A hipótese de desorientação no Pico dos Marins: caso Marco Aurélio em 1985

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Este texto nasce de uma abordagem geográfica do caso de desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon durante ascensão ao Pico dos Marins em junho de 1985. Pretende-se extrair e organizar informações espaciais a partir dos registros do caso (livro, inquérito policial, jornais e entrevistas). Outro objetivo é traçar um paralelo do caso Marco Aurélio em 1985 com o caso Gilbert Eric Welterlin em 2018 que permite desenvolver a hipótese de desorientação do escoteiro e demonstrar ser esta a mais provável causa do desaparecimento. O presente documento será atualizado conforme surjam novas contribuições e informações.

Resumo do Caso

Corria o ano de 1985 e durante o feriado de Corpus Christi um grupo de quatro escoteiros e seu líder empreenderam uma tentativa de subida ao Pico dos Marins. Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon, então com quinze anos, encontrava-se descendo a montanha com os demais, pois não alcançaram o cume devido a contusão de um dos escoteiros. Porque a descida do debilitado demorasse, Marco Aurélio se voluntariou a descer na frente em busca de auxílio para o grupo. Eram 14h do dia oito de junho e Marco Aurélio partiu na sua missão, porém não foi mais visto.

Descrição da Subida ao Pico Marins

O Pico dos Marins é uma montanha da Serra da Mantiqueira com altitude de 2.422 metros acima do nível do mar. O cume se localiza no município paulista de Piquete, porém, o maciço também engloba o município mineiro de Marmelópolis.

A trilha que dá acesso ao Pico dos Marins basicamente manteve-se a mesma desde 1985 até 2022 (Figura 1). Ainda pretendo obter uma aerofoto da região do ano de 1978 que faz parte do acervo da empresa Base Aerofotogrametria para enriquecer este documento.

Estacionam-se os veículos no atual refúgio ou base do Marins, onde em 1985 residia o senhor Afonso Egídio Xavier e família. Dali segue-se a pé uma trilha pela mata que sobe em direção ao Morro do Careca, por vezes cruzando uma estrada de terra que levava ao morro ou por ela seguindo. Na primeira vez em que lá estive, nos dias 20 e 21/08/2005, ainda era possível subir de carro até o Morro do Careca, pois lá chegamos com um Renault Twingo e um Volkswagen Gol. Na segunda vez em que lá estive, em maio de 2008, a estrada já estava fechada, ainda assim conseguimos percorrê-la com um Suzuki Vitara. Na terceira vez, Páscoa de 2011, já não mais subiam veículos ao morro e na quarta vez em 17/06/2022 constatei que árvores e erosões bloqueavam a estrada de chão que somente era percorrida a pé.

O Morro do Careca situa-se a 1.792 m de altitude, dali a trilha adentra uma pequena porção de mata nebular e logo se inicia a subida em campos de altitude e pedras. Neste trecho a trilha percorre basicamente a linha divisora de águas que serve como limite estadual. À mão esquerda de quem sobe as águas drenam para o ribeirão Saiqui, afluente do rio Lourenço Velho, tributário do rio Sapucaí, bacia do rio Grande, estado de Minas Gerais. À direita encontra-se o ribeirão Passa Quatro (ou dos Marins), bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, estado de São Paulo. O relevo na porção mineira é suave se comparado ao abrupto e profundo vale que neste trecho da trilha existe no lado paulista, denominado pelo explorador Márcio Bortolusso como “Cânion do Marins”.

Figura 1 – Trilha para subir o Pico dos Marins. Fonte: Autor (pontos de referência), Orlando Mohallem (trajeto).

Após o Careca, o próximo ponto de referência na trilha é o chamado Portal, uma rocha fendida no centro – ou duas pouco afastadas – por onde uma pessoa pode passar (Figura 2). Os pontos de referência são escassos na montanha por isso é bom enfatizá-los neste texto, seus nomes são atribuídos pelos montanhistas de acordo com a aparência percebida e podem mudar ao longo do tempo. Ressalta-se que do Careca até meio caminho do Portal a trilha tem aspecto de chão batido, pelo menos após 2005, o que é visível nas imagens de satélite do Google Earth. Em 1985 a quantidade de montanhistas era menor, mas uma imagem aérea em data próxima sanaria a dúvida.

Figura 2 – Pedra do Portal, vista sentido descida da trilha (Autor, 17/06/2022).

Adiante do Portal a trilha continua subindo e deriva-se à esquerda para contornar um cocuruto, o morro da Cruz de Ferro (Figura 3). Nesta derivação é visível uma rocha com formato de golfinho apoiada sobre outra, conhecida como Pedra do Golfinho (Figura 4). Vale destacar que até os anos 1950, segundo consta no livro Operação Marins, a trilha seguia sem desviar do morro e passava pela Cruz de Ferro. Esta variante original foi fechada pelo guia Carlos Vieira por motivos não citados na obra. O fato é que existe um paredão de rocha quase vertical na base do morro, que demandaria do montanhista subir por fendas usando as mãos para pouco adiante baixar novamente.

O senhor Afonso Ribeiro de Freitas (não confundir com o Xavier), nasceu em 1962 e sobe o Marins desde os 7 anos. É guia da montanha, explorador e morador da região abaixo do Pico no lado mineiro. Contou-me em 18/04/2022 que quando tinha entre 11 e 12 anos subiu uma única vez pela trilha da Cruz de Ferro, com seu avô. Na mesma conversa ele me relatou que esta Cruz foi ali colocada por um padre que pretendia rezar uma missa no cume do Marins, mas por estar fora de forma física não logrou chegar ao seu destino, abreviando a subida, rezando a missa e fincando a cruz neste morrote. Isto se passou antes de ele nascer (1962) e o senhor Afonso Egídio Xavier teria participado da missa. A importância da Cruz de Ferro reside em ser a única estrutura construída pelo homem que servia de ponto de referência e aparece no croqui da Polícia elaborado à época do desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio. E 17/06/2022 não consegui encontrar a Cruz de Ferro, o guia Afonso me havia dito que também não a encontrou em suas passagens recentes por lá.

Figura 3 – Morro da Cruz de Ferro, vista de quem sobe a trilha rumo ao Marins. Detalhe do paredão na base do morro (Autor, 17/06/2022).

Figura 4 – Pedra do Golfinho (Autor, 17/06/2022).

Após contornar o morro da Cruz de Ferro a trilha adentra uma ‘sela’ topográfica, uma espécie de ‘colo’ mais ou menos plano entre dois morros. Tal sela vista por imagem de satélite parece ser uma falha geológica. É nesta sela que existe uma entrada mais ou menos suave para o Cânion do Marins (que não é a trilha do cume), à mão direita de quem sobe. Foi aqui, em 16/04/2018, que o corredor de montanha Gilbert Eric Welterlin se desviou da trilha e entrou no Cânion, conforme registro do seu relógio GPS (Figura 5).

Depois da ‘sela’ a trilha envereda por um morro bem íngreme, sempre entre pedras, e adiante faz um contorno à esquerda para desviar de uma face quase vertical e intransponível a pé. Ao final deste desvio há um desnível de uns 5 metros, conhecido como Elevador, uma parte que exige o uso das mãos segurando na fenda para vencer a diferença de altura (Figura 7). É a única parte da trilha que requer escalar, ainda que sem cordas, embora perfeitamente possível para uma pessoa comum que receba ajuda de outros.

