.

E, na Chapada Diamantina, você não teria a meu ver empecilho em escolher seus alvos, todos eles conhecidos. Eu sugeriria os Picos do Barbado, do Itobira e das Almas, nas proximidades de Rio de Contas. E mais o Morros Branco e Pai Inácio, o Casacudo e o Morrão, na região do PN da Chapada Diamantina.

Mas não o invejaria se você tivesse de escolher os cumes no Ibitiraquire da Serra do Mar paranaense. Veja só:

Escolha os picos de sua predileção na tranquilidade da Serra de Ibitiraquire no Paraná.

Veja só, temos por coincidência 14 cumes nesse desenho.

Boa sorte!

 

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Sobre o autor

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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