Uma pernada que, mesmo incompleta, mereceu a alcunha de BRUTAL. Partimos da porteira de acesso às terras do Seu José às 6h41 do 18/7/26 em direção ao Queixo da Mulher de Pedra, com disposição para abrimos passagem à base do bater de facão, se necessário fosse. Foi, e muito. Retornarei a esse ponto mais à frente.
Estudei o melhor que pude as informações que amealhamos sobre os objetivos e, com a autorização do proprietário para a abertura com facão, reforcei o material de primeiros socorros, com foco em eventuais ferimentos que ocorressem à equipe e considerei subir mais pesado, com reserva de água para a volta, pois os trabalhos certamente seriam desgastantes. Escolhi uma mochila de 20 litros, confeccionada pelo FALCÃO NEGRO MONTANHISMO, por ser bastante robusta para todo o vara-mato que imaginávamos fazer, permitir o arranjo dos equipamentos com certa folga e, ainda assim viabilizar com baixo peso total. Com os cadernos de cume, a fita (desnecessária, mas prudente), facão, rádio, 3 powerbanks, totalizando 20.000 mAh, com opção de cabo ou indução. Essa cautela permite driblar que a eventual presença de umidade na conexão impeça o recarregar do aparelho. Com os 4 litros d’água, iniciei a trilha com pouco menos de 11 kg, uma vez que o facão foi utilizado quase que todo o tempo no acesso ao Queixo. Pesei a mão na alimentação e, como não estava muito bem, retornei com quase 600 g de comida.
A proposta dessa incursão era no primeiro dia fazer a face completa da Mulher de Pedra, subindo os picos que formam o Cabelo, a Testa, o Nariz, a Boca e o Queixo, retornar e subir ao Seio da imponente e pétrea dama, onde bivacaríamos da melhor forma possível. Isso muitas vezes significa lançar o isolante em algum pequeno espaço plano, quiçá no rastro batido que o passar frequente erode no solo.
No dia seguinte repetir uma ligação entre o Seio e o Umbigo, com registro de passagem apenas em 2023 e concluir a travessia, saindo na Cachoeira dos Frades até as 15h, para então retornar com a van até São Paulo. Eu ainda desceria para Santos para a labuta de todas as segundas. A ligação Seio – Umbigo prometia ser o crux da pernada, principalmente caso não houvessem ocorrido subidas ao Queixo, não reportadas. Se fosse necessário abrir passagem, ainda que apenas nos trechos mais densos, o primeiro dia seria desgastando ao extremo.
Confiávamos que, houvesse rastros de passagem recentes, os encontraríamos. E, de fato, até o Cabelo encontramos várias marcas de passagem, ainda que em alguns trechos a mata já tivesse retornado boa parte do viço.
Monitorada dia a dia na semana precedente, para identificar algum óbice ao bivacar. Analisando vídeos, fotos do cume e imagens de satélite, concluímos que seria inviável contarmos com espaço paras montarmos barracas para que os 18 pernoitassem no cume, de forma confortável. Planejamos que todos pudessem bivacar no cume ou nas imediações e que, caso ocorresse algo extraordinário, como uma mudança de tempo imprevisível, nos sobrelotaríamos as poucas barracas, que levaríamos por segurança. A previsão do tempo se apresentava ideal para uma noite em bivaque, com os modelos convergindo para uma mínima na faixa dos 10°C, e algum nevoeiro, mas nada de chuva.
A equipe da Base-Seio, seguindo o proposto pelo Cauê na semana precedente a viagem, subiu para o cume avaliando como dividir as barracas que dispunham com o pessoal que chegasse cansado da longa e e árdua missão de abertura para passagem ao Queixo e instalação dos livros. Planejavam usar a lotação máxima em todas as barracas. Já é algo da sabedoria popular que Montanhistas precisam ter coração de mãe: com amor sempre cabe mais um, quiçá mais dois, na necessidade.
A Bruna e Cauê estavam cada qual com barraca para 1 pessoa, mas que aceitariam, 2. O Paulo estava com barraca de 2, mas caberiam 3. A Ariane subira para seu primeiro bivaque e não portava barraca.
Ao chegarem no cume, a Bruna e a Ari dividiram com o Paulo a barraca dele, liberando a barraca da Bruna para as 2 primeiras pessoas que chegassem, deixando-a plenamente montada. Um acalanto de enternecer o coração mais empedernido.
A Base-Seio sabia que o Gerson, o Bigode, a Fran/Diego e Rogério/Amanda também dispunham de barraca. A do Gerson caberia mais 1, de forma que sobraria 4 pessoas para pernoitar na barraca do Bigode, uma Mongar 2 aceita bem 3 pessoas, talvez 4. Desconheciam que o Anderson não subiria ao Seio, pelo que restava alguma preocupação pois ainda haveria necessidade de ao menos, um bivaque, a ser feito sob o avanço da Mongar, talvez.
