O desafio de escalar uma rota sem repetição a mais de 30 anos

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Desde que os cumes mais altos e mais difíceis do mundo foram conquistados, iniciou-se a busca por desafios que superassem o grau de dificuldade dessas rotas. Subir a rota normal de algumas montanhas já é um belo desafio, imagine então subir as rotas mais inclinadas e difíceis.  Essa é a motivação do um alpinista sul-coreano, Sung-Taek Hong, que pretende escalar o Lhotse pela face sul ainda esse ano.

A íngreme face sul do Lhotse.

O Lhotse com 8.516 metros de altitude é a montanha irmã do Everest. Um gigante que oferece muitos desafios e dificuldades em sua escalada pela chamada rota normal.  Conquistado por Fritz Luchsinger e Ernst Reiss em 1956 possui parte da rota em comum com a rota da face sul do Everest. Os alpinistas que escalam essas duas montanhas compartilham os mesmos acampamentos até o Campo 3, onde a rota do Lhotse se desvia para a direita. Mesmo sendo mais baixo, alguns montanhistas consideram o Lhotse mais exigente que o Everest, pois possui trechos muito íngremes e com muitos rochas soltas na chamada West Couloir.

Mas o projeto de Hong é escalar o Lhotse pela face sul. Essa é rota possui cerca de 3.300 metros verticais e assim como no Everest, é afetada por um clima inconstante com muito vento e neve.

Muitas expedições já foram realizadas lá, porém a maioria não obteve sucesso. Nomes famosos do montanhismo mundial como Reinhold Messner, Jerzy Kukuczka e Krzysztof Wielicki tentaram vencer a parede e não conseguiram. Desde 1990 quando Tomo Cesen, Sergei Bershov e Vladimir Karatayev passaram por essa face, ninguém conseguiu atingir o cume usando o mesmo caminho.

A saga do montanhista coreano

Essa será a sétima tentativa do montanhista desde o seu primeiro contato com a rota a 20 anos atrás. Em 1999 ele e sua equipe chegaram aos 7.700 metros de altitude, mas precisaram retornar devido a falta de comida, o cansaço e as mudanças de ventos. Em 2007 ele atingiu Lhotse Shar em uma expedição.

Hong escalando em suas montanha preferida.

Em 2013 e 2014 ele tentou novamente alcançando a marca de 7900 metros de altitude. Já em 2015 ele e uma equipe maior de Sherpas conseguiu chegar até os 8200 metros de altitude após quatro tentativas na mesma temporada. Entretanto, o clima não estava favorável e ele retornou sem o cume.

Em 2017, ele retornou com Jorge Egocheaga e ficou a pouco mais de 200 metros de alcançar seu objetivo. Ele se seu parceiro tiveram que descer por conta de uma tempestade. Em 2019, com a mesma equipe de dois anos anteriores ele chegou a 8200 metros novamente. Além das tentativas pela face sul, Hong tem mais duas escaladas no Lhotse pela rota normal (2007 e 2008).

Ao ser perguntado por que escolheu essa montanha, Hong diz que essa é a montanha das montanhas pela combinação de risco e dificuldade. “No entanto, eu nunca percebi que era impossível subir”, falou ele. “Tudo o que eu precisava da última vez era uma janela de tempo suficientemente longa.”

Se a pandemia de Coronavírus permitir e Hong conseguir apoio financeiro, a tentativa desse ano será a sua última chance para escalar a temida face sul do Lhotse.

 

 

 

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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