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Solidariedade pessoal!

Carregando esperança na mochila

Como pequenos gestos podem colaborar pontualmente para o bem estar social de diferentes populações, tudo isso sem grandes esforços por parte do viajante.

Fonte: Redação

   

Texto e iniciativa: Henrique Ricardo Krueger

   

Não existem fronteiras para viver. Cientes deste conceito e motivados pela força da economia brasileira quando comparada aos demais países latino-americanos, cada dia é maior o número de mochileiros brasileiros que visitam países andinos, seja com o intuito de desafiar montanhas e outros acidentes geográficos ou conhecer a miscigenação de culturas que compõem a América do Sul.
 
Além dos atrativos financeiros, o mochilão certamente é o estilo de viagem que mais te aproxima da cultura e forma de viver dos diferentes lugares que irás visitar. Muito mais que isso, te faz evoluir como pessoa, valorizando coisas simples da vida que por vezes passam despercebidas, e amadurecer, tornando-te responsável por si e tendo que lidar com todos os imprevistos que surgem pelo caminho.
 
Mas um mochilão pode ser muito mais do que uma experiência pessoal incrível, pode se tornar uma ferramenta de transformação social através de pequenos gestos que não irão mudar a vida das pessoas, mas pontualmente podem fazer a diferença, especialmente em países sul-americanos onde a desigualdade social ainda impera. Tudo isso sem grandes esforços por parte do viajante...
 
Tudo começa na organização da mochila, que não pode conter peso excessivo nem equipamentos desnecessários, especialmente no que diz respeito a roupas, que ocupam um volume significativo na bagagem. Logo, o tempo despendido por mochileiros em pesquisas sobre as vestimentas adequadas é longo e as conclusões costumam ser sempre as mesmas: pela divergência climática as roupas utilizadas no Brasil serão de pouca valia e adquirir as peças corretas no exterior te dará maiores opções e pode ser financeiramente vantajoso.
 
Para contornar essa situação preocupe-se em levar roupas de inverno (como moletons e casacos de lã), que te ajudem a suportar o frio das cidades nos primeiros dias de viagem, tempo necessário para adquirir o equipamento adequado antes de vagar por terras ermas. E o que fazer com as roupas que sobraram? É aqui que entra a solidariedade: doe!
 
Um casaco de lã certamente não será suficiente se fores acampar nos Andes ou visitar um lugar como San Pedro do Atacama, mas diminui substancialmente o frio de quem o usa numa cidade como La Paz. Se cada um adotar uma postura simples como esta, o resultado pode ser extremamente positivo.
 
Para ter-se uma noção mais específica do efeito, tomamos como base dados relativos ao turismo na Bolívia, um dos países mais pobres do continente, onde cerca de 25% da população vive em extrema probreza (Comisión Económica para América Latina y el Caribe, 2011). Segundo o “Plano Nacional de Turismo 2012-2016”, o país recebeu no ano de 2010 um total de 731.590 visitantes, sendo que destes 7,9% são brasileiros, ou seja, cerca de 57.795 pessoas. Se cada brasileiro que visitar a Bolívia levar dois casacos para utilizar nos primeiros dias de viagem e posteriormente doá-los, tem-se um total de 115.590 peças de roupa adentrando o país, o que representa a possibilidade de ajudar cerca de 10% dos habitantes da cidade de La Paz, uma das mais populosas do país.
 
Tudo isso meramente livrando-se de peso e volume desnecessários na mochila.
 
O ponto negativo em tal ação diz respeito ao tipo de vestimenta doado, que por vezes pode ser bastante discrepante e até mesmo prejudicar os costumes de uma determinada comunidade, especialmente aquelas que ainda cultivam orgulhosamente a cultura indígena mesmo nas grandes cidades de países como a Bolívia e o Peru. Com relação a isso, cabe a cada mochileiro tirar suas próprias conclusões. Este que vos escreve acredita fielmente que a solidariedade pode e deve transpor estes conceitos e a cultura de boas ações que priorizem o bem-estar das pessoas deve unificar a sociedade, independente de raça, cor ou credo.  
 
Doe você também.
 
 

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