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Himalaia

Próximo Alpinista a completar todos os oito mil

Os dois últimos anos foram muito conturbados no Nepal (fechamento do Everest, terremoto, greve dos sherpas etc.) e nesse período a busca pelos 14 cumes de 8000 metros sofreu uma pausa. Em 2016, as atividades retornaram com tudo e há vários alpinistas com possibilidade completar a saga.

Fonte: Redação

por Rodrigo Granzotto Peron
 
As catorze montanhas de 8000 metros
 
Um dos desafios mais incríveis e interessantes do alpinismo extremo é a conquista das 14 montanhas de mais de 8000 metros, todas situadas no Nepal, China, Paquistão e Índia. São elas:
 
Everest (Nepal/China) (8850 metros) (Himalaia)
K2 (Paquistão/China) (8611 metros) (Karakoram)
Kangchenjunga (Nepal/Índia) (8586 metros) (Himalaia)
Lhotse (Nepal/China) (8511 metros) (Himalaia)
Makalu (Nepal/China) (8485 metros) (Himalaia)
Cho Oyu (Nepal/China) (8188 metros) (Himalaia)
Dhaulagiri I (Nepal) (8167 metros) (Himalaia)
Manaslu (Nepal) (8163 metros) (Himalaia)
Nanga Parbat (Paquistão) (8125 metros) (Himalaia)
Annapurna I (Nepal) (8091 metros) (Himalaia)
Gasherbrum I (Paquistão/China) (8080 metros) (Karakoram)
Broad Peak (Paquistão/China) (8051 metros) (Karakoram)
Gasherbrum II (Paquistão/China) (8035 metros) (Karakoram)
Shishapangma (China) (8027 metros) (Himalaia)
 
Breve Histórico
 
No início, culminar um 8000 era a máxima realização em alpinismo extremo, que levava o alpinista imediatamente ao olimpo do montanhismo internacional. Assim é que Maurice Herzog e Louis Lachenal, as primeiras pessoas a culminar um 8000, tornaram-se instantaneamente lendas vivas por toda a Europa. Naqueles tempos, culminar vários 8000 estava fora de questão, pela dificuldade e pelo custo dessas expedições.
 
Passados vinte e cinco anos, o mítico Reinhold Messner culminou o Gasherbrum I e tornou-se o primeiro alpinista com três 8000 no currículo, uma façanha monumental para a época. Na sequência, ele foi batendo recorde atrás de recorde, até sagrar-se o primeiro montanhista a culminar todos os oitomil, em 1986.
 
Duelando com ele, concluiu a saga no ano seguinte Jerzy Kukuczka, em metade do tempo levado pelo italiano. Essas conquistas inaugurais abriram as portas para as gerações seguintes.
 
Os tempos mudaram, e atualmente está bem mais fácil e acessível circular por esse circuito de montanhas, o que é facilmente comprovado pela monumental quantidade de alpinistas angariando cumes atrás de cumes.
 
Essa é a presente lista dos alpinistas que culminaram todas os oitomil:
 
01 - 1986 - Reinhold Messner (ITA) *
02 - 1987 - Jerzy Kukuczka (POL)
03 - 1995 - Erhard Loretan (SUI) *
04 - 1996 - Carlos Carsolio (MEX)
05 - 1996 - Krzysztof Wielicki (POL)
06 - 1999 - Juanito Oiarzabal (ESP) *
07 - 2000 - Sergio Martini (ITA)
08 - 2001 - Park Young-Seok (C-S)
09 - 2011 - Um Hong-Gil (C-S)
10 - 2002 - Alberto Iñurrategi (ESP) *
11 - 2003 - Han Wang-Young (C-S)
12 - 2005 - Ed Viesturs (EUA) *
13 - 2007 - Silvio Mondinelli (ITA) *
14 - 2008 - Ivan Vallejo (ECU) *
15 - 2009 - Denis Urubko (KAZ) *
16 - 2009 - Ralf Dujmovits (ALE)
17 - 2009 - Veikka Gustafsson (FIN) *
18 - 2009 - Andrew Lock (AUS)
19 - 2010 - João Garcia (POR) *
20 - 2010 - Piotr Pustelnik (POL)
21 - 2010 - Oh Eun-Sun (C-S)
22 - 2010 - Edurne Pasaban (ESP)
23 - 2011 - Abele Blanc (ITA)
24 - 2011 - Kim Jae-Soo (C-S)
25 - 2011 - Mingma I Sherpa (NEP)
26 - 2011 - Gerlinde Kaltenbrunner (AUT) *
27 - 2011 - Maxut Zhumayev (KAZ) *
28 - 2011 - Vassili Pivtsov (KAZ)
29 - 2012 - Mario Panzeri (ITA) *
30 - 2012 - Hirotaka Takeuchi (JAP)
31 - 2013 - Chhang Dawa Sherpa (NEP)
32 - 2013 - Kim Chang-Ho (C-S) *
33 - 2014 - Radek Jaros (CZE) *
 
