Janja Garnbret encadena via Bibliographie 9b+ (12c) e torna-se a segunda mulher do mundo a alcançar essa graduação

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A eslovena Janja Garnbret encadenou a a via Bibliographie, uma das vias mais difíceis do mundo, localizada no famoso paredão de Céüse, na França. Com a conquista, Janja se tornou apenas a quinta pessoa (primeira mulher) a completar a linha, além de ser a segunda mulher da história a alcançar o grau 9b+ (12c na graduação brasileira), considerado um dos mais altos já escalados em rocha.

A atleta bi-campeã olímpica conquistando a via  Bibliographie. Foto: Jessica Glassberg/ Red Bull Content Pool

Mais do que uma simples ascensão, o feito coloca a eslovena em um grupo extremamente seleto: apenas 13 escaladores em toda a história conseguiram encadenar uma via graduada em 9b+ ou superior. Até então, apenas uma mulher havia alcançado esse patamar: a norte-americana Brooke Raboutou, que em 2025 encadenou a via Excalibur, em Arco, na Itália.

A história de Bibliographie

Localizada em Céüse, uma das falésias mais icônicas do planeta, Bibliographie foi equipada pelo francês Ethan Pringle e foi encadenada pela primeira vez por Alex Megos, em 2020. Na ocasião, Megos sugeriu a graduação 9c, o mais alto grau já proposto na escalada esportiva.

Posteriormente, após repetições de escaladores como Sean Bailey, Jakob Schubert e Jorge Díaz-Rullo, consolidou-se um consenso em torno do grau 9b+, ainda assim uma dificuldade reservada a uma pequena elite mundial.

A via exige uma combinação rara de força, resistência, precisão técnica e controle mental. Seus movimentos intensos em pequenas agarras são seguidos por sequências extremamente exigentes, onde qualquer erro pode significar a queda.

Quedas essas que até mesmo Janja cansou de ter. Sua primeira tentativa nessa via ocorreu em 2024. Desde então ela “trabalhou” a via por diversas vezes amargando frustrações por não conseguir realizar alguns movimentos, o que tornou a via exigente não apenas fisicamente mas também mentalmente.

Em uma longa reflexão publicada após a ascensão, a eslovena revelou que historicamente sempre teve dificuldade em projetos de longo prazo. Acostumada a buscar constantemente novos desafios, ela admitiu que frequentemente perdia o interesse quando uma via não saía rapidamente.

“Esta via exigiu algo diferente de mim: paciência, comprometimento e presença”, escreveu.

Janja após a cadena tão esperada. Foto: Jessica Glassberg/ Red Bull Content Pool

Segundo a atleta, Bibliographie a obrigou a retornar inúmeras vezes, mesmo quando o progresso parecia invisível.

“Houve dias em que saí da parede sorrindo e dias em que saí frustrada. Dias em que cada movimento parecia possível e dias em que questionei tudo. Dias em que a minha versão antiga queria desistir e buscar algo novo. Mas, de alguma forma, continuei voltando.”

Para Garnbret, o significado da conquista ultrapassa qualquer número ou graduação.

Escalando a via Bibliographie. Foto: Jessica Glassberg/ Red Bull Content Pool

“Mais do que uma graduação, isso parece uma vitória pessoal sobre uma mentalidade antiga”, afirmou. “Aprendi que nem toda meta precisa ser alcançada imediatamente. É descobrir um nível de paciência que eu não tinha certeza se possuía.”

Após chegar na parada de Bibliographie, Janja resumiu o significado do momento em uma frase que vai além do resultado esportivo:

“Rotas vêm e vão. Graduações vêm e vão. Mas algumas experiências ficam para sempre. Meu coração está transbordando de alegria.”

Para uma atleta acostumada a vencer tudo o que disputa, talvez essa tenha sido uma das conquistas mais importantes justamente porque não foi sobre vencer os outros, mas sobre aprender a permanecer, insistir e confiar no processo como fazem tantos outros escaladores.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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