Figura 5 – Sela topográfica, entrada para o Cânion do Marins (Google Earth).

Figura 6 – Vista de quem desce a trilha. Entrada do Cânion (esq.), morro da Cruz (centro), trilha (dir.) (Autor, 17/06/2022).

Figura 7 – ‘Elevador’, desnível de uns 5 metros, necessário usar as mão na fenda (Autor, 17/06/2022).

Continuando a subida por lajeados íngremes de rocha, chega-se num platô, uma área mais ou menos plana em que existem águas das vertentes que se acumulam e formam o Ribeirão Passa Quatro, ou ‘Água’ do Marins (Figura 8). Estas águas escoam para o Cânion do Marins, bacia do Rio Paraíba do Sul (SP). Neste local é possível avistar, a partir da trilha, o Pico do Marinzinho à esquerda e o Pico dos Marins em frente. Após este platô existe a parte final da trilha que é o ataque ao cume.

Figura 8 – ‘Água’ do Marins, vista para jusante poucos metros antes de desembocar no Cânion, onde cruza a trilha (Autor, 17/06/2022).

Análise do croqui da polícia

O croqui elaborado pela Polícia paulista à época das investigações é, em minha visão, o documento primário mais importante para entender os locais onde ocorreram os fatos (Figura 9). O croqui, embora não seja um mapa, apresenta as posições relativas e as direções aproximadas. Vamos nos concentrar em três fatos que forçaram o grupo a desistir da subida ao cume e retornar para a base: (1) ferimento de Oswaldo; (2) separação de Marco Aurélio dos demais e (3) caminho de retorno do guia e os três escoteiros. Uma importante constatação é que as três ocorrências se dão antes da Cruz de Ferro para quem desce a trilha no sentido cume-base. Infelizmente o desenho não assinala a pedra em que foi avistada a marca de giz ‘240’ deixada por Marco Aurélio, mas podemos inferir que sua localização é também antes da Cruz de Ferro sentido cume-base, do contrário os demais escoteiros não a teriam visto.

(1) Ferimento de Oswaldo. O documento gráfico destaca um “paredão de pedra” como sendo o “local onde Oswaldo feriu-se, segundo todos os informantes do grupo”. Não se sabe se este paredão de pedras seria o local conhecido por Elevador (Figura 7). Seria necessário buscar por fotografias da reconstituição do caso no inquérito policial, caso existam, e compará-las com as dos dias atuais pois o terreno não mudou nestes 37 anos. No croqui consta uma estimativa de mais ou menos 1.100 metros de distância ente o local do ferimento e o morro do Careca, porém não sabemos como foi realizada esta medição na época haja vista a distância medida em linha reta pelo Google Earth do Careca até a Cruz de Ferro ser de 1.300 m.

(2) Separação de Marco Aurélio dos demais. O desenho da Polícia assinala que a “possível direção tomada por Marco Aurélio” é no rumo da Cruz de Ferro, para quem desce a trilha. Aqui se abre a possibilidade de que Marco Aurélio tenha se desorientado na descida mantendo-se à esquerda e entrando no Cânion do Marins no mesmo ponto em que Gilbert Eric Welterlin entrou em 2018 (Figura 6). Neste ponto da trilha não há um chão batido que permita seguir o caminho inequivocamente. Por experiência própria, em minha quarta subida ao Marins (2022), com um casal de amigos, nos desgarramos da trilha algumas vezes por não mais de trinta metros, pois como seguíamos com um GPS Garmin Etrex Vista alimentado com o trajeto (tracklog) nos foi possível retornar ao caminho correto. Acrescenta-se o fato de que em 1985 não deveriam existir as pinturas de setas nas rochas indicando o caminho.

(3) Caminho de retorno do guia e os três escoteiros. Aqui se nota que o “caminho de descida de Juan” conduziu o grupo à direita da trilha principal na descendente. A “trilha feita por Juan no mato fechado” indica que foi muito penosa a caminhada por mata fechada até alcançar as duas casas da fazenda do senhor Filinho por detrás, ou seja, de quem vem da mata. Antes de chegar à fazenda o grupo cruzou um córrego. Aqui o croqui conflita com a informação constante no livro Operação Marins, segundo o qual o grupo se deparou com um córrego de forte correnteza (somente poderia ser o Ribeirão Saiqui), desviou, chegou a uma estrada de terra, caminharam seis quilômetros e chegaram à casa do senhor Filinho. Mas a análise geográfica nos permite ver que para adentrar o vale que leva à casa do sr. Filinho, o grupo teria que ter se desviado à direita no mais tardar na região 50 metros antes de chegar à Pedra do Golfinho (Figura 10). Se o desvio ocorresse no Portal eles adentrariam um vale cuja saída é a estrada do Saiqui, próximo ao Sítio Bicho do Mato (que não existia à época, mas aqui utilizo como ponto de referência). Criou-se uma ‘lenda’ de que a última marcação de giz de Marco Aurélio que foi avistada pelos demais ocorreu no Portal, há vídeos no YouTube reproduzindo tal hipótese. Porém, tal afirmação não encontra guarida no croqui da Polícia e no fato inegável de que os escoteiros chegaram à casa do sr. Filinho vindos por detrás da segunda casa (da mata). Para concluir o acima citado, assumo como certo de que o grupo após se desviar à direita foi sempre descendo, o que invariavelmente os levaria ao fundo de vale. Do contrário teriam que encarar uma subida de uma vertente para sair em outro vale.

Figura 9 – Croqui elaborado pela polícia à época dos acontecimentos.

Figura 10 – Reconstituição do caminho feito pelo guia e três escoteiros.

O Cânion do Marins e a Hipótese de desorientação

Já nos referimos ao Cânion do Marins, um local extremamente inóspito e instransponível (Figura 11). Em minhas pesquisas, localizei unicamente o relato escrito de Márcio Bortolusso, explorador e fotógrafo, que empreendeu no ano de 2001 uma tentativa de percorrer todo o Cânion desde a água do Marins até as fazendas do vale do Paraíba. Reproduzo aqui suas palavras na íntegra, conforme extraídas do seu site www.photoverde.com.br em 28/08/2022:

EXPEDIÇÃO CÂNION DO PICO DOS MARINS – 2001

Uma das minhas primeiras expedições, com logística bem mais simplificada que as atuais, mas sem dúvida uma das mais emocionantes e engrandecedoras. Em solitário, 1ª descida do Ribeirão do Passa Quatro a partir da nascente do Pico dos Marins, uma das mais altas do Brasil, expedição minimalista que na época resultou na exploração do cânion mais alto já percorrido no país (a partir dos 2.200 m.s.n.m.).
No total foram mais de 40 km de marcha, sendo que no primeiro dia acabei subindo até o cume em poucas horas, retornei até o estacionamento devido a aproximação de uma tempestade e subi novamente voando na sequência (correndo), fazendo em menos de uma hora o trajeto de cerca de quatro horas.
Ao longo de dois quilômetros percorridos pelo acidentado cânion precisei rastejar centenas de metros por tocas e passagens tão estreitas que cheguei a entalar, realizar dezenas de rapéis usando apenas ancoragens naturais, saltar sobre intermináveis blocos e fendas profundas e rasgar uma das matas mais fechadas que eu já encarei… tendo que recuar várias vezes após horas de labuta. E depois de muito sofrer com forte sede, calor, dores e cansaço, decidi abortar o objetivo inicial de alcançar as distantes fazendas localizadas ao fundo do Vale do Paraíba e fui forçado a empreender uma desesperadora rota de fuga que incluiu escaladas sem corda (curtas, mas que me deixaram aterrorizado) e a travessia de uma sinistra garganta que me obrigou a instalar rapeis em duvidosas raízes e arbustos em paredes formadas por instáveis blocos e vegetação – jamais esquecerei a tensão e a quantidade de terra e pedras que tomei na cara durante a descida até o fundo de uma greta tão escura que precisei da lanterna para sair.

