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No interior do Paraná

Parques menores de Londrina


Aventura de:

Fora os tradicionais cartões-postais do Lago Igapó, Bosque Mun. Marechal Cândido Rondon, Mata dos Godoy, Pque Arthur Thomas e o Três Bocas, Londrina possui ainda dentro da própria cidade outras áreas naturebas de lazer. São parques menores q, mais discretos e sem maior divulgação, passam desapercebidos inclusive pra população local. Aproveitando então uma breve passada pela pérola do “Terceiro Planalto Parananense”, resolvi matar o tempo dando uma espiadinha rápida em três unidades menores de conservação: o Lago Cabrinha, o Lago Norte e o Jardim Botânico.

Como estava situado na zona norte da cidade, não tive maiores dificuldades de me dirigir ao Lago Cabrinha. Bastou caminhar ao largo da Av. Saul Elkind até a esquina com o Jd Sta Cruz, na Av. Curitiba. Em caso de dúvida, o atrativo esta bem sinalizado ao largo de td trajeto. Dali apenas desci aquela pequena avenida de pouquíssimo movimento e num piscar de olhos pisava nas largas passarelas de terra do Parque Lago Cabrinha. Creio q demorei em torno de uma hora pra chegar ao lugar.

O lugar é um misto dos paulistas Pque da Aclimação com Ibirapuera, só q bem mais rústico e abrange a área do fundo do vale do córrego Cabrinha. Como andei pelo lugar no sentido norte/sul, basicamente toquei pelas largas veredas gramadas q acompanham o simpático córrego q, represado em alguns trechos, serve pra simplesmente encostar e pescar a beira dos lagos formados. Havia vários senhores de idade qdo passei lá e algumas crianças brincando rente o espelho d’água formado. Havia até alguns moleques chapinhando na parte rasa, embora placas escancarassem claramente q a água era imprópria pra banho e consumo. Coisas típicas dos parques urbanos. Bem sombreado pelo farto arvoredo do entorno, o lugar ainda tem uma pista de caminhada q percorre o perímetro do lugar e um minúsculo playground. A vegetação vai diminuindo a medida q alcanço a parte sul do lugar, limitado pelo asfalto da Av. Curitiba. Pronto, fim dum passeio q não levou nem uma hora!

O Parque Lago Norte ta do ladinho do Lago Cabrinha e bastou atravessar a Rod. Carlos Joao Strass pra cair nas cargas e espaçosas veredas do mesmo. O lugar se situa ao largo do ribeirão Lindóia, q tangencia perpendicularmente o Lago Cabrinha. Bem mais aberto q este, o Lago Norte me lembrou muito os paulistas Pq Villa Lobos, do Carmo ou qq parque urbano brasiliense. Como percorri seu perímetro a partir da Av. Curitiba, comecei a caminhada pela veredinha de chão compacto de terra “verméia” rente uma pequena represinha de concreto, q despeja o córrego Lindóia na direção oeste. A medida q bordejava o gde espelho d’água formado pelo represamento artificial do córrego, alguns focos de mata surgiam aqui e ali, como bananeiras e outro incremento de vegetação, q nada mais é reposição gradual de mata nativa. Mas como disse, no geral o terreno é um descampado bem aberto e gramado. No outro extremo do lago, mais na surdina, alguns pescadores tentavam a sorte, assim como algumas garças e carcarás. Em menos de uma hora já tinha percorrido td lugar, q ainda possui outras estruturas de lazer (em construção), como quadras e um playground infantil. Na sequência, retornei pro norte pela rua Cardela Vermelho. Mas antes, claro, estacionei num boteco onde o litrão de breja (“Polar”) tava a bagatela irrecusável de 3 reais! Como o sol e o calor tavam chapando côco, foi ali mesmo q encerrei minha “exploração” londrinense!

Mas a maior surpresa não foi nem o Lago Cabrinha nem o Lago Norte. Foi mesmo o Jd. Botânico, q visitei no dia sgte após um farto almoço na casa da Lau. A diferença das duas unidades de conservação supracitadas, o Jd. Botânico está situado nos cafundós da zona sul da cidade e não há condução regular direto pra lá. Na verdade há, mas a linha circular “227 – Acapulco/Jd Botânico” opera somente nos fds e feriados! Isso me obrigou a estudar bem o trajeto previamente e traçar uma rota alternativa, já q minha visita foi durante a semana.

Dessa forma tomei qq condução q me levasse ao Terminal Acapulco, onde desci coisa de dois ou três ptos antes de chegar no destino final. Na verdade saltei no cruzamento da Rod. Celso Garcia com a Av. dos Expedicionários, atentando sempre pra boa sinalização londrinense q indicasse a direção do Jd Botânico. Uma vez na Av. dos Expedicionários não tem erro, pois é só tocar por ela coisa de menos de 3kms até o lugar. Trajeto este feito no mais tranqüilo sossego, embora o dia amanhecesse encoberto por algumas nuvens escuras q ainda pairavam ameaçadoramente sobre minha cachola. 