Aqui, dou a palavra à Bruna, reportando as impressões da Base – Seio: “o primeiro a chegar foi o Gerson por volta de 21h30 e indiquei o primeiro acampamento pra ele armar a barraca, pois não cabia mais no local do livro onde estávamos. Em seguida chegaram o Sávio e a Letícia que ficaram com a minha barraca que estava 100% livre.
Com a chegada do Emerson, indicamos pra ele se juntar ao Cauê na barraca dele. Logo veio a Michelle e indicamos a barraca do Gerson na outra área de camping.
Neste momento faltavam chegar no cume Fram e Diego que estavam juntos numa barraca, você e a Amanda que contavam com uma outra barraca e são tarimbados no bivaque. E o Bigode, Ricardo, Denis e Anderson que íamos sugerir pernoitarem todos na Mongar ou até mesmo um bivaque complementar no generoso avanço dela.
Por volta da meia-noite chegaram Ricardo e Denis, mas não percebemos, pois não ouvimos o barulho e, eles acabaram fazendo bivaque. Como o Bigode não foi subiu até o cume não seria possível alocar pessoas na barraca dele de qualquer modo. Percebemos a presença do Denis, no meio da trilha pela manhã, quando estávamos nos questionando onde estariam os “faltantes” e o Denis acordou e disse: “ei, eu estou aqui por sinal ” kkkk. Ele disse que não passou frio, que dormiu bem e nos avisou sobre o Ricardo bivacando logo antes. Fomos então até o Ricardo verificar seus sinais vitais (rindo, mas com alguma seriedade) e então virou uma atração turística, que foi aquela foto que tirei. Kkk. Por sorte, ou competência, ele também reportou que não passou frio e que o bivaque foi até que bem confortável.
Neste momento já sabíamos que os 5 ausentes estavam acampando ou bivacando pouco abaixo e ficamos à espera, aliviados de qualquer preocupação.”
Tomei à frente do grupo no começo, seguindo rastro de passagens anteriores e sendo escudado pelo Anderson a abrir no facão os trechos na sequência. Os trabalhos seguiam bem, mas depois de algum tempo, surgiu a necessidade imperiosa de atender ao chamado da natureza, cavando um buraco e cedi a primazia da coluna, sendo ultrapassado por todos até que, finalmente tivesse a privacidade que a operação exigia. Escolhi uma área de terra nua, à direita da trilha e, com a dignidade possível, completei a obra, voltando a terra para cobrir e depois juntando algumas pedras por cima.
Mais leve, tratei de apertar o passo no encalço da tropa que seguia a frente. Devo ter consumido uns 5, 6 minutos no chamado da natureza, se tanto. Mas quando se trata dos Arcanjos, no início de uma caminhada, isso é uma eternidade. Pouco tempo depois observei o único marco geodésico da ida (o segundo). Por mais que forcasse o ritmo, não conseguia divisá-los ou mesmo ouvi-los. Procurei mante o ritmo forte, de forma a facilitar a minha navegação pela seara que haviam aberto, primeiro em um trecho de samambaias e depois entre as rochas e arbustos da crista.
Ainda antes do Cabelo, passei pelos dois trechos de corda que guardam o acesso ao rosto da Mulher. Ambos os trechos podem ser galgados e desescalados sem o auxílio de cordas, porém com bastante cautela e alguma tarimba. O primeiro trecho, de descida na ida, a corda branca está desfeita pelo intemperismo. A segunda, utilizada para aumentar os pontos de pega para subir na ida, estava em muito melhor condição. De qualquer forma, por precaução procurei manter sempre três pontos de boa base na rocha.
Vencido o primeiro dos lances de corda, pouco adiante em um trecho que a trilha aplainava por alguns metros, deixei uma garrafa de 1,5 litro p ara nosso retorno, imaginando que estaríamos quase sem água. Não percebi, mas por descuido, perdi a garrafa de 1 litro que estava na peitoral da mochila. Sensivelmente mais leve, apertei o passo encosta acima, superando com alguma tranquilidade o segundo ponto de corda, que também apresenta várias agarras naturais. Nesse, a corda branca e azul estava em condições muito melhores que a primeira (branca). Acredito que nenhuma das duas cordas que existem/existiram no acesso ao Cabelo exceda 10 m de comprimento.
Aqui, convém deixar um alerta e esclarecimento: as cordas fixas que se encontra em travessia são objeto de manutenções, normalmente, voluntárias, sem um procedimento que assegure que estejam, quando o montanhista as encontra, em boas condições para um uso seguro. Dessa forma, sempre é recomendável que sejam testadas quanto às suas condições, assim como dos pontos de ancoragem. A degradação pela luz solar, principalmente em polímeros de cor branca tente a ser célere e, a isso se soma, o roçar das fibras contra as arestas das rochas ao longo do tempo, impulsionados pelos ventos ou mesmo pelo uso normal. Montanhista, sempre mantenha uma saudável cautela no emprego desses elementos, buscando dividir sua segurança com agarras naturais em raízes ou mesmo reentrâncias das rochas.