Mas pior do que me esfolar entre ilhas de espinhais ou suar como um condenado, por noites intermináveis eu bivaquei entocado entre pedras úmidas e arbustos pontiagudos apenas protegido por um pedaço de lona plástica em madrugadas de até -10º C. Minimalista ao extremo, buscando o menor peso e volume nesta expedição, além de dispensar barraca, isolante e saco de dormir eu arrisquei ir apenas com uma cargueira, uma vestimenta de neoprene (incluindo finas botas de Mergulho que destruíram os meus pés após dezenas de quilômetros), uma camiseta e um casaco (sempre secos), uma corda semi-estática de apenas 16 metros (com certificação NFPA para aguentar afiadas quinas), um capacete com lanterna, meia dúzia de fitas e mosquetões (incluindo para um freio e uma cadeirinha improvisados), um jogo de entaladores tipo stopper, um kit de sobrevivência e Primeiros Socorros, lanches prontos (dispensando panela, fogareiro e combustível) e, lamentando mais que pela fome e sede, apenas uma câmera Sea & Sea Motormarine II, a minha velha guerreira Canon T-90 com uma lente 28-70 e uns 3 ou 4 “volumosos” filmes Kodak Ektachrome E100 VS.

Assim que alcancei as altas e seguras cristas da rota “normal” que leva ao cume do Pico dos Marins vibrei com mais um “nasci de novo”. E, cheirando como uma capivara, cambaleante devido à fraqueza e sugado devido aos duros dias e longas noites (emagreci uma média de um quilo por dia), retornei para casa comemorando pelo enorme aprendizado, que me fez evoluir em poucos dias mais do que em anos em uma cara faculdade. Presságio de novas explorações em cânions intocados? Quem sabe… Gratidão eterna à revista Adventure e as marcas Half Dome, MARES – just add water, SEA&SEA Underwater Imaging e By.

Do relato de Márcio podemos ter uma ideia do desafio que o experiente explorador encetou para conseguir sair com vida do Cânion, mesmo se preparando para a empreitada. Ainda do relato advém a constatação de que o Cânion é um lugar geográfico em que o risco de morte é altíssimo. Esse fato é corroborado pela evidência de que nenhuma propriedade rural requereu posse desta área no Cadastro Ambiental Rural (CAR), essa porção de terra ao que tudo indica sequer foi desbravada pelos colonizadores.

Se Márcio de lá retornou com vida, infelizmente o mesmo não ocorreu com o corredor de montanha Gilbert Eric Welterlin, que adentrou no Cânion em 16/04/2018 e foi encontrado morto em 05/05/2018. O corredor empreendeu uma tarefa hercúlea para salvar sua vida, e pereceu a apenas 200 metros de distância de uma pastagem (Figura 12). As minhas sinceras condolências à sua esposa e família, se aqui o cito é para que possamos inferir com seu caso um paralelo ao caso Marco Aurélio. O corpo de Welterlin foi encontrado pelo produtor rural Rafael dos Santos Silva que ao manejar o gado em um pasto sentiu um forte odor e pensando se tratar de um boi adentrou a mata até se deparar com o corpo de Eric recostado sobre uma pedra ao lado do curso d’água que forma o Cânion.

Se estivesse ventando em outra direção jamais saberíamos hoje a trajetória percorrida por Eric (Figura 13 e Figura 14).

Figura 11 – Cânion do Marins.

Figura 12 – Local onde foi encontrado Eric, ao lado do Ribeirão.

Figura 13 – Trajeto extraído do GPS de Welterlin. (Fonte: Portal Extremos)

Figura 14 – Local onde foi encontrado Eric. (Fonte: Portal Extremos)

A hipótese de que Marco Aurélio se desorientou na trilha surge de uma noção de probabilidade, parte-se do que mais provável para o menos provável. É comum que pessoas se percam no Pico dos Marins quase todos os anos, informação que me foi passada por um bombeiro de Itajubá muitos anos atrás. Sem dúvida, se perder na trilha é muitíssimo mais provável do que outras hipóteses. Os que se perdem são encontrados depois de um tempo, e nem todos os casos são noticiados. Apenas dois casos permanecem sem solução, o de Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon em 1985 e o de João Carlos Xavier em 1989. Se assumirmos que a causa mais provável do desaparecimento de Marco Aurélio foi a desorientação, então o local geográfico com o maior risco de não retorno é o indubitavelmente o Cânion do Marins, conforme ficou demonstrado pelo relato de Bortolusso e o caso Welterlin. A esperança de encontrar vestígios de Marco Aurélio reside em delimitar as buscas no talvegue do Cânion (pois o terreno empurra o caminhante lá) e na área de mata fechada, pois os campos abertos foram explorados de helicóptero à época. Vejo que os detectores de metal portáteis desempenhariam papel fundamental nesta busca, pois o escoteiro levava uma fivela de cinto metálica de tamanho grande. Qualquer expedição de busca deve levar em conta a segurança em primeiro lugar, planejamento cuidadoso e participação das autoridades (mateiros, montanhistas, bombeiros, grupamento de selva do Exército e outros). Por fim, andei pesquisando sobre drones com detectores de metais existentes no mercado, porém os testes forneceram resultados em condições de grama baixa e metais à superfície. É possível que a tecnologia avance no futuro e possa ser aplicada ao caso.

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Sobre o autor

29 Comentários

  1. Carlos Henrique em

    Maravilhoso artigo, ja enviou tais informações a família simon? Seria bacana se fizesse um vídeo explicativo com as rotas, fotos e etc no youtube.
    Forte abraço!

    • Daniel Iozzi Sperandelli em

      Olá, enviei o texto que escrevi primeiramente ao sr. Ivo com quem mantenho regular contato.
      Daniel Iozzi Sperandelli

  2. Erasmo Arrivabene em

    A hipótese delimitada é bastante plausível.