Incrível q no decorrer dos menos de 3km desta caminhada inicial,o borburinho da cidade gde deu lugar a mais silenciosa tranqüilidade, uma vez q o cinza urbanóide deu lugar a largos descampados cobertos de plantações, onde uma ou outra araucária despontava da horizontalidade do trajeto. São cenas recorrentes da pacata Londrina, q reluzia sua geometria e verticalidade ao longe, ao norte, como q parecendo uma ilha isolada de td aquele cenário q me cercava.

E assim, por volta das 14hrs chegava na bela entrada do Jd Botânico, ao lado dum amplo estacionamento, cuja tinta fresca e alguns detalhes ainda cheiravam a novidade. Isto pq o lugar, importante unidade de pesquisa e conservação de espécies nativas e exóticas do Paraná, é recente e havia sido inaugurado coisa de dois meses atrás. Pouco divulgado (como alias boa parte das atrações londrinenses), na ocasião da minha visita não havia ninguém, apenas eu e por este motivo senti dono absoluto do lugar.

Passada a catraca de entrada há o centro de visitantes, onde em tese a palestras de estudo ambiental e outras coisas a respeito do lugar. Mas incrivelmente a porta estava trancada, embora visse perfeitamente pessoas circulando no interior das dependências. O lugar, um espaço voltado à educação ambiental dotado de equipamentos de audiovisual sobre o histórico ambiental regional, sabe-se lá pq cargas d’água estava fechado num dia útil! Dane-se, prossegui minha visita assim mesmo. Ali perto, entre um belo pomar com um frondoso e colorido exemplar de pé-de-café, estava o “Mirante da Peroba”. Um croqui explicativo desenhava a bela paisagem q se descortinava a minha frente, composta pela estufa, um belo lago e exemplares de eucaliptos, jerivás e perobas salpicando aqui e ali.

Logo adiante havia um croqui do Jd Botânico, q não tive maiores dificuldades de memorizar, e prossegui minha andança pela passarela principal, uma “pista de caminhada” cercada de jardins, muita grama e uma variedade enorme de árvores, q dá a volta ao redor do lugar. Após cruzar uma ponte de madeira sobre o córrego Andorinhas me deparo com o “Arboreto”, uma extensa planície gramada forrada de mudas em crescimento. Uma placa diz ali fazer parte do “Programa Mata Ciliar”, q consiste no plantio recente de 100 milhões de árvores plantadas, totalizando 100 espécies nativas. Pau-formiga, sapopema, maricá, capororoca, goiabeira-da-serra, pau-marfim, figueira-branca, jatobá, ipê-roxo, cambuim, coração-de-nêgo, rabo-de-bugio, ingá-feijão, pimenteira, camboatá, e tantas outras eram algumas das espécies q exibiam suas particularidades ali.

Uma encruzilhada bem sinalizada aponta pruma enorme estufa (fechada, pois ainda estava em construção), pra continuidade da passarela (q ignorei solenemente) e pra “Trilha Ecológica”, q foi onde me dirigi sem pestanejar. Passo por um punhado de enormes rochas basálticas, q mais parecem bolas de bilhar avermelhadas, e pelo curioso banheiro, na verdade um contêiner reaproveitado, e caio na entrada da tal vereda interpretativa. Um mapinha escancara o trajeto (q memorizei rapidim), as instruções e a opção duma trilha sussa e outra mais “hard”. Claro q opto pela segunda, cujo trajeto é de menos de 1,5km, mas outra placa ao lado desperta minha atenção. Ela diz da necessidade de fazer a trilha com acompanhamento de monitor. Olho pros lados e me pirulito rapidinho picada adentro.

O caminho serpenteia um frondoso bosque repleto de placas indicativas q, seja de canela-preta, canafistula, alecrim, angico-branco ou mandacaru, nos dão uma luz a respeito dos ecossistemas q nos cercam, assim dos vários extratos florestais do lugar. Matas repletas de cipós e lianas surgem numa curva, assim como belos exemplares de peroba-rosa, cedro, jequitibá, marinheiro, pitanga, jaboticaba e canela-amarela. Na verdade, se tds essas plantas não tivessem identificação passariam anônimas pra mim, ou simplesmente por isso mesmo, como meras “plantinhas”.

Num piscar de olhos me vejo então numa bifurcação com uma enorme placa, onde tocando pra esquerda termino o “roteiro sussa” e volto ao inicio da trilha. Ao invés disso vou pela direita, mergulhando de vez na trilha “mais hard” afim de conhecer mais espécies da fauna e flora do lugar. Canjaranas e mamica-de-porca ornam o caminho, q começa a descer suavemente ate o fundo dum vale. Cruzando a simpática ponte sobre o córrego Tamareira minha rota passa a bordejar o laguinho formado pelo represamento do supracitado córrego q, cercado de arbustos de taquarinhas, me leva numa pequena construção. Estou onde antigamente era bombeada água pra irrigação até o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR).

Logo adiante a vereda aumenta de declividade, passando por uma área de recuperação duma áea degradada. Lá, espécies como jangadeiro, mutambo, aroeira, crindiúva, sangra dágua e lixeira tem uma segunda chance pois seu crescimento rápido favorece isso. Não demora pra surgirem espécies exóticas como a santa-barbara, nêspera e jambolão, q se beneficiam das áreas degradadas competindo diretamente com as espécies nativas. Mas logo a picada se embrenha em meio a voçorocas de enormes urtigões, típicos dos cânions do sul, onde alguns teimavam em abandonar o solo pra invadir a vereda palmilhada.