Novamente reunido ao grupo, parei alguns minutos para descansar, enquanto os colegas faziam os devidos registros no livro de cume, instalado em 7 de janeiro de 2021 pelo CERJ, marcando o início dos longos e exaustivos trabalhos para reabrir a trilha até o Queixo que seria “reconquistado” apenas em 5 de maio, após 9 incursões (janeiro, 7, 21e 26, fevereiro 7, 20 e 28, março, 6 e 13). Apesar de portarmos um livro novo, com autorização do proprietário para instalarmos, avaliamos que isso não fazia sentido, pois já existia um livro (desconhecíamos) e ele apresentava excelente condição de preservação e cerca de 1/3 utilizado. Por precaução, registramos as páginas das passagens anteriores e deixamos uma nova caneta, pois a que estava com o livro não estava escrevendo.
Parti às 9h40 com o grupo da retaguarda declinando suavemente à esquerda, com o rumo predominante de leste para alcançar o colo entre o Cabelo e a Testa, seguindo o rastro da passagem recente do pessoal, que abria a passagem sob intenso trabalho em revezamento do Cícero e do Ricardo. Alcançamos a Testa da Mulher de Pedra às 10h13 e decidimos fazer a instalação do livro de cume no retorno do Queixo. Desse ponto começamos a perder altitude na direção norte e em seguida, com a direção predominante sendo nordeste a retomarmos altitude até o Nariz, alcançado às 11h40. À minha frente, o Anderson se arrastava sob intensas câimbras, reforçando a passagem aberta pela equipe que seguia na dianteira. Mesmo com todo esse empenho, em alguns trechos, rastejamos por sob a vegetação, de forma a não despender demasiado tempo na abertura da passagem, frente ao que ainda nos esperava.
Mesmo com as câimbras lhe perturbando, considerou que não era seguro nos aguardar no trajeto que havíamos aberto, pois o grupo poderia encontrar outra vereda mais transitável, então forçou-se a cumear o Nariz, onde decidiu esperar nosso retorno do Queixo. O retorno confirmaria essa preocupação, mais de uma vez o trajeto de retorno não foi exatamente o que percorremos na ida. Nesse ponto, optei por deixar a minha mochila com a água restante, primeiros socorros, material de bivaque, comida… quase tudo. Coloquei o comunicador/rastreador nos bolsos, junto com canivete, apito, lanterna e celular. Sem nada pesando, a progressão ficou muito mais tranquila e, em pouco tempo eu e a Amanda alcançávamos o pessoal da dianteira.
Leve, depois de descansar um pouco na Boca, dividi com o Emerson o forçar de passagem da vegetação na subida ao Queixo. Avaliando o emaranhado de caratuvas, identifiquei uma linha de vegetação menos cerrada, na direção de uma rocha mais exposta ao forte vendaval que fustigava o penúltimo cume a “conquistar” no nosso primeiro dia. Galgado o Queixo, nos restava retomar sobre nossos passos até o ponto de início para então fazer a derradeira subida, até o Seio, onde pernoitaríamos.
No lance final de subida do Queixo, o vento soprava a nosso favor e experimentei abrir os braços como se fossem partes de uma vela e ter meu avanço grandemente facilitado através das lajes rochosas. Acredito que o vento sustentado passava de 70 km/h com rajadas talvez beirando ou até mesmo ultrapassando 100 km. Após a segunda queda causada pelas rajadas, a a Amanda passou a praticamente engatinhar. Voltei alguns metros e procurei lhe passar a pouca segurança possível frente à tamanha demonstração de poder da natureza. Brincamos que, realmente, com aquele vento, a opção mais segura seria o bivaque. Não sabíamos ainda, mas a parte da equipe que optara por seguir direto ao Seio, poupando forças e energias para o segundo dia, já estava acampada no cume do Seio e filmava nosso progresso a partir de lá.
Cumeado às 13h27, o Queixo descortinava certamente a vista mais linda e impressionante de todo o primeiro dia. Depois a comunicação via rádio entre os dois cumes se mostrou funcional e conseguimos algumas informações da Base Seio, que tivera alguma dificuldade com a vegetação na subida, que haviam chegado ao cume perto do meio-dia e que torciam por nós, pois a jornada se mostrava grandiosa e desafiadora. Conseguiam nos ver (e filmar) a partir da montanha do nosso pernoite.
Alguém me deu amendoins, mas bastou mastigar uns poucos que, ao tentar engolir, voltaram, junto com intenso acesso de tosse de uma gripe mal curada. Colocando sem eufemismo: estava muito mal, não havia conseguido comer nada e meu fôlego, que já não é aquelas coisas estava muito prejudicado. Em verdade, me arrastava, movido por pura força de vontade… ou teimosia, mesmo. O desconforto intestinal que me acompanhava e impedia de segurar qualquer coisa no estômago reduziu um pouco, após colocar para fora o amendoim. Agora, a enormidade do desafio podia ser melhor aquilatada e isso também me trouxe algum alento. De qualquer forma, na caminhada até ali, eu perdera os dois bastões de caminhada, em alguma parada para descanso (cheguei a voltar para procurar, mas sem sucesso), meu chapéu, tomado por uma rajada de vento nas vizinhanças da Boca e uma garrafa com 1 litro d’água, que caiu do bolso da peitoral e eu não notei na hora. Mais que o valor material, me entristece profundamente o deixar de “lixo” para trás.
Procuramos o livro que dizia haver no Queixo para registro, mas não o encontrarmos. Talvez tenha sido recolhido, talvez tenha sido apenas erro na interpretação das informações que obtivemos durante o planejamento. Uma pena, pois disponhamos de dois livros excedentes para caso de necessidade, mas eu não havia suposto que convinha levar um extra até ali. Consideramos retornar ao Nariz para buscar um livro mas a prudência de fazermos o trecho menos batido antes do anoitecer prevaleceu e, depois de muito apreciar a vista absolutamente impactante que o Queixo proporciona, iniciamos o retorno. No cume, deixamos pegadas e um pouco de nós. Conosco, trazíamos a grandiosidade das montanhas cariocas e a grata satisfação de alcançar um objetivo muito acalentado.
Partimos do cume às 13h45, atentamente cuidando que as fortes rajadas de vento não resultassem em um passo falso, uma torção ou uma queda que fosse. Mais de uma vez, sentamo-nos e aguardamos que amainasse um pouco. Ainda assim, houve algumas quedas, uma das quais talvez tenha resultado no trincar ou quebrar de uma costela flutuante da Amanda que, ao menos na hora, não percebeu. Certamente devido à intensa adrenalina que corria em nossos corpos naquele momento. Na subida ao Seio, as dores se fariam presentes, e ainda mais angustiante, a dificuldade para respirar seria uma constante em toda a subida.
Retomando tanto quanto possível sobre nossos passos, sempre contando com a habilidade de quem seguia à frente no momento identificar os rastros da nossa passagem recente, alcançamos a Boca às 14h21 e instalamos o livro de cume na maior arvoreta presente [23K 755814 7522617], à esquerda de quem está a caminho do Queixo, com os dados anotados pela Amanda Mascaro, uma montanhista que tem, sem licença poética, o trilhar no sangue. Caminhou pela Serra do Mar Paulista muito antes do glamour que essas loucuras hoje sustentam. Atravessou serras, montanhas e rios em pelo menos 4 estados (SP, RJ, MG, PR), resiliente e obstinada, traça trajetos e desafios expressivos. Navega bem e caminha ainda melhor, de forma autônoma e responsável.
Registrar a passagem nos livros existentes é de grande importância para a história do Montanhismo Nacional, permite avaliar os impactos que a presença humana produz e, contribui fortemente para a segurança dos montanhistas, principalmente em caso de buscas e resgates. Todos os livros que instalamos ficaram protegidos por um plástico do tipo Zip Lock aluminizado preto, presos com fitas em laranja vibrante e com um elemento fluorescente para auxiliar na identificação e navegação sob condições de baixa visibilidade ou noturnas. Acreditamos que perdurem bastante, infelizmente não nos foi possível seguir o padrão da compacta marmita de alumínio para proteção física; caso alguém se mobilize no sentido de acrescer uma proteção dessas, as cadernetas deixadas são padronizadas com as medidas 15 x 11x 2 cm X e o invólucro plástico aluminizado tem as dimensões: 17 x 24 x 2 cm. Não encontramos rochas soltas nos cumes para erigir totens para proteção.
Figura 10. (E) Preparo dos livros. (D)Fluorescência para auxilio à visualização e navegação.
Instalado o livro de cume, deixamos a Boca da Mulher de Pedra e seguimos em direção Nariz, trecho de navegação favorável, com a dupla Amanda – Letícia à frente, seguidas pelo Ricardo, pelo Denis e Cícero. Descemos pouco mais de uma vintena de metros e tornamos a ganhar altitude até a região do cume (1721 m). Escolhemos uma arvoreta à esquerda de quem vem do Cabelo [23K 725243 7522483] para instalar o penúltimo livro dessa investida, pois retornaríamos com 3 livros sem aplicação (reserva, Cabelo, Nascente da ligação Seio – Umbigo).
As honras do registro da instalação do ponto para registro nesse cume couberam à Letícia, bióloga, cicloviajante e montanhista irreverente.
