Aconcágua restringe Parede Sul e atividades de alto risco na temporada 2026/27

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Mendoza restringe práticas de alto risco entre 20 de dezembro e 1º de fevereiro. Entenda o que muda e o que conferir antes de uma expedição ao Aconcágua.

Quem prepara uma expedição ao Aconcágua na temporada 2026/27 precisa conferir o enquadramento de sua atividade. O Governo de Mendoza anunciou uma restrição para práticas de alto risco entre 20 de dezembro e 1º de fevereiro, incluindo a escalada da Parede Sul. A medida não altera o regime geral do trekking e do andinismo tradicional.

A distinção importa para os brasileiros que planejam viajar à montanha de 6.962 metros, o ponto mais alto das Américas. O Aconcágua é um destino clássico do montanhismo de altitude, com diferentes possibilidades de visita: do circuito de Horcones às expedições que passam semanas buscando uma oportunidade de cume.

Aconcágua visto do vale, com neve nas partes altas e encostas rochosas em primeiro plano.
Aconcágua, o ponto mais alto das Américas. Foto de arquivo: Pedro Hauck – AltaMontanha / Soul Outdoor. A imagem não representa as condições atuais da temporada 2026/27.

O que fica restrito na alta temporada?

No comunicado oficial de 13 de outubro, a Direção de Áreas Protegidas informa que a proibição abrange a Parede Sul, o esqui em glaciares, o parapente, o salto BASE e outras práticas com riscos distintos dos próprios do trekking e do andinismo habitualmente realizados no parque.

A norma diferencia essas atividades do montanhismo tradicional. Portanto, o anúncio não é uma proibição geral de escalar o Aconcágua pela rota normal. Permissões, condições meteorológicas e decisões operacionais do parque continuam determinando o que pode ser realizado em cada momento.

Para as práticas enquadradas como de alto risco, o governo informa duas janelas de autorização excepcional: de 1º de novembro a 20 de dezembro e de 1º de fevereiro a 30 de abril. O pedido deve ser apresentado com pelo menos 30 dias úteis de antecedência. A autorização depende de avaliação; estar dentro do período não libera a atividade automaticamente.

Rota, cronograma e itinerário devem ser declarados. Mudanças exigem comunicação prévia e expressa à autoridade. O descumprimento pode levar à suspensão da atividade, à inabilitação para novas autorizações na temporada e às sanções previstas na legislação provincial.

Por que Mendoza adotou a medida?

Segundo o governo, o período de maior movimento pressiona os recursos de controle, atendimento médico e resgate. Operações complexas podem exigir equipes especializadas e evacuação terrestre ou aérea, com disponibilidade limitada. A restrição busca preservar a capacidade de resposta e proteger visitantes e profissionais envolvidos nas emergências.

Barracas do acampamento Plaza de Mulas diante das encostas rochosas do Aconcágua.
Plaza de Mulas, uma referência das expedições pela rota normal. Foto de arquivo: Pedro Hauck – AltaMontanha / Soul Outdoor.

Uma montanha muito procurada — também pelos brasileiros

A dimensão do movimento aparece no balanço oficial de 2025/26: o parque registrou 6.511 participantes nas modalidades de ascensão e trekking. Desse total, 2.675 eram participantes da modalidade de ascensão — isso não significa 2.675 cumes. Os circuitos turísticos de Horcones receberam, separadamente, 106.575 visitantes.

Para muitos brasileiros, a montanha argentina faz parte do projeto de avançar das trilhas e travessias nacionais para o montanhismo de altitude. A proximidade regional e a fama do cume ajudam a explicar essa relação, presente em relatos e orientações publicados no portal. A temporada 2026/27 deve voltar a reunir brasileiros, mas não há, nas fontes consultadas, um total confirmado de participantes do país para este verão.

Ser uma montanha conhecida não a torna simples. A rota normal tem características muito diferentes de uma parede técnica como a face sul, mas exige lidar com altitude, frio, vento, jornadas longas e desgaste acumulado. A decisão de voltar também precisa caber no planejamento.

O que conferir antes de sair do Brasil

A página oficial do Parque Provincial Aconcagua, consultada em 23 de outubro, diferencia tickets de visita sem pernoite e permissões para trekking com acampamento ou ascensão. Ela informa que a documentação deve estar resolvida antes da chegada: na entrada do parque não são vendidos nem entregues tickets ou permissões.

O portal oficial também exige seguro de evacuação para as modalidades de trekking longo e ascensão. Confira se a cobertura contratada corresponde à atividade, à altitude e ao resgate necessário. Uma apólice de viagem genérica não deve ser presumida suficiente sem a leitura de suas condições.

Organize aclimatação e dias de margem, confira a documentação com o prestador e acompanhe as orientações dos guardaparques. Uma empresa especializada, como a Soul Outdoor, pode ajudar a organizar a logística e as decisões da expedição. Apoio profissional não elimina os riscos nem garante o cume, mas acrescenta experiência ao planejamento.

Também vale revisar com antecedência as camadas de roupa, a proteção para mãos e pés e os equipamentos exigidos pelo roteiro. O guia de equipamentos para alta montanha ajuda a entender esse conjunto; na dúvida sobre a adequação de cada peça, consulte os profissionais da loja AltaMontanha. Economizar na qualidade de um item essencial pode sair muito mais caro na montanha.

Não use preços e calendários de temporadas anteriores como confirmação dos valores e da operação de 2026/27. O site do parque ainda exibe materiais de anos diferentes, inclusive um aviso de venda antecipada encerrada em setembro. Antes de pagar, valide a modalidade, a tarifa vigente e as condições de habilitação no sistema oficial de Áreas Naturais Protegidas de Mendoza.

Reportagem com informações consultadas em 23 de outubro de 2026. Fontes: Governo de Mendoza, página oficial do Parque Provincial Aconcagua e acervo da AltaMontanha. As fotografias são de arquivo.

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Sobre o autor

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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