Morro do Cabaraquara e Pedra Branca do Araraquara: Impressões!

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Sempre que desço ao Litoral, procuro encaixar uma Montanha no itinerário, afinal pé vermelho não pode perder a viagem! 2021 foi a vez de duas belíssimas Montanhas de Guaratuba: O Morro do Cabaraquara (478 metros s.n.m), localizado no lado direito da Baía, no Parque Nacional Saint Hilaire/Lange e a Pedra Branca do Araraquara (1.230 metros s.n.m) imponente maciço que se destaca para quem trafega na BR 101/376, na divisa entre Paraná e Santa Catarina.

Baía de Guaratuba, vista do Cume do Cabaraquara.


No primeiro dia de sol, o destino escolhido foi o Cabaraquara. Acompanharam-me esposa, sogro e o filho do meio, Benjamin, de 10 anos. Deixamos o carro no estacionamento do Ferry Boat e cruzamos a Baía na Balsa. Caminhamos até a base da Montanha e logo ingressamos em uma estradinha que sobe em direção ao Morro. Encontramos o início da trilha entre ruínas de uma antiga chácara. Cruzamos um riacho, onde nos refrescamos do calor do verão. 

Benjamin no Riacho

A caminhada se dá, toda, por fragmentos preservados da exuberante Mata Atlântica. O Benjamin, apesar do cansaço, conseguiu manter um bom ritmo e em cerca de uma hora alcançamos o cume florestado da Montanha, pelo lado oposto à Baía. Seguimos a trilha até uma clareira de onde se têm um belo visual da Baía e seus manguezais, da cidade de Guaratuba e das Serras do Araraquara (nosso próximo destino) e do Quiriri, lá no fundão da Baía…

Uma caminhada leve e gratificante, obrigatória para quem curte um visual de Montanha e está de férias em nosso Litoral. Com um dos objetivos concluídos, passei os dias seguintes praticando natação e lagarteando na praia. Os dias estavam excelentes, o mar calmo e cristalino e, por este motivo, acabei adiando a Pedra Branca do Araraquara até a véspera de nosso regresso.

Cidade de Guaratuba, vista do Cume.

A Pedra Branca do Araraquara

Infelizmente, não foi uma boa decisão. O dia escolhido amanheceu meio cagado, com muitas nuvens na Serra, mas um tímido solzinho no litoral. Se não fosse agora, só ano que vem. Intimei a esposa e meu filho mais velho e eles acabaram aceitando arriscar a presepada. Fomos perguntando até encontrar uma Chácara, praticamente na margem da BR 101/376 de onde partimos de ataque, por volta das 9h. 

Mamãe, no início da Caminhada.


Atravessamos o Rio São João por uma pinguela e seguimos pelos oleodutos da Petrobrás até uma “quase” imperceptível trilha. Seguimos uns 30 minutos até a estrada abandonada que, segundo relatou o Fiori, era utilizada por madeireiros em meados do século passado. Este caminho é perceptível e segue acompanhando o Rio Bonito praticamente até atingir a crista da Serra, de onde parte a trilha que leva ao cume, em um traçado natural e bastante óbvio.

Trecho da trilha na antiga estradinha.


Seguimos em um ritmo forte até alcançarmos o platô da Serra. O cenário era de tela branca, intercalada por períodos de garoa. Em um dos mirantes, conseguimos avistar a BR 101/376, a praça de pedágio e os contrafortes da Serra do Quiriri. Às 11h paramos no riacho do Platô para lanchar e descansar. A trilha estava fechada, pois, segundo os moradores, 2020 foi um ano de pouco movimento nesta Montanha.

Tocamos em frente mais uma 1h30 e nada de chegarmos ao bendito livro! A tela branca e a garoa não davam trégua e a família começou a desanimar. Tentei manter o moral da equipe, mas a patroa decidiu parar, dando alvará para prosseguirmos. Não gosto deste tipo de situação, todavia abri uma exceção, pois sentia que o Livro estava perto. Segui com o Thomas, quando percebi um alcantil destacado na tela branca. Aceleramos e, ao chegar ao cimo, encontramos o Livro! Eram 12h45. A garoa começou a engrossar, fizemos nosso registro, algumas fotos e retornamos no trote!

Cerca de 15 minutos depois encontrei a mamãe. Expliquei que o livro estava pertinho, mas ela se deu por satisfeita. Assim partimos sem delongas, afinal teríamos mais 7 km de trilha sob chuva. Alguns escorregões aqui e ali e, quando deixamos o platô, a tela branca se dissipou: As nuvens estavam estacionadas no cume! Dali por diante, aproveitamos melhor o espetáculo de sons e cores da Mata Atlântica. Apesar dos percalços, a Pedra Branca do Araraquara é uma Montanha fodástica que faz jus a sua fama: Um dia, retornaremos…

Thomas assinando o Livro.

 

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Sobre o autor

Advogado graduado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), empresário e corretor de imóveis em Rolândia-PR. Casado, três filhos. Conselheiro Ambiental por dez anos e Vereador (2001-2004), autor do Código Ambiental do Município de Rolândia. Integrou o Grupo Escoteiro Guarani (46-PR) por mais de 10 anos; Montanhista e Jardineiro nas horas vagas. Apaixonado pelos Agudos do Tibagi, no Norte do Paraná.

2 Comentários

  1. Eduardo Prestes em

    Uma vez subi a face do Araraquara voltada para a BR 101, um paredão verde belíssimo, levei 3 dias para subir e descer, foi uma experiência inesquecível. Levei uma corda curta (15 m), uns poucos mosquetões, sem cadeirinha, usei a corda num escalão apenas. O resto foi um trepa-mato maravilhoso, bem seguro mas vertical. O Araraquara é uma belíssima montanha, com imenso potencial para aventuras, trilhas técnicas e até escaladas (existem alguns contrafortes nas encostas). Vale a visita…

    • Paulo Augusto Farina em

      Sem dúvida, deve ter sido um perrengue dos bons! A Pedra Branca de Araraquara é uma Montanha fantástica, imponente e belíssima. Sem dúvida, uma das mais desafiadoras de nosso Litoral, digna de figurar como roteiro obrigatório ao lado da Torre da Prata e da Serra do Quiriri! Fraterno Abraço de Rolândia!

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