    Algumas informações relevantes para enriquecer a hipótese:

    1. A chamada “trilha da Cruz de Ferro” foi desativada pelo antigo guia Carlos Vieira Soares em 1952, por apresentar uma passagem perigosa; ele estabeleceu o traçado atual, contornando o maciço pelo Norte (esquerda para quem está subindo os Marins) – Fonte: “O que sei, o que fiz e o que desconfio sobre o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio no Pico dos Marins em 8/6/85” – Relatório datilografado elaborado por Carlos Vieira Soares (Arquivado na Fundação Christiano Rosa, em Piquete).
    Observação: a “Cruz de Ferro” não existe mais: ou foi removida clandestinamente do local, em época desconhecida, ou derreteu fulgurada por algum raio, já que era uma estrutura pequena e raquítica – justamente por ser feita de ferro, tinha alta resistência elétrica, podendo sofrer esse tipo de dano em razão do efeito joule (a cruz chegou a ser fotografada por ocasião da reconstituição feita pela Polícia Civil durante as investigações).

    2. O escoteiro Oswaldo Lobeiro machucou o joelho na base do primeiro paredão rochoso imediatamente após o maciço da Cruz de Ferro, justamente saindo da “sela topográfica”, e não no “Elevador”. – Fonte: Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 – Delegacia de Polícia de Piquete – SP – Laudo nº 559/86 – Reconstituição de desaparecimento de menor (que foram quatro reconstituições, na verdade: a primeira em 23/04/1986, com o chefe Juan Bernabeu; a segunda em 06/07/1987, com o escoteiro Ramatis Rohn; e outras duas em 15/07/1987, com os escoteiros Oswaldo Lobeiro e Ricardo Salvione).

    3. Marco Aurélio foi visto pela última vez pelo grupo de escoteiros próximo de uma grande pedra que parece um cubo, nas imediações do paredão rochoso onde Oswaldo se machucou, justamente na “sela topográfica”. – Fonte: Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 – Delegacia de Polícia de Piquete – SP – Laudo nº 559/86, etc…

    4. Após desistirem de seguir o provável rumo tomado por Marco Aurélio, o caminho errado seguido por Juan Bernabeu e os demais escoteiros até a Fazenda do Filinho (Fazenda da Ronda) é o indicado pela linha branca da Figura nº 10. – Fonte: Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 – Delegacia de Polícia de Piquete – SP – Laudo nº 559/86, etc…
    Observação: o caminho errado seguido por Juan Bernabeu e os demais escoteiros rumo à Fazenda do Filinho (Fazenda da Ronda) pode não ter sido tão “errado”, pois ele aparece claramente tracejado num esboço de carta topográfica datado de 18/03/1948, do Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo. Provavelmente esse caminho constituiu a primeira rota de ascensão ao Pico dos Marins, exclusivamente por MG, muitíssimo antes do advento do Morro Careca.

    5. Consequentemente, o denominado “Portal”, ao contrário da “lenda” criada em torno, não tem qualquer ligação com a dinâmica dos fatos do dia do desaparecimento de Marco Aurélio. O local real da separação está situado, inclusive, antes da chamada “Pedra do Golfinho”, para quem está descendo a trilha rumo ao Morro Careca; lamentavelmente, o acervo fotográfico do laudo de reconstituição feito pela Polícia Civil deixou de localizar com precisão esse importante marco. – Fonte: Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 – Delegacia de Polícia de Piquete – SP – Laudo nº 559/86, etc…

    Considerações:

    Marco Aurélio pode perfeitamente ter se enfurnado inadvertidamente no “Cânion dos Marins” naquele fatídico dia de junho de 1985, principalmente se seguiu no rumo da “Cruz da Ferro”, sem ter a percepção de se manter exatamente na crista, e não decair para o Sul (esquerda para quem quer descer rumo ao Morro Careca). Geralmente esse tipo de desorientação na trilha dos Marins ocorre para a vertente contrária: é mais comum as pessoas perdidas acabarem decaindo para MG (no rumo Norte – Noroeste).

    Como já comentei aqui no Alta Montanha, em outro artigo sobre esse mistério, considero que o caso do desaparecimento do corredor de montanha francês Eric Welterlin, em 2018, oferece elementos valiosos para análise, por comparação, do que poderia ter acontecido com Marco Aurélio nos Marins em 1985.
    Marco Aurélio pode ter sofrido um acidente fatal no inóspito “Cânion dos Marins”, ou, completamente perdido, ter procurado algum abrigo improvisado para passar a noite gélida, sem roupas de frio adequadas, sucumbindo à hipotermia em alguma toca oculta e praticamente inacessível.

    As buscas realizadas na época deixaram muito a desejar: desconfiança dos militares em relação aos civis, rivalidades idiotas entre as próprias corporações militares, “pente-fino” feito em fila indiana, desorganização e muita “bateção” de cabeça.

    Se o corpo de Eric Welterlin acabou sendo encontrado por mero acaso em pleno século XXI, o que dizer das possibilidades reais de encontrarem Marco Aurélio em 1985…

    • Daniel Iozzi Sperandelli em

      Muito obrigado Erasmo. Vejo que possui farto material documental do caso. O relatório do Carlos Vieira me auxiliaria muito.
      Abraço

      • Daniel, tem como você futuramente postar fotos desse cânion do marins no seu blog ? o relato do rapaz que sobreviveu a ele e muito interessante, mas a descrição dele ainda e complexa, seria muito bom se pudéssemos ver esse cânions do marins, procurei pelo Google maps mas não acho

    • Meu email e : [email protected]……..salguero sem ” i “, só salguero mesmo

      Se não for trabalhoso poderia me enviar o pdf ? Deve ser um trabalho muito legal e bem raro, confesso que eu mesmo nunca tinha ouvido falar desse estudo……..obrigado e boa noite

  3. A hipótese levantada é de longe a mais plausível partindo do mais provável pro menos provável. Inclusive foi a primeira a ser levantada pelas autoridades dando origem a uma das maiores buscas já feitas após um desaparecimento nos Marins.
    O caso recente utilizado a título de comparação oferece sim bons elementos de análise: a busca envolveu 50 militares, helicópteros, mais de 100 pessoas somando voluntários e durou mais de duas semanas. Ainda sim todos os esforços para localizar Weterling restaram infrutíferos com o francês sendo encontrado por acaso 19 dias após o desaparecimento.
    Na longínqua década de 80 com menos tecnologia, menor preparo das equipes de busca e menor porção de terra povoada nas imediações certamente seria ainda mais difícil obter sucesso na tarefa de encontrar o corpo do escoteiro.
    No entanto, mesmo com todos estes apontamentos um fato bastante intrigante em toda essa história continua sem resposta: a mochila do escoteiro ser a única encontrada fora da barraca pelo grupo quando enfim chegou a propriedade de Afonso Xavier.
    Sempre achei tal fato um indício bem forte de que Marco Aurélio chegou sim ao acampamento e talvez tenha sido surpreendido enquanto buscava algo para facilitar o transporte do amigo.

    • A questão levantada por João Ferreira (sobre a mochila de Marco Aurélio ser a única a estar fora da barraca, etc) é exatamente a mesma que eu penso e defendo há anos: Marco não se perdeu na volta, ele chegou ao acampamento são e salvo! Ele chegou e estava a mexer em sua mochila quando algo aconteceu! Daí para diante, tenho algumas teorias acerca do que pode ter ocorrido, mas ele chegou SIM à barraca…

      • ERASMO ARRIVABENE em

        Essa questão da mochila para fora da barraca (e a própria barraca – uma canadense – encontrada com um dos dois pólos de sustentação derrubados), sempre acabam remetendo à questão do João Carlos Xavier, o filho epilético do Sr. Afonso Xavier.

