O enfermeiro David Cifaldi de 32 anos sobreviveu após sofrer um acidente com seu próprio bastão de caminhada durante uma trilha no Granite Peak, com 3.904 metros de altitude, a montanha mais alta do estado de Montana, nos Estados Unidos.
Cifaldi diz que escorregou e perdeu o equilíbrio. Ao cair, a haste metálica do equipamento perfurou as costas, entrando pela região abaixo da axila esquerda e atravessando parte do tronco. Apesar da gravidade do acidente, nenhum órgão vital foi atingido. O próprio montanhista analisou sua situação utilizando os conhecimentos que adquiriu trabalhando como enfermeiro de trauma. “Eu conseguia sentir o bastão atravessando meu corpo. Sabia que ele não tinha penetrado profundamente porque conseguia respirar normalmente”, relatou Cifaldi ao jornal The Guardian.
Ao concluir que não corria risco imediato de morte, Cifaldi decidiu não aguardar um resgate aéreo e iniciou a descida da montanha ao lado dos amigos Jesse Ross e Brad Reich, que o acompanhavam na trilha. O grupo também optou por manter o bastão atravessado no corpo durante todo o trajeto, conduta que está de acordo com os protocolos de Atendimento Pré-Hospitalar (APH), os quais orientam que objetos empalados não sejam removidos antes da avaliação médica, devido ao risco de agravar lesões internas e provocar hemorragias.
Assim, o grupo percorreu cerca de 16 quilômetros em uma caminhada que durou aproximadamente seis horas e meia até chegar a um local onde fosse possível receber atendimento médico. Durante todo o trajeto, os amigos organizaram a descida para garantir a segurança de Cifaldi. Enquanto um caminhava logo atrás para oferecer apoio caso ele perdesse o equilíbrio, o outro seguia à frente alertando os demais visitantes da trilha e evitando que crianças presenciassem a cena.
O acidente aconteceu em 20/07, quando os três tentavam alcançar o cume do Granite Peak. A cerca de 3.600 metros de altitude, Cifaldi escorregou sobre uma pedra solta, deixou um dos bastões cair e acabou caindo sobre o outro, que perfurou completamente seu tronco, ficando exposto dos dois lados do corpo.
Após deixar a montanha, ele foi encaminhado a um hospital na cidade de Billings, onde passou por uma cirurgia para retirada do bastão. O procedimento foi realizado com sucesso, e o enfermeiro passa bem.
“Sinto-me muito sortudo. Se tivesse sido alguns centímetros para o outro lado, a história seria completamente diferente”, afirmou.
O uso correto dos bastões de caminhada reduz o risco de acidentes
Embora acidentes imprevisíveis possam acontecer em ambientes de montanha, o uso correto dos bastões de caminhada contribui para reduzir riscos, melhorar o equilíbrio e diminuir o impacto sobre as articulações durante longas trilhas.
Para que o equipamento cumpra sua função, é fundamental ajustá-lo corretamente. Em terrenos planos, a altura ideal é aquela que permite ao cotovelo formar um ângulo de aproximadamente 90° quando a ponta do bastão está apoiada no solo.
Nas subidas, recomenda-se encurtar os bastões entre 5 e 10 centímetros para facilitar a propulsão do corpo. Já nas descidas, o ideal é alongá-los levemente, proporcionando maior estabilidade e apoio.
A forma de utilizar as alças também merece atenção. Elas foram projetadas para distribuir a carga entre punho e antebraço, reduzindo o esforço das mãos. Segurar o bastão de maneira inadequada pode comprometer a estabilidade e, em caso de queda, até provocar lesões nas mãos e nos punhos.
Outro ponto importante é manter os bastões próximos ao corpo. Quando posicionados muito à frente ou afastados lateralmente, eles deixam de oferecer sustentação eficiente, alteram a postura do caminhante e podem comprometer o equilíbrio.
Além disso, em trechos muito íngremes, vias ferratas, passagens com necessidade de escalaminhada, cristas estreitas ou locais com grande quantidade de raízes e blocos de rocha (situações comuns em diversas montanhas brasileiras), o mais seguro é recolher os bastões e guardá-los na mochila. Dessa forma, as mãos permanecem livres para utilizar apoios naturais ou artificiais sempre que necessário.
Por fim, escolher equipamentos de qualidade também faz diferença. Antes da compra, vale observar o material de fabricação, o sistema de travamento, a ergonomia da empunhadura e a resistência estrutural. Um bom bastão deve suportar o peso aplicado durante a caminhada sem deformações, oferecendo estabilidade mesmo em terrenos acidentados.










