Acompanhamento da Expedição Brasileira ao Manaslu

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Acompanhamento diário com notícias da expedição brasileira no Manaslu, oitava montanha mais alta do mundo, com 8156 metros, localizada no Nepal. Está localizada na cordilheira do Himalaia. É uma das 14 montanhas da Terra acima de oito mil metros e uma expedição até o cume leva em média 45 dias. Ela tem proeminência topográfica de 3092 m e isolamento topográfico de 105,52 km.

Acompanhe o dia-a-dia lendo de baixo para cima, clique aqui para ir ao início.

Time completo da expedição ao Manaslu

Dia 19/09/2018:

Relato de Pedro: Somos os primeiros, pois fomos os únicos que não fomos afetados pelo atraso dos helicópteros.Mas este atraso tem gerado stress com a galera aqui.

Quando os helicópteros voaram e chegaram os equipamentos da galera, todos saíram pra cima da montanha como um estouro de boiada.Enquanto descíamos do campo 2, muita gente subia para o 1, que estava irreconhecível de tanta gente e barraca.

Hoje aconteceram duas coisas estranhas.

A primeira foi um acidente com parapente.
Um piloto sherpa, que já decolou do cume do everest, sofreu uma fechada durante um voo. Estávamos observando quando isso aconteceu e foi horrível. Ficamos sem saber se o cara morreu ou não e horas mais tarde soubemos que ele desceu a pé até Samagaon e esta tudo bem.

A outra coisa foi uma briga entre dois chineses no campo 2. Um deles deu um chute de crampon no outro.
O cara que recebeu o golpe desceu até o base e o Maximo atendeu ele. O montanhista chines, que tinha só 25 anos estava muito assustado. Ele tinha um furo no peito e dava para ver a epiderme e os músculos do peito.
Havia ar dentro da ferida e se aquilo não fosse tratado resultaria em algo grave.O chines mal sabia que o medico dele tinha uma costela quebrada.Por sorte ele voou hoje de manha.

A previsão é de uma tempestade forte daqui um dia. Por isso vamos ficar no campo base. Quando a tempestade acabar, vamos avaliar como vai estar a rota para partir para o cume.

Tenho a expectativa de chegar no cume no dia do meu aniversario. Dia 27.

Dia 18/09/2018:

Relato de Pedro: Passei uma noite bem melhor, com apenas um pouco de dor de cabeça. Acordei com os primeiros raios de sol e já começamos a arrumar as coisas para descer.

O caminho até o campo 2 estava bastante lotado, com muita gente subindo. No entanto levamos apenas 1 hora e meia para chegar lá

O campo 1 não parecia o mesmo lugar, de tantas barracas novas. Enfim, apos o tempo melhorar e os helicópteros levarem os equipamentos, as pessoas enfim começaram a subir.

Chegamos no campo base antes do almoço. Não tínhamos noticias do Máximo, mas ele estava tranquilo dentro da barraca. Tossir e rir dói bastante. Ainda não sabemos do futuro próximo. Primeiro vamos comer, depois dormir e então vamos ver a previsão do tempo e planejar a rotação do cume.

Dia 17/09/2018:

Relato de Pedro: Todos acordaram mal com a altitude. Os que estavam com oxigenação mais baixa aproveitaram para descer.

Com o amanhecer, fui melhorando. Gostaria de subir até o campo 3, que ainda não está estabelecido. Porém, para me preservar, decidi ficar no acampamento, tirar neve das barracas, derreter gelo para fazer água para beber.

Maximo que estava melhor foi acompanhar os sherpas para depositar equipamentos e barracas no campo 3.
No meio do caminho ele e um sherpa foram atingidos por uma avalanche, ficando parcialmente soterrados. O Sherpa torceu o pé, mas Maximo acabou quebrando uma costela.

Ele chegou no meio da tarde, com muita dor. Fizemos ele descer com dois Sherpas até o acampamento base e o clima no acampamento ficou ruim. Ainda não temos um campo 3 e um dos principais escaladores se machucou, sem que soubéssemos da gravidade.

Dia 16/09/2018:

Relato de Pedro: Subimos toda a cascata de gelo até o campo 2, 6300 metros. Nesta ascensão há diversas paredes onde precisamos usar os jumares. Há gretas maiores onde, como no Everest, ha escadas para atravessar.
Começamos ainda de noite para evitar as avalanches. Com o frio, pudemos subir mais rápido e cedinho já estávamos no acampamento.

