Big 1000 no Anhangava - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Vídeo e um pouco de história

Big 1000 no Anhangava


Colunista:

Proposto por Rafael Kozechen (Papael) e Rael Dill de Mello, que tocavam o programa de streaming “Na Mochila” pela internet, o Big 1000 é um grande desafio de escalada, saiba por quê?

O Anhangava é uma montanha na Serra do Mar paranaense que apesar de pequena e de ser baixa altitude, é uma montanha de histórias e importância no montanhismo paranaense. Isso porque ela apresenta muitos afloramentos de rocha, diferente da maioria das montanhas da Serra, que tem muita vegetação.
 
Apesar do ar de “montanha”, no Anhangava predomina vias esportivas com proteção fixa de pequena extensão. São raras as vias com mais de duas enfiadas, porém há algumas, sendo que a maior tem 110 metros de extensão. Estas vias estão localizadas no setor “Campo das panelas”.  Apesar da proteção por lá também ser fixa, elas são mais esparçadas, dando uma sensação de exposição maior, como numa grande parede.
 
No Anhangava há vias de agarras (como a Solanjaca, Peón, Mônica e RS), há vias de aderência (como o setor capitais inteiro), há vias de teto (Porca Miséria, Visionários), chaminé, fenda (fenda de mão, Mocréia Peluda), oposição (Andorinhas), Fenda de Meio Corpo (Angela), reglete (Rolling Stones) e outros estilos. Recentemente sugeri duas vias inteiras em móvel (setor Sétimo Dia), que complementam um estilo que faltava no morro, fazendo do Anhangava um verdadeiro campo escola de escalada, com vias para todos os gostos.
 
Diferentes de outros locais de escalada, estas vias ficam em setores separados, que o escalador a caminhar por trilhas, nem sempre curtas e nem sempre fáceis, dispersando a galera em inumeros locais e fazendo do paranaense um escalador mais engajado e menos preguiçoso. Mesmo assim, quem passa um dia escalando as paredes do Anhangava, faz no máximo 10 vias. Isso por que fazer mais vias geralmente envolve um empenho maior de ter que caminhar entre um setor e outro. Portanto quando originalmente Papael e Rael proporam o Big 500, fazia muito sentido o desafio.
 
No primeiro ano do Big 500, em 2013, apenas uma cordada finalizou o desafio. Bruno Lespinasse, Jefferson Ballenda e Estela Yamamoto precisaram de 14 horas e 15 minutos para escalar 13 vias que completavam o desafio. 
 
Em 2014 mais escaladores aderiram ao desafio. 29 cordadas se inscreveram, mas apenas 10 finalizaram. Neste ano houve a primeira participação de dois mestres da escalada que já mostraram que escalar grande volume com muita rapidez era possível, e aumentando muito o nível, Edemilson Padilha e Valdesir Machado finalizaram o desafio em 3 horas e 30 minutos! 
 
Aquele foi também meu primeiro ano. Escalei com Maria Tereza Ulbrich o suficiente de vias em demoradas 9 horas! (Resultados do Big 500, 2014)
 
Com a experiência de Ed e Val, outros escaladores decidiram apimentar o desafio, dobrando o número de vias. Ainda em 2014, duas cordadas fizeram 1000 metros de vias: Chiquinho Hartmann e Fabio Szezesniak, Flora e Tommy.
 
Em 2015, já sabendo que era possível fazer 1000 metros em menos de 24 horas, o desafio se tornou mais popular e o tempo para completá-lo se tornou menor. O que não significa dizer que ele se tornou trivial. Ed e Val aprimoraram a estratégia e a partir dali foram ano a ano reduzindo o tempo, até que em 2017 finalizaram em 4 horas e 52 minutos!  
 
Infelizmente com a popularização do Facebook em detrimentos aos blogs, a história a partir de 2015 foi contata apenas nas linhas de tempo dos escaladores nas redes sociais. Como estas mídias descartam as histórias quando ficam velhas, estes dados foram perdidos, fazendo que a gente tenha que resgatar na memória os acontecimentos, o que é sempre falho.
 
No entanto, longe de querer ser fiel aos acontecimentos do passado, meu objetivo neste texto é apenas ressaltar a importancia que este desafio deu em motivar os escaladores a se engajarem mais, sairem dos setores mais populares e descobrirem um Anhangava que poucos conheciam. Foi isso o que aconteceu.
 
No ambito esportivo da escalada, percorrer estes 1000 metros requer habilidades que só quem é muito experiente têm. Escalar com agilidade, tecer boas estratégias, manusear cordas duplas, usar equipamentos versáteis. 
 
Em 2017, junto com Fábio Lima, completei este desafio pela primeira vez em um pouco mais que 10 horas em Junho. Hoje acho que eu escalaria bem mais rápido, pois completar o desafio também depende de entrosamento com seu companheiro de cordada.
 
Junto com Fábio, produzi um vídeo sobre o Big 1000 que ainda foi pouco visualizado na internet, mas que acabou sendo bem didático, mostrando uma boa e segura estratégia para realizar o desafio. Este vídeo também é uma boa maneira de conhecer o morro, já que passamos por muitos setores durante o desafio. Seja para repetir, ou apenas para conhecer, recomendo que assista:
 




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