A evolução da vegetação no Brasil

3

Este texto estava originalmente publicado em forma de capítulo em meu livro Arrisque-se, primeira edição. Nele procuro compartilhar um pouco do conhecimento que adquiri e desenvolvi durante meus 12 anos de vida acadêmica como geógrafo. Acredito que essa experiência enriquece muito minhas atividades como montanhista e escalador. Portanto, este breve resumo da história de nossa vegetação certamente será interessante, se não útil, para o leitor.

Eles sempre estão lá, mas só são lembrados quando nos enchem de espinhos nas mãos. Em quase todo o Brasil, os cactos estão presentes nas paredes rochosas de nossas montanhas. Quem nunca viu os mandacarus dos morros do Espírito Santo, nunca se espinhou no Pão de Açúcar ou qualquer parede rochosa no Rio de Janeiro, no litoral de Santa Catarina ou nas regiões dos calcários de Minas? Tem até vias de escalada em homenagem a eles, como “Cactus Now”, no Morro do Cuscuzeiro, em São Paulo, e “S.O.S. Mandacaru” e “Cactus Talidomida”, ambos no sítio do Rod, em Lagoa Santa, Minas. Na Serra do Pedrão, em Pedralva, no Sul de Minas, alguns croquis das vias de escalada alertam para usar luvas nos rapéis, pois a corda inevitavelmente cai sobre os cactos e, quando a deslizamos na descida, as mãos se enchem de espinhos.

Pois bem, veja que até agora só citei escaladas em clima tropical úmido. O que uma vegetação de lugar seco faz nesses locais?

As cactáceas são plantas xerófilas, ou seja, evoluíram em locais de climas áridos e se adaptaram para viver em ambientes onde a água é rara. Antes de mais nada, elas precisam evitar a perda de água. Os espinhos dos cactos, evoluíram das folhas e fazem fotossíntese sem perder muita água – além de servirem como defesa. Outra vantagem adaptativa dessas plantas são suas características suculentas: elas aproveitam a pequena estação úmida para armazenar água em seu caule e resistir a longos tempos de estiagem.

Enfrentando bravamente o sol dos afloramentos rochosos, onde a umidade é de clima desértico e o calor pode fritar ovo, é claro que as cactáceas têm muitas vantagens em relação às plantas de clima úmido da Mata Atlântica. Isso explica sua comum incidência no Sudeste brasileiro e na porção mais quente do Sul, que é o litoral. Porém, como essas plantas foram até lá?

A região seca mais próxima do Sudeste é o semiárido nordestino, recoberto pela Caatinga, a cobertura vegetal xerófila do Brasil. Os cactos do Sul e Sudeste são todos de gêneros comuns no Nordeste. Aliás, num estudo muito interessante, o botânico argentino Guillermo Sarmiento, que trabalhava numa universidade da Venezuela na década de 1970, mapeou as conexões florísticas da família Cactaceae e concluiu que essas plantas surgiram na região seca entre o México e os Estados Unidos, distribuindo-se depois pelo continente americano. Ao chegarem à América do Sul, dividiram-se na Colômbia; com isso, não há ligação florística entre os cactos da parte leste e do oeste do continente, pois o centro do continente, muito úmido, serviu de barreira natural à dispersão das espécies.  Nesse trabalho, Sarmiento afirma que os cactos do Sudeste e Sul brasileiros são originais do Nordeste semiárido.

No entanto, o que mais intriga é tentar entender os agentes de dispersão dessas plantas. Não são muitas espécies que se alimentam dos cactos in natura; excetuando alguns répteis e roedores, os espinhos dificultam muito que animais se alimentem de cactos. Essas plantas, no entanto, têm frutos, que são apreciados por morcegos e aves, animais que possibilitam uma dispersão mais ampla.

Refúgios Florestais

Há, ainda, outra interpretação geográfica bastante interessante, cuja abordagem é a história da paisagem. Ela se apoia em indícios botânicos, edáficos e paleogeográficos sobre a resposta da cobertura vegetal frente às mudanças climáticas que ocorreram nos últimos 10 mil anos. Todo esse conjunto de ideias evolutivas faz parte da Teoria dos Refúgios Florestais, que ficou famosa nos artigos do geógrafo Aziz Nacib Ab’Sáber e do botânico Paulo Emílio Vanzolini.

A Geografia já foi chamada de “ciência da paisagem”, devido à importância desse objeto nos estudos geográficos. A paisagem na Geografia tem um significado diferente do da arquitetura ou da arte. Ela é o resultado de eventos climáticos ocorridos ao longo do tempo geológico que influenciaram a evolução do relevo, dos solos e da vegetação. A análise isolada ou conjunta desses elementos é o que chamamos de Geografia Física.

O interessante da abordagem paisagística da Geografia é sua riqueza. Enquanto o biólogo estuda o bioma (bio = vida; oma = esfera), o geólogo apenas vê as rochas e o tempo geológico e o meteorologista, apenas os fenômenos climáticos, o geógrafo enxerga os sistemas que atuam sobre todos os elementos e se esforça em interpretar suas origens em diversas escalas. O conceito de ecossistema é um conceito geográfico, porém sua escala de atuação é local (ecossistema = sistema ecológico de um local).

A regionalização ecológica em uma escala generalizada é o domínio geomorfoclimático, em cujo interior diversos ecossistemas se repetem com tipicidade de acordo como os elementos naturais se apresentam em escala local. Para exemplificar, usemos a região dos Cerrados, a região natural do Brasil central na classificação dos biomas. Na Geografia, trata-se do domínio dos Chapadões Interiores, Recobertos por Cerrados e Penetrados por Matas Galerias.

