Vertente – Arte e Montanhismo

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Escolhi o nome Vertente para essa coluna depois de descobrir que a palavra carrega, sem precisar de esforço, exatamente o que eu queria dizer.

Vertente é a encosta de uma montanha, o lado por onde a água escorre e por onde a gente sobe. Mas vertente também é um sentido figurado que usamos para falar de ponto de vista, de perspectiva, de uma linha dentro de algo maior. Dizemos que uma pintura pertence a determinada vertente artística, ou que existem várias vertentes dentro de um movimento. É uma palavra que, nos dois sentidos, fala sobre caminho e sobre olhar ao mesmo tempo.

Na vertente da montanha. Foto: Emilin Lima.

Achei bonito que uma única palavra desse conta das duas coisas que mais ocupam a minha vida hoje. Sou montanhista e escaladora, e a Serra do Mar paranaense é onde treino, onde repito trilhas, onde aprendo minha própria relação com o cansaço e com a altura. Também sou, antes de tudo isso, uma pessoa de arte: fui tatuadora, sou ilustradora e origamista, e por muitos anos vivi só disso. Hoje pinto, sobretudo, as montanhas que visito. Cada cume que alcanço acaba virando, mais cedo ou mais tarde, um traço no papel.

Nesta coluna, quero escrever sobre os pontos em que essas duas vertentes se cruzam. Não vou ficar presa só à pintura ou às artes visuais: vou falar de pintores, mas também de fotógrafos, músicos, escultores e qualquer artista que tenha encontrado na montanha um tema para trabalhar. Vou falar de técnicas, de composições, de detalhes históricos que às vezes escondem (ou revelam) uma relação real com o montanhismo, como descobri já no primeiro texto desta coluna, sobre Hokusai. E também vou trazer experiências minhas: o que vejo quando chego num cume, o que anoto depois numa página, o que muda entre subir uma montanha e depois tentar desenhá-la de memória.

Criando arte a partir da observação da montanha. Foto: Jhonatan Gulin.

Acredito que arte e montanhismo pedem a mesma coisa de quem pratica: atenção prolongada. Ninguém escala bem sem prestar atenção no próprio corpo, na rocha, no tempo. Ninguém faz arte bem, seja com tinta, som ou lente, sem prestar atenção no que muda quando se olha (ou se escuta) de novo para algo que já se viu antes. Essa coluna é o lugar onde escolhi juntar as duas atenções que mais pratico na vida.

Cada texto aqui será uma vertente: um lado por onde escolho subir um tema. Espero que você suba comigo.

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Sobre o autor

Emilin Lima é gestora de marketing na AltaMontanha e apaixonada por transformar em arte tudo que vive nas trilhas. Escaladora e montanhista, tem na Serra do Mar paranaense seu principal terreno de treino e contemplação. Antes de subir montanhas, subiu outros caminhos criativos: foi tatuadora, é ilustradora e origamista, e por muitos anos viveu da arte como profissão. Hoje mantém um estudo constante sobre história da arte e pinta, sobretudo, as montanhas que visita: cada cume que alcança vira, mais tarde, um traço no papel. Nesta coluna, junta as duas paixões que mais a movem: o ato de escalar e o ato de observar.

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