O alpinista nepalês Bijaya Ghimire morreu em 10/05 durante o processo de aclimatação na montanha. Segundo informações, Ghimire passou mal e foi levado para as regiões mais baixas da montanha, mas morreu por volta das 5h da manhã enquanto se deslocava em direção ao Acampamento I.
O montanhista tinha 35 anos e participava de sua quarta expedição ao ponto mais alto do planeta. Ele ficou conhecido mundialmente o primeiro dalit do Nepal a alcançar o cume do Monte Everest. Durante séculos, os dalits sofreram discriminação social, exclusão e restrições em diversas áreas da vida, sendo muitas vezes chamados de “intocáveis” dentro da hierarquia tradicional hindu. Atualmente, embora a discriminação por castas seja ilegal, muitos dalits ainda enfrentam desigualdade social e econômica.
A morte de Ghimire é a segunda fatalidade da temporada de escaladas da primavera de 2026 no Nepal. Em 03/05, o sherpa Lakpa Dendi Sherpa, de 51 anos, também morreu enquanto seguia em direção ao acampamento base do Everest, a cerca de 5.200 metros de altitude.
“Não sabemos a causa exata da morte, mas é provável que esteja relacionada ao mal da altitude”, afirmou o inspetor Tul Bahadur Salami, da polícia de Lukla ao Everest Today. Os primeiros relatos indicam que ele morreu de parada cardíaca. De acordo com as autoridades, o corpo do alpinista será encaminhado para autópsia antes de ser devolvido à família.
Um símbolo de representatividade no montanhismo
Além das conquistas esportivas, Bijaya Ghimire se tornou uma figura simbólica no Nepal por romper barreiras sociais históricas. Em 2016, ele alcançou o cume do Everest pela primeira vez, tornando-se o primeiro alpinista dalit do país a atingir o topo da montanha.
Amigos e companheiros de expedição relataram que Ghimire enfrentou grandes dificuldades financeiras para seguir no montanhismo. Em determinado momento, ele chegou a considerar hipotecar propriedades da família para financiar a tentativa de escalar o Everest.
Após alcançar o Everest em 2016, Ghimire passou a atuar em iniciativas voltadas à inclusão de outros dalits no montanhismo, especialmente mulheres.
Um dos principais nomes incentivados por ele foi Gyanmala Ranapal, que se tornou a primeira mulher dalit nepalesa a alcançar o cume do Everest. Os dois completaram a ascensão juntos em 2019.
Ghimire ainda retornaria ao Everest em 2023, registrando sua terceira ascensão à montanha. Em 2026, tentava mais uma vez alcançar o topo do mundo, consolidando uma trajetória marcada tanto pelo alpinismo quanto pela luta por representatividade social no Nepal.
Rota do Everest é finalmente aberta até o Campo IV
As equipes responsáveis pela fixação de cordas no Monte Everest concluíram, em 08/05, a instalação da rota até o Campo IV, no Colo Sul, a 7.906 metros de altitude. A conquista marca o início da fase decisiva da temporada de escaladas de primavera no Nepal e abre caminho para as primeiras tentativas de cume nos próximos dias.
O trabalho foi realizado por uma equipe de 10 sherpas da Associação de Operadores de Expedições do Nepal (EOAN), liderada por Migma Dorchi Sherpa. Segundo a organização, as cordas chegaram ao Colo Sul às 19h15 de 07/05.
Com a rota estabelecida, as operações de transporte de cargas, instalação de cilindros de oxigênio e rotações de aclimatação devem ser intensificadas. A expectativa é que as primeiras investidas ao cume ocorram ainda na segunda quinzena de maio, caso as condições meteorológicas permaneçam favoráveis.
Tradicionalmente, a rota pela cascata costuma ser aberta ainda na primeira semana de abril. Neste ano, porém, o risco de colapso da formação de gelo bloqueou as rotações de aclimatação e reduziu a janela disponível para as tentativas de cume.
Diante da situação, operadores de expedições alertaram para os prejuízos financeiros provocados pelo atraso e solicitaram ao governo nepalês autorização para o transporte aéreo de cargas e sherpas diretamente ao Acampamento II por meio de helicópteros. Também passou a ser discutida uma possível extensão da temporada, normalmente encerrada em 29 de maio.