Os domínios geomorfoclimáticos do Brasil. Note que é diferente dos biomas e que o Pantanal, por exemplo, é uma área de transição por ter elementos de vários domínios (Cerrado, Chaco, e até Caatinga)

O Cerrado

Não existe um único ecossistema de Cerrado. A vegetação mais savânica, fisionomicamente composta por campos entremeados de arvoretas e que é o ecossistema mais típico desse domínio, compõe o chamado Cerrado sensu stricto. Porém existem os Campos Limpos, que são os cerrados compostos somente por vegetação campestre (sem vegetação arbórea). Há também os Campos Sujos, onde predominam campos com algumas arvoretas. Nessa escala de transição, passa-se pelo Cerrado sensu stricto para enfim se chegar ao Cerradão, que é a fisionomia florestal do Cerrado (que significa “fechado”), composto pela mata bastante entrelaçada e de difícil penetração que deu nome a esse geossistema – os colonos espanhóis encontraram grande dificuldade para explorar a porção central do continente na época em que o Tratado de Tordesilhas dava o Mato Grosso à coroa espanhola. Aliás, que nome para o estado, não?

Os vários tipos de Cerrado dão ideia de uma “sucessão ecológica”, que é o nome dado à sequência de comunidades vegetais, desde a colonização até a comunidade clímax, de determinado ecossistema. Essas comunidades vão sofrendo mudanças ordenadas e graduais. As primeiras plantas que se estabelecem (líquens, gramíneas) são denominadas pioneiras e, gradualmente, vão sendo substituídas por outras espécies de porte médio (arbustos), até que as condições ambientais criem uma comunidade clímax (árvores grandes que dominam a paisagem), apresentando uma diversidade compatível com as características daquele ambiente. Nessa fase, o ecossistema apresenta um equilíbrio com o meio. Porém, no Cerrado essa sucessão está mais ligada à influência do solo do que a uma evolução sucessional.

Vale na Chapada dos Guimarães. No centro se vê uma mata galeria e ao lado campos limpos. Nas beiras e no topo dos paredões, Cerrado Sensu estrictu. Foto P. Hauck

Os solos são determinantes para o condicionamento dos cerrados. No Brasil Central, eles são profundos, tendo mais de 30 metros até a rocha-mãe, porém ora são muito lixiviados (tiveram seus nutrientes “levados” pela água subterrânea), ora são muito concentrados de óxidos (por conta da presença daquilo que chamamos de “canga”, que são concreções lateríticas). As cangas são tão comuns em alguns lugares, que na Chapada dos Guimarães até os muros das casas são ornamentados com elas.

As lateritas são concreções ferruginosas onde abundam ferro e alumínio. Para as plantas, o alumínio é tóxico e não permite que elas absorvam potássio, mineral de crescimento. Evoluindo geneticamente sobre esses solos, as árvores do Cerrado são baixas e com troncos tortos, ou seja, são escleromórficas por motivos oligotróficos (falta de nutrientes no solo) e/ou aluminotóxicos (excesso de alumínio). A transição entre o Campo Limpo e um Cerradão depende, então, da presença da laterita no solo. Essas conclusões são resultantes de estudos levados a cabo por Karl Arens e M.G Ferri na década de 1950.

Crosta laterítica sustenta o topo da Serra da Moeda MG. Foto P. Hauck

Detalhe de um afloramento de laterita. Foto P. Hauck

No passado, acreditava-se que o nanismo das árvores do Cerrado era decorrente do xeromorfismo, assim como acontece com os cactos. No entanto, o clima desse domínio não é semiárido, e sim sazonal – ou seja, em uma metade do ano é úmido e na outra, seco. Os estômatos das folhas das árvores do Cerrado ficam abertos o dia inteiro, fazendo que não parem de fazer fotossíntese e, assim, evitando que percam muita água por evapotranspiração. Essas plantas não secam porque têm raízes muito profundas, buscando água em grandes profundidades no solo. Aliás, o solo nessa região é muito profundo e acaba virando uma esponja, armazenando água do verão para ser consumida durante todo o inverno.

Além dessas características ecológicas e evolutivas, há ainda a chamada “ecologia do fogo” no Cerrado. Durante a época de estiagens é comum ver campos cerrados em chamas. Muitas gramíneas dos campos apresentam material combustível e podem entrar em chamas espontaneamente pelo próprio calor. Porém, as árvores têm adaptações para resistir às queimadas: suas cascas são grossas e antitérmicas e não propagam chamas (são cortiças); suas folhas são robustas, parecendo couro (folhas coriáceas). As queimadas limpam o substrato e tiram a dormência das sementes, permitindo uma regeneração dos campos e também a manutenção de seu estado pioneiro.

E a mata de galeria? Acompanhando os cursos d’água das grandes bacias que começam no Brasil Central (algumas das maiores e mais importantes do país), existe um ecossistema florestal linear de florestas adaptadas ao solo encharcado e à umidade. Em muitos locais, o terreno encharcado possibilita apenas a existência de alguns capins e da palmeira buriti, formando o ecossistema da “vereda”.

