Calça de trekking x calça legging

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Na hora de enfrentar uma trilha, muita gente se pergunta o que é melhor: uma calça de trekking ou uma legging? A resposta depende do percurso, do clima e da preferência de quem vai usá-la. Nem todas as calças de trekking ou leggings são iguais: tecido, modelagem, bolsos e reforços variam bastante.

Montanhista usando Calça Legging.

Calças de trekking: versatilidade e proteção

Alguns modelos são conversíveis em bermuda, com zíperes que permitem remover a parte inferior das pernas. Essa solução pode ser útil quando a temperatura muda ao longo do dia. Confira se os zíperes não incomodam ao caminhar e guarde as partes removidas para não perdê-las. Há também calças de trekking inteiras, sem essa função.

No Brasil, na década de 1990, eu usava calças da marca By com pernas removíveis e reforços nos joelhos e na parte traseira. Esse modelo marcou a identidade visual de muitos montanhistas brasileiros: eu mesmo era reconhecido fora do país por usar uma calça dessas. Na publicação original deste artigo, em 2020, citei também os modelos Pro Mountain, da Hard Adventure, e Guider, da Curtlo. Essas referências fazem parte do contexto daquela época e não indicam disponibilidade atual na loja.

Uma amostra de calças de trekking.

Reforços em áreas de maior contato podem ser interessantes para trilhas com pedras e vegetação, mas não estão presentes em toda calça de trekking. Resistência, peso, mobilidade e preço devem ser comparados entre modelos concretos. Nenhuma peça tem durabilidade garantida apenas por pertencer a essa categoria.

E a legging?

A principal vantagem da legging costuma ser a liberdade de movimento proporcionada pelo tecido elástico e pelo ajuste ao corpo. Há modelos para diferentes públicos e atividades; escolha pelo tamanho e pela proposta da peça, sem restringir esse tipo de roupa a um gênero.

Calça de trekking vs legging. Foto Pedro Hauck

Também não é correto dizer que leggings nunca têm bolsos ou que sempre são menos resistentes e mais baratas. Existem modelos técnicos com bolsos e tecidos desenvolvidos para uso outdoor. Na hora de experimentar, agache, eleve os joelhos e confira o cós, as costuras e a transparência do tecido sob tensão.

Uma legging ajustada não é automaticamente uma roupa de compressão. E a compressão não deve ser apresentada como garantia de menor exaustão, prevenção de dano muscular ou melhora do desempenho. Uma revisão sistemática de 2025 sobre corrida não encontrou melhora significativa no tempo de prova ou até a exaustão; para recuperação após o exercício, uma revisão de 2026 encontrou resultados ainda incertos. Prefira avaliar conforto e adequação ao uso.

Minha preferência e o uso na chuva

Confesso que, na maioria das vezes, prefiro calças de trekking, pois não vou à montanha para correr. Porém, há uma situação em que gosto mais de legging: na chuva. Por ficar próxima ao corpo, ela evita aquela sensação que me incomoda quando um tecido largo, frio e molhado encosta na pele.

Essa é uma preferência pessoal, não uma regra de proteção. Legging e calça de trekking podem se molhar; secagem rápida não significa impermeabilidade. Em chuva, vento ou frio, considere uma camada impermeável adequada e roupas de reserva protegidas da água. O tecido colado ao corpo não elimina o risco de perda de calor.

Duas opções na loja AltaMontanha

A Calça Bermuda Columbia Silver Ridge Masculina Tusk é uma opção conversível, com tecido de 100% poliamida e proteção UPF 50+, conforme a ficha da loja. Esses recursos não significam que ela seja impermeável ou reforçada com Cordura.

Para quem prefere uma peça ajustada, a Calça Legging Hard Adventure Black Trail Feminina tem 92% poliamida e 8% elastano, bolsos laterais com velcro e zíper nas barras, conforme a ficha da loja. Não atribua a ela benefícios clínicos de compressão que não foram demonstrados para o produto.

Ter as duas opções pode fazer sentido quando elas atendem a usos diferentes. Antes de comprar, confira as medidas e a disponibilidade do seu tamanho e pense no que realmente será útil no seu roteiro.

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Sobre o autor

Natural de Itatiba-SP e residente em Curitiba-PR desde 2007, Pedro Hauck é uma figura proeminente no montanhismo brasileiro. Sua formação inclui graduação em Geografia pela Unesp Rio Claro e mestrado em Geografia Física pela UFPR. Com uma carreira de mais de 27 anos, ele é guia de montanha profissional e instrutor de escalada credenciado pela ABGM, a única associação de guias de escalada profissional do Brasil. Seu currículo inclui a ascensão de mais de 180 montanhas acima de 4 mil metros, com mais da metade ultrapassando os 6 mil metros, além de um pico de 8 mil metros no Himalaia e dois de 7 mil. Pedro Hauck também atua como empresário do setor outdoor, sendo sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conceituadas lojas de montanhismo do país, da Via AltaMontanha, um dos maiores ginásios de escalada de Curitiba, e da Soul Outdoor, agência especializada em ascensão, trekking e cursos de montanhismo. Acompanhe Pedro Hauck no Instagram: @pehauck.

2 Comentários

  1. Muito bom o texto. Sendo homem tinha um certo “receio” de legging, depois do primeiro trekking usando uma dificilmente voltarei atras.

  2. Oi Pedro, e uma dúvida, as calças legging tem evoluído bastante, existindo algumas com materiais mais técnicos, como poliamida+elastano, se tornando mais resistentes. A curiosidade em especial seria se uma calça dessas atenderia bem como calça segunda pele para alta montanha (pensando em aproveitar já que já se teria elas pra trekking) ou seria melhor usar mesmo uma segunda pele tradicional?