Logo adiante e sempre tocando pro norte, me deparo com a paisagem mais surreal e bonita de td trajeto. Um enorme e espesso bambuzal me recebe na forma dum verdadeiro túnel de vegetação, onde o vento parece uivar ao passar atraves dele. Formados por espécies de bambu-gigante, taquarinha e bambu-mossó, essas espécies são perfeitas pra artesania e mobiliário, como atestam verdadeiras poltronas feitas a partir da plantinha, dispostas ali.

Mas da mesma forma, a experiência me calçou q a presença de bambu é sinônimo de peçonhenta na área. “Atenção, risco de cobras jararacas e cascavel no lugar. Se avistá-las afaste-se lentamente e avise o monitor do grupo” reforça uma placa.

Dando as costas pro bambuzal, me pirulito desimpedidamente até alcançar o extremo norte da trilha, marcada pelas nascentes do córrego Tamareira. Uma decrépita bomba enferrujada serve como marco do limite do Jardim Botânico com a propriedade ao lado. E dali minha rota toca novamente pro sul, agora retornando sinuosamente td trajeto pelo lado oposto do vale. Caminhada agradável, embalada agora por palmito-jussara, capim-colonião, capim-braquaária e capim-anapiê, espécies daninhas introduzidas pra alimentação de gado.

Após passar por uma enorme figueira e, na sequencia, uma gurucaia e um tapiá, abandono a sobra pra passear num raro trecho aberto, cercado de arbustos menores, como a leucena. Mas não demora pra adentrar novamente no frescor da mata fechada, onde pipocam alguns rochedos basálticos a margem da trilha. E assim, alcanço a bifurcação anterior e tomo o restante da trilha até o final. Acredito q td trajeto não deu nem 10min. Com relação a fauna, ali diz ter macaco-prego, periquitão-maracanã, pássaro-fim-fim, gralha-picaça e pica-pau-de-banda-branca, entre outros.Fiquei no silencio na esperança de ouvir alguma coisa, mas nadicas. Paciência, eu nem vi a cor deles mas decerto eu não passei desapercebido pra eles.

Pois bem, o final da “Trilha Ecológica” me devolve a passarela principal, onde dou continuidade a pernada ao redor do restante do Jd Botânico. E tome mais exemplares do “Arboreto” ao meu lado. É barbatimão, ipê-amarelo, corticeira, carvalho, caroba, guajuvira, dedaleiro, uvarana, angico-branco, paineira, sucará, cerejeira-do-mato, bacopari, mulungu-do-litoral e outras tantas espécies exóticas q nunca tinha ouvido falar, espalhadas ali naquele extenso gramado. A medida q acompanho o córrego Andorinha, formam-se espelhos d’água em formato de lagos circulares, um atrás do outro, se sucedendo ate culminar nos pés dum frondoso arvoredo. A pista então mergulha num belo bosque q começa a fazer a curva juntamente com o lago, onde uma enorme figueira-branca e vários abacateiros servem como referência. Nesta hora lamentei portar sequer uma mochila de ataque pq o chão tava repleto do fruto, q adoro! Vendo tal iguaria aos montes espalhada no chão foi uma cena deveras q me cortou o coração. Os abacatinhos, redondos e verdinhos, pedindo pra passear fora dali e eu sem nada pra carregá-los..aff! Se arrependimento matasse já tava comendo capim pela raiz faz tempo!

A pernada bordeja então a nascente do córrego Andorinhas e começa a retornar pelo outro lado do lago, no sentido do centro de visitantes. Exemplares de araucárias pipocam aqui e ali neste trecho assumidamente mais aberto e descampado. Por fim, cruzo um ultimo trecho com mata mais densa, no caso um pequeno bosque de cedros, perobas e palmitos-jussara, e finalmente desemboco novamente no centro de visitantes, mais precisamente ao lado do estacionamento. Visita encerrada pouco antes das 15:30hrs. Como por encanto e sem aviso prévio, um fino chuvisco começa a fustigar meu rosto, cunhando de vez minha decisão de encerrar ai mesmo minha ida ao Jd Botânico. Me mando as pressas pela Av. dos Expedicionários, na esperança da chuva não engrossar de vez, atrás do pto de bus mais próximo pra então dali retornar pra casa.

Como cidade-pólo do Norte do Paraná, a verdade é q Londrina se desenvolveu as custas da acentuada redução de sua vegetação nativa, uma vez q a fertilidade de sua vasta “terra verméia” deu lugar a lavouras de algodão, café e, posteriormente, soja. Mas lenta e conscientemente, a cidade busca uma progressiva restauração e reabilitação de ecossistemas protegendo suas (poucas) áreas remanescentes de mata nativa. Áreas como o Cabrinha, Lago Norte e Jd Botânico, pois já ta mais q provado q desenvolvimento e sustentabilidade podem andar, sim, de mãos dadas.




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