Deixamos o cume do Nariz e começamos a perder altitude, buscando o colo Nariz – Testa, trecho em que o progresso foi mais dificultoso pela macega, que cresce vigorosa e densa. Em alguns pontos, foi necessário rastejar sob os ramos entrelaçados. Nesse trecho, as meninas perderam um discreto dobrar à esquerda e descemos fora do rastro aberto na passagem de ida. Descemos pouco, perdendo pouco menos que uma vintena de metros na direção incorreta. Alertadas, preferiram cacifar contra a vegetação, pois como estávamos descendo por um pequeno bosque, o progresso era célere, e parcialmente paralelo à direção pretendida. Com isso, deixamos o colo e avançamos um pouco pela encosta, até a vegetação obstar o avanço. Ali, ao dobrarem à esquerda para buscar a trilha pegamos o pior cenário que esse tipo de incursão oferta: vara-mato fechado e morro acima.
Dispensamos algum tempo nessa labuta antes de reconhecer a linha de ação mais prudente e adequada: retomar altitude por dentro do bosque, onde a vegetação era mais permeável até interceptarmos o nosso rastro da ida. O avanço ficou imensamente facilitado, pois em grande parte da ida, havíamos tido o trio Anderson, Cícero e Ricardo, todos experientes no manejo do facão, que abrira muito da quiçaça. Sem maiores complicações quanto à navegação, alcançamos o Testa às 16h17, com os registros da instalação do livro de cume sob os cuidados do Denis, escolhendo uma arvoreta à esquerda no sentido Cabelo – Queixo [23K 724960m7522191].
Instalado o livro, deixamos o Testa para a derradeira subida da primeira metade da nossa aventura nesse dia, em direção ao Cabelo. Subimos bem, pelo rastro batido da ida e nas pegadas de parte do grupo que seguia na dianteira: Emerson, Fran, Michele, Gerson, Diego e Sávio. Chegamos ao Cabelo às 16h43, tendo consumido entre ir ao Queixo e retornar, 7 horas. Considerando os trabalhos para abertura da passagem, as pausas para apreciar as paisagens, os erros de navegação e as pausas para instalar os livros de cume, acredito que fizemos em um tempo bastante otimizado. De qualquer modo, reforço a recomendação de que, ao pretender avançar a partir do Cabelo se disponha de lanterna, apito, água, razoável navegação, um saco de bivaque de emergência e um bom tanto de pernas. No retorno, levamos 3 h para percorrer o trecho entre o Queixo e o Cabelo, os mais céleres do grupo demandaram 2h35 para fazer o retorno.
A partir do Cabelo a energia era outra: sabíamos que até a base, onde havíamos iniciado a caminhada, a pernada seria longa, mas sempre em declive, a trilha se encontrava bastante aberta e trilhávamos sobre os últimos raios de sol do sábado, apreciando o pôr do sol atrás das montanhas. Pedi que ficassem atentos à garrafa d’agua que eu deixara na subida, ao encontra-la pudemos por fim à boa parte dos cuidados que havíamos tomado com a questão do consumo até ali, permitindo à todos que aliviassem a d e si d r a t a ção que certamente nos rondava.
Alcançamos às 16h58 o ponto da segunda corda, no sentido de quem sobe, ancorada com um grampo “P” e que aparentava estar em boas condições. Por precaução, utilizamos as agarras na rocha nos pontos em que isso era viável para desescalar. Pouco depois, às 17h10 foi a vez da “primeira corda” que já se encontra totalmente degradada. De qualquer modo, o lance conta com bastante pontos de apoio, tanto para a subida quanto descida.
Prosseguimos na descida, passando pelo segundo marco às 17h23 e pelo primeiro às 17h32, sem dificuldade no progresso. O trecho de samambaias foi alcançado às 17h47. Descendo com a velocidade que o lusco-fusco que as primeiras sombras da noite permitiam, alcançamos o ponto de água às 18h26, onde fizemos uma parada para hidratação e consumo de algumas calorias. O Anderson abusou da ingesta d’água, o que, aliado ao esforço da intensa caminhada que o desidratara, favoreceu que pouco depois apresentasse forte enjoo e mal-estar, quando finalmente recuperamos as tralhas que havíamos deixado no começo da subida e que usaríamos para o pernoite e para a caminhada do dia seguinte. Recuperamos os equipamentos, terminamos a descida e fizemos uma nova parada, agora mais longa para lanchar e arrumar as cargueiras para a subida ao Seio. O Anderson preparou um miojo, mas não conseguiu segurar a comida no estômago, deitando-se sob fortes cólicas. Desmaiaria ainda duas vezes antes que encontrássemos um local adequado para que pudesse descansar.
