Escalando no Equador em tempos de Covid19

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Afinal é seguro escalar no Equador agora?

Recentemente estivemos no Equador para realizar uma expedição e escalamos cinco montanhas, Pasochoa (4.200m), Corazón (4.788m), Iliniza Norte (5.126m), Cotopaxi (5.897m) e Chimborazo (6.310m). Essa é uma viagem muito boa para quem quer ganhar experiência em montanha. Seria tudo perfeito, mas como fica o risco de contaminação, tendo em vista que estamos no meio da pandemia de Coronavírus?

Cume do Chimborazo, montanha mais alta do Equador.

Após realizar a primeira viagem, posso afirmar que, do jeito que está é seguro viajar pelo Equador para escalar montanhas, desde que sigamos  as regras e tomemos as devidas precauções. O país passou por momentos terríveis no meio da pandemia, principalmente na região litorânea de Guayaquil. Por incrível que pareça, na região de Quito, que fica a três mil metros de altitude e onde nos concentramos, o contágio é bem pequeno. Isso tem ocorrido não apenas por lá, mas em todas as regiões de maior altitude do planeta, como na Bolívia e o Tibet.

Até agora os cientistas não explicaram este fato, mas suspeitam que os raios UV em altitude destruam o vírus com muita rapidez, e isso dificulta o contágio que precisa ser direto. Mas não é só isso que faz a viagem para escalar no Equador ser mais segura.

Locais turísticos vazios, obrigatoriedade de máscara em todo o Equador.

O Equador adotou medidas de segurança e o povo simplesmente as segue. Você não vê gente se aglomerando, todos usam máscara até mesmo em espaços abertos. Este respeito, a gente vê em números. Enquanto estávamos em Quito, a média de internações diárias era de 15 pessoas. Isso numa capital com dois milhões de habitantes!

Para ficar ainda mais seguro, decidimos mudar a cidade base do nosso roteiro. Saímos de Quito com seus dois milhões de habitantes e fomos para Machachi, a 60 quilômetros ao Sul, que tem apenas 40 mil. Esta mudança nos deu além de segurança, mais conforto, pois nos deslocamentos até as montanhas não pegamos trânsito e, como estamos mais perto, gastamos menos tempo.

Em Machachi não comemos em restaurantes, pedimos comida por delivery e fazemos nossas refeições no hotel. Nosso contato se restringiu ao nosso grupo e nossos guias. Mas e se um de nós estivesse contaminado?

As regras para entrar no Equador

Para entrar como turista no Equador você precisa ter um teste PCR negativo com data de coleta inferior a 72 horas. É preciso muito azar para uma pessoa fazer a coleta e se contaminar depois, mas para reduzir este risco, no terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, de onde saem a maioria dos voos internacionais do Brasil, há um laboratório que faz testes PCR e entregam em apenas 4 horas.

Ainda há o risco de sermos contaminado no avião, porém este risco é menor, pois o ar condicionado das aeronaves é equipamento com um filtro que mata o coronavírus. Por este motivo, as empresas aéreas fazem de tudo para você não tirar a mascara durante o voo. Pela LATAM, que vai para Quito com escala em Lima, é obrigatório além de máscara, usar um face shield, assim você beber ou comer algo tirando a máscara, mas usando o face shield. Outra opção para chegar lá é via Panamá, pela Copa.

É seguro escalar montanhas?

Numa viagem o risco de se contaminar com Coronavírus é sempre maior nos centros urbanos em meios de transportes coletivos e em restaurantes, desde que estejam cheios. Depois que chegamos em Machachi, não enfrentamos nada disso.

Chegando no refúgio Illiniza.

Os transportes que tomamos para ir às montanhas é privado, está somente nosso grupo previamente testado. Comemos no hotel, sem a presença de terceiros e se os points turísticos das cidades estão vazios, o que dizer das montanhas? Em tempos normais, montanhas como o Cotopaxi são bastante movimentadas, mas quando estive lá, encontramos pouquíssimas pessoas. O refúgio estava com sua capacidade limitada e não tivemos contato próximo com estes outros grupos. Nas outras 4 montanhas que fomos, não dividimos a estrutura de acampamento e refúgio com ninguém e apenas cruzamos com raros montanhistas na rota de subida.

Ascensão ao Cotopaxi. Quase vazio.

No final, minha viagem ao Equador acabou ficando mais exclusiva do que normalmente é, pois é raro ver aquelas montanhas tão vazias. Com medo do contágio, há menos turistas neste pequeno país andino. Após termos escalado as montanhas pudemos passear pela cidade e conhecer monumentos e atrativos vazios. Assim como também pudemos escalar a montanha quase sozinhos, o que é raro acontecer na temporada alta de montanha.

O Equador foi uma amostra de que se você seguir as recomendações é possível viajar com riscos controlados e mínimos. Ao invés de deixar o país sem a atividade do turismo, pudemos colaborar e ainda ter boas experiências e com segurança, respirando aliviados no meio deste momento tão difícil e nos permitindo viver do jeito que amamos: subindo montanhas e viajando. Não acho de nenhuma maneira que fomos irresponsáveis, pelo contrário, assumimos riscos, que se mostraram mínimos, muito menores que em nosso dia a dia no Brasil. Afinal, o que fizemos foi praticamente uma quarentena, escalando montanhas. Foi o isolamento dos sonhos!

Uma pena que os países não se ligam que nem todos os turistas são iguais e as regras para quem vai ficar isolado escalando é a mesma pra quem faz turismo convencional. Enquanto o Equador manter as regras atuais, no entanto, sabemos que aquilo que gostamos de fazer é bastante seguro!

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Sobre o autor

Pedro Hauck natural de Itatiba-SP, desde 2007 vive em Curitiba-PR onde se tornou um ilustre conhecido. É formado em Geografia pela UFPR, possui mestrado em Geografia Física pela UFPR. Atualmente é sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conhecidas lojas especializadas em montanhismo no Brasil e também é guia de montanha pela agência GenteDeMontanha, sendo instrutor de escalada pela AGUIPERJ. Ao longo de mais de 22 anos dedicados ao montanhismo, já escalou mais 100 montanhas com mais de 4 mil metros, destas, mais da metade com 6 mil metros e um 8 mil do Himalaia. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net. Siga ele no Instagram @pehauck

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