Após polêmico espetáculo com fogos de artifício, China pode fechar os picos de 8 mil metros nesta temporada

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A face norte do Monte Everest (8.848 m), a rota normal do Cho Oyu (8.188 m) e o Shishapangma (8.027 m) poderão não receber montanhistas na próxima temporada de primavera, que se inicia em abril. Segundo informações extraoficiais, o governo da China, que controla a região do Tibete onde essas montanhas estão localizadas, avalia fechar os picos de 8 mil metros após um polêmico espetáculo com fogos de artifício realizado em Gyantse, na região de Shigatse.

O espetáculo artístico gerou polêmica por causar impactos negativos ao ecossistema de montanha.

O evento artístico foi criado pelo artista Cai Guo-Qiang, com patrocínio da marca de equipamentos Arc’teryx, e recebeu o nome de “Ascending Dragon”. A apresentação ocorreu na encosta de uma montanha entre 4.500 e 5.500 metros de altitude, atingindo cerca de 30 hectares de pastagens. Ao todo, 1.050 fogos de artifício foram utilizados na obra, que durou aproximadamente 52 segundos, embora testemunhas relatem que a fumaça permaneceu visível por cerca de 15 minutos. Os organizadores afirmaram ter utilizado materiais “ecológicos” e que realizaram a limpeza completa da área após o espetáculo.

Apesar disso, o evento ganhou grande repercussão negativa entre observadores e ambientalistas. Críticos apontaram que o uso de fogos de artifício em um ambiente frágil como o Planalto Tibetano pode causar impactos à vida selvagem devido ao barulho e à fumaça, além de possíveis danos ambientais e culturais. Para comunidades locais, as montanhas são consideradas sagradas e habitadas por espíritos da natureza, o que ampliou a controvérsia.

Imagem capturada do vídeo promocional do evento.

Diante da repercussão, autoridades regionais abriram uma investigação oficial sobre o evento e sua organização. Paralelamente, os responsáveis retiraram conteúdos relacionados ao espetáculo da internet, emitiram um pedido público de desculpas e se comprometeram a arcar com os custos da restauração ambiental.

Informações extraoficiais indicam que o governo chinês pode manter as montanhas fechadas nesta temporada até a conclusão das investigações. Embora as agências que operam na região ainda não tenham recebido comunicado oficial, muitas já buscam alternativas para atender seus clientes.

Mas qual é a relação do espetáculo com o Everest?

O local da intervenção artística está situado a muitos quilômetros de distância do Everest. Além disso, após o evento, permissões de escalada continuaram a ser concedidas, incluindo autorizações para o cineasta e montanhista Jimmy Chin e para o esquiador Jim Morrison, que realizou a primeira descida de esqui pelo Couloir Hornbein, na face norte do Everest. Logo a justificativa do espetáculo polêmico não se encaixa para a proibição da escalada, mas como a região já foi fechada outras vezes, montanhistas e guias seguem apreensivos.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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