Pela primeira vez na história, a América Latina sediou uma etapa da Copa do Mundo de Escalada, e o palco escolhido foi o Parque Olímpico do Cajuru, em Curitiba. Entre os dias 16 e 18 de maio, mais de 100 atletas de 23 países protagonizaram uma competição incrível, marcada por técnica, superação e uma torcida apaixonada.
O local, que havia sofrido um incêndio em abril, foi totalmente revitalizado e ganhou ainda mais espaço para a montagem dos boulders, com agarras brasileiras da Crux Agarras compondo os desafios.
Mais de 3 mil pessoas passaram pelo evento ao longo dos três dias. O público, formado por atletas de diversas delegações, escaladores, fãs e famílias, lotou o espaço e criou uma atmosfera única para os finalistas. Entre os presentes, estavam nomes importantes como o presidente da IFSC, Marco Scolaris, membros da Confederação Brasileira de Escalada Esportiva (CBEscalada), e duas figuras históricas do montanhismo e escalada nacional: Henrique Schmidlin, o “Vitamina” e Arlindo Toso.
“Tínhamos uma expectativa muito grande, mas o evento superou todas elas. O público abraçou a competição, veio gente do país inteiro e até de outros países da América do Sul. Os atletas estrangeiros estão impressionados com a torcida brasileira. Muitos já pediram uma nova etapa da Copa do Mundo no ano que vem. Isso é um reflexo do trabalho que a Confederação vem desenvolvendo, e estamos muito felizes”, declarou Tiago Campucci, presidente da CBEscalada.
Primeiro dia: classificatórias e estreia histórica
A competição começou com as fases classificatórias, e já deu pra sentir o alto nível técnico. Na categoria feminina, 46 competidoras foram à parede, com domínio total da França nas primeiras posições com Oriane Bertone, Zélia Avezou e Agathe Calliet
A italiana Camilla Moroni, atleta da La Sportiva, veio logo atrás, destacando a energia positiva da escalada no Brasil. A melhor sul-americana foi a brasileira Mariana Hanggi Correia, que ficou em 26º lugar, à frente da campeã sul-americana de 2024, Valentina Aguado (ARG). Outras brasileiras também marcaram presença com garra:
- Anja Köhler – 33ª
- Laura Farhat – 37ª
- Ana Carolina Rocha – 41ª
- Deborah Albuquerque – 43ª
- Camila Flores – 44ª
Na disputa masculina, foram os japoneses dominaram as primeiras colocações com Sorato Anraku (único a completar os cinco boulders), Rei Sugimoto e Sohta Amagasa.
O brasileiro Felipe Ho Foganholo foi o melhor sul-americano, em 25º lugar. Outros brasileiros em destaque:
- Rodrigo Iasi Hanada – 34º
- Samuel Carlos da Silva – 41º
- Davi Carvalho Peres – 46º
- Pedro Avelar – 48º
- Pedro Henrique Namba de Araújo – 50º
Segundo dia: semifinais e casa cheia
No sábado (17), as semifinais aumentaram a tensão. 25 atletas disputaram 8 vagas para a final masculina. O Japão novamente se destacou, com 6 classificados, seguido por representantes da França, Áustria, Suíça, Bélgica, Coreia do Sul e Israel.
Anraku Sorato brilhou mais uma vez, sendo o único a completar todos os boulders da semifinal. Na final, disputada diante de um público de 1.200 pessoas, a emoção foi total. Os quatro boulders testaram os atletas ao extremo, exigindo força, equilíbrio, coordenação e foco mental.
O pódio ficou assim:
1º Lugar: Sorato Anraku – 2 tops e 4 zonas
2º Lugar: Mejdi Schalck (FRA) – 2 tops, com direito a top no último segundo
3º Lugar: Tomoa Narasaki (JPN) – nenhum top finalizado, mas zonas em todos os boulders.
Terceiro dia: show feminino e ouro francês
No domingo (18), foi a vez das mulheres protagonizarem um espetáculo técnico. As semifinais femininas contaram com 24 atletas de elite, com França e Japão como favoritas. A japonesa Melody Sekikawa liderou, seguida por Camilla Moroni (ITA) e Naïlé Meignan (FRA). Também chegaram à final Anon Matsufuji (JPN), Futaba Ito (JPN), Mao Nakamura (JPN), Nekaia Sanders (EUA) e Oriane Bertone (FRA).
Na grande final, os quatro boulders testaram ao máximo as competidoras. A francesa Naïlé Meignan completou todos os boulders e brilhou com três tops na primeira tentativa, superando a compatriota Oriane Bertone, que completou os quatro problemas, mas com menos eficiência. O bronze ficou com Camilla Moroni, que superou as favoritas japonesas.
“É uma sensação incrível vencer na minha primeira competição do ano. Eu não esperava me sair tão bem. Fiquei um pouco tensa no primeiro boulder, mas fui ganhando confiança”, disse Meignan à IFSC.