Duas são as árvores amazônicas que mais me impressionam: a samaúma e a castanheira. As samaúmas são gigantescas, com mais de 60 metros de altura. São árvores de madeira clara, leve e macia. As cascas são espinhosas, mas não muito fortes. Seu corpo se torna mais delgado à medida que sobe. As raízes monumentais descem do tronco como abas laterais. Elas são capazes de absorver enormes quantidades de água – e costumam compartilhá-la com as espécies à sua volta.
A castanheira não é tão alta, chegando a 40 metros. Seu tronco é áspero e escuro. Ele não afina como o da samaúma, permanecendo como um cilindro grosso e reto até o fim. A castanheira é conhecida principalmente devido à noz que produz, rica em caloria e proteína, com amplo uso na medicina e na cosmética. A casca é forte e a madeira é excelente.
É curioso como, pertencendo ao mesmo habitat, sejam árvores tão diferentes. A reprodução da castanheira é muito delicada, exigindo um ambiente preservado – depende das orquídeas para a polinização das flores, das cutias para o enterramento das sementes e do clima propício para sua germinação. Seu fruto é muito valioso. E tudo nela é duro: a casca, a noz, a madeira. As castanheiras são espécies ameaçadas, pelo corte da árvore e pela colheita do fruto.

Samaúma (Fonte – Divulgação).
As samaúmas são mais facilmente reprodutíveis, não dependendo da existência de matas virgens. Por isto, são hoje bem mais abundantes na natureza. Porém, vivem pouco, ao contrário das castanheiras. Não existe tanta procura por elas: seu fruto não é tão valioso, nem sua madeira é tão resistente e durável.
Há um aspecto em que elas me parecem opostas: as copas. Os galhos e folhas das castanheiras formam com delicadeza como que um tufo terminal, alto e pequeno. Acho estranho como esta árvore sempre escura, rude e forte tenha tanta vergonha em se abrir ao céu ou oferecer sua sombra à terra.

Castanheira (Fonte – Divulgação).
Ao contrário, os galhos da samaúma abrem-se amplamente no alto. Eles são sempre expressivos: parecem braços que pedem clemência ou fazem uma oferenda. A modéstia da castanheira, a emoção da samaúma.
Num dia ameno, subo um vagaroso rio amazônico, já estou longe do povoado onde embarquei. Para minha surpresa, encontro na beira do rio uma esplêndida samaúma, alta e larga. Ela surge num roçado, ao lado de uma rústica casa de madeira, tão pequena que parece de boneca.
Eu me pergunto como uma árvore tão cobiçada pode ter permanecido assim intacta. Suspeito que aquela casa simplória seja a sua guardiã.