O quadro era claro: desidratação e esforço acumulado. A solução, se provaria simples: hidratação, repouso e alimentação mais tarde, quando estivesse um pouco menos extenuado. A questão era onde encontrar um ponto que minimamente permitisse ao Anderson o necessário descanso. O Ricardo levou a mochila do Anderson, o Denis, o Cícero e a Amanda foram amparando o Anderson. Eu voltei uma centena de metros pela estrada para verificar se havia algum sítio ou lugar que pudéssemos deixá-lo em segurança, sem sucesso. Apertei o passo até alcançar o septeto que havia parado ao portão de um discreto sítio às 19h27. Tentavam chamar do portão sem resposta, há pouco. Imbuído de uma confiança de que não dispunha, entrei na propriedade para tentar contato mais próximo, sem saber se havia ou não alguém nos ouvindo. Pouco depois, a Daniela surgiu de dentro da casa, preocupada. Com ela, ressabiados e curiosos, vieram seus filhos: o esperto Johnatan e a graciosa Marjorie. Quando explicamos a situação, ela prontamente permitiu que o colocássemos ao lado da casa, no gramado para o bivacar e se recuperar. Ficamos algum tempo preparando o bivaque para ele, receosos de que, se o deixássemos fora dos sacos de dormir e de bivaque, ele simplesmente adormecesse sem se proteger adequadamente do frio noturno, se expondo à uma possível hipotermia.
A Amanda já cogitara abortar o final da travessia permanecendo com o Anderson caso não encontrássemos um bom lugar para que pernoitasse. Enquanto preparávamos as coisas para o bivaque do Anderson, questionamos se no dia seguinte ele conseguiria de alguma forma um transporte para a Cachoeira do Frade, onde pretendíamos encontrar a van para o retorno a São Paulo, às 15h. Ela nos informou que, provavelmente seu marido, Joelson poderia levá-lo na manhã seguinte. Imensamente gratos, começamos a nos despedir do simpático trio, quando o Joelson chegou e, ao tomar conhecimento da situação, insistiu que ele pernoitasse na simples edícula que dispunham. Para quem “fugira” do bivaque no cume do Seio da Mulher de Pedra por um bivaque abrigado, no plano gramado do avanço da casa alternar novamente, agora para uma noite confortável em uma cama era algo inimaginável. Não há como agradecer de forma plena por tudo que essa família fez pelo Anderson e, por tabela, por nós. Ficamos quase uma hora conversando sobre as montanhas que nos abrigavam, ainda que parcialmente dos intensos ventos. Por mais agradável que fosse a prosa, precisávamos retomar nosso caminho ou veríamos o nascer do sol ainda na subida do Seio. Com os corações aquecidos pela generosidade do Joelson e de sua família, nos despedimos às 19h55 começamos de fato a subir o Seio. Felizmente, a angústia que nos acompanhava há pouco mais de uma hora estava bem encaminhada. Dormiria e acordaria bem e disposto. Já contava com o transporte até a Cachoeira dos Frades combinada. Não fosse a generosidade da família, subiríamos desfalcados da Amanda.
Projetamos que a jornada até o Seio tomaria entre 5 e 6 horas, face ao cansaço acumulado e eventuais erros de navegação, que não ocorreram, felizmente. Subi com 3 litros d’água na cargueira, poupando o peso possível para a Amanda. Imaginávamos consumir meio litro na subida, meio litro no preparo do jantar, o que nos permitiria contar com 1 litro por cabeça para fazer o vara-mato em descida até a região na nascente, já nas vizinhanças do Umbigo.
Subimos com infinitas paradas, meu estômago ainda totalmente embrulhado, recusava qualquer alimento mais substancial. Forcei-me a engolir alguns saches de mel e um pequeno pedaço de queijo. Na subida, a Amanda lutava para puxar um ar que parecia não vir. Com a experiência de algumas costelas quebradas lhe trouxera, percebeu que algo não estava certo. Apesar de frequentes, as paradas não passavam de 1, 2 minutos, se tanto. Nosso grupo, após deixar o Anderson na base, era composto pelo Cícero, Ricardo, Amanda, Denis e este que vos escreve. Todos os outros estavam acima, em bivaques ou barracas.
Em um lance mais íngreme, na região de florestinha antes da derradeira encosta do Seio, notamos uma ceva, certamente colocada por caçadores, em busca de tornar o encontro com a caça facilitado. O impacto dessa atividade excede o animal que é abatido, por vezes por necessidade ou por tradição da caça. Toda a cadeia alimentar é impactada, pois a redução das presas força os predadores de topo a buscarem alimento nas criações e nos animais domésticos do entorno, potencializando as interações prejudiciais entre humanos e a fauna.
Às 0h40, percebendo que no “pouco” que faltava para o cume, pois nossa altitude era de 1954 m frente a altitude do Seio de 2040 m e que acima de nós apenas mal se percebia o perfil do cume, diáfano devido à neblina, decidimos fazer o bivaque ali, na canaleta do rastro de passagem mais batido, abrigados das rajadas de vento pelas touceiras de capim. Escolhemos um lugar favorável, que permitia que bivacássemos próximos e com um conforto bem razoável. Vestimos as roupas secas, entramos nos sacos de dormir e com ele no saco de bivaque, deitamo-nos sobre os isolantes e, em pouco tempo dormíamos profundamente. Acordei às 6h e fiquei fazendo hora, deixando a Amanda descansar um pouco mais, pois só poderíamos entrar no vara-mato da ligação Seio – Umbigo depois das 8h, quando a visibilidade permitiria lidar melhor com o vara-mato e tornaria certo que eventuais trechos de laje já estariam secos.
