Ciririca x Pico Paraná – Ataque de um dia!!

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Empolgados com a leitura do espetacular relato do Robson Lopes Roque: “Travessia Ciririca X Paraná de ataque e sozinho”, ficamos motivados a tentar repetir a mesma aventura. Apesar de conhecermos bem a região, já termos feito todas estas trilhas e montanhas, diversas travessias com variadas combinações de trajetos e cumes, nós relemos diversas vezes a narrativa para saber detalhes, parabenizo o Robson pela coragem e determinação.

Máfia e Liliane comemorando a pernada no Cume!

O dia 28 de maio de 2022 foi o escolhido. Saímos cedo de Curitiba e às 04h30 iniciamos a caminhada. Na primeira meia hora de caminhada, ultrapassamos diversos grupos que haviam pernoitado na Fazenda da Bolinha (ver nota ao final) e seguiam ao cume do Camapuã para apreciarem o nascer do sol. Entre o cruzo de subida do Camapuã e o Cume do Itapiroca, não cruzamos com outros grupos. A previsão do tempo era de dia nublado com possibilidade de chuva ao final do período. Depois de mais de 10 dias sem cair uma gota d’água, seria muito azar chover bem na data escolhida.

Início da caminhada durante a madrugada.

Cruzo para o Tucum e Camapuã.

Continuamos a jornada e como previsto paramos na Cachoeira do Professor para guardarmos as lanternas. Seguimos até o “Última Chance” (riacho) onde enchemos os cantis e comemos algo leve, daí seguimos para a Crista do Ciririca. Ventava muito e frio com uma velocidade estimada de 60 km/h. Puxamos alguns agasalhos e tocas para subirmos protegidos. Chegamos ao Cume às 09,00 h, uma breve parada, fotos e um gole d’água.

Descemos rapidamente pegando a trilha direta em direção ao Pico do Luar. Um vento mais forte e inclemente castigava as cristas. Passamos às 11h00 pelo Luar e não paramos, seguimos direto para o próximo objetivo: o Cerro Verde. Na descida do Luar passamos batido pela entrada da trilha direta para o Cerro Verde, mas logo percebemos e regressamos apenas uns minutos e já entramos no rumo certo. Pouco antes do Cerro Verde paramos em um vale com mato para mais um lanche rápido. Nos vales estávamos abrigados do vento e ao contrário da previsão climática tínhamos um sol forte neste momento.

Ciririca visto do Luar.

Pico Paraná visto do Luar.

Alimentados e hidratados subimos o Cerro Verde chegando ao cume às 12h35. Um breve olhar, fotos e seguimos para a próxima etapa: a subida do Itapiroca. Não foi fácil, é longa e tal qual nas escaladas de alta montanha o “cume” nunca é o que a gente está vendo, é sempre o seguinte! Chegamos ao topo às 14h05. Fizemos mais um lanche. A nossa estratégia foi de parar por pouco tempo e comer pequenas quantidades, para não esfriar, não perder tempo e não ter aquela sensação de “barriga cheia”. Mandamos uma mensagem para o nosso amigo Roberto Wengrzynovski (BOB), que estava na Fazenda Rio das Pedras. Ele nos aguardaria até a chegada para nos dar uma carona à Fazenda da Bolinha onde resgataríamos o nosso carro. Ficamos impressionados com a quantidade de pessoas e barracas no cume do Itapiroca.

Ciririca

Paulo “Máfia” Souza

A descida do Itapiroca foi tranquila e seguimos pela trilha do Paraná, nesta etapa estávamos motivados, chegar ali deu um ânimo especial. Nós no contra fluxo começamos a pegar o pessoal regressando à base. Eram muitos grupos de diversos tamanhos, isto atrapalhou um pouco. Tivemos este problema desde a saída da trilha do Itapiroca até o cume do Paraná. Chegando ao fundo do Vale do Rio Cacatu iniciamos a última e longa subida, fomos relativamente rápidos e a empolgação em chegar ao cume ajudou bastante. Todos os sites de acampamento estavam tomados, creio que havia cerca de 100 pessoas acampadas. O que ajudou muito neste trecho foram os “lodaçais” completamente secos devido ao bom tempo prolongado de muitos dias.

Alcançamos o cume do Pico Paraná às 16h30. Muitos aventureiros estavam lá para ver o por do sol. Para nós foi um gole d’água, uma foto e uma mensagem para o nosso amigo “BOB”. Demos meia volta e aproveitamos a luz do dia para ganhar tempo no retorno. Tal qual na subida fomos ultrapassado e cruzando dezenas de pessoas que trafegavam até o Abrigo II. Esta grande massa de gente frequentando montanhas cria uma “fauna muito diversificada”. Encontramos pessoas conscientes, gentis e educadas, contudo havia “outros seres” encrenqueiros e mal educados. Ao longo da trilha havia lixo e muito papel higiênico (também máscaras descartáveis). Passamos na descida pelo festivo e populoso Abrigo II, deste ponto para baixo foi bem mais tranquilo quanto à transumância na trilha. Mesmo assim cruzamos com mais de dez grupos subindo à noite e ultrapassamos retardatários que encontramos na subida do Paraná.

Seguimos sem lanternas até o entroncamento da Trilha Sul do Caratuva, imediações do antigo Abrigo I. Esta foi outra previsão que deu certo: chegar até ali com a luz natural. Parada para lanche, hidratação, pegamos as lanternas e seguimos em direção à Fazenda Rio das Pedras. A subida até a Floresta Encantada (colo entre o Caratuva e Itapiroca, nome dado pelo Professor Erwin Gröger) foi bem mais lenta, porém em bom ritmo. Realmente estávamos cansados, mas em uma condição razoavelmente boa.

 

Passado o colo tudo ficou mais fácil, a descida começou a ficar mais rápida. Depois de passada a entrada da Trilha Norte do Caratuva pegamos velocidade, era muita vontade de chegar. Às 21,44 h estávamos no Posto do IAT, na base. Foram 17,14 h de caminhada. Apesar de não termos o cadastro de subida, fizemos o de descida. Na Fazenda Rio das Pedras encontramos o pessoal do CPM – Clube Paranaense de Montanhismo que havia realizado um mutirão de manutenção da trilha. Chegamos bem na hora de um belíssimo churrasco e participamos da festa, ficamos felizes e gratos. Em seguida o BOB nos levou à Fazenda da Bolinha para resgatarmos o carro.

Liliane Krindges (LILI)

Paulo Souza (64) (MÁFIA)

FAZENDA DA BOLINHA

O primeiro morador da Fazenda Base do Ciririca (que nós conhecemos) era o Senhor João Vicente, pai da Senhora Mari (atual proprietária), ela possuía uma cadelinha de nome “BOLINHA”. Não se chegava lá de carro, parávamos na BR 116 e andávamos uma hora a mais na ida e outra no retorno. No início dos anos 80, quando começamos a reabrir o caminho de baixo para o Ciririca (Edson Panek, Professor, Sérgio Klos, Kalinowski e outros), sempre éramos acompanhados pela Bolinha. MÁFIA

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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