Agora é oficial: Brasil tem montanhas sim! E elas estão espalhadas por 14 estados

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Para praticantes de montanhismo e muitos especialistas, a presença de montanhas no Brasil sempre foi óbvia. No entanto, a ausência de uma definição oficial clara sobre o que caracteriza uma montanha abria espaço para polêmicas como a ideia de que o país não possuiria esse tipo de relevo por não apresentar formações resultantes de orogêneses recentes, associadas ao tectonismo.

Montanhas da Serra do Mar fluminense na região do Parque Estadual dos Três Picos. Foto Pedro Hauck.

Esse cenário muda com a adoção de um novo sistema de classificação do relevo brasileiro, que confirma a existência de montanhas em pelo menos 14 estados e atualiza conceitos tradicionais da geografia nacional.

A mudança é resultado do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR), desenvolvido pelo IBGE em parceria com o Serviço Geológico do Brasil, universidades e outras instituições científicas em um estudo de mais de seis anos. O objetivo é padronizar a descrição do relevo no país, criando uma linguagem comum para pesquisadores e gestores públicos.

Um dos principais avanços está na redefinição dos critérios para identificar uma montanha. Mais do que a altitude absoluta ou processo de formação, passam a ser considerados aspectos como declividade acentuada, forma do topo e o desnível em relação ao entorno.

Agulhas Negras. Foto Pedro Hauck

Com isso, ficou acordado que montanhas são formas de relevo com desnível topográfico superior a 300 metros. Segundo o montanhista e geógrafo Pedro Hauck, trata-se de um conceito já consolidado internacionalmente, mas que agora ganha reconhecimento oficial no Brasil.

A nova classificação não apenas valida montanhas já consagradas, como também incorpora áreas antes pouco reconhecidas ao mapa das regiões montanhosas do país.

Por outro lado, algumas formações passam a ser reclassificadas. O Monte Roraima, por exemplo, deixa de ser considerado uma montanha e passa a ser classificado como planalto, devido ao seu topo plano. Já o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, é enquadrado como um inselberg, termo que designa formações rochosas isoladas que se elevam abruptamente sobre áreas mais baixas.

Monte Kukenan e Monte Roraima no horizonte. Foto: Wellington Pereira

Distribuição pelo território

Os estudos indicam que as montanhas brasileiras estão amplamente distribuídas, abrangendo diferentes regiões, do Norte ao Sul do país. Elas aparecem tanto em áreas da Amazônia quanto no Nordeste e em cadeias mais conhecidas do Sudeste.

Serras como a do Mar, Mantiqueira e Espinhaço continuam concentrando as formações mais expressivas, mas há também conjuntos menores e menos conhecidos espalhados pelo território nacional.

Porém, diferentemente de grandes cadeias montanhosas jovens, como Andes e Himalaia, as montanhas brasileiras são geologicamente antigas. Formadas há centenas de milhões de anos, que foram intensamente esculpidas por processos erosivos ao longo do tempo.

A nova classificação vai além da academia.

Segundo especialistas, o reconhecimento mais preciso das áreas montanhosas pode influenciar diretamente políticas públicas, especialmente em temas como gestão de riscos naturais, já que encostas íngremes estão associadas a deslizamentos.

Também há espaço para valorização turística e ambiental dessas regiões, ampliando o potencial de atividades como montanhismo, trekking e ecoturismo. Além da possibilidade de uma nova lista de montanhas mais altas do Brasil, uma vez que a atual considera os cumes mais altos do Brasil.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

1 comentário

  1. Ainda que sejamos um Pais “abaixo dos 3000 metros”, temos sim montanhas grandiosas e proeminentes.
    As quais merecem consideração e respeito, se considerarmos que todas elas ficam fora das grandes cordilheiras.
    E conforme bem ressaltado pela matéria, é importante que se refaça a lista das nossas maiores montanhas. Já que hoje em dia ainda lista-se e ressalta-se cumes secundários como se estes fossem montanhas.