Registro da Bruna. Às 6h30 a Fran e o Diego, que haviam acampado na florestinha de encosta à 1776 m de altitude passaram por nós e seguiram para o cume. Após a passagem deles, tratamos de nos preparar para o novo dia, desfazendo o bivaque e vestindo as roupas de trilha. Como de costume, tomei extremo cuidado no arrumar da mochila, buscando assegurar que o equipamento de dormir estaria protegido, por pior que fossem as condições que pegássemos na caminhada. Ajudei no arrumar da cargueira da Amanda, tentando torna-la tão compacta e leve quanto possível, de forma a aliviar o desgaste dela com peso e com o enganchar da cargueira nos matos. Tudo arrumado, às 7h15 partimos encosta acima, sem forçar o passo, cumeamos o Seio às 7h40 e ficamos surpresos com a quantidade de lugares que ainda existia, mesmo com 10 pessoas dormindo no trecho final.
De alguma forma, arranjaram-se para acolher os que chegavam para bivaque, nas barracas. Com as otimizações feitas durante o dia pela quadra Capote, Bruna, Ariane e Cauê que chegaram cedo ao cume, reservando vagas providenciais para os que chegavam cansados da pernada e receosos do bivacar, acolheram a Michele, a Letícia, o Emerson e o Sávio nas barracas. Reportei acima, a visão fraternal da Base – Seio e reforço aqui o reconhecimento.
Com os arranjos feitos, apenas permaneceram em bivaque: o Ricardo, o Denis, o Cícero, a Amanda e eu. Acredito que falo por todos os bivacantes que foi uma noite muito tranquila e agradável. Levei barraca, mas apenas por considerar que poderia ocorrer uma virada de tempo inesperada, trazendo chuva.
Registramos a passagem no livro de cume do Seio da Mulher de Pedra e, enquanto os últimos terminavam de arranjar as tralhas nas mochilas, partimos às 8h07 para o último trecho de vara-mato, por um rastro bem batido que, infelizmente se fechou menos de 50 m à frente. Retornei, tentando identificar alguma mudança de direção que houvesse me escapado. Depois de me orientar, conclui que se fazia necessário alguns metros de vara-mato, para (talvez) reencontrar o rastro à frente. Nesse meio tempo, o grupo ponderou que a exposição à algum acidente dado o desgaste da véspera que já tirara os “braços fortes” Cícero, Ricardo e Anderson do manejar do facão para o segundo dia. Trilharíamos por um trecho ainda menos aberto que a véspera, com o horário apertado para o retorno, combinado às 15h , na Cachoeira dos Frades. Estimávamos pelo menos 4 horas até a nascente e cruzo para o Umbigo. Partindo às 8h e dando tudo certo, o que nunca é garantido, chegaríamos meio-dia ao cruzo ainda restando cerca de 8 km de terreno desconhecido para concluirmos em 3h. Ponderando todos os prós e contras, sábia e prudentemente, decidiu-se por retornar pelo caminho que havíamos trilhado à noite, nos reunirmos mais cedo com o Anderson e alternar o ponto de resgate para onde a van nos deixara, na véspera.
Decisão tomada, tratamos de fazer os devidos contatos para ajustar as alterações do ponto de resgate, aproveitando para antecipar o início do retorno em 1 hora. Deixamos o cume às 8h30, descendo de forma cautelosa, se não fazia sentido o cacifar contra o cansaço e o risco de ferimento para completar a loucura planejada, menos sentido ainda faria incorrermos em algum acidente na descida do Seio pela face já conhecida. Meu estômago aceitava água, ainda que em pequenos goles, de forma que descemos controlando o consumo, mas com a intenção de chegar aos pontos em que há água na trilha bem hidratados.
A descida do Seio foi trivial sem trechos de maior complexidade, quer técnicos, quer de navegação e, em pouco mais de 3,5 h saímos pelo esbelto “mata-burro” à direita do portão, onde os amigos descansavam e nos esperavam. Paramos alguns minutos e retomamos o caminhar, agora pela estradinha calçada com bloquetes até o sítio onde o Anderson nos aguarda, sob a acolhedora família. Como previsto estava bem, recuperado pela noite de sono e descanso, e nos deixamos ficar um bom tempo conversando com a Daniela, a Marjorie, o Johnatan e o Joelson. Da véspera, sabíamos que o Joelson também gostava de caminhar pelas montanhas, nessa nova sessão de conversa soubemos do incidente com uma jararaca e os apuros que passou com a perda, felizmente temporária, da visão de ambos os olhos. Apesar dos infortúnios, Deus se fez presente em dádivas diretas e indiretas em sua vida. Um coração grandioso, como o de todos dessa família, certamente merece que Ele interceda. Deixamos os novos amigos na certeza de que pessoas boas existem. E se encontram.