        Há, de fato, um vasto campo para a especulação de que esse rapaz tenha relação com o desaparecimento do Marco Aurélio. Ele era medicado com Gardenal e vivia perambulando sozinho pelas trilhas da região, até que também desapareceu misteriosamente, cerca de 4 (quatro) anos após o sumiço de Marco Aurélio.

        Lembrando que a investigação foi reaberta (e o inquérito policial do caso desarquivado) principalmente por conta de uma fake news que tentou explorar justamente essa especulação: um áudio que circulou em Piquete em 2021, envolvendo disparates e falsas “confissões no leito de morte”… o autor do áudio foi devidamente identificado pela Polícia e está respondendo criminalmente.

        Não obstante, existe a possibilidade – ainda que remota – de um homicídio involuntário por alguém em crise epilética, tanto que isso é uma causa de inimputabilidade penal.

        Curiosamente, Juan Bernabeu relatou na live do canal “Conexão UFO” (Cláudio Iatauro) no YouTube, feita no ano de 2020, que João Carlos Xavier teria ficado incomodado com a presença do escoteiros acampando na área do sítio dos seus pais, e que, supostamente, teria mexido em alguns pertences do grupo.

        Foi a primeira vez que ouvi algo nesse sentido neste caso do Marco Aurélio.

        • Acredito que a realidade é caótica e na maioria das vezes os acontecimentos e os fatos não têm nenhuma relação. Num trabalho de investigação por vezes se atribui muito significado e se estabelece muita inter-relação onde não existe. Nessa mania humana de querer organizar o caos e buscar alguma ordem tudo que é ação parece feita por algum motivo racional e pré-determinado. Sabemos que na vida real não é bem assim assim que as coisas se sucedem e vamos agindo. Ainda sim existem fatos nessa história que saltam aos olhos e parecem fugir do mero acaso, dentre eles a mochila do Marco Aurélio ser a única fora da barraca quando na chegada do grupo ao sítio do Afonso Xavier e o desaparecimento 4 anos depois de seu filho João Xavier. É de fato muito estranho que os únicos dois desaparecimentos nos Marins em que jamais os corpos foram encontrados sejam de pessoas que tiveram relação direta nos acontecimentos além de ocorrerem num curto intervalo de anos.

          • ERASMO ARRIVABENE em

            Verdade, João: a realidade é caótica.

            O fato de ser justamente a mochila de Marco Aurélio a única encontrada fora da barraca pode ter relação com o seu desaparecimento, ou não… talvez a mochila fosse a que estivesse mais próxima da porta da barraca canadense, e o “fuçador” enfiou uma mão pela porta e puxou ela para fora, aleatoriamente, derrubando, de quebra, o polo de sustentação da barraca (que nessas barracas antigas, ficava justamente “no meio” da entrada, estorvando a pasagem).

            Ou não…

            Nessa linha, há ainda essa informação, absolutamente intrigante:

            No Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 (antigo Inquérito Policial nº 30/85, da Delegacia de Piquete), que apura o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio, consta às fls. 173/174 o depoimento de AIRTON RIBEIRO DA COSTA (Tenente da Polícia Militar que participou das buscas na época); ele declarou que:

            “(…) o Sr. Afonso possui dois filhos, além das filhas, e que um deles ‘nunca aparece’, pois sempre que algum policial chega em sua casa, o mesmo desaparece; que, inclusive o depoente nunca viu tal filho, somente tem conhecimento ou melhor, somente conhece um filho do Sr. Afonso que é doente mental e ali se encontra constantemente.”

            Evidentemente, o depoente, ao mencionar um filho que é “doente mental”, está se referindo a João Carlos Xavier… mas quem seria o ‘filho que nunca aparece’?…

          • Sim, de fato a mochila pode ter ou não relação com o desaparecimento.
            São tantas hipóteses…
            Provavelmente nunca saberemos.
            Fato é que se foi Marco Aurélio vítima de um homicídio acobertado rapidamente seu corpo foi retirado dos Marins antes das buscas tomarem a proporção que tomaram.
            Ninguém em sã consciência faz uma cova num raio de buscas.
            Justamene por isso nunca tive qualquer esperança de encontrarem algo nessas escavações.
            P.S: Muito estranho esse trecho do inquérito sobre um segundo filho. Teria o tenente se equivocado? Ou teríamos mais um elemento em cena na época dos acontecimentos?

  4. Aqui na Chapada Diamantina, temos dois casos de desaparecimento com morte. O caso de Hugo Ferrara, espanhol que desapareceu em 2015, só foi encontrado seus restos mortais em 2017 e no mesmo ano de 2017, foi encontrada uma ossada, com mochila, barraca de camping e etc, mas a pessoas nunca foi identificada. Ambos estavam dentro de canions, no leito do rio. Casos muito semelhantes ao do Gilbert Eric Welterlin e provavelmente, do Marco Aurélio.

  5. Em relação ao relato de um dos escoteiros terem ouvido o apito e visto um clarão naquela noite de domingo apos retornarem a base. Ninguém foi atrás naquele momento. E pouco se comenta.

  6. O depoimento de Oswaldo que diz que o Juan saiu da barraca junto com Marco Aurélio ficando os mesmos 30 min ausentes, não deixa de sugerir abuso sexual. A negligência do Juan tornar-se suspeita. Sn fosse toda a situação Juan, poderíamos facilmente dizer que o menino caiu e ninguém achou o corpo. Temos ainda também a falta de investigação sobre os donos da hospedagem que abrigou o acampamento dos escoteiros.

  7. Brilhante artigo!!! Muito detalhado e esclarecedor! Brilhante também o comentário postado por ERASMO ARRIVABENE, enriqueceu mais ainda o artigo.

  8. Acho que é preciso olhar para esse caso sob a ótica de um escoteiro. A coisa mais comum numa tropa escoteira é ocorrência de “trotes”, principalmente com mais novos ou fisicamente mais fracos, como era o caso do Marco Aurelio. Quem é ou foi escoteiro, principalmente nos tão “politicamente incorretos” anos 80 ou 90, sabe do que estou dizendo. Basta alguém ou todos errarem a mão num soco, num chute, num empurrão, num susto… ou mesmo numa atividade (rapel) ou jogo feito sem instrumentos adequados de segurança lá em cima. REPITO: quem é ou foi escoteiro sabe do que estou dizendo. A partir daí… pacto de silêncio, horas e horas para ocultar o cadáver bem longe e a simulação. Com o passar dos anos, emergem as contradições. Enfim, uma tropa de escoteiros numa montanha tem determinadas peculiaridades/atividades/costumes/rituais/brincadeiras (sem entrar no mérito). Não é como uma simples excursão de escola. Aconteceu alguma coisa com esse menino lá no alto (bateu a cabeça, caiu, foi esmurrado, chutado…). E não foi algo natural, mas algo que foi provocado, ainda que sem intenção. Mais do que isso: algo que foi provocado e que se descobrissem o corpo o legista veria que foi algo provocado e não natural. Ele era frágil. Não suportou. Não digo isso com base em nenhuma evidência fática, apenas como hipótese de quem foi, um dia, um escoteiro franzino como o Marco Aurelio.

