Quarteto feminino realiza ascensão da Rota Sul-Africana na Torre Central de Torres del Paine de Paine

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Nos últimos dias, Torres del Paine tem registrado clima frio, instável, com ventos intensos e episódios de chuva — condições típicas do início do outono patagônico. Ainda assim, antes do fechamento temporário da região para visitantes, as escaladoras Caro North, Amelie Kühne, Julia Cassou e Belén Prados protagonizaram uma ascensão histórica na Patagônia chilena.

O quarteto completou a Rota Sul-Africana (1.200 m, 7b+) na face leste da Torre Central de Paine, tornando-se a primeira equipe exclusivamente feminina a escalar essa via. A ascensão foi realizada em estilo cápsula, após 13 dias na parede.

As quatro escaladoras no cume da Torre Central. Foto: @caronorthofficial

De acordo com Caro North, nem todos os trechos puderam ser escalados em livre “devido a fendas de gelo, frio intenso e rochas cobertas de neve”. Ainda assim, o feito marca um importante avanço na história da escalada na região.

A Rota Sul-Africana segue um impressionante sistema de fendas e foi conquistada entre 1973 e 1974 por uma expedição sul-africana, sem o uso de ancoragens fixas. A primeira ascensão em livre veio apenas em 2009, com Sean Villanueva, Nico Favresse e Ben Ditto, que também passaram 13 dias na parede. A primeira repetição ocorreu em 2023, com Imanol Amundarian, Cedar Christensen e Tyler Karow. Mais recentemente, em fevereiro deste ano, Siebe Vanhee e Tommy Caldwell escalaram a via em livre em menos de 24 horas.

Foram quase 30 dias preparando a escalada e 13 dias na parede. Foto: @caronorthofficial

Primeira ascensão feminina

A preparação da equipe foi longa e exigente. As quatro escaladoras passaram quase um mês transportando equipamentos e suprimentos até a base da parede, além de fixarem cordas nos primeiros trechos e estabelecerem o primeiro acampamento em portaledges.

As quatro escaladoras ficaram treze dias na parede. Foto: @caronorthofficial

O quarteto enfrentou dias de nevasca, vento e frio. Foto: @caronorthofficial

Após esse período, uma mudança nas condições climáticas obrigou o grupo a fazer uma pausa antes de iniciar a escalada principal. “Foi intenso, desafiador e exaustivo — mas também muito divertido. A escalada se mostrou mais exigente do que imaginávamos e exigiu muita concentração do início ao fim. Conseguimos preparar tudo para uma investida mais longa na parede, mas o clima invernal e a neve fresca nos obrigaram a descer para descansar”, relatou Caro .

A via segue por uma sequencia de fendas. Foto: @caronorthofficial

Toda a parte de logística foi feita por elas. Foto: caronorthofficial

Com experiência prévia em grandes paredes ao redor do mundo, incluindo uma conquista na Groenlândia, Caro destacou o principal desafio da expedição: “o que diferenciou essa experiência foi a dureza do clima patagônico. O ritmo era ditado pelo vento, pela neve e pela chuva. Precisávamos aproveitar cada janela de tempo bom para avançar e nos proteger quando as condições se tornavam extremas.”

Segundo ela, o sucesso da ascensão esteve diretamente ligado à força do grupo. “Foi uma escalada extremamente exigente. Somos muito gratas por termos conseguido trabalhar juntas como equipe para alcançar algo que sempre sonhamos”, concluiu.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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