Cláudia novamente sofreu e fizemos ela se hidratar, comer e se precaver para não desenvolver qualquer problema com altitude. A tarde, contrariando a previsão, nevou bastante, cobrindo as barracas de neve.

Dormir no acampamento foi terrível. Todos sofreram.

Dia 15/09/2018:

Relato de Pedro: Pela primeira vez me senti bem aclimatado e cheguei cheio de energia no campo 1, a 5800 metros.
Passei uma noite boa, mas a Cláudia, que se empolgou na Puja e bebeu mais do que devia, não. Foi a primeira vez que ela ficou mal na montanha, porém nada demais.

Hoje iniciaremos nosso próximo ciclo de aclimatação. Quem esta a mais tempo chegará até o campo 3. Bernardo, que acabou de chegar, fica no campo 1, mas volta antes para iniciar seu próximo ciclo. Quando voltarmos já iremos saber quando sera a janela para o cume.

Time avançando sobre a neve do Manaslu

Dia 14/09/2018:

Relato de Pedro: Finalmente, apos uma longa espera e 4 dias de atraso o Bernardo chegou.

Fizemos nossa Puja pela manhã. Este é um ritual religioso onde pedimos autorização para os deuses para subir a montanha. É uma mistura entre Budismo e as antigas religiões tibetanas. Também benzemos nossos equipamentos que irão tocar a montanha.

A Puja terminou com o começo de uma nevasca que só piorou com o tempo.
Fez frio o dia inteiro, com chuva misturada com neve. Um frio terrível, parece Curitiba!

Dia 13/09/2018:

Segundo dia de descanso.

Relato por Pedro: Felizmente pela manha o tempo abriu e houve mais de 20 voos de Helicóptero. Soube por nosso Sirdar que o Bernardo chegou em Samagaon com suas coisas.

Estamos esperando ele aparacer no campo base para definirmos a estrategia de sua aclimatação. Ele não é o único prejudicado, são 140 pessoas na mesma situção.

Aparentemente vamos dividir o time. Eu vou subir com a Cláudia e um Sherpa para fazer o terceiro ciclo de aclimatação, dormir no campo 3 e tentar tocar os 7 mil metros.  Max vai ficar com o Bernardo para acelerar sua aclimatação. No entanto precisamos ver como ele vai estar aqui. Ele é ultra maratonista, o organizador de uma das provas de corrida de montanha mais famosas do brasil e estava no Peru ha pouco tempo. Precisamos ver quanto que ele perdeu de aclimatação e avaliar.

Os próximos dias serão decisivos. Amanhã ainda descansaremos. Faremos uma Puja pela manha, que é uma cerimonia budista sem a qual não temos permissão para chegar ao cume. Depois partimos para mais uma ascensão.

Aguardem por novas noticias!

Dia 12/09/2018:

Dia de descanso e de mal tempo.

Máximo e Arnold curtindo o acampamento 1

Relato do Pedro: Infelizmente o incidente do helicóptero esta dando muito problema por aqui. Eu, Max, Cláudia e os outros 4 estrangeiros da expedição somos os únicos que estão escalando, pois o resto ou não conseguiu chegar ainda ou estão sem seus pertences, pois não conseguiram ser transportados por helicóptero. Há 140 pessoas presas nas vilas abaixo ou em Catmandu esperando para voar. Dentre eles o Bernardo Fonseca, nosso ultimo integrante, que espera em Catmandu desde o dia 9.

Em Samagaon não ha hospedagem para todos as pessoas que esperam por seus pertences. A comida acabou e tudo que já era caro está o dobro.

Saímos no Jornal Himalayan Times no blog do Alan Arnett que foi sarcástico em dizer que nos estamos escalando enquanto o resto passa fome, mas não temos culpa do que esta acontecendo. Apenas fomos precavidos em trazer tudo na aproximação a pé.

Hoje conheci um brasileiro aqui na montanha, o Moisés, que desde 2012 vive pelo mundo. Ele esta acompanhado de uma uruguaia que mora no México. Mais tarde desci até o acampamento deles para conversar e mais 3 argentinos apareceram. Ficamos a tarde na “charla y mate”. Dois dos argentinos já havia encontrado na Bolívia e no Mercedários, os caras são muito feras e fizeram varias montanhas na Puna onde só havia minha assinatura e do Max no livro de cume.

Alem deles há mais dois chilenos que ainda não encontrei e um venezuelano. Se não estivesse chovendo tanto, ia atras dos chilenos só pra perguntar quanto foi o jogo do Corinthians e Colo Colo, que ainda não sei. O incidente dos helicópteros nos isolou do resto do mundo.

Dia 11/09/2018:

Relato de Pedro: Acordamos antes do sol nascer e tomamos um cafe da manhã rápido. Nada luxuoso.
Os Sherpas, que são super homens, saíram na frente com mochilas pesadas para estabelecer o acampamento 2, a 6300 metros de altitude.

Máximo foi atras deles e chegou junto até o local do acampamento. Fiquei atras com os outros escaladores de nossa equipe, incluindo a Claudinha.

O caminho até o campo 2 é o Crux (parte mais difícil) da escalada. Este caminho é tipo uma cachoeira de gelo do Khumbu, mas menor. Lá há centenas de seraks prontos para cair em cima de você. Há gretas e trechos inclinados, onde temos que “jumarear” nas cordas fixas. Há ainda as temíveis escadas de alumínio como no Everest, mas em proporção menor.

Barraca deixada no acampamento 2

Chegamos até os 6 mil metros apenas para aclimatar. No campo 2 foi montada apenas uma barraca e dentro dela foi deixado outras barracas e equipamento.

Descemos até o campo 1 e de lá de volta ao campo base. No caminho o calor era tao grande que fiquei ensopado de suor. Meu óculos ficava todo embaçado de 2 em 2 minutos e por isso cai duas vezes em gretas. Nada grave.

Caminhar num glaciar, com tanto sol e claridade é um desafio, pois é muito quente e a gente precisa andar protegido para não se queimar gravemente.

Dia 10/09/2018:

Acampamento 1

Relato de Pedro: Subimos para o acampamento 1 com o objetivo de pernoitar lá.
Não é uma subida fácil se ainda não esta aclimatado, pois são 1000 metros verticais de desnível. O que é um desnível superior ao ataque ao cume do Aconcágua, por exemplo. Porém com botas triplas e mochilas nas costas.

Novamente o calor atrapalhou bastante. Caminhei muito lentamente, me sentindo pesado, tanto pelo calor de 40 graus quanto pela falta de ar.
Ainda bem que o acampamento esta intacto de nossa ultima investida. Pudemos descansar um pouco e comer bem antes de dormir. Se é que deu para dormir!
Todos passaram muito mal, com falta de sono e falta de ar. O que é normal nessa tipo de ambiente.

Dia 09/09/2018:

Relato de Pedro: O dia está novamente perfeito, com sol e sem nuvens. Estamos na expectativa da chegada do Bernardo com o Helicóptero. Porem a queda do helicóptero no dia anterior fechou o trafego aéreo em Samagaon. Talvez ele não consiga voar hoje, mas nada se sabe. Pode ser que demorem para investigar a queda do helicóptero, assim como pode ser que hoje mesmo ele já possa voar.

Estamos preocupados, pois já estamos nos aclimatando e ele ainda não chegou. Apesar de que ele veio do Peru, onde escalou um 6 mil, ainda assim é necessário aclimatar no Manaslu.

Enquanto ele não chega, nosso dia sera ocupado em lavar roupas, tomar banho, comer e descansar.
Já temos planos para os próximos dias. No dia 10 subiremos no campo 1 para dormir. No dia 11 vamos até o campo 2 e neste dia desceremos até o base para descansar novamente e partir para outro ciclo de aclimatação.

Dia 08/09/2018:

Relato de Pedro: Acordamos muito cedo para fazer a primeira ascensão até o campo 1, a 5800 metros de altitude.

Ascensão ao acampamento 1

Comecei muito lento, talvez por ter comido demais no café da manha. Também por já sair com a bota tripla.
O ideal seria fazer este itinerário com uma bota dupla, mas não deu pra trazer. Viajar de avião tem destas coisas, já paguei uma grana de excesso de bagagem, trazer uma bota a mais sá pra ter mais conforto nos acampamentos inferiores sairia muito caro.

O dia foi excepcional. Diferente dos demais, já começou com sol. Ao chegarmos no glaciar, o calor refletiu e começamos a passar mal, pois o gelo virou um forno.
Fizemos a ascensão de 1000 metros em 5 horas. Ao chegar no campo 1, ainda tivemos que aplainar o terreno para montar as barracas e voltamos em apenas 2 horas.Eu e a Claudinha sofremos mais com o sol. O cabelo dela chegou a cheirar queimado. Eu tive apenas dor de cabeça, que passou mais tarde.

Na descida recebemos a noticia de que um helicóptero caiu no vale perto de Samagaon. 6 pessoas morreram.
Ao que parece, o helicóptero estava sobrecarregado.

Dia 06/09/2018:

Relato de Pedro: Na noite anterior choveu torrencialmente. Tive um certa dificuldade para pegar no sono, mas depois dormi pesado. Pela manhã o tempo estava limpo e pudemos ver a impressionante torre do cume do Manaslu. Não fizemos muito mais.

Passamos o dia papeando, comendo, tomando chá e cafe.
Precisamos aclimatar e descansar. Ainda há poucas expedições no acampamento. Daqui algumas semanas isso aqui vai encher de gente.

Estamos no aguardo da chegada de nossas bandeirinhas de oração para chamar um monge fazer um Puja, ritual religioso local. Sem ela não podemos subir, senão Deus não vai deixar e teremos azar.

Dia 05/09/2018:

Acampamento Base

Após um dia de descanso, o qual Pedro aproveitou para tomar banho pela primeira vez na viagem, iniciaram sua mudança para o campo base do Manaslu.

Pedro juntou duas mochilas em uma, carregando tudo como sempre faz. Todos ficaram boquia bertos com o tamanho. Essa é a realidade do Himalaia, ninguém carrega mochila pesada, apenas os sherpas que fazem tudo para os ocidentais. Na verdade isso é até uma regra, pois para um 8 mil é sempre importante economizar energia.

Relato de Pedro: Mesmo com uns 20 kg junto com todos os membros no acampamento, numa pegada de 1200 metros de desnível. Mesmo assim me senti um frangote. Os carregadores levam muito mais peso e volume. A maioria crianças e mulheres.É comum ver meninas de 14 anos levando 50kg nas costas com mochilas de vime atadas na testa.

O acampamento base é muito confortável. Com cada um tendo uma barraca, uma barraca refeitório com mesa e cadeiras e um cozinheiro muito atencioso que faz um rango simplesmente incrível! O cara é um masterchef! Cada refeição “dá pau” em qualquer restaurante da moda.

Dia 04/09/2018:

Saíram caminhando de Samdo pela manha. A trilha estava bastante movimentada, pois a China permitiu a abertura do passo em Samdo por 14 dias e por isso caravanas de burros atravessam a fronteira, levando e trazendo de tudo.

O caminho entre Samdo e Samagaon é curto. Não levaram mais de 2 horas para percorrer. Fizeram isso filmando, tirando fotos da paisagem, dos muros de oração e das pontes sobre os rios que estão cheios nesta época do ano.

O lodge de Samagaon é bem melhor que o de Samdo. Mais espaço e com um restaurante melhor. Após comerem um Dal Bhat, Pedro e Claudia saíram para conhecer a vila. Passando por um monastério muito bonito, vendo as casas medievais e depois brincaram com as crianças. Segundo Pedro: A experiencia até agora tem sido muito boa, mas é um tanto quanto cansativo descansar tanto.

Dia 03/09/2018:

Carregador de galinhas

Nosso time acordou sem pressa, fizeram um trekking fácil de 2 horas para descansar do dia anterior, que foi de 10 horas.

Assim, descansados, chegaram em Samagaon, um simpático vilarejo na base do Manaslu. Aqui é o ultimo vilarejo antes do campo base e voltarão para ele diversas vezes para descansar, pois tem comida, lodges e até banho quente.

Ficarão mais um dia em Samagaon antes de subir. Mal esperamos para ver a montanha de perto!

Dia 02/09/2018:

Desta vez o dia começou cedo, o time acordou as 3 da manha, tomando cafe as 3:30.
Não se lembra-se o horário, pois estavam com muita roupa e o relógio abaixo de tudo. Ainda era madrugada quando saíram com as lanternas de cabeça e viram o dia nascer.

Normalmente pela manha o dia começa sem chuva, mas a tarde isso muda. Por isso acordaram tao cedo.
Neste dia enfrentariam o “crux” (a pate mais difícil) da aproximação, atravessar um passo de 5100 metros de altitude. Foram ganhando altura rapidamente, até que chegaram no passo por volta do meio dia, onde pararam para comer e descansar.

Paisagem em meio a montanhas

Cláudia, que estava muito bem, sempre tendo que se segurar para não andar rápido demais, acabou sentindo a altitude, mas sem nada grave.Começaram a descida para o outro lado e ao perder altitude, a tontura que ela sentiu desapareceu.

No outro vale passaram por uma paisagem muito bela. Apenas vegetação campestre rodeada por montanhas.
Um certo momento um estrondo acabou com o som do silencio. Assistiram de camarote a uma avalanche cair de uma montanha como uma cachoeira. No caminho cruzamos paisagens glaciares e um lago de cor azul turquesa.

Por volta das 15 horas chegaram em Samdo, uma vila tibetana onde passamos a noite. Samdo parece uma cidade medieval, parecendo ter voltado 1000 anos. Tudo lá é muito simples, pois o local é muito isolado. A vila vivia do comercio com o Tibet, mas agora isso não existe mais. Todos vivem do turismo. Infelizmente parte da cidade foi destruída pelo terremoto de 2010 e a reconstrução fez que perdessem algumas características únicas.

Dia 01/09/2018:

Dia de descanso.

A beleza das lagoas glaciares

Acordaram cedo, comeram e foram fazer um trekking de aclimatação até a base de uma lagoa glaciar. Apesar de estarem na mesma altitude que em La Paz, na Bolivia, nosso time está se sentindo muito melhor. Isso porque chegaram ali caminhando, o que fez que o corpo se adaptasse melhor. Alias o tempo em Bhimtong foi dedicado a isso: Fazer que o corpo se adapte a altitude.

Felizmente o dia amanheceu com céu azul e com isso pude ver o Manaslu pela primeira vez. Majestoso a quase 5 mil metros acima de suas cabeças. Infelizmente as nuvens voltaram e não tiveram como ver mais as montanhas.

Choveu a tarde e foram dormir cedo, pois o dia seguinte necessitava madrugar para caminhar.

Dia 31/08/2018:

Choveu sem parar a noite toda , mas o time saiu mesmo assim.
A trilha estava muito encharcada. Lama por todo lado! Neste dia tiveram que ficar o tempo todo de anorak e usar até guarda chuva. Como as trilhas desta região são abertas e muito frequentadas, é possível usar este tipo de “equipamento”.

A bota Vento Titã, que o Pedro ganhou do Fabio Monroe, foi botada a prova, mesmo caindo o mundo seu pé se manteve seco o tempo todo.Estamos na Monção, que é a época de chuvas do Nepal e também na India. Em resumo, chove como em Curitiba e por isso os equipamentos que já usamos em nossa molhada Serra do Mar funcionam muito bem nesta região.

Floresta mágica

A paisagem é impressionante, mas não foi possível ver montanha alguma por causa da neblina. Por outro lado, a floresta que passaram ficou mais magica, parecendo um filme de conto de fadas. No entanto, ao ganhar altura, essa floresta foi esmaecendo ate que chegaram em um lugar descampado, na base de um lugar onde existiu um glaciar, já derretido. Ali era Bhimtong 3700 metros, onde permaneceram por dois dias.

 

Dia 30/08/2018:

Nosso time acordou sem muita pressa. Este dia foi o primeiro de caminhada e por isso bem leve. A estrategia para escalar um 8 mil é não se queimar. Por isso a caminhada foi com mochilas pequenas. Os equipamentos de altitude ficaram nos duffel bags. Enquanto que as roupas e equipamentos para uso durante o trekking de aproximação ficaram nas mochilas cargueiras. Poderiam facilmente carregar esta cargueira, pois praticamente só tinha roupas. No entanto ela foi despachada com burros, para ser vista somente no final do dia.

Leves chegaram cedo no lodge num vilarejo chamado Karche, que fica a 2600 metros de altitude.Assim que chegaram, a chuva começou a cair e assim ficou o resto do dia e noite. As coisas no Nepal são diferentes. Apesar de ser um pais muito pobre, as trilhas tem estrutura, que são estes lodges, um tipo de hotel rustico, onde se serve comida e as vezes é até possível acessar internet (o que não aconteceu com nosso time).

Dia 29/08/2018:

Ponte suspensa sobre rio no Nepal

Em um dia nublado, o time acordou cedo com o propósito de ir de Besisahar até Dharopani.
Não é um itinerário longo, cerca de 100 km apenas. No entanto, as estradas nesta região são estreitas, serpenteando montanhas e se espremendo pelos vales.
Devido a estação das monções, época das chuvas nesta região da ásia, a expectativa era de enfrentar pelo menos um deslizamento de terra. Por sorte, não houve nenhum corte de estrada e nenhum atolamento. Nosso time está com sorte!
Aqui acaba a mamata. Amanhã começa o trekking de aproximação. Daqui por diante a comunicação fica mais difícil, mas vamos tentar manter todos atualizados com os acontecimentos da expedição!

 

Dia 28/08/2018:

Ônibus em Besisahar

A equipe chegou na cidade do interior do Nepal, chamada Besisahar, com aproximadamente 10 mil habitantes.

A cidade possui um perfil surpreendentemente ocidental, lembrando muito as cidadezinhas que você encontra no interior de Minas Gerais, mas com muito mais lojas de eletrônicos, stupas e pagodas. Outro ponto diferente desta cidade, é que ao invés de torcerem para o Corinthians, os habitantes torcem para times de Cricket.

Eles se preparam para continuar seu trajeto em jipes e começar a caminhar depois do dia de amanhã.

Dia 27/08/2018:

Pedro Hauck e Máximo Kausch no Segundo dia de Expedição

Maximo Kausch se junta à expedição após sua participação na Expedição Solidária GenteDeMontanha/Instituto Dharma no Kilimanjaro. Nesta expedição foi arrecadado 11.500 dólares e foi realizado um extenso trabalho médico onde várias vidas foram salvas. A expectativa é começar o trekking de aproximação da montanha amanhã.

A equipe irá de jipe até uma pequena localidade, numa viagem de 2 dias. São 100 km de caminhada até o Acampamento Base do Manaslu, numa previsão de 7 dias de caminhada. Esta aproximação é importante para que a equipe se aclimate melhor.

Bernardo Fonseca já fez uma aclimatação prévia no Peru e por isso chegará à base da montanha em helicóptero mais tarde.

O Nepal ainda está na época das monções. O objetivo é fazer a aclimatação durante este período de precipitações. A janela de bom tempo geralmente ocorre no final de setembro e começo de outubro. Eles precisam estar prontos até que isso ocorra.

Pedro Hauck com os famosos “Baba”s

Dia 25/08/2018:

Pedro e Claudia chegam no Nepal após longa viagem passando pelo Oriente Médio.

Pedro Hauck e Claudia Bento no Aeroporto

Integrantes:

 Pedro Hauck: 36 anos, Geógrafo, empresário e Guia de Montanha. Um dos mais experientes montanhistas brasileiros. Já fez mais de 85 cumes acima de 5 mil metros. Busca seu primeiro cume de oito mil metros.

Maximo Kausch: 37 anos, Guia de Montanha, empresário. Um dos maiores destaques do montanhismo no continente americano, já esteve em diversas montanhas de 8 mil metros. Fez cume 5 vezes no Sho Oyo e 1 vez no Shishapangma Central. É a pessoa no mundo que mais escalou montanhas acima de 6 mil metros nos Andes, com 87 montanhas diferentes.

Claudia Bento: 45 anos, empresária e montanhista. Já escalou o Aconcagua por conta própria e fez diversos outros 6 mil andinos, assim como também já escalou nos Alpes e no Cáucaso. Sua maior montanha foi o Lenin no Quirguistão, quando fez cume em condições extremas em 2017.

Bernardo Fonseca: Empresário, ultramaratonista, é responsável pela organização da famosa prova de trail run X Terra. Já escalou o Aconcagua, Elbrus no inverno, Kilimanjaro (em 3 dias), Quitaraju, Urus e Ishinca.

História

O Manaslu foi escalado primeiramente em 9 de maio de 1956, por Toshio Imanishi e Gyalzen Norbu, membros de uma expedição japonesa.

A montanha é famosa por ser muito nevada e ter muita avalanche. Em 1972 uma delas atingiu uma equipe e matou 16 pessoas. Em 2012 outra avalanche matou 9 montanhistas. O guia brasileiro Manoel Morgado estava lá e após a tragédia teve que abandonar a escalar.

Apesar de famosa, o Manaslu foi pouco frequentada por brasileiros. Conhecemos a presença de poucas pessoas. Os nomes mais famosos são do próprio Manoel Morgado, Milton Marques, Cristiano Müller, Cleo Weidlich e Jeferson Reis, sendo que apenas os dois últimos atingiram o cume, apesar de nunca terem divulgado fotos, ou relatos da expedição.

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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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