    • Peraí meu amigo, tá confundindo grupo escoteiro com calouro de universidade?….Ou: a que tipo de grupo escoteiro vc fez parte?…Ou ainda: que tipo(s) de chefe(s) vc teve, que compactuavam com trotes agressivos que pudessem pôr em risco a vida de “novatos ou franzinos” (usando as suas palavras)?…Porque isso eu sinceramente nunca vi! Grupo escoteiro/chefe escoteiro que permitisse trote agressivo à esse ponto?!?…Não, nem agora nem na década de 1980….

      • Eu fui escoteira nos anos 90 e concordo com cada palavra do Bruno. Inclusive, um trote desse tipo foi o que me fez abandonar o escotismo e ter traumas de matas durante anos. À época, eu era a “novata”, e as “colegas” do grupo me prenderam fora da barraca de madrugada, no frio, sem lanternas, e saíram da área de camping me deixando sozinha. Foram horas de desespero até o chefe me achar. Elas levaram um leve puxão de orelha, e só. E pelo puxão de orelha, na hora de dormir me colocaram no canto da barraca, colada naquela telinha de ventilação, sem cobertas e eu tive hipotermia leve. Nesse mesmo acampamento me obrigaram a beber uma caixa inteira de leite sob o argumento de que eu não deveria ter levado, por que era perecível. No dia seguinte pedi para ir embora antes mesmo do acampamento acabar e nunca mais voltei em uma reunião do grupo. Então, Ariane, isso acontecia SIM. E era – a meu ver – pior do que trote de faculdade, por que envolvia crianças.

  9. Caso mais intrigante que já li… e sobre os acontecimentos relatados pelos meninos das coisas reviradas antes do grupo iniciar a subida? Sobre a barraca que eles relatam ter visto durante o trajeto sem ninguém dentro? E de fato essa questão da mochila revirada fora da barraca pertencer ao Marco Aurélio? E por fim o filho do guia que ficou supostamente por estar atarefado (na versão de Juan) ter sumido no mesmo local apenas 4 anos depois com o mesmo desfecho? Há ainda relatos do menino de 10 anos que também estava subindo o pico com seu guia e mais um jovem de 15 anos que afirma ter visto um homem de roupas marrons é que ninguém além dele viu… e as pegadas no gelo que desapareciam… muitos pontos de interrogação ficam aí nesse caso!

  10. ERASMO ARRIVABENE em

    1.0. Eis um “detalhe” importantíssimo ocorrido no dia do desaparecimento de Marco Aurélio (08/06/1985), que, cotejado com a hipótese levantada no artigo, oferece uma base cronológica constatável para se tentar compreender a sequência dos acontecimentos, embora embasados em grande dose de especulação, devido à incongruência verificada justamente no cruzamento da dinâmica dos fatos com os horários (ainda que aproximados) de todos aqueles que estavam “na cena”, subindo e descendo o Pico dos Marins naquele fatídico dia:

    1.1. No dia 08/06/1985 DOIS grupos de pessoas (um deles com cerca de quinze a vinte pessoas, de Lorena e Piquete, e outro com dois rapazes e uma criança de 10 anos, de Piquete), SUBIRAM E DESCERAM O PICO DOS MARINS (bate-volta) entre uma faixa de horário compreendida entre as 08h00 / 08h30 (início da caminhada) e as 15h00 / 16h30 (término, retorno).

    1.2. Esses dois grupos de pessoas encontraram com a “Patrulha Gato” do Grupo Escoteiro Olivetanos (n° 240), chefiada por Juan Bernabeu Céspedes e composta por Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon, Ricardo Ferraz Salvione, Oswaldo da Silva Lobeiro Machado e Ramatis Rohm, no sítio do Sr. Afonso Inácio Xavier, na manhã do dia 08/06/1985, e ambos convidaram os escoteiros para subirem juntos o Pico dos Marins.

    Os convites foram recusados pelo chefe Juan, sob o argumento de que ainda não estavam prontos e que subiriam “mais tarde”.

    2.0. Analisando os depoimentos prestados no Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 (antigo Inquérito Policial nº 30/85, da Delegacia de Piquete), temos às fls. 62 o depoimento do cidadão JOSÉ WILSON MARTIMIANO, prestado na data de 16/07/1985: ele saiu de Lorena no dia 07/06/1985 com a esposa e o amigo Simon Armendariz Moriones (conhecido como “Espanhol”) rumo ao Pico dos Marins, numa Rural verde; eles seguiram até o Morro Careca, onde ficaram acampados (a Rural verde ficou estacionada junto à residência do Sr. Afonso Xavier).

    2.1. Na tarde do dia 07/06/1985, no sítio do Sr. Afonso Xavier, antes de subirem para acampar no Morro Careca, encontraram o grupo de escoteiros de São Paulo. Chegaram a convidá-los para subirem juntos o Pico dos Marins no dia seguinte (08/06/1985), mas o chefe (Juan Bernabeu) lhes disse que ele e seu grupo iriam subir um pouco mais tarde.

    2.2. Na manhã do dia 08/06/1985, José Wilson, sua esposa e “Espanhol”, tendo esperado por outras pessoas vindas de Lorena e Piquete, saíram por volta das 08h30 do acampamento, no Morro Careca, para subir o Pico dos Marins (a barraca deles ficou montada no Morro Careca).

    2.3. Todos caminharam juntos, ao todo umas quinze ou vinte pessoas. Somente Juan e seus escoteiros não apareceram para subir o pico. Durante todo o trajeto de subida e descida do Pico dos Marins, o grupo não avistou os escoteiros comandados e nenhum sinal deles.

    Todos retornaram por volta das 15h00 ao Morro Careca.

    2.4. “Espanhol” desceu até o sítio do Sr. Afonso Xavier, aonde chegou por volta das 16h00, pegou a Rural verde e subiu até o Morro Careca, onde a barraca e demais equipamentos foram colocados no veículo, e então eles retornaram a Lorena.

    Não havia ninguém no grupo do depoente (José Wilson) com roupas amarelas ou marrons, e nem com chapéu.

    3.0. Fora todas essas pessoas subindo o Pico dos Marins (e retornando no mesmo dia), exatamente no dia do desaparecimento de Marco Aurélio (08/06/1985), ou seja, umas quinze ou vinte pessoas, nas palavras do depoente José Wilson, temos também na cena dos fatos os três rapazes de Piquete: MARIO LÚCIO ALVES MAGALHÃES (24 anos), GLAUCIO LUIZ ALVES MAGALHÃES (10 anos) e CLÁUDIO ROBERTO ALVES PEIXOTO (15 anos), este último primo dos dois primeiros. Todos eles prestaram depoimento à Polícia na data de 25/06/1985 (Fls. 40/43 do Inquérito Policial nº 2000004-82.2021.8.26.0449 – antigo Inquérito Policial nº 30/85, da Delegacia de Piquete):

    3.1. Eles chegaram ao sítio do Sr. Afonso Xavier por volta das 07h30 do dia 08/06/1985, e iniciaram a subida às 08h00. Convidaram o grupo de escoteiros chefiados por Juan para subirem juntos o Pico dos Marins, o que foi recusado pelo chefe Juan. Retornaram ao sítio do Sr. Afonso Xavier por volta das 16h30.