Uma vereda no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Foto P. Hauck

Na manutenção do que muitos autores chamam de savana brasileira, há que se colocar todos esses fatores citados (solos e queimadas), mas também não se pode ignorar que, num passado recente, houve também o impacto de animais gigantes, como o mastodonte (elefante), o Hippidion (cavalo), o Eremotherium (preguiça gigante), o toxodonte (parecido com o hipopótamo), o gliptodonte (tatu gigante) e outros extintos na época da última grande mudança climática mundial – a glaciação de Würm/Wisconsin, que se deu entre 20 mil e 10 mil anos atrás. Esses animais da megafauna pleistocênica viviam nos campos cerrados; sua extinção não foi ocasionada apenas pelas mudanças climáticas, mas também pelo oligotrofismo da vegetação, que não deu conta de nutrir tantos animais de grande porte.

Animais extintos da megafauna pleistocênica. Fonte: Revista Fumdhamentos.

Transformações naturais

O Cerrado nos serve de exemplo para entendermos que a paisagem funciona como um organismo. É exatamente essa fisiologia – ou seja, essa dinâmica – que importa para as ciências ambientais, saindo do superficialismo da estética da natureza adorado pelos leigos, movidos mais por ideias românticas do que naturais propriamente ditos. Aliás, o próprio conceito de impacto ambiental está intimamente ligado à ideia da fisiologia da natureza, em que o impacto é uma alteração na ordem de como toda essa dinâmica funciona, e não de como valores estéticos são alterados.

Mas e quando o impacto é natural? Sim, isso pode acontecer e de fato aconteceu diversas vezes. Na natureza, sempre se chega a um equilíbrio, e o resultado é a adaptação e a consequente evolução. Na última glaciação, a Terra viveu grandes transformações, e nas paisagens brasileiras não foi diferente. Essas transformações são o cerne da Teoria dos Refúgios Florestais.

Durante a última glaciação, com muito mais frio nos Polos e a retenção da água sob forma de gelo, o nível médio dos oceanos baixou uma centena de metros. A corrente fria das Malvinas, que atualmente chega até a região de Buenos Aires, na Argentina, chegava com força até o litoral da Bahia, impedindo que as correntes úmidas e quentes do Atlântico não alcançassem o continente e fazendo a umidade do mar ser despejada, por convecção, sobre o mar frio. Assim, o litoral era mais seco e amplo, um ambiente propício para a proliferação de vegetação xerófita do Nordeste que atingiu até o Uruguai.

As matas, por sua vez, ficaram em desvantagem competitiva e se retraíram para as vertentes ainda úmidas da Serra do Mar, em locais que vieram a se constituir os chamados refúgios de flora e de fauna, isolados como ilhas em meio à vegetação semiárida. O isolamento geográfico dos refúgios florestais possibilitou, durante o período em que prevaleceram as condições ambientais da era glacial, especiações e endemismo.

Ao fim da glaciação, na passagem do Pleistoceno para o Holoceno, as condições se inverteram e os refúgios retomaram o território perdido. A reaglutinação dos antigos refúgios deu origem à rica biodiversidade encontrada na Mata Atlântica. Os restos de vegetação seca que permaneceram na paisagem são chamados de redutos, onde há a preservação de pequenos ecossistemas ilhados e de relictos (quando se trata de apenas uma espécie).

Estudos edáficos (dos solos) corroboram a Teoria dos Refúgios. É muito comum no Sul e no Sudeste encontrarmos as chamadas “linhas de pedras” nos solos – horizontes de material cascalhento entre o solo atual, de clima úmido, e um solo mais antigo. Essas linhas horizontais de seixos arestados, transportados por enxurradas típicas da curta estação chuvosa do clima semiárido, são muito comuns no Nordeste do país, onde são chamadas de “malhadas”.

Na ausência de cobertura vegetal para proteger o solo, as chuvas provocam desagregação mecânica e transporte de material superficial do solo, que é depositado nas porções mais baixas do relevo. As linhas de pedra têm essa origem, porém foram soterradas por processos mais recentes de evolução dos solos.

Além do embasamento nos estudos dos solos, a Teoria dos Refúgios se fortaleceu em várias regiões devido a recentes trabalhos paleopalinológicos, que estudam o pólen de plantas antigas preservadas em fundos de lagos e outros locais especiais, onde essa matéria orgânica não é totalmente decomposta. A partir desses estudos, podemos saber quais plantas ocuparam o local e datar sua existência pelo método de C14. Essa técnica é a maneira mais precisa de se conhecer a história da vegetação. Com o estudo do solo e relevo, é possível saber toda a história da paisagem de um dado local, desde que se tenham preservado os dados.

Em 2007 publiquei um artigo sobre a influência de um refúgio na manutenção da fauna. Baseado em estudos paleopalinológicos e paleontológicos da Serra da Capivara, pude perceber que por lá houve a extinção tardia de animais da megafauna, com um caso de datação de um gliptodonte (animal extinto durante a glaciação) de apenas 5 mil anos. A manutenção desse animal se deu porque, nos boqueirões da escarpa de arenito da Serra da Capivara, a umidade permaneceu por mais tempo, formando um refúgio de vegetação úmida ao tempo em que a Caatinga se expandia. Muitas pinturas rupestres são da época desse refúgio. Até hoje na região, ainda estão preservados redutos de Cerrado, que são ilhas de umidade no meio do semiárido.

Pinturas rupestres que sugerem convívio entre homens e um Gliptodonte na Serra da Capivara, no Piauí. Foto P. Hauck.

Meu primeiro trabalho com a Teoria dos Refúgios foi minha iniciação científica, em 2005. Estudei a paisagem da Serra dos Cocais, entre Valinhos e Itatiba (a cidade onde cresci). Foi um estudo superficial, apenas diagnóstico, no qual interpretei a presença de vegetação de Mata Atlântica, Cerrados e mandacarus sob essa ótica.

