Barracas Voadoras

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Dez cuidados com escolha do local, montagem, ancoragem e conservação para reduzir os riscos de uma barraca ser deslocada pelo vento.

“Se vocês não abrirem a porta, eu vou soprar e soprar e soprar…” O porquinho que construiu a pequena casa de palha dava risada do lobo mau: “Pode soprar, pois esta casa você não vai conseguir derrubar.” Assim, o lobo soprou, e a casa voou…

Além do conto dos três porquinhos, conhecemos muitas histórias de “casas”, ou melhor, barracas que voaram, seja em montanhas brasileiras ou em acampamentos de alta montanha. Uma delas ouvi de um amigo, que a intitulou “Noite das barracas voadoras”.

Em janeiro de 2009, o AltaMontanha publicou o relato de um escalador resgatado na Cordilheira de Ansilta depois de uma rajada levantar sua barraca. Segundo ele, a queda provocou uma fratura no braço. É um exemplo histórico de como o vento pode transformar um acampamento em uma situação grave.

Mas o que fazer para reduzir o risco de nossas “casas” saírem voando como na história dos três porquinhos?

Barraca montada e ancorada, com uma pirca de pedras ao redor. Registro histórico; não construa estruturas nem altere o terreno onde isso não for permitido.

A primeira coisa é escolher um abrigo adequado às condições previstas. Não, você não precisa levar cimento e concreto para as montanhas! Mas uma barraca escolhida apenas para sombra ou camping protegido pode não atender a um local exposto ao vento. Praias também podem ter ventos fortes; altitude e localização, sozinhas, não definem a resistência necessária.

Desenho, materiais, varetas e pontos de ancoragem trabalham em conjunto. Uma barraca baixa pode apresentar menor área exposta, mas a altura, isoladamente, não garante estabilidade. Veja nosso artigo Como escolher uma barraca.

Também não resolve levar uma boa barraca se você não conhece sua montagem. Treine antes da viagem e leia o manual. As dez dicas abaixo são princípios de planejamento e cuidado: a aplicação depende do modelo, do terreno e do tempo. Nenhuma ancoragem garante que uma barraca resista a qualquer tempestade.

Dez cuidados para acampar com vento

  1. Ajuste a tensão conforme o projeto. Estique piso, sobreteto e cordeletes sem deformar a armação ou forçar costuras e zíperes. Reavalie a tensão depois de mudanças do tempo. A MSR explica a importância de fixar e tensionar a barraca na montagem com vento.
  2. Use as fixações previstas no manual. Escolha estacas adequadas ao solo e utilize os pontos indicados para as condições. Não improvise pontos em tecido sem reforço. Uma barraca autoportante mantém a forma sem estacas, mas ainda precisa de fixação para não ser deslocada pelo vento.
  3. Planeje os cordeletes e seus apoios. Confira estado, comprimento, tensores e compatibilidade. A Hilleberg destaca que cada modelo tem uma configuração própria de cordeletes. Quando o manual permitir outros apoios, avalie estabilidade e abrasão; uma pedra solta ou uma árvore inadequada não é uma ancoragem confiável. Não danifique troncos ou vegetação.
  4. Escolha um local protegido sem transformar o terreno. Considere abrigos naturais, mas também risco de queda de pedras ou galhos, alagamento e outros perigos. A recomendação antiga de construir uma pirca não vale para qualquer lugar. O Leave No Trace orienta deixar pedras e outros elementos naturais no lugar e evitar novas estruturas. Siga as regras locais.
  5. Na neve, use equipamento e técnicas próprios. Preparar uma plataforma pode ser necessário em um local adequado, mas compactar neve não comprova segurança contra avalanches ou resistência da ancoragem. Estacas comuns, bastões e piolets não são substitutos universais para ancoragens específicas. Esse planejamento exige conhecimento das condições e das instruções do abrigo.

Acredite! Ali no meio tem duas barracas…

  1. Oriente a barraca conforme o modelo. Costumo deixar a traseira contra o vento, mas isso não é uma regra para toda barraca. Verifique a orientação indicada pelo fabricante e a direção predominante. Proteja os componentes durante a montagem e não deixe o sobreteto solto esperando uma rajada.
  2. Controle portas e respiros. Evite deixar portas soltas ou abertas sem necessidade quando houver vento forte. Preserve a ventilação prevista no projeto: fechar tudo não elimina os riscos e pode aumentar a condensação. Mantenha as saídas acessíveis.
  3. Inspecione as varetas. Confira encaixes completos, fissuras, deformações e componentes faltando, tanto em fibra de vidro quanto em alumínio. Não espere a tempestade para descobrir uma peça danificada. Reposições e reparos devem ser compatíveis com a barraca.
  4. Cuide do tecido e dos pontos de fixação. Evite exposição prolongada ao sol sem necessidade e examine rasgos, costuras e desgaste dos cordeletes. Um dano não deve ser tratado apenas como algo estético: pode comprometer o abrigo nas condições da viagem.
  5. Seque antes de guardar. Umidade prolongada favorece mofo e pode degradar revestimentos. A MSR explica esses cuidados de armazenamento e o risco de hidrólise em revestimentos de poliuretano. Se precisar desmontar molhada, abra e seque a barraca assim que possível, seguindo o manual.

Barraca deslocada pelo vento, em registro do artigo original. Planejamento e montagem reduzem riscos, mas não garantem resistência a qualquer condição.

Uma opção de estacas para conferir na loja

Para reposição ou complemento em terrenos compatíveis, confira o kit de Estacas Naturehike V-Shaped de alumínio, 16 cm, com oito peças — CNK2300ZP016. Avalie o solo, os pontos de fixação e as instruções da sua barraca antes de escolher. Uma estaca de 16 cm não deve ser apresentada como ancoragem universal para neve ou como garantia contra vento forte.

Confira previsão e condições locais antes de sair e durante a permanência. Se o acampamento ficar além dos limites do equipamento ou da equipe, considere adiar, mudar o local ou encerrar a atividade enquanto isso puder ser feito com segurança.

Saiba mais: Como escolher uma barraca.

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Sobre o autor

Hilton Benke é um dos idealizadores do AltaMontanha.com. Dono de uma personalidade muito forte, é hoje praticante assíduo do voo livre, principalmente da modalidade "hike and fly", que une o voo com o montanhismo. Como montanhista e escalador, gastou seu tempo galgando montanhas brasileiras e andinas, além de ter prestado alguns serviços como instrutor de escalada junto ao CPM. Deixá-lo feliz é fácil: só marcar um bom pernoite em um cume da Serra do Mar Paranaense, com um bom menu para o jantar e uma condição de tempo boa para que possa decolar com seu parapente dia seguinte e realizar uma das muitas travessias sobre a Serra do Mar.

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