    Durante todo o trajeto de subida e descida do Pico dos Marins, não viram os escoteiros.

    3.2. MARIO LÚCIO ALVES MAGALHÃES declarou ainda que soube que havia uma barraca montada no Morro Careca, que não chegou a ver (disse que seu irmão Gláucio avistou a barraca), mas que sabia que ela pertencia a um pessoal de Lorena acampado ali, que estavam com uma Rural verde.

    3.3. GLAUCIO LUIZ ALVES MAGALHÃES também declarou que durante a subida ao pico, quando estava momentaneamente fora do campo de visão do seu irmão MARIO e do seu primo CLÁUDIO (e vice-versa), cruzou com um homem descendo a montanha, “de estatura média para alto, moreno, corpo médio, com bigodes aparados e trajando calça e camisa marrons e chapéu marrom ‘um pouco maior que chapéu de escoteiro’”, chegando a trocar cumprimentos (embora Gláucio tenha levado um susto ao avistar o homem). Mario e Cláudio, que vinham subindo a trilha mais atrás, não avistaram esse indivíduo.

    4.0. JUAN BERNABEU e os escoteiros iniciaram a subida ao Pico dos Marins por volta das 09h00. O acidente com o escoteiro Oswaldo no paredão da “sela topográfica”, logo após o maciço da Cruz de Ferro, ocorreu por volta das 14h00 (há imprecisão nesse ponto).

    4.1. É óbvio que na ida – ou seja, durante a subida – toda aquela gente que já tinha começado a caminhada mais cedo não encontraria ninguém do grupo dos escoteiros que, além de terem começado a subida um pouco mais tarde, ainda por cima se perderam um pouco na própria estradinha do Morro Careca; ou seja, o grupo dos escoteiros jamais teria conseguido alcançar nenhum dos outros grupos ao longo da subida rumo ao pico.

    Tão atrasados na subida, quais seriam as chances reais dos escoteiros serem encontrados pelos outros grupos quando estes já estivessem finalizando seu dia de cume, descendo rumo ao Morro Careca?

    4.2. Seria possível que dois grupos de pessoas, ambos totalizando entre 18 (dezoito) e 23 (vinte e três) participantes, que já estavam descendo o Pico dos Marins naquela altura da tarde (pois teriam alcançado o Morro Careca ou o sítio do Sr. Afonso Xavier entre as 15h00 e 16h30, respectivamente), ao passar pela região da “sela topográfica”, não terem avistado o grupo dos escoteiros de São Paulo nas imediações?… a hipótese só teria sustentação se considerássemos que o acidente com Oswaldo Lobeiro tivesse ocorrido na verdade bem antes das 14h00, com a subsequente separação do grupo e sumiço de Marco Aurélio e “saída de cena” de todos (Marco Aurélio e Juan e os demais escoteiros) da “sela topográfica” BEM ANTES das 14h00… para alguém, descendo o Pico dos Marins, chegar no Morro Careca às 15h00, é porque já passou pela área da “sela topográfica” no mínimo 1 (uma) hora antes.

    4.3. E ainda, seria possível que ninguém, de todas essas pessoas que JÁ ESTAVAM DESCENDO O PICO DOS MARINS naquela tarde – e que chegariam ao seu destino em horários entre 15h00 e 16h30 –, teria conseguido alcançar Marco Aurélio no rumo do Morro Careca, em algum ponto da trilha?… ao que consta, o “Espanhol”, amigo do José Wilson, foi o primeiro a chegar no sítio do Sr. Afonso Xavier, por volta das 16h00, para pegar a Rural verde e depois subir até o Morro Careca para levantar o acampamento; Mario, Gláucio e Cláudio chegariam lá por volta das 16h30…

    4.4. Se ninguém, de toda aquela gente descendo o Pico dos Marins na tarde do dia 08/06/1985, avistou o grupo dos escoteiros, o significado é bastante claro: os escoteiros já estavam fora da trilha bem antes das 14h00 – Juan, Oswaldo, Ricardo e Ramatis descendo a vertente mineira (e já fora das vistas de qualquer um que estivesse na crista, descendo o caminho correto), e Marco Aurélio muito provavelmente tentando descer o… Cânion dos Marins.

    4.5. Se Marco Aurélio estivesse descendo a trilha correta, pela crista, é praticamente certo que ele seria alcançado por alguém. Ele estava tentando descer por uma trilha de montanha onde nunca havia estado antes. Estava marcando as pedras a giz com o número do grupo escoteiro, o 240, como foi instruído a fazer. Seus colegas chegaram a avistar uma ou duas dessas marcações, mas logo após Juan decidiu “descer por outro caminho” e todos foram parar em Minas Gerais. Ninguém mais viu nenhuma dessas marcações de giz (240), nem os grupos de 18 (dezoito) a 23 (vinte e três) pessoas que estavam descendo o Pico dos Marins naquela mesma tarde, nem os grupos de buscas mobilizados após o sumiço de Marco Aurélio.

    Isso leva à especulação de que Marco Aurélio também saiu rapidamente da trilha correta, pouco adiante do ainda impreciso “ponto da separação” (que, no entanto, foi bem antes da “Pedra do Golfinho”).

    4.6. Nos depoimentos prestados à Polícia, os colegas de Marco Aurélio chegaram a declarar que durante a subida, antes do acidente com Oswaldo, em algum ponto não especificado, “nas pedras”, Marco Aurélio chegou a ficar momentaneamente “perdido” (fora da vista) do resto do grupo, imediatamente usando seu apito de escoteiro para ser localizado pelos demais. Instruído dessa forma, parece evidente que se Marco Aurélio, já sozinho, à frente, durante a descida, tivesse se perdido em algum local da crista, entre as pedras, ou nas imediações, ELE USARIA O APITO da mesma forma que usou algumas horas antes, para ser localizado pelo seu grupo, já que Marco Aurélio TINHA CERTEZA que Juan e seus colegas estavam vindo LOGO ATRÁS DELE, pois ele jamais teria imaginado que eles, na verdade, estavam descendo pela vertente mineira, do outro lado da montanha, “por outro caminho”.

    Se Marco Aurélio usasse o apito nessas condições, lamentavelmente o sinal sonoro não teria alcançado nenhum de seus colegas escoteiros, mas é quase certo que ele seria ouvido por alguma daquelas 18 (dezoito) a 23 (vinte e três) pessoas que estavam descendo o Pico dos Marins naquela mesma tarde, a não ser que ele não tivesse tido a menor chance de usar seu apito.

    • Excelentes, apontamentos e esclarecimentos trazidos. A luz dos fatos expostos por ti dá pra entender que a tal barraca misteriosa pertencia ao grupo do “Espanhol” que veio na rural verde. Sempre achei pouco crível a narrativa de uma criança sobre um homem de roupas marrom que parecia saindo de um filme do Indiana Jones. Ainda sim se mesmo após tanto tempo a única testemunha a cruzar seu caminho reafirmou o que viu é de se questionar sobre quem ele era. Por fim, na ausência de marcas de giz vista por outras testemunhas naquele mesmo dia (no dia seguinte já havia caído forte chuva nos Marins) faz especular que de fato Marco Aurélio pode ter se perdido na descida e saído da trilha.