* - alpinistas que completaram as 14 sem oxigênio engarrafado
 
Deve-se ressaltar que alguns alpinistas alegam ter feito as 14, mas algumas de suas conquistas não são aceitas. É o caso de: Fausto de Stefani [não comprovou o Lhotse], Vladislav Terzyul [não comprovou Makalu e Shishapangma], Alan Hinkes [não comprovou o Cho Oyu], Bianba Zhaxi [não comprovou o Broad Peak], Cering Doje [não comprovou o Broad Peak], Lodue [não comprovou o Broad Peak] e Jorge Egocheaga Rodriguez [parou a 12 metros do cume do K2].
 
Quem Será o Próximo Alpinista a Entrar para a Lista?
 
É impossível prever com exatidão quais serão os alpinistas que entrarão para a lista acima nos próximos meses. Mas é possível – e divertido – apontar quais têm as maiores possibilidades de concluir os 14 oitomil.
 
Num exercício de futurologia, minhas apostas para este ano e a primavera de 2017:
 
34 - 2016 - Azim Gheychisaz (IRÃ) [primavera 2016] [Lhotse]
35 - 2016 - Oscar Cadiach (ESP) [verão 2016] [Broad Peak]
36 - 2016 - Kim Mi-Gon (C-S) [verão 2016] [Nanga Parbat]
37 - 2017 - Nives Meroi (ITA) [primavera 2017] [Annapurna]
38 - 2017 - Romanto Benet (ITA) [primavera 2017] [Annapurna]
39 - 2017 - Peter Hamor (SLK) [primavera 2017] [Dhaulagiri]
 
A primeira aposta é Azim Gheychisaz, que está no Nepal para tentar o Lhotse na presente temporada. Considerando as qualidades do iraniano e que o Lhotse não é particularmente difícil, é possível antever que Azim concluirá os 14 ainda nesta semana (a janela dos dias 18 a 20 de maio parece promissora para isso).
 
No verão, temporada do Karakoram, dois alpinistas estarão em condições de fechar o lote: Kim Mi-Gon e Oscar Cadiach. Minha aposta é a de que Oscar Cadiach concluirá a saga primeiro, pois o Broad Peak é menos desafiador e cansativo do que o Nanga Parbat.
 
Se tudo der certo, na primavera de 2017 outros três alpinistas estarão em condições de entrar para a lista. O simpático casal italiano Nives Meroi e Romano Benet precisa apenas do Annapurna, ao passo que o top climber Peter Hamor tem que escalar o Dhaulagiri. Como a temporada do Annapurna é normalmente anterior à do Dhaulagiri, os italianos devem culminar antes (em abril) e o eslovaco depois (em maio).
 
Mas, e o Carlos Soria? O espanhol acabou de conquistar o Annapurna (seu 12º 8000) e está tentando atualmente o Dhaulagiri. Se culminá-lo, a última etapa de sua saga é o Shishapangma, no outono de 2016. Tudo ocorrendo de acordo, ele poderia muito bem terminar o ano em 37º da lista. Todavia, alguns fatores precisam ser ponderados. Carlos Soria tem quase oitenta anos, o que torna os esforços acima dos 8000 metros muito mais impactantes. Além disso, o Dhaulagiri é a pedra no sapato do espanhol, tentada várias vezes antes, sem cume. O próprio Carlos Soria admitiu para o site Desnivel que suas chances não são elevadas. O mais provável é que ele culmine o Shishapangma no outono e conclua a aventura em 2017, no Dhaulagiri (em 40º na lista).
 
E o Ferrán Latorre? Ele tem pela frente o Makalu, nesta primavera, o Nanga Parbat e o Everest. Se ele conseguir se encaixar em todas as temporadas, pode terminar em maio do ano que vem, no Everest, em 39º na lista. Ainda assim, o mais provável é que ele só termine depois disso.
 
Autor: Rodrigo Granzotto Peron
Finalização do texto: 17-5-2016
 

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