Talvez aliviado pelo concluir, ainda que incompleto, do périplo pretendido e saber que poderia relaxar, meu estômago resolveu que já bastava de cólicas, azias e enjoos e meu habitual apetite voltou. Enquanto conversávamos, tomei 1 litro de suco e comi 4 dos 6 lanches que a Amanda preparava e posso afiançar, estavam ótimos!

Figura 20- Parabéns à administradora da Equipe Arcanjo e mente por trás de muitas aventuras e, alguns desafios de reduzida sanidade. Registro do Denis
Caminhamos mais 15 minutos até o ponto de resgate e, pontualmente às 14h o Weffeton nos recolhia para começarmos a volta. Trocamos rapidamente as vestes, embarcamos e, em pouco temmpo quase todos dormitavam. Paramos num pequeno restaurante BOM DESTINO (021 993005-9307 Rodovia Dr. Rogério Moura Estevão, Teresópolis), para a alegria da humilde senhorinha (Laurete) que nos atendeu para o almoço. Tomei, com prazer Coca-Cola zero, coisa que, na véspera imaginava impossível conseguir. Comida simples, bem temperada e saborosa, a preço fixo e acessível… tudo que um montanhista quer depois de ser moído pela montanha. Além dos pedaços de carne e de frango ainda pedi que me preparasse dois ovos extras. Almoçamos fartamente uma comida simples, mas muito bem temperada e saborosa. Para fechar com chave de ouro, cantamos parabéns pelo aniversário da Amanda, de surpresa. Tudo bem que o bolo, dessa vez foi de chocolate, a intenção sempre é o que manda.
Ainda na chegada, fiz um (mau) registro da Mulher de Pedra. Sou montanhista há décadas e registrar os momentos e imagens, por mais que contribuam para o entendimento do texto e tornem mais acessíveis os relatos, ainda não é algo que me prenda a atenção. Ainda mal registrada pela lente do celular, a imagem nos gravou a alma, assim que vimos. Por pouco, mesmo esse mau retrato não deixou de ocorrer.

Figura 21. Primeiro visual da Face da Mulher de Pedra. (D) Cabelo, Testa, Nariz, Boca e Queixo. (centro) Seio. (Centro/ esquerda) Umbigo.
Muito bem alimentados, embarcamos novamente na van, agora para seguir viagem, com o mínimo de paradas que o motorista precisasse ou as necessidades fisiológicas se apresentassem imperiosas. Por algum tempo, o ineditismo (até onde sabemos) do pretendido e, mesmo, do realizado com a macega ainda que não plenamente bravia, mas bastante fechada, a generosidade da família que acolhera o Anderson, as emoções a flor da pele e, por que não dizer? Grafadas com o sangue dos lanhos e arranhões que cada um trazia, se somaram às lembranças e a conversa foi intensa, vibrante. Todos voltávamos transformados pela experiência, nenhum escapara incólume a Dama Lîtica. Percorrer a integralidade da face e, pernoitar no Seio se mostrou uma das trilhas mais intensas, marcantes e aprazíveis de 2026. Que meu leitor não entenda mal: foi bastante desgastante, não apenas pela altimetria envolvida, mas principalmente pelo desafio de interpretar o terreno e abrir a passagem necessária ao avanço. Poder contribuir com a segurança dos irmãos de montanhismo, trouxe um edulcorar adicional ao mero caminhar. Muito mais que fotos ou registros, trouxemos conosco lembranças. Conhecer pessoas boas, caminhar por trechos onde o humano não se faz presente há anos, traz um acalanto aos pensamentos e emoções. Mesmo na subida do Seio, bastante batida e frequentada, encontramos praticamente nada de lixo, ao ponto de que os dois parches que o Cicero perdera, desprendidos da mochila pelo roçar na vegetação, eu e a Amanda encontraremos. Foi legal ver a surpresa e alegria no olhar do Bigode, quando já no sítio, lhe perguntamos se ele que havia perdido. Se alguém encontrar meus bastões ou o litro agua perdido, faça o melhor uso possível , removendo-os de lá. Sem surpresa, fizemos uma parada para banheiro e uma segunda, agora em São José dos Campos, para o desembarque da Bruna, chegando em SP pouco antes das 23h. Reportei n o grupo à chegada em casa às 1h13 e adormeci o sono profundo dos surrados até o âmago.

Figura 22. A trupe, ao partimos na ida, o sorriso de quem se preparou para uma aventura desafiadora. Primeira fileira: Letícia, Sávio, Michele. Segunda Fileira: Capote, Ariane e Cauê. Terceira Fileira: Fram, Ricardo e Cícero (Bigode). Penúltima fileira: Diego, Gerson e Emerson. Última fileira: Anderson e Denis





