  11. ERASMO ARRIVABENE em

    1. A existência da “barraca misteriosa” no Morro Careca e da Rural verde vinculada a ela são pontos devidamente documentados e esclarecidos no inquérito policial, que esclarece, ainda, a quantidade de pessoas na montanha no dia do desaparecimento (juntamente com os três rapazes de Piquete): era muita gente.

    2. Fora, claro, o misterioso bigodudo trajado de marrom e de chapéu: a mãe do menor Gláucio não permitiu que a polícia o levasse até a Delegacia do Grupo Antissequestro em São Paulo – SP, para procederem ao retrato falado do indivíduo avistado na trilha; ela alegou que o filho era muito criança (10 anos) e estava perturbado com a história, e que tudo aquilo estava prejudicando o menino. Não autorizou a ida de Gláucio à cidade de São Paulo (o porquê de não terem feito o bendito retrato falado do indivíduo na Delegacia de Piquete mesmo, não está esclarecido).

    3. Agora, considerando a hipótese elaborada no parágrafo 4.2. do meu comentário acima, me ocorreu a seguinte possibilidade:

    4. Sabemos que o grupo escoteiro liderado por Juan Bernabeu PASSOU PELA “CRUZ DE FERRO” NA SUBIDA rumo ao pico dos Marins (ou seja, eles pegaram a trilha desativada pelo guia Carlos Vieira Soares em 1952). E se o grupo de escoteiros, ainda subindo, estivesse justamente no meio do “Morro do Cruzeiro” (o maciço da “Cruz de Ferro”) quando todo mundo que já tinha subido o pico estava no exato momento descendo rumo ao Morro Careca pela trilha normal?… Seria isso possível?…

    5. Sim, seria. Mas apenas nesta hipótese: se o acidente com Oswaldo no paredão da “sela topográfica” tivesse ocorrido na verdade BEM APÓS AS 14h00… aí todo mundo que estava descendo JÁ TERIA PASSADO, contornando o maciço da “Cruz de Ferro” pelo Norte, pela trilha normal, e ninguém teria conseguido avistar os escoteiros de São Paulo (e vice-versa).

    6. Os escoteiros poderiam estar bem no meio das pedras do maciço, num ponto invisível para serem avistados por alguém na trilha normal, e também tornando invisível quem estivesse na trilha normal descendo, porque a trilha normal é justamente um desvio desse maciço, uma curva em meio arco flexionada para o Norte em relação à crista.

    7. Difícil, mas não impossível de ter acontecido. O problema desta “hipótese dentro da hipótese 4.2.” é que as premissas dela são: (a) o acidente com Oswaldo ter acontecido BEM APÓS AS 14h00… pois aí sim, desse ponto (do acidente, na “sela topográfica”) para cima, seria certeza de não ter mais ninguém daqueles grupos descendo a montanha naquela tarde; e (b) o exato ponto em que os escoteiros estariam no maciço da “Cruz de Ferro” teria se ser, forçosamente (e reciprocamente) invisível.

    8. Porém, no tocante ao item (a), a discrepância de horários seria absurdamente maior, ocasionando maior imprecisão quanto ao tempo que os escoteiros realmente levaram para chegar até o local onde Oswaldo se acidentou. Quanto ao item (b), embora razoável a possibilidade de existir, naquele maciço, pontos de absoluta (ou relativa) invisibilidade recíproca, fato é que da pedra onde a outrora “Cruz de Ferro” estava instalada (no ponto culminante do maciço) se tem uma excelente vista panorâmica de toda a área circunjacente. E o que dizer da propagação do som? A não ser que todos (grupos descendo e escoteiros subindo) estivessem em silêncio absoluto (difícil), um grupo poderia ser capaz de ouvir o alarido do outro, passando “mais acima” ou “mais abaixo”. Tal circunstância seria lembrada pelas partes nos seus depoimentos.

    9. De qualquer modo, o que intriga profundamente é por que Marco Aurélio, uma vez perdido durante sua descida solitária rumo ao Morro Careca, simplesmente não parou, deu meia-volta e SEGUIU AS MARCAS DE GIZ que estava fazendo nas pedras (o n° 240)?

    10. Afinal, é importante ressaltar, Marco Aurélio TINHA CERTEZA que Juan e os demais escoteiros ESTAVAM VINDO LOGO ATRÁS DELE, seguindo as marcas de giz (240), e não descendo rumo a Minas Gerais, “por outro caminho”.

    11. Nessa hipótese, Marco Aurélio só não conseguiria voltar seguindo as marcações se tivesse sofrido um ACIDENTE SÚBITO E FATAL (o que também, nesse caso, justificaria a falta de chance para usar o apito).

    12. Considerando essa possibilidade, ou Marco Aurélio sofreu um acidente FATAL e IMEDIATO, caindo em algum buraco ou fenda muito profundos e insondáveis (e muito estreitos), OU, perdido, completamente fora da trilha (e da crista), justamente no “Cânion dos Marins”, com a tarde caindo rapidamente, desistiu de subir novamente à crista, seguindo suas marcações de giz, e procurou se esconder em alguma toca ou lapa, o mais abrigada possível do frio e do vento, enquanto a tarde caía, possivelmente cobrindo a entrada com mato/capim para tentar se proteger dos elementos (o que certamente teria aprendido no Escotismo), e lá acabou morrendo de hipotermia, não passando da primeira noite, e permanecendo oculto.

    13. Além da fivela do cinto do uniforme, Marco Aurélio carregava consigo um facão, um apito e uma bússola (nada de lanterna). Então, temos ao menos 2 (dois) objetos metálicos – o facão e a fivela do cinto -, e talvez o apito e a bússola possam ser de metal também (anos 1980). No caso da bússola, obviamente, de um metal não magnético, para não comprometer a precisão da agulha.

    14. Claro que é como procurar uma agulha num palheiro, e num palheiro praticamente mortal… mas se esses objetos forem encontrados um dia, o mistério será desvendado.

    15. As buscas realizadas na época não foram bem conduzidas, pois praticamente se limitaram à trilha em si e à crista (com “pentes-finos” feitos em fila-indiana… na própria trilha…). Com louváveis exceções, e sem desmerecer o esforço pessoal pontual de alguns integrantes das equipes de buscas, essas deixaram muito a desejar (e vários “pontos em branco”). A impressão geral é que as autoridades envolvidas não viam a hora de encerrar com aquelas andanças e partir logo para “outras linhas de investigação”: homicídio (cometido por Juan), sequestro, e, por fim “fuga voluntária” de Marco Aurélio.

    16. Lembrando que o cadáver do corredor de montanha Eric Welterlin, que se perdeu nos Marins em 2018, só foi encontrado por puro acaso, pois o raio das buscas jamais chegou nem perto do local onde o corpo jazia há dias (desmistificando, também, a “lenda” de que os “urubus sempre indicariam” a presença de corpos em decomposição).

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