O norte-americano Tyler Andrews abandonou, em 24/05, sua tentativa de estabelecer o Fastest Known Time (FKT) – tempo mais rápido conhecido do Monte Everest sem o uso de oxigênio suplementar. A desistência ocorreu por volta dos 8.500 metros de altitude, próximo à região conhecida como Varanda, durante o ataque ao cume.
Andrews havia deixado o Acampamento Base na noite anterior, por volta das 20h no horário local, com o objetivo de conquistar o recorde de ascensão mais rápida da montanha sem oxigênio engarrafado. Em entrevistas anteriores, o atleta também afirmou que pretendia buscar o recorde completo de ida e volta entre o Acampamento Base e o cume do Everest.
No entanto, durante a ascensão, houve uma mudança de estratégia. Em determinado momento da escalada, Andrews passou a utilizar oxigênio suplementar. Posteriormente, sua equipe divulgou um vídeo gravado antes da expedição no qual o montanhista explicava que o uso de oxigênio estava previsto como alternativa caso as condições climáticas piorassem.
Com isso, o foco da tentativa passou a ser o recorde de velocidade com uso de oxigênio suplementar, marca que pertence ao sherpa Lakpa Gelu Sherpa, que alcançou o cume em 10 horas e 56 minutos, em 2003.
Andrews seguiu escalando até o Campo 4 e avançou acima da região do Colo Sul, mas acabou retornando próximo à Varanda. Os motivos exatos da desistência ainda não foram divulgados oficialmente. De qualquer forma, o norte-americano já não conseguiria superar o tempo registrado por Lakpa Gelu.
Segundo informações divulgadas pela equipe, Tyler Andrews já está em segurança no Acampamento Base e relatou problemas logísticos que fizeram com que ele perdesse mais tempo do que o previsto durante a subida. Outros montanhistas também relataram ventos fortes nas regiões mais altas da montanha, o que possivelmente prejudicou a tentativa.
Agora, Andrews pretende descansar e se preparar para uma nova investida sem oxigênio suplementar entre os dias 27 e 28/05, aproveitando uma possível nova janela de bom tempo no Everest.
Corrida pelos recordes continua no Everest
Outro nome que segue em busca de um recorde de velocidade no Everest é o equatoriano Karl Egloff. Conhecido por recordes de velocidade em grandes montanhas ao redor do mundo, Egloff ainda não revelou quando iniciará sua tentativa.
Diferentemente de Andrews, o equatoriano afirmou que não pretende utilizar oxigênio suplementar em nenhum momento da ascensão. Seu objetivo é completar o recorde de ida e volta entre o Acampamento Base e o cume do Everest sem auxílio de oxigênio engarrafado.
Temporada movimentada no Everest em 2026
A temporada de 2026 no Everest tem sido uma das mais movimentadas da história recente da montanha. O Nepal emitiu 494 permissões de escalada, o maior número já registrado pelo país, atraindo montanhistas de 55 nacionalidades diferentes. Com a participação de guias sherpas e equipes de apoio, estima-se que mais de mil pessoas tenham tentado alcançar o cume nesta primavera.
No dia 20 de maio, o Everest registrou um marco histórico: 274 alpinistas chegaram ao cume pela face sul nepalesa em apenas onze horas, estabelecendo um novo recorde de ascensões em um único dia pelo lado do Nepal. O número superou o recorde anterior de 223 cumes, registrado em maio de 2019.
A intensa movimentação ocorreu graças a uma rara janela de bom tempo, que permitiu ascensões quase ininterruptas entre a madrugada e o início da tarde. Apesar disso, o recorde absoluto considerando os lados do Nepal e do Tibete juntos segue sendo o de 2019, quando 354 pessoas alcançaram o topo da montanha em um único dia.
Entre os montanhistas internacionais, nove brasileiros chegaram ao cume do Everest nesta temporada, entre os dias 18 e 20/05: Gustavo Cordoni, Roberto Lucchese, Adalberto Neto, Leonardo Pena, Eduardo Gouveia, Carlos Santalena, Diego Ariel, Francisco Campos e Murilo Vargas.
Infelizmente também foi registrada a quarta morte no Everest durante essa temporada. O alpinista indiano Sandeep Are, de 46 anos, faleceu no Campo II do Everest.










