Sete montanhistas foram arrastados pela neve até a Laguna del Inca, perto de Portillo, no sábado, 17 de outubro. Três morreram e quatro sobreviveram. Segundo o clube e a investigação policial, o grupo já havia decidido abandonar a excursão e retornar aos veículos quando ocorreu a avalanche.
Uma caminhada em direção ao Cerro Los Tres Hermanos terminou em tragédia na Cordilheira dos Andes chilena. A avalanche atingiu um grupo de sete amigos na região da Laguna del Inca, na comuna de Los Andes, Região de Valparaíso, nas proximidades do centro de esqui Portillo.
O balanço confirmado é de três mortos e quatro sobreviventes. Os primeiros relatos chegaram a mencionar quatro mortes, mas a informação foi corrigida pelas autoridades. O Andino Club Pamir, em comunicado reproduzido pela ADN Radio, identificou duas das vítimas como Magdalena Acuña Jiménez e Rodrigo Peña Troncoso.

O plano era subir e passar a noite na montanha
De acordo com os depoimentos reunidos pela investigação, o grupo saiu de Santiago e pretendia subir o Cerro Los Tres Hermanos, pernoitar e retornar no domingo. A atividade havia sido organizada entre amigos que praticavam montanhismo regularmente.
Ao encontrar condições desfavoráveis e recear um desprendimento de neve, os participantes desistiram do objetivo e iniciaram a volta. O comissário Francisco Bustamante, da Brigada de Homicídios da PDI de Los Andes, confirmou à imprensa local que o acidente aconteceu durante esse retorno, conforme os relatos dos sobreviventes. A informação foi publicada pelo Andes Online em 18 de outubro.
A massa de neve atingiu o grupo na encosta junto à laguna e o arrastou para a água. Segundo a Rádio da Universidade de Valparaíso, o registro de emergência do Senapred foi feito às 14h45. Um vigilante de Portillo deu o alerta, mobilizando os primeiros socorristas. Fonte: Rádio Valentín Letelier.
Vítimas, sobreviventes e atendimento

O Andino Club Pamir lamentou a perda de Magdalena e Rodrigo, destacando o companheirismo dos dois. A entidade explicou que eles e outra associada, Susana Madrid Nawrath, participavam de uma expedição particular. Não se tratava de uma saída oficial do clube.
A organização também informou que Susana sobreviveu, ficou fora de perigo e recebeu alta médica. O comunicado ajuda a esclarecer um ponto que se perdeu nas primeiras notícias: os participantes haviam optado por voltar diante das condições encontradas. Fonte: ADN Radio.
Segundo o Serviço de Saúde Aconcagua, em declaração ao Andes Online, dois sobreviventes foram encaminhados ao Hospital de Los Andes com hipotermia e contusões e receberam alta entre o sábado e a madrugada de domingo. Os outros dois foram atendidos no local. Socorristas também precisaram de cuidados por exposição ao frio.
O caminho estava proibido? A investigação esclarece
Nas primeiras horas, autoridades locais afirmaram que havia sinalização de perigo e criticaram a decisão de entrar na área. A investigação, porém, trouxe uma distinção importante.
A promotora Pamela Ruiz informou que existem dois caminhos no setor e que o utilizado pelo grupo não tinha indicação de proibição de trânsito. A declaração foi publicada pelo Emol em 18 de outubro.
Isso não significa que não houvesse risco. A própria promotora relatou que a segurança local havia advertido sobre desprendimentos de neve nos dias anteriores e recomendado precaução. Mas a existência de perigo não autoriza apresentar como fato comprovado que os montanhistas invadiram uma área interditada.
Até aquela atualização, ninguém havia sido encaminhado para audiência de controle de detenção. As diligências continuavam. As circunstâncias do acidente precisam ser estabelecidas pela investigação, sem transformar as declarações iniciais em uma conclusão antecipada de culpa.
Busca na água gelada mobiliza mergulhadores e robôs
A recuperação da terceira vítima exigiu uma operação especializada. Em comunicado de 18 de outubro, a Marinha do Chile confirmou o envio de mergulhadores do Comando de Resgate e Salvamento, equipamento de mergulho para águas frias e veículos submarinos operados remotamente, conhecidos como ROVs.
A instituição destacou as dificuldades impostas pela baixa temperatura da água, pela profundidade e pelo ambiente de alta montanha. A busca contou com atuação conjunta de diferentes forças e equipes de emergência.
Na atualização publicada pelo Andes Online em 19 de outubro, o terceiro corpo ainda não havia sido localizado. O trabalho de domingo foi suspenso por volta das 16h30 devido ao mau tempo e ao risco de uma nova avalanche.
Segundo o delegado presidencial regional Manuel Millones, a previsão anunciada era retomar a operação na quinta-feira, 22 de outubro, após a passagem do sistema frontal. Trata-se do cronograma informado naquela atualização, condicionado às condições de segurança, e não da confirmação de que o trabalho já foi retomado.
Um acidente na primavera andina
A tragédia ocorreu em outubro, durante a primavera no hemisfério sul. O calendário, sozinho, não descreve as condições de uma encosta nem garante que uma caminhada esteja livre de neve ou de outros perigos.
O caso dialoga com a discussão que fizemos sobre a temporada de montanhismo nos Andes em 2026/27. Mas não há, nas fontes consultadas para esta reportagem, uma análise que permita atribuir esta avalanche especificamente ao El Niño.
O que a apuração permite afirmar é que o grupo foi atingido mesmo depois de decidir voltar. Reconhecer esse ponto é essencial para contar a história com respeito às vítimas e sem simplificar um acidente cujas circunstâncias seguem sendo investigadas.
Reportagem com informações disponíveis até 20 de outubro de 2026. A fotografia de abertura é de arquivo. Os retratos das vítimas e a imagem do resgate estão identificados e creditados na seção sobre as vítimas.