No interior de São Paulo há muitas manchas de Cerrado. As condições de sazonalidade da época da glaciação permitiram o avanço desse tipo vegetacional pelo interior do país, enquanto no litoral era a Caatinga que se disseminava. Na Amazônia, também houve uma retração das vegetações florestais para dar lugar a cerrados. Ainda hoje há muitas manchas de cerrados na Bacia Amazônica, porém apenas na margem direita do rio as espécies são as mesmas do Brasil Central – o motivo explicarei mais adiante.

Mecanismos de mudança climática na época da ultima glaciação (VIADANA 2000).

As araucárias

Com a Teoria dos Refúgios, comecei a pensar nos biomas a partir de um ponto de vista evolutivo e cronológico. Pensando em termos da idade de domínios geomorfoclimáticos, em uma região com estabilidade geológica como o Brasil certamente teríamos domínios bem antigos e alguns mais antigos que outros. Minha indagação foi a seguinte: qual é o domínio de natureza mais antigo do Brasil?

Na minha lógica, o domínio de paisagem mais antigo do Brasil era o da Floresta de Araucárias, que tem sua área nuclear nos planaltos do Sul do país, entre o Paraná e o norte do Rio Grande do Sul. A araucária é uma gimnosperma (do grego, gimnos = nu / sperma = semente). Se você se lembrar das aulas de Biologia do colégio, vai saber que, em se tratando de uma escala evolutiva, as gimnospermas são mais antigas que as angiospermas, que são as plantas que têm as sementes envoltas por frutos.

Floresta de Araucárias na Serra Gaúcha. Foto P. Hauck

Não vou entrar no mérito reprodutivo dessas plantas, quero apenas salientar o caráter histórico dessa árvore, pois o gênero Araucaria surgiu no planeta no Gondwana, no período geológico do Triássico, época em que apareceram os primeiros dinossauros. Por isso, podemos considerar a araucária como sendo um fóssil vivo! Para comprovar minha hipótese, acabei me mudando para Curitiba para fazer um mestrado sobre o assunto na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2007.

Em meu mestrado, descobri que no mundo todo há 17 espécies do gênero Araucaria: Araucaria bidwillii e A. cunninghamii, na Austrália; A. cunninghamii e A. hunsteinii, na Papua-Nova Guiné; A. heterophylla, na Ilha Norfolk; A. bernieri, A. biramulata, A. columnaris, A. humboldtensis, A. laubenfelsii, A. luxurians, A. montana, A. nemorosa, A. muelleri, A. rulei, A. schmidii, A. scopulorum e A. subulata, na Nova Caledônia; A. araucana, no Chile e na Argentina; e A. angustifolia, no Brasil e na província argentina de Missiones.

A razão para a ocorrência tão disjunta dessas espécies de árvores é a desintegração do mega continente Gondwana, há cerca de 100 milhões de anos. Com a completa separação dos continentes, houve especiações que resultaram nessas 19 espécies de araucárias, todas restritas a ambientes tropicais e subtropicais pluviais.

Araucaria angustifolia, ou simplesmente araucária, pinheiro brasileiro ou pinheiro do Paraná: estes são os nomes dessa bela e imponente árvore, que era a mais abundante das florestas do Sul do país e que dominavam o dossel das florestas subtropicais brasileiras, as chamadas Florestas Ombrófilas Mistas – “ombrófilo” significa “amigo das chuvas”, enquanto que “mista” se refere à mistura de flora tropical com temperada.

A araucária brasileira tem sido considerada por pesquisadores uma espécie ora pioneira, ora clímax nos estágios sucessionais da floresta subtropical dos planaltos sulinos. Entretanto, essa espécie não se encaixa em nenhuma dessas escalas de sucessão.

Fóssil de Araucária do período Triássico. Foto P. Hauck

As araucárias não apresentam algumas características fundamentais das pioneiras para que assim sejam classificadas. As pioneiras precisam, em primeiro lugar, apresentar uma grande mobilidade, ou seja, devem ser capazes de se disseminar através de extensas áreas. A araucária não apresenta essa eficiência dispersiva: suas sementes são grandes e pesadas e perdem rapidamente o poder germinativo. As espécies pioneiras também são capazes de suportar ambientes inóspitos, ao menos em suas regiões de ocorrência; mas as araucárias jovens (com menos de três anos) não suportam geadas e morrem. Considerando que esse fenômeno climático é comum nas regiões dos planaltos sulinos, isso prova sua fragilidade da espécie diante de seu ambiente natural. Quando jovem, essa espécie se desenvolve bem no sub-bosque formado por indivíduos mais velhos de sua espécie; assim, nesse estágio inicial da vida desenvolve-se bem a uma claridade de apenas 25%, o que a torna intolerante ao sol em um estágio de vida – ao contrário das pioneiras, que são, sem exceção, heliófitas (gostam do sol) em todos os estágios de vida.

A araucária brasileira também não pode ser considerada clímax, pois velhos povoamentos dessa espécie são comumente substituídos por espécies latifoliadas de crescimento lento, tais como as lauráceas, o que indica que as folhosas são espécies clímax dessa comunidade. Coníferas como as araucárias são espécies rústicas e primitivas, e a tendência natural do processo evolutivo na superfície terrestre é a substituição delas pelas latifoliadas mais evoluídas e especializadas.

A não classificação da araucária nem como espécie clímax nem como pioneira implica a busca de algumas hipóteses sobre a regeneração natural do pinheiro brasileiro. Em uma situação hipotética, as pioneiras são as primeiras a ocupar o sítio; elas preparam o local para as espécies séries (intermediárias), mas não conseguem elas próprias se regenerar em seu sub-bosque; por sua vez, as espécies séries preparam o local para espécies mais adiantadas na escala sucessional – e este seria, então, o posicionamento da araucária dentro dos estágios de sucessão. Isso explica a ausência de regeneração natural em povoamentos naturais onde a sucessão evolui sem nenhum distúrbio que possa perpetuar estágios intermediários.

A constatação de que a araucária é uma espécie série gera diversas indagações sobre sua predominância nas florestas subtropicais brasileiras, o que significa dizer que as espécies clímax que habitariam os planaltos sofrem de algum impedimento ou distúrbio para que não ocupem seu devido lugar nos andares superiores das florestas do Sul. Outro aspecto das paisagens do Sul questionado por muitos pesquisadores, e para cuja presença natural temos hoje respostas convincentes, são os campos em total oposição sucessional às florestas (pois essa fisionomia, sim, é pioneira na ocupação dos espaços fitogeográficos).

Campos e Florestas de Araucária lado a lado. Detalhe para o perfil de solo.

Um dos distúrbios ambientais mais recorrentes da natureza e que são responsáveis por imprimir grandes transformações imediatas na paisagem, bem como por causar adaptações e tolerâncias nas espécies ao longo do tempo, é o fogo. Novamente, a ecologia do fogo é um poderoso agente de intervenção natural. Sua frequente ocorrência potencializa a permanência das espécies séries, que passam a se comportar como espécies dominantes devido à reciclagem do hábitat.

Em um estudo sobre a flamabilidade em reflorestamentos de Araucária realizado na década de 1970 pelo professor Ronaldo Viana Soares, da Engenharia Florestal da UFPR, foi constatado que um capão de araucária apresenta uma carga de material combustível composto por matéria morta numa proporção de 9 para 1 entre os combustíveis vivos, sendo que a maior participação é de materiais finos e uniformes em decomposição e da grimpa – a galhada seca da araucária, que é o conjunto de ramos secundários compostos por folhas característicos do gênero Araucaria. Isso confirma a hipótese de que essa árvore é de alta flamabilidade e sugere que ela depende das queimadas para permanecer na paisagem.

Incêndios florestais são comuns no Brasil em todos os domínios de paisagem. Não é diferente nos planaltos meridionais, onde incêndios naturais provocados por raios vêm em segundo lugar, logo após os fatores antrópicos, o que mostra que, no ambiente natural, as queimadas devem ser consideradas como um importantíssimo interventor.

A morfologia da araucária é perfeita para resistir a queimadas: seu caule, quando adulto, pode chegar a mais de 40 metros sem galhos intermediários; sua casca é supergrossa, atingindo até 10 centímetros de espessura em indivíduos adultos; ela é antitérmica, o que faz com que resista ao calor das chamas; e a galhada alta só seria atingida por labaredas mais altas e, mesmo assim, a árvore só morre se dois terços de sua copa forem atingidos por chamas, o que é muito difícil.

Formas da Araucária em função da idade da árvore.

Um tronco de Araucária. Repare na grossura da casca.

Interior de uma floresta de Araucárias. Perceba como a grimpa é presente sobre as espécies de sub bosque, bastando uma fagulha para que haja uma queimada.

Tudo isso nos induz à afirmação de que a araucária se aproveita da ecologia do fogo para eliminar suas oponentes ecológicas, uma característica que tem em comum com ecossistemas de Cerrado. Assim, as espécies do gênero Laurácea seriam as verdadeiras árvores clímax da floresta subtropical brasileira: árvores mais especializadas, que crescem no substrato sombrio das araucárias e que, com o passar dos anos, ganham altura e competem ecologicamente com elas.

Solo com linhas de pedra separando um horizonte orgânico evoluído sob o clima atual e um horizonte mineral evoluído num período de clima mais seco. Ao fundo campos subtropicais se reveza com floresta de Araucárias em São José dos Ausentes RS.

Quando finalizei meu mestrado, conclui que o domínio morfoclimático das araucárias não era o mais velho do Brasil, mas sim o mais novo – tão novo, que ainda não teria atingido o clímax. De acordo com os dados palinológicos, as araucárias só dominaram as paisagens 5 mil anos atrás; antes disso, os planaltos eram ocupados por campos subtropicais, e a floresta ombrófila mista estava refugiada no fundo dos rios da Bacia do Paraná. Ou seja, mesmo sendo a araucária uma árvore muito antiga, ela estava na paisagem de forma dispersa, tendo se aproveitado apenas recentemente de novos fatores ecológicos para formar um domínio onde agrupou elementos de Cerrado (os campos) e de Mata Atlântica (diversidade de espécies florestais). Tudo isso em uma harmonia ecológica condicionada pelo clima úmido dos planaltos meridionais.

Entre 20 mil e 10 mil anos atrás, as condições climáticas do Sul e do Sudeste do Brasil eram de 5 graus centígrados abaixo da temperatura atual e de umidade muito menor. Dessa forma, as formações florestais ficaram desfavorecidas e se retraíram em regiões onde houve uma manutenção da umidade em encostas de montanhas e fundos de vale. Os topos, por sua vez, eram, no princípio, regiões estéreis que foram colonizadas pela vegetação campestre, muito oportunista e adaptada a grandes estiagens e às frequentes geadas. Vegetação de quais espécies? Ora, espécies campestres de Cerrado que não tinham como fator limitante as condições climáticas daquela época. A bióloga Lia Ritter, em 2008, catalogou 587 espécies de Cerrado no Parque Estadual de Vila Velha, em plenos Campos Gerais, em Ponta Grossa, no Paraná.

A imagem que se pode fazer dessa época é a de grandes áreas com vegetação aberta, entremeada por florestinhas de galeria subtropical ao logo dos cursos d’água e também de encostas de morros. Um detalhe é que essa mata de galeria era composta por uma formação florestal chamada de ombrófila mista aluvial, ou seja, floresta de araucária em beira de rio.

Ao término da fase mais crítica da glaciação, houve uma atenuação do calor seguida por aquecimento, o que aconteceu entre 10 mil e 5 mil anos atrás. Nessa fase não houve uma retomada da umidade e, com isso, prevaleceu o crescimento da floresta semidecidual e de cerrados. Nos topos possivelmente existiam campos e, em cotas mais abaixo, já havia matinhas nebulares seguidas por matas de cipó. Regiões como a do Vale do Paraíba, em São Paulo, eram recobertas por Cerrado sensu stricto.

Matinha nebular. Floresta estacional alto montana.

Com o aumento da umidade, a partir de 5 mil anos atrás, as araucárias se expandiram para os locais mais altos das serras, formando as florestas ombrófilas mistas. Enquanto isso, a Mata Atlântica se expandia para as regiões mais quentes, formando as florestas ombrófilas densas, deixando as florestas de araucária do Sudeste isoladas de seu centro de origem (que são os planaltos do Sul). Portanto, conclui-se que essas formações florestais subtropicais não se expandiram como pontes nos topos das serras, mas sim vieram por baixo, pelo fundo dos vales – sendo que foi somente com a retomada do calor e da umidade que começaram a colonizar os topos e a se isolar, formando os atuais “redutos” de araucária tão comuns em Campos do Jordão (SP), Barbacena (MG) e Itatiaia (RJ).

Araucárias em São Bento do Sapucaí – SP. Foto P.Hauck

Os campos de altitude, presentes acima das florestas de araucária na Mantiqueira e nas principais montanhas do Sudeste, são os resquícios dessa antiga vegetação campestre subtropical que predominava nos planaltos. É somente no topo das montanhas de hoje que se encontram as mesmas condições climáticas da época da glaciação: frio e impossibilidade da evolução de solos profundos. Isso impede a presença mais ampla da araucária, que no passado facilmente colonizaria essas terras – atualmente úmidas. Daí sua localização geográfica desfragmentada, pois ela só ocorre em climas muito específicos.

Com isso, é possível entender como funcionou a fisiologia das paisagens dos planaltos do Sul e tecer comentário sobre suas tendências de evolução. Com a manutenção do clima atual, mais quente, os solos evoluirão e as condições para uma sucessão ecológica, substituindo campos por matas, é iminente. Sem os impactos do fogo, muito provavelmente já não existiria mais vegetação campestre nas montanhas brasileiras. Com isso, há que se pensar com seriedade no combate de incêndios em montanhas campestres. Ainda que a causa humana seja relevante nos focos de incêndio, se todos os focos forem energicamente combatidos, não haverá a atuação da ecologia do fogo, que é um elemento natural da paisagem.

De volta ao Cerrado: origem

Note que durante esta explicação eu citei a presença de cerrados, como no Vale do Paraíba em São Paulo. Pois bem, aí é que está a chave de todo o mistério e a contribuição do meu trabalho: conclui-se também que a vegetação de Cerrado é a mais antiga do Brasil, remetendo-se a épocas terciárias, sua origem provavelmente sendo no Paleogeno, há mais de 40 milhões de anos.

Para contar essa história, é preciso voltar ao fim da época dos dinossauros, mais especificamente no fim do Cretáceo. Naquela época, a América do Sul já tinha se separado da África, mas sua posição era outra, o Oceano Atlântico era bem menor e, por uma série de fatores, o clima na porção Leste do recente continente sul-americano era semiárido. Essas condições de clima perduraram por quase 40 milhões de anos, o suficiente para imprimir profundas alterações na paisagem.

Em ambientes secos, a erosão mecânica destrói as rochas e as vertentes recuam de forma paralela. Já vimos anteriormente como funciona a evolução das linhas de pedras, com material erodido sendo depositado nos setores mais rebaixados do relevo. No longo prazo, esses sedimentos formam rampas grandes chamadas de pedimentos, que, quando se juntam, formam um relevo aplainado (o chamado pediplano). Nesse processo, o solo é removido, deixando aflorada a rocha mais resistente à erosão. Em meio a pediplanícies, é comum a existência de grandes corpos rochosos que resistiram à erosão, os chamados inselbergs – muito encontrados no Nordeste, como na região de Quixadá, no Ceará, e Milagres/Itatim, na Bahia.

Pedra da Galinha

Esse relevo plano conformou um nível de base. Acima desse nível há erosão e abaixo dele, deposição bastante abrangente, formando uma superfície generalizada hoje já muito desestruturada, porém ainda presente em algumas paisagens. São as chamadas paleossuperfícies de erosão. Essa superfície de mais de 60 milhões de anos – batizada pelo geomorfólogo Lester Charles King, um dos maiores teóricos sobre a evolução do relevo brasileiro de Superfície Sul-americana – foi bastante alterada por eventos erosivos e tectônicos, porém ainda pode ser vista em alguns locais que nós, montanhistas, conhecemos bem, como o Planalto de Itatiaia e as ombreiras planas de várias outras montanhas na Serra da Bocaina e na Serra do Mar Paranaense. Ela está em níveis topográficos diferentes, pois o tectonismo teve forças diferentes em cada local.

Eu poderia escrever um livro sobre as paleossuperfícies, até porque este foi meu tema de doutorado. No entanto, o que quero mostrar é sua influência na origem nos cerrados, que se deu em um momento posterior a sua evolução.

No Eoceno (há 40 milhões de anos atrás), o clima na América do Sul passou de semiárido para úmido. No entanto, pelo fator de continentalidade, o interior passou a ter um clima sazonal, com verões chuvosos e invernos secos. Colonizando a região estéril do clima anterior, uma vegetação campestre pioneira começou a formar um protocerrado na região onde hoje é o Acre. Naquela época, o rio Amazonas corria para o Oeste, desaguando no oceano Pacífico. A Bacia Amazônica era plana devido ao longo evento de formação da Superfície Sul-Americana. Nesse relevo e sob o clima sazonal, o solo começou a se desenvolver e a se aprofundar. Porém, em um clima com estiagem tão prolongada, a energia dos rios não era suficiente para entalhar canais profundos e havia grande dificuldade de drenagem de água.

Em subsuperfície, a água atingia profundidade máxima no solo na época de seca e, na época de chuvas, ela aflorava e se formavam lagos em superfície. Há uma vasta bibliografia sobre esse período na bacia do Acre, tanto em geologia sedimentar como em paleontologia. A vida era muito abundante nas savanas e nos lagos temporários do Acre dessa época. No entanto, para nós, é importante entender o que aconteceu no interior dos solos.

Milhares de anos com uma dinâmica da água subsuperficial oscilando dentro do solo, carreando óxidos e concentrando-os em um horizonte de solo foram as condições para o chamado enriquecimento supergênico, que transformou a concentrações de óxidos em carapaças ferruginosas, as chamadas cangas lateríticas. Lembra-se delas? Pois bem, aí está a origem do Cerrado.

Esse protocerrado amazônico existiu por milhares de anos. A partir dele evoluíram todos os ecossistemas de Cerrado do Brasil Central e também a Gran Sabana, a região de “cerrados” da Venezuela e do estado de Roraima. Em 2011, quando fui ao Monte Roraima pela primeira vez, estava acompanhado de Eduardo Prata, que é botânico e foi meu companheiro de república na Unesp de Rio Claro. Durante essa viagem, que fizemos com diversos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), pudemos estudar as plantas da Gran Sabana e perceber que, apesar de a fisionomia ser idêntica à de cerrados, floristicamente aqueles campos não têm espécies em comum. Ou seja, o elo entre a Gran Sabana e o Cerrado foi aquele protocerrado amazônico que existiu antes da floresta, no período Terciário.

Gran Sabana na Venezuela.

Não dá para saber até onde chegou esse protocerrado do terciário. Porém, é muito provável que ele tenha ocupado também partes consideráveis do sul do país, que na época estava posicionado numa porção mais setentrional, uma vez que a separação entre América e África não foi uniforme rumo ao oeste – o continente rotacionou ao longo de sua separação, fazendo regiões antes tropicais hoje estarem em posições subtropicais. Aliás, essa rotação bagunçou todo o quadro tectônico do Brasil, provocando soerguimento do relevo em alguns locais (Serra do Mar do Paraná e Mantiqueira) e subducção em outros (Vale do Paraíba).

Vida acadêmica e vida de montanha

Minha experiência com o montanhismo e a escalada me possibilitou ter um conhecimento de campo que poucos acadêmicos já tiveram. A partir do fim da minha adolescência, conheci profundamente as formas de relevo e as estruturas das rochas, o solo, a cobertura vegetal e as condições de clima mais extremas. Quando esses temas foram mostrados por meus professores, tanto na Unesp quanto na UFPR (as instituições onde estudei), logicamente pirei e me apaixonei. Sou muito grato a meus professores por todo o conhecimento que me passaram, principalmente a Adler Viadana e Eduardo Salamuni, grandes mestres e exemplos de ser humano, que ensinaram e inspiraram muito.

Mesmo que a Geografia Física não seja ligada diretamente ao montanhismo, aprendi muita coisa, consegui explicar outras tantas e tive facilidade para trabalhar e pesquisar bastante, gerando conhecimento para entendermos a origem do lugar onde vivemos. Cheguei a ter reconhecimento na pesquisa e fui até citado por Ab’Sáber em seu último livro, o que me encheu de orgulho.

Infelizmente, não pude defender meu doutorado. Ainda que não possa culpar ninguém pelo ocorrido, fiquei muito decepcionado e deixei de falar sobre esses conhecimentos. Vivi uma vida universitária por 12 anos e meu caminho natural teria sido a carreira acadêmica. No entanto, em nosso país a educação e a geração de conhecimento não têm valor algum, e fui parar na sarjeta com meus títulos.

Estava quase indo morar com meus pais, mas comecei a dar cursos de escalada, que fizeram muito sucesso. Mais tarde, meu amigo Maximo Kausch me convidou para trabalhar com ele como guia de montanha em uma empresa que estava montando – que recebeu o nome de um site antigo que mantínhamos, o GenteDeMontanha.

Isso foi na mesma época em que conheci Rafael Wojcik, curitibano e escalador das antigas que trabalhava numa empresa de importação de equipamentos de montanhismo e que estava procurando uma oportunidade de montar uma empresa. Junto com ele e Hilton Benke, montamos a loja AltaMontanha. A história dessas empresas é assunto para outra narrativa.

Como citar este artigo:

HAUCK, P. A evolução da vegetação no Brasil. In: Arrisque-se 1°edição. p. 90-113. Ed. AltaMontanha. Curitiba 2018.

Referências bibliográficas:

ARENS, K. As plantas lenhosas dos campos cerrados como flora adaptada às deficiências minerais do solo. In: SIMPÓSIO SOBRE O CERRADO. São Paulo: Edusp, 1963.

AB’SABER, A. N. Revisão dos conhecimentos sobre o horizonte subsuperficial de cascalhos inumados do Brasil oriental. Noticia Geomorfológica, Campinas, ano VI, nº 11, p. 59-80, junho 1966.

AB’SABER, A. N. Os domínios morfoclimáticos na América do sul: primeira aproximação. Vegetalia, São José do Rio Preto, IBILCE-UNESP, nº 15, 1977.

AB’SABER, A. N. A teoria dos refúgios: Origem e significado. Revista do Instituto florestal, São Paulo, Edição especial, março de 1992.

AB’SABER, A. N; Megageomorfologia do território brasileiro. In: GUERRA, A. J. T; CUNHA, S. B; Geomorfologia do Brasil. P. 71-106. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

AB’SABER, A. N. Os Domínios de Natureza do Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

BIGARELLA, J.J. Variações climáticas no quaternário e suas implicações no revestimento florístico do Paraná. Boletim paranaense de Geografia, Curitiba, UFPR, v.10, nº 5, 1964.

COUTINHO, L.M. Ecological effects of fire in Brazilian cerrado. In: HUNTLEY, B.J. and WALKER, B.H. (org). Ecology of tropical savananas Ecolofical Studies, vol. 42, p. 273-291, Springer-Verlag, New York, 1982.

GOODLAND, R; FERRI, M.G. Ecologia do Cerrado. São Paulo: Edusp, 1979.

HAUCK, P. Cerrados, campos e Araucárias: a Teoria dos Refúgios Florestais e o significado paleogeográfico do Parque Estadual de Vila Velha, Ponta Grossa – Paraná. Dissertação (Mestrado em Geografia). Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2009.

HAUCK, P. A teoria dos refúgios florestais e sua relação com a extinção da megafauna pleistocênica: um estudo de caso. Estudos Geográficos, Rio Claro, 5(1): 121-134, 2007

HAUCK, P. Matas campos e mandacarus: A Teoria dos Refúgios Florestais aplicada ao estudo da paisagem da Serra dos Cocais entre Itatiba e Valinhos-SP. Monografia (Bacharelado em Geografia). Rio Claro: IGCE – Unesp, 2005.

KING, L. C. A geomorfologia do Brasil oriental. R. Bras. Geog, Rio de Janeiro, 18, p. 147-265, 1956.

VANZOLINI, P.E. Paleoclimas e especiação em animais da América do Sul tropical. Estudos Avançados, 6 (15), São Paulo, 1992.

VIADANA, A.G. A teoria dos refúgios florestais aplicada ao estado de São Paulo. Tese (Livre Docência). Rio Claro: Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Unesp, 2000.

Compartilhar

Sobre o autor

Pedro Hauck - Equipe AM

Pedro Hauck é montanhista e escalador desde 1998. Natural de Itatiba -SP, reside atualmente em Curitiba-PR. Pedro gosta de escaladas clássicas e também de montanhismo de altitude, já tendo escalado algumas das mais altas dos Andes. É geógrafo, mestre em Geografia Física e atualmente faz doutorado em Geologia ambiental. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net. Siga ele no Instagram @pehauck

3 Comentários

  1. Avatar
    João Victor Musegante em

    Parabéns pelo texto Pedro! Sou biólogo, trabalho com plantas e uma das áreas que mais busco estudar é a Fitogeografia… Entender as paisagens é um grande mergulho interdisciplinar! Sua abordagem sobre a importância da dinâmica do fogo em cerrados e campos naturais é essencial, inclusive para o manejo adequado desses ecossistemas! Em alguns locais de cerrado onde o fogo foi suprimido, há uma tendência de adensamento da vegetação em detrimento das formações abertas, e consequente perda de biodiversidade local/regional.
    Se ainda não conhece, sugiro a leitura de um livro do autor Orlando Graeff – Fitogeografia do Brasil: uma atualização de bases e conceitos, onde autores como Ab’saber e Rizzini são sua referência central.
    Espero ver mais artigos como esse trazendo conhecimento acerca das Ciências Ambientais!
    Um abraço.

  2. Avatar
    João Victor Musegante em

    PS: trazendo mais uma via que faz homenagem a Cactaceae, a via Cactos e espinhos na Serra Pelada em Ortigueira/PR, umas das mais lindas estruturas de diques de diabásio da região!

  3. Avatar

    Parabéns Pedro, muito bem escrito o texto! Sei que para você foi uma decepção não poder concluir o doutorado, mas o mundo dá voltas. Quem sabe você possa retornar um dia para a vida acadêmica. Afinal, se você foi citado pelo Ab’Sáber tem o meu respeito!

    Eu, se fosse você, escreveria um livro sobre a vegetação das montanhas brasileiras, com uma linguagem direcionada aos montanhista. Você tem bagagem pra isso e já conheceu muitos lugares. Se quiser eu até te ajudo com isso.

Deixe seu comentário