Luis Guilherme Ferraz Ziolkowski encadena segundo V13 do Paraná e mira primeiro V14 do estado

0

Boulder Caiobá Tour, localizado no litoral paranaense, surgiu da conexão de linhas já conhecidas pelo escalador, que busca elevar o nível da escalada em rocha no estado.

O escalador brasileiro Luis Guilherme Ferraz Ziolkowski realizou o First Ascent (primeira ascensão) do Caiobá Tour, um boulder graduado em V13 localizado em Caiobá, no litoral do Paraná. A conquista representa o segundo boulder dessa graduação no estado e marca mais uma etapa na trajetória do atleta, que agora tem como objetivo abrir e mandar o primeiro V14 paranaense. O primeiro boulder V13 do Paraná possivelmente seja o Power Punk SDS, porém ainda depende de novas repetições para confirmar essa graduação.

A linha nasceu da conexão entre boulders já conhecidos pelo escalador. O projeto reúne movimentos do Gosma (V8), do Caiobá (V10) e de extensões que permitem começar cada vez mais abaixo na parede, aumentando a dificuldade e a resistência exigidas para completar a sequência.

Momento de descanso no boulder. Foto: Arquivo pessoal / Luis Guilherme Ferraz Ziolkowski

A relação de Luis com o local começou quando ele ainda buscava suas primeiras conquistas na escalada em Boulder. Foi em sua primeira visita a Caiobá que ele encadenou o Gosma, seu primeiro V8. Anos depois, voltou ao setor com o objetivo de completar o Caiobá, mas uma conversa com um amigo acabou ampliando suas ambições.

“A história com esse boulder começou lá atrás, na primeira vez que fui para Caiobá, onde mandei meu primeiro V8, o Gosma. Fiquei um bom tempo sem entrar, e este ano meu objetivo era mandar a parte de cima desse projetão, o Caiobá (V10). Conversei com um amigo, disse que queria mandar o Caiobá, e comentei que tinha a linha de baixo que vinha do Gosma (V8), dava um descanso e entrava no V10. Ele falou: ‘Por que você não tenta essa linha?’. Achei uma boa ideia e entrei”, contou ele.

Uma conquista para a escalada paranaense

O Caiobá Tour também tem um significado particular para o escalador. Seu primeiro V13 foi o Joker, localizado em Iperó – SP, aberto originalmente como V14 por Felipe Ho. Quando Luis encadenou a linha, na mesma semana em que Thiago Vaz e Rodrigo Hanada também mandaram o boulder, a sugestão de graduação passou a ser V13.

Dessa vez, porém, o objetivo era conquistar algo inédito em seu estado de origem. Luis cresceu e aprendeu a escalar no Paraná e vê a conquista como uma forma de retribuir à comunidade e aos locais que fizeram parte de sua formação.

“Na minha cabeça que eu queria fazer uma extensão maior desse boulder que com certeza daria um V14. Queria uma grande conquista e uma nova inspiração para o estado, não apenas mais um boulder no currículo”, revelou ele. “Eu cresci e aprendi a escalar no Paraná; tenho uma dívida eterna com essa terra. O mínimo que eu poderia fazer era trazer um grau inédito para cá”, explicou.

O escalador observando o boulder e já pensando em linhas mais desafiadoras. Foto: Arquivo Pessoal / Luis Guilherme Ferraz Ziolkowski

 

Apesar da ambição inicial, o processo de encadenamento do Caiobá Tour em V13 foi rápido. Como já havia dominado os movimentos das partes que compõem a linha, o principal desafio era isolar e conectar a sequência inicial, mantendo o controle corporal em um boulder extremamente baixo.

“Fui para a linha e o processo foi super rápido. Mandei o V13 logo de primeira quando entrei vindo de baixo pra valer. Como já tinha dominado as partes do Gosma e do Caiobá, o segredo foi isolar a parte de baixo. Como já tinha dominado as partes do Gosma e do Caiobá, o segredo foi isolar a parte de baixo. O maior desafio ali era não encostar no chão: o boulder é extremamente baixo, e se você aliviar a tensão corporal por um segundo, as costas encostam. Fiquei um pouco estressado com isso, mas assim que encaixei os movimentos de baixo, entrei no flow”, relatou.

Mantendo a tensão corporal para não encostar no chão. Foto: Luis Guilherme Ferraz Ziolkowski

Próximo objetivo: o primeiro V14 do Paraná

A satisfação com a conquista, entretanto, durou pouco antes de dar lugar a um novo desafio. Para Luis, o V13 representa uma etapa intermediária rumo à extensão completa da linha, que ele acredita poder alcançar a graduação V14.

No dia seguinte ao encadenamento, o escalador já começou a experimentar a saída mais baixa. A dificuldade está não apenas na complexidade dos movimentos finais, mas também na resistência necessária para chegar até eles com energia suficiente para concluir a sequência.

“Quando mandei a linha de V13, fiquei muito feliz, mas sabia que era apenas um checkpoint. No dia seguinte já comecei a provar a saída lá de trás para o V14. É um step up bem mais difícil. Em boulders de resistência assim, a estrutura do V13 acaba sendo um V8, descanso, outro V8, descanso e o V10 no final. O maior desafio mental é saber que você vai chegar exausto lá em cima e precisará guardar todas as forças e manter a cabeça no lugar para fazer os movimentos mais difíceis no final.”

A parte mais difícil do boulder está no final, após uma longa sequência de resistencia. Foto: Luis Guilherme Ferraz Ziolkowski

 

O projeto representa um salto de dificuldade e exige que o escalador administre o esforço ao longo de toda a linha. Mesmo com descansos entre os trechos, a sequência acumulada pode comprometer a precisão e a força necessárias para os movimentos mais difíceis, justamente quando o atleta já está mais fatigado.

Esse é o grande objetivo agora: puxar o nível para onde ele ainda não existe no Paraná e assinar o primeiro V14 do estado”, comcluiu ele.

Experiência além das competições

Apesar da pouca idade, Luis Guilherme já acumula experiência em competições nacionais e internacionais, além de conquistas expressivas na escalada em rocha. Aos 13 anos, encadenou em flash a via Nostradamus, graduada em 9a. Na escalada, o termo flash é utilizado quando o escalador completa uma via ou um boulder na primeira tentativa, sem tentativas prévias na linha.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário