Pico Paraná – Conquistado há 70 anos

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O Pico Paraná é o “teto” do Paraná, a mais alta montanha do estado, uma sentinela avançada que se levanta abruptamente da planície litorânea de Antonina. Localizado na Serra dos Órgãos. É o nosso Everest, podendo até ser comparado com ele, como veremos nesta história: O Everest e o Pico Paraná foram descobertos à distância, por levantamento trigonométrico; estavam até então inexplorados; foram escalados por expedições, após árduas e apaixonadas tentativas de montanhistas; receberam batismo pelos seus descobridores (aqui uma exceção, o Everest é chamado pelos tibetanos de Chomolungma “Deusa-Mãe do Mundo” e pelos nepaleses de Sagarmatha “Fronte do Oceano” ou “Deusa do Céu”). Em homenagem ao seu descobridor George Everest, o inglês que chefiou o Grande Levantamento Trigonométrico da Índia, em 1817, foi denominado Everest.

Como aqui nossa montanha era desconhecida, principalmente por ficar encoberta aos observadores do planalto, recebeu a toponímia em homenagem ao Estado do Paraná por Reinhard Maack.

Os montanhistas o chamam carinhosamente de PP. É motivo de intensa atração aos adeptos deste desporte. Uma meta ao imaginário, ao encantamento das grandes alturas, ao charme do desconhecido e às belezas elementares.

 

A HISTÓRIA

OMarumbi era considerado ponto culminante do Estado do Paraná, com altitude atribuída como 1.810 metros. Foi o renomado pesquisador e professor Reinhard Maack quem descobriu uma serra mais alta que aquela serra. Em seu trabalho de triangulação na Serra do Mar e levantamento fotogramétrico, em agosto de 1940, Maack subiu o Marumbi, que calculou com 1.547 metros de altitude. Mirando ao norte, na direção N50° do Olimpo, prosseguiu efetuando medições trigonométricas, tirando ângulos de profundidade integrados por serie de medições de pressão barométricas e observações hipsométricas de onde determinou como maior elevação a Serra dos Órgãos, identificando um maciço granítico imponente, com duas cúpulas.

Denominou seu cume principal como Pico do Paraná, com altitude inicialmente calculada em 1.979 metros sobre o nível do mar. Logo organizou uma expedição para atingir aquela formidável formação, buscando os mais destacados e experientes marumbinistas da época: Rudolfo Stamm e Alfredo Mysing. De Curitiba foram à localidade de Praia Grande via Quatro Barras, Campina Grande e Mandaçaia. Com o Sr. Juca Órfão, arranjaram animais de carga e contrataram peões para acompanhá-los. Participaram ainda os senhores Chico Tigre, Aldino e o tropeiro Dulcidio. (foto Maack) Segue o relato do próprio Rudolfo Stamm. Fui convidado a tomar parte na primeira expedição ao Pico Paraná. Aquilo era água para meu moinho excursionista, pois “expedição” era algo diferente do que uma simples “excursão”.

Ser o primeiro a pisar no ponto culminante do Estado do Paraná seria uma vitória que não se repetiria nunca mais. Subir quase 2.000m significa ultrapassar o Marumbi por quase 400m. Partimos em 28 de junho de 1941 e horas depois estávamos em Praia Grande. Subimos uma pequena elevação pouco adiante e observamos toda a serra. Pernoite no rio Tucum. Do Pico Paraná nada se via. As informações eram confusas. Resolvemos escalar a Serra da Samambaia, do conjunto Ibiterussú, para de lá obtermos uma vista para o lado desconhecido. Organizamos uma tropa e no dia seguinte acampamos nas margens do Rio Manoel José. O terceiro dia nos viu cedo seguir uma picada abandonada de ervateiros. Ao meio dia atingimos um planalto e de lá tivemos a primeira vista do Pico Paraná. Nunca mais esquecerei estes momentos! De um lado o Caratuva e o Itapiroca e do outro lado o Camapuam e no centro o “nosso pico.”

Um bloco de granito, sem vestígios de vegetação, numa distância de sete quilômetros, parecia emergir de um abismo insondável. Teríamos coragem de enfrentar aqueles paredões? Ousar por os pés naquelas alturas virgens e ofensivas seria enfrentar o impossível. Avançamos mais e as 14h00 estávamos no Camapuam, nossa primeira vitória, pois éramos os primeiros a pisar neste pico. Estudamos o terreno e voltamos ao acampamento, chegando ali as 22h00. Nos outros dois dias e meio abrimos uma picada, para depois constatar que seria impossível continuar, pois levaríamos muitos dias e não tínhamos como nos manter neste sertão. Voltar ao acampamento do Rio Manoel José e de lá ir à Praia Grande foi o que nos restou desta tentativa. Tínhamos que descobrir outra frente para atacar. Em Praia Grande fomos informados da existência do Sítio da Serra e a possibilidade de conquistar nosso objetivo através do Pico Caratuva, de 1.931m. Para lá rumamos, tendo como guia o Sr. Josias, filho do Sr. Belizário Armstrong, proprietário daquele sítio. Não nos demoramos neste formidável lugar e continuamos para escalar o Caratuva. Pousamos no Pouso da Lagoa e mais adiante deixamos a tropa, prosseguindo com a carga nas costas. As 5h00 saímos num caratuval (caratuva é uma espécie de bambu anão com folhagem densa, com 1.5m de altura, chusquea pnifolia.

Vegetação típica dos campos de altitude destas montanhas. – Nota do autor) e pouco acima armamos nossas barracas. Durante uma hora vimos o Pico Paraná, distante 3.000 metros em linha reta. Depois agüentamos três dias uma tempestade com cerração, sem quase podermos nos movimentar, obrigando-nos uma retirada para zonas habitadas. Lá em baixo havia “farofa” e nós aqui não tínhamos nem lenha para um fogo. Reunidos na casa do Sr. Belizário, esperávamos pelo bom tempo, para poder iniciar a terceira tentativa. Encontrando o caminho aberto, transpusemos em pouco tempo o Caratuva, para acamparmos no outro lado do pico. Amanheceu o dia 13 de julho com um tempo magnífico. Seria ele para nós um dia de sorte?

Deixando quase tudo no acampamento, iniciamos a descida pela Crista de Ligação entre as duas serras e com mais uma hora estávamos ao pé do primeiro planalto. Encontramos um mau trecho, com subida quase a prumo. Vencido este obstáculo, a caminhada prosseguia num campo inclinado, que nos fez suar bastante. Atingimos um lugar plano, junto ao paredão voltado para o litoral. Deparamos com o bloco do Pico Paraná e à esquerda a Torre da Subida. Inacessível nos pareceu ainda o ponto culminante, agora tão perto de nos. Sentamos para almoçar e não tínhamos sossego enquanto não tivéssemos pelo menos feito uma tentativa de escalada. “Ou o Pico Paraná será nosso ou não será de ninguém”, com este lema nos despedimos dos companheiros que iriam ficar na base do pico, galgando a Torre de Subida. Algumas peripécias e viravoltas tivemos que executar para transpor os últimos metros.

Um rápido olhar em volta e constatamos: não há pico mais alto do que este sobre o qual nos achamos! Alguma coisa parecia querer sair dos nossos peitos e aliviamo-nos com uma gritaria louca. Deixamos no cume uma placa provisória com a data e os nomes de Reinhard Maack, Rudolf Stamm, Alfredo Mysing, Josias Armstrong e Benedito Lopes de Castro. Tínhamos conquistado o mais alto pico do Estado: o Pico Paraná era nosso! Festejamos a vitória com uma caneca de vinho misturado com água. A descida foi rápida e à noite estávamos novamente nas barracas, desabando pouco depois nova tempestade. Denominamos este ligar de Pouso da Sorte. Na manhã seguinte tratamos de alcançar o Sitio da Serra, sem termos comido alguma coisa, pois não tínhamos mais nada em nossos bornais.

Retornamos via estrada de Cacatú, percorrendo seus 40 quilômetros a pé. Fizemos o restante do caminho de canoa até Antonina, de onde regressamos à Curitiba, no dia 19, depois de 21 dias de aventura.

O Stamm conta ainda que a segunda escalada ao Pico Paraná se tornara quase lendária: Somente em 1945 a quinta excursão logrou transpor o Caratuva. Todas as tentativas anteriores foram paralisadas no alto deste pico, quando chuvas, cerrações e tempestades impediram o avanço, impossibilitando a orientação visual. Com bom tempo, dali para diante não se necessita de explicações sobre o rumo que se deve tomar. O caminho está traçado pela natureza, seguindo-se do Caratuva pela estreita faixa entre o mato e o paredão, este último, situado no vale do rio Cotia. Em seguida passa-se pela Crista da Ligação, que se acha entre as duas serras, rumando-se em direção ao planalto do Campo Inclinado e dali pela Torre da Subida para logo atingir o pico. Foi também em abril de 1945 que conseguimos a primeira escalada do Pico União e do Ibitirati, situados ao lado do Pico Paraná.

A terceira escalada do Pico Paraná ocorreu em 1945 por Waldemar Buecken, o Gavião e Alberto Biesemeyer, o Machadinho. Em 1946, finalmente o professor Reinhard Maack atingiu o cume da montanha que descobriu.

O BATISMO DAS MONTANHAS DESCOBERTAS

Maack batizou inicialmente as montanhas que descobriu ao norte do Marumbi, homenageando personalidades políticas e históricas, mas para atender à legislação brasileira a respeito da toponímia dos acidentes geográficos e orográficos, os substituiu por nomes indígenas. Getulio Vargas mudou para Caratuva; Manoel Ribas para Itapiroca; Hans Staden para Tucum; Sebastião Paraná para Camapuam e Ulrich Schmidel para Ciririca. O cume do Ibitirati tinha anteriormente a denominação de Guaricana.

ALTITUDES NOVAS

Em julho de 1991, nas comemorações dos 50 anos da conquista, eu escrevi no semanário Gazetinha, suplemento da Gazeta do Povo, um texto denominado “As altitudes do Paraná – Um desafio lançado”, conclamando técnicos a proceder novas medições de nossas montanhas, utilizando então medições via GPS. Descrevendo a importância das medições de Maack. Uma equipe da UFPR liderada pelo Professor Paulo Krelling, guiados por equipes de montanhistas, determinou medidas exatas: Pico Paraná – 1877m e Marumbi (Olimpo) 1.539m. O Pico Paraná pertence ao município de Antonina. Em 1991 houve intensa programação promovida pelo Prefeito Leopoldino Abreu, que inaugurou um Pólo Turístico no Bairro Alto, orientado aos esportes na natureza.

ABRIGOS DE MONTANHA

Em muitas montanhas de todo mundo existem refúgios de montanha, que servem para abrigo temporário para os montanhistas que não pretendem levar barracas. O primeiro Abrigo da Montanha do Paraná foi construído pelo Clube de Montanha em 1968. Foi montado por mim, Henrique Paulo Schmidlin (Vitamina), Dalio Zippin Filho, Gilberto Gross, Carlos Born e Ney Munhoz do Amaral, na encosta do Caratuva, no Pouso da Sorte, ganhando o apelido de A-1. Durou cinco anos.

Em 1971 foi iniciada a montagem do A-2, mais próximo ao cume do Pico Paraná, no Pouso da Torre. O material foi incendiado por vândalos. Em 1973 foi iniciada a construção de um abrigo de blocos pedras cortadas, no pouso do Josias pelo alemão Jürgel, que até hoje não foi concluído. Finalmente em 1973, por iniciativa de Waldemar Buecken, o Gavião, foi construído o A-4, que infelizmente teve pouca duração, destruído provavelmente por uma descarga elétrica

 A MEDIÇÃO DAS DISTÂNCIAS DA TRILHA DO PICO PARANÁ

Uma façanha inédita no montanhismo brasileiro ocorreu em setembro de 1980, a medição do percurso da trilha do PP. Foi idealizada por René Oscar Pugsley, que teve como companheiros Adyr Kronland Pinto, Daniel Iglesias Vieira e Waldemar Marzall. Levaram um cordão grosso de nylon, plaquetas plásticas numeradas, fitas plásticas para marcação, apitos para avisar o momento do fim do cordão, cadernetas para anotações, etc. Partiram da base, Sitio do Belizário as 6h40, medindo 950m até a Pedra do Grito, às 7h10; chegaram às 7h35 na Lagoa Seca, 1.640m; 8h05 no Ribeirão da Serra, 2800m; 8h15 no Desvio para o Caratuva, 3.210m; 8h35 Mirante, 3.400m; 9h40 Desvio para o Itapiroca, 4.260m; 10h50 Nascente do Rio Cotia, 5.180m; 11h20 Pouso da Sorte, 5.460m; 11h40 Fim da Crista do Caratuva e Ligação ao PP- Pedestal, 6.047m; Poço do Josias, 6.400m; Abrigo de Pedra, 6.710m; 13h00 Janela do PP, 7.130m; 13h45 Início da Torre, 7.590m e 13h55 Pico Paraná, 7.680m.

