Expedições invernais no Himalaia 2021/2022

0

As montanhas acima de oito mil metros do Himalaia despertam o interesse de montanhistas por serem as mais altas, as mais perigosas e mais desejadas do mundo. Escalar uma dessas montanhas incrementa o currículo e traz um status a mais para os amantes do montanhismo. Escalá-las durante o inverno, sob condições adversas de tempo, aumenta ainda mais o tamanho desse feito.

O inverno de 2021/2022 no hemisfério norte, começou no último dia 21/12 e junto com ele as expedições para alcançar os cumes das montanhas do Himalaia. Mesmo que alguns montanhistas não tenham o objetivo de fazer cume e sim sobreviver a essas investidas ousadas.

Everest

A maior montanha do mundo já é um grande desafio por si só. No entanto, Jost Kobusch, tem um plano ainda mais desafiador, escalar o Everest sozinho, no inverno, sem oxigênio e por uma rota poucas vezes escalada, na crista oeste. Ele já começou a sua escalada e como presente de natal ganhou um nascer do sol a 6 mil metros de altitude após escalar o primeiro trecho técnico da rota.

Ao contrário de muitos outros escaladores, Kobusch diz que não visa o cume e sim chegar a marca de oito mil metros e voltar vivo.

Jost Kobusch e seu acampamento solitário na montanha mais alta do mundo.

Manaslu

O Manaslu tem o maior número de expedições tentando uma escalada invernal. Alex Txikon, Iñaki Álvarez, Simone Moro, Pasang Rinzee Sherpa, Oswald Rodrigo Pereira, Paula Strengell, Chhepal Sherpa, Tenjin Sherpa, Pasang Norbu Sherpa, Gyalu Sherpa e Thinduk Sherpa se dividem em três expedições diferentes. No entanto, eles estão trabalhando em conjunto para a manutenção da rota.

As equipes estão reunidas no acampamento base esperando o tempo melhorar.

Essa cooperação entre os grupos é o que irá garantir o sucesso de todos. Paula contou que todos estão trabalhando muito para isso e inclusive não gostou ao ser citada como uma cliente comercial.Os chamados clientes comerciais têm trabalhado mais duro do que os clientes de expedição (ou como deveriam ser chamados) até agora”, observou ela.

Os nepaleses já alcançaram o campo 2, enquanto todos os demais já chegaram até o campo 1 (5.750 m) com apenas uma semana de expedição. Todavia, eles retornaram ao Acampamento Base, onde se abrigaram de algumas nevascas e aguardarão o tempo melhorar.

K2

Nas longínquas terras geladas do Paquistão, uma mulher tentará escalar o K2 sozinha. Grace Tseng do Taiwan, contará apenas com o apoio logístico da empresa nepalesa Dolma Expeditions nessa desafiadora montanha. Com apenas 28 anos de idade ela escalou em 2021 o Everest, o Lhotse, o Dhaulagiri e Kangchenjunga no qual foi a única cliente a chegar ao cume nesse outono.

A jovem Tseng já acumula diversas experiências em montanhas de oito mil.

Nanga Parbat

O quarteto formado por David Göttler, Hervé Barmasse, Mike Arnold e Qudrat Ali pretendem realizar uma ascensão ousada no estilo alpina. Ou seja, sem carregadores altos nem cordas fixas e sem oxigênio. Eles já estão instalados no acampamento base aguardando uma melhora nas condições climáticas para a escalada.

Mais uma escalada ousada nesse inverno.

Cho Oyu

Mais uma expedição invernal esta programada para o inicio de 2022. Gelje Sherpa e sua equipe pretendem escalar o Cho Oyu, no entanto eles não irão subir pela rota normal e sim por uma rota do lado Nepalês. Apenas 14 pessoas conseguiram vencer a montanha por esse lado que é mais exposto e difícil que o lado tibetano. A ultima subida por esse lado da montanha aconteceu em 2009, feita por Denis Urubko e Boris Deshesko. No entanto Gelje ambiciona conseguir estabelecer uma rota mais segura e livre dos entraves burocráticos chineses para escalar essa montanha.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário