Serac segue ameaçando rota do Everest enquanto montanhistas e agências buscam alternativas

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O grande bloco de gelo, conhecido como serac, na Cascata de Gelo de Khumbu continua ameaçando a principal rota utilizada por montanhistas que pretendem alcançar o Campo 1 do Monte Everest pela face nepalesa. O atraso na abertura da rota já é o maior dos últimos seis anos.

Entre 2021 e 2025, o trajeto foi liberado sempre na primeira semana de abril, com exceção de 2024, quando os Doutores da Cascata de Khumbu precisaram alterar o caminho devido à instabilidade do gelo próximo ao Campo 1 e só conseguiram concluir o trabalho em 16/04.

A Cascata de Gelo do Khumbu é uma das partes mais perigosas da escalada do Everest. Foto: Pedro Hauck.

Neste ano, o serac de aproximadamente 30 metros de altura foi identificado na segunda semana de abril, justamente quando os trabalhos de abertura da rota já avançavam lentamente por causa do clima instável. Na ocasião, a expectativa era de que o bloco colapsasse naturalmente em até dez dias, o que não aconteceu.

Diante do impasse, o governo do Nepal autorizou, na semana passada, que outras empresas se unissem aos Doutores da Cascata de Khumbu para avaliar a situação e buscar alternativas. Em 26/04, 17 integrantes de diferentes agências, além de oito membros do Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC), seguiram até o local crítico.

Segundo os relatos, o serac permanece em situação instável e próximo de um possível colapso. No entanto, ainda é impossível prever exatamente quando isso ocorrerá.

Serac registrado em 2025. Foto: Pedro Hauck

O sherpa Mingma G, da Imagine Nepal, afirmou que outro grupo de sherpas, acompanhado pelo esquiador polonês Bartek Ziemski, identificou uma possível rota alternativa à esquerda da passagem principal. Entretanto, como a visibilidade foi prejudicada por neve e neblina, uma nova expedição será necessária para confirmar se o trajeto é realmente seguro.

Embora o serac não esteja bloqueando completamente a rota, o desprendimento constante de blocos de gelo — que variam do tamanho de uma bola até o de um carro — representa uma ameaça direta para quem passa pela região. Como é comum haver congestionamento e grande fluxo de montanhistas na Cascata de Khumbu, o risco de grupos serem atingidos por destroços ou até mesmo pelo colapso total do bloco segue elevado.

Escadas comumente utilizadas para vencer as paredes de gelo da Cascata. Foto: Pedro Hauck.

Enquanto isso, sherpas e agências pedem paciência aos montanhistas, ao mesmo tempo que o Acampamento Base do Everest fica cada vez mais cheio. Apesar da cautela, há expectativa de que a rota seja aberta em breve.

Longa espera por aclimatação

Com a rota principal ainda fechada e o tempo correndo contra as expedições, muitos montanhistas têm buscado alternativas para manter o processo de aclimatação em dia, escalando montanhas menores na região, como o Mera Peak e o Lobuche East. Essa foi a estratégia adotada inclusive por alguns brasileiros nesta temporada.

Além disso, os Doutores da Cascata de Khumbu e algumas agências também apostam no uso de drones para transportar equipamentos montanha acima e retirar lixo dos acampamentos altos. No entanto, para que essa operação funcione plenamente, a rota precisa estar aberta para que membros da equipe consigam acessar os pontos de pouso e recebimento dos materiais.

A medida pode ajudar a reduzir os congestionamentos esperados nas próximas semanas, já que os sherpas não precisarão realizar repetidas viagens carregando cargas pesadas pela perigosa Cascata de Khumbu.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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