ESCALADAS E DESCALADAS DO PICO PARANÁ

A primeira descida do PP para a planície litorânea ocorreu em outubro de 1964, proposta e liderada por Adyr Kronland Pinto. Participaram também Affonso Hatschbach (Titio); Arlindo Renato Toso, Fernando Andrejewski (Cipó); Henrique Paulo Schmidlin (Vitamina), Nelson Kaehler (Estaca), Nobor Imaguire (Lanterna) René Oscar Pugsley, Waldemar Buecken (Gavião). Saíram de Curitiba às 3h15 e partiram do Belizário às 5h00, atingindo o Caratuva às 7h20 e o PP as 10h15. Descansaram até as 11h30 e desceram ao Pouso Avançado, onde iniciaram a aventura rumo Norte em mato fechado e inclinação acentuada pelos paredões rumo ao profundo vale do rio Cotia. Alcançando este rio, por ele seguiram, alternando a marcha ora pelas pedras, ora pelas laterais. As 17h30 viram uma estradinha e uma ponte cruzando o rio, que já estava largo. A segunda foi em 1967, inédita descida pela face leste, quando Vitamina, Toso e Farofa saíram do Belizário às 7h15 e atingiram o cume do PP às 11h05, passaram para o União, escalaram o Ibitirati e desceram diretamente pela face leste, rumo ao litoral. Pretendiam atingir a Janela da Conceição, um túnel que estava sendo aberto para a construção da Usina Capivari-Cachoeira, onde um carro esperava por eles. Como ultrapassaram uma crista e caíram num vale errado, não atingiram o ponto desejado.

Tiveram que pernoitar na encosta íngreme. Levavam apenas mochilas de ataque com pouca comida, cantis, uma corda para rapel e alguns metros de plástico transparente. Passaram a noite fria enrolados no plástico e ao amanhecer completaram a marcha. Como o carro já tinha ido embora, desceram até a estrada do Cacatú, aguardando seu retorno, na estrada. Em maio de 1968 foi feita a primeira escalada solitária ao PP. Neste dia Waldemar Buecken (Gavião) subiu a montanha sem levar nenhuma carga, atingindo o topo em 2h40’. Foi o recorde de tempo, que até hoje leva em média 6 horas de subida. A primeira subida do litoral pelo lado leste do PP foi em fevereiro de 1990. Roberto G. Sekulic, Dirceu Laube e Estefan Gertner desembarcaram do ônibus de Guaraqueçaba, na ponte do rio Cacatú. Com duas mochilas de 50 quilos e uma cargueira, sem barracas, apenas com sacos de dormir, seguiram pelo rio durante 7 horas. O clima estava péssimo e não tinham visibilidade. Pernoitaram numa pedra do rio e no dia seguinte seguiram pelo leito por mais duas horas, tendo por sorte uma rápida visada do Pico dos Camelos, ajustando o azimute para esta crista, cada vez mais íngreme. No final, agarravam-se aos bambuzinhos e depois ao capim da rocha. Pernoitaram molhados, sem fogareiro, sem luz alguma e com ração mínima. No terceiro dia atingiram o ponto culminante do Estado. O recorde de subida foi registrado por Danilo Tozo Junior, que subiu o PP em apenas 1h48’51” em 25 de março de 1990 .

O HISTÓRICO DO PP

O notável montanhista Adyr Kronland Pinto teve a dedicação de resgatar todos os registros da escaladas ao PP, desde o primeiro “caderno de cume”, que era comum em nossas principais montanhas. Formou um livro de 21 páginas datilografadas em A4 com transcrição detalhada desde a 1ª escalada até a de nº 156. Dos 4 exemplares, carinhosamente ofereceu um exemplar para este autor. Sua leitura nos leva a participar da alegria de todos os que lá chegaram, a data, suas lástimas, alguns pensamentos filosóficos, suas lástimas, o tempo da subida, etc.. Uma anotação de 1952 documenta a escalada do Dr. Fernando Veiga Ribeiro com os companheiros Gavião, João Lineu Hoffmann e Otávio Lustosa (Pinóquio): Atravessaram o rio Taquari de canoa, escalaram com chuva e atingiram o PP com bom tempo. Retornaram via Caratuva com intenso toró. Foi na época a escalada com o menor tempo, apenas 54 horas. Entre as curiosas anotações encontramos o registro de 4 escaladas sucessivas no ano de 1971, pelos japoneses Oichi Ishimara, Kyoji Yamazaki, May Akira e Massao Ogawa, escritos em japonês. O dedicado Adyr trouxe o caderno e conseguiu a tradução com um gerente do Banco Sul América. Traduções: 1- Mar de nuvens. Os picos ultrapassam o mar de nuvens e aparecem sorrindo. Borboletas voando. 2- A Usina Capivari se orgulha da queda de 800 metros. Os relâmpagos batem abaixo dos picos, ao lado das montanhas. 3- Na nova picada que os montanhistas fizeram encontramos arapongas. 4- Os jovens se plantam no cume, enfrentando o vento. Sentem-se eufóricos e entusiasmados com a conquista, admirando o mar de nuvens. É uma pena que as gerações que nos sucederam destruíram as caixas dos livros de registro dos cumes e abandonaram o hábito de anotar suas excursões, perdendo-se assim a memória de suas próprias realizações e a história da montanha. As placas de bronze que homenageavam o descobridor e os conquistadores também foram destruídas.

CORRENTES NO PICO PARANÁ

A parte alta do final da trilha do PP, depois de tantos anos de uso, apresentava desgaste, erosão do saibro prensado entre dois grandes blocos de granito, o que fazia os praticantes desviarem aquele trecho, pisando no mato de altitude, destruindo a frágil vegetação. Para conduzir Em 1993 um grupo liderado por Luis Carlos Correia (Paraquedista) instalou três correntes naqueles pontos críticos. Estas correntes foram substituídas por degraus em “U” feitos em ferro galvanizado, entre 1996 e 1997 pelo Clube Paranaense de Montanhismo – CPM, que até hoje cuida da manutenção daquelas trilhas.

A MAIOR PAREDE DE ROCHA DO BRASIL

O conjunto principal do Pico Paraná é formado pelo PP, União e Ibitirati. Neste último está o mais alto paredão de granito brasileiro, com 1.050m de altura. O acesso para sua escalada é via Bairro Alto, no município de Antonina. Foi conquistado por uma equipe de escaladores do Clube Paranaense de Montanhismo – CPM em 18 de junho de 1987. Seus paredões têm inclinação entre 70° e 90°, onde foram fixados 50 grampos de ferro fixos e outro número de equipamento móvel. Perto de 30 escaladores trabalharam por mais de seis meses nesta via, para na investida final, Ivan Ribeiro, Dalio Zippin Neto (Dalinho) Domingos Alvarez (Dodô) e Fábio Szezesniak (Segundas) completarem a escalada. O famoso escalador paranaense Bito Meyer posteriormente retificou a via, completando a difícil via para poucas horas de escalada.

VÕO DE PARAPENTE DO PICO PARANÁ

O primeiro vôo do alto do PP foi feito em 1995 pelos montanhistas Julio Nogueira da Luz e José Luiz Hartmann (Chiquinho). Extraímos as anotações do Diário de Bordo do Julio: Pronto! Vento frouxo e na cara, puxada firme, vela na cabeça. Abaixo de mim enormes árvores e cachoeiras incríveis. Na minha frente o mar imenso e fluido. Sobre minha cabeça um infinito céu azul que de tão intenso me faz sentir frágil e inofensivo, nem homem, nem pássaro, apenas um pequeno ser vagando à mercê do vento. O vôo foi tranqüilo, sem nenhuma turbulência e no rumo previsto. Minha maior preocupação era uma linha de alta tensão, que ficou tão abaixo que pareciam palitinhos de fósforo. Trinta minutos após a decolagem pude avistar a dupla de resgate e a máquina de transporte terrestre no ponto exato combinado.

Perfeito. Algumas manobras de reconhecimento e escolha do pouso, entre postes de luz e búfalos. Optei pelo pequeno pasto seco à margem da estrada de Guaraqueçaba e pousei, meio surdo pela diferença de pressão. Logo depois Chiquinho pousava num pasto próximo. Esta é uma breve história em homenagem à maior montanha do Paraná e um reconhecimento aos bravos montanhistas que deixaram em suas trilhas e rochas as marcas de seus feitos.

Referências:

As Montanhas do Marumbi: ALVES, Nelson Luiz Penteado Alves. 2008; Curitiba; Edição do autor; Estante Paranista IHGPR nº 50. Gazeta do Povo – Suplemento Gazetinha – diversos anos. Boletins do Circulo de Marumbinistas de Curitiba Boletim Escalada – Clube Paranaense de Montanhismo – CPM – diversos anos Projeto Pico Paraná; COM; 1996/1997; Curitiba Relatório das Medições – Prof. KRELLING, Paulo C. L. – do Curso de Pós Graduação em Ciências Geodésicas da UFPR – Junho 1992 Revista Brasileira de Geografia; Janeiro-Março 1942 – MAACK, Reinhard; Picos do Paraná Geografia Física do Paraná; MAACK, Reinhard; 1968 – Curitiba Documentos do arquivo pessoal do autor.

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Sobre o autor

Nelson Farofa - Colunista

Nelson Penteado, ou simplesmente Farofa é um dos mais respeitados montanhistas paranaenses. Pertencentes à uma geração que explorou e conquistou diversos picos do Maciço do Marumbi. Farofa, como é foi apelidado pelos amigos é um dos mais importantes relatores de nossas serras e autor do mais completo livro sobre o Marumbi, berço do montanhismo paranaense.

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