Sobre o Autor

Julio Cesar Fiori é Arquiteto e Urbanista formado pela PUC-PR em 1982 e pratica montanhismo desde 1980. Autor do livro "Caminhos Coloniais da Serra do Mar", é grande conhecedor das histórias e das montanhas do Paraná.

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Caçadores de Bromélias
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O Paulo Marinho preferiu fotografar passarinhos em outra freguesia, mas o Moisés Lima aceitou o convite de imediato e no sábado nos encontramos num estacionamento na Av. das Torres. De Ponta Grossa vieram a Berenice e o Shyguek e para minha surpresa lá estavam também o Pedro Hauck com a Camila. Embarcamos todos na Kombi pilotada pelo Sr. João e descemos para Garuva numa bela e quente manhã de sol com céu totalmente limpo. Viaja de Kombi quem não tem pressa nem opção e as 11:30 horas descemos no oleoduto da Petrobrás depois de cruzar o Rio São João.

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Arca sem Noé na Serra da Prata
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O dilúvio começou às 14:00 horas do dia 10 de março de 2011, uma quinta feira, para os habitantes de uma estreita faixa do litoral paranaense. Durante a noite a chuva se intensificou e no dia seguinte as encostas da Serra da Prata vinham abaixo carregando toneladas de lodo, pedras, árvores e tudo o que por azar estava no caminho da enxurrada. Na Estrada da Limeira, início da trilha para a Torre da Prata, Seu Jaime viu o calmo riacho subir até tomar a estrada, o pátio e inundar a casa. Homens e animais ficaram ilhados numa elevação do terreno para mais tarde serem resgatados por helicóptero. Foi um dilúvio sem Noé.

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Chapéu-de-Sol
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Alguns minutos antes havia despertado angustiado de um sonho claustrofóbico onde imaginava ter liberado sonora e redonda flatulência, tão densa que flutuava no dormitório como imensa bolha de sabão que crescia desmesuradamente ao invés de se dispersar. Acuado contra o colchão temia a inevitável explosão de metano e enxofre quando subitamente fui libertado pelo soar do despertador e do nada a expressão tomou conta da mente. “Por fora; bela viola e por dentro; pão bolorento”. Talvez tenha relacionado à história a triste sina do inverno curitibano que de tão úmido apodrece a alma e mofa os pensamentos.

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O DNA das Travessias
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Uma travessia é coisa fisicamente muito simples, basta iniciar a caminhada em um ponto qualquer do mapa e terminá-la em outro, preferencialmente bem distante do primeiro, mas montanhismo não é um esporte qualquer. Montanhismo é antes de tudo uma filosofia e então as coisas se complicam. Aos que discordam aconselho parar esta leitura e investir suas energias na Corrida de Aventura.

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Itupava nos tempos da RFFSA
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Existiu uma época, nem tão distante, em que descer de Borda do Campo até Porto de Cima pelo caminho do Itupava era uma verdadeira aventura e fonte segura de notícias trágicas para os jornais policialescos de Curitiba. Todos os finais de semana alimentavam as manchetes de segunda feira com brigas, assaltos e até assassinatos na velha trilha.

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Carnaval 40º_ Final
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Planejamos acampar ali justamente para que os três que faziam a travessia pela primeira vez – Hilton, Jurandir e Leandro – pudessem apreciar com calma o trecho mais bonito e perigoso do alto curso do Rio Mãe Catira. O Hilton pede dez minutos para tratar de assuntos pessoais e acaba por nos expulsar daquele santuário antes da hora. Descemos em direção às nascentes do Rio Mãe Catira conscientes de caminhar por ele nas próximas quatro horas antes de finalmente poder deitar o esqueleto no chão plano. A encosta inicia muito inclinada, suja e úmida, mas bastante fresca e livre das mutucas, depois começa a verter água e recebe pequenos tributários. Aos poucos vai se alargando e há lugares em que toda a água some para reaparecer somente muito à frente. Com maior fluxo e profundidade, também as pedras ficam mais lisas e as botas acabam por mergulhar dentro d”água. Quando os pés já chafurdam dentro das botas pouco se liga para as composturas e se anda mais relaxado.

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Carnaval 40º
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Calor de 35ºC, sol a pino e as butucas voando alucinadas, zumbindo como abelhas, picando como escorpiões. Incontáveis, a cada tapa morriam seis. As roupas encharcadas e a face escorrendo suor. Descia da testa passando pelos olhos, salgando os lábios. Grandes gotas se desprendiam dos cabelos. As pernas estavam boas e a respiração compassada, mas sentia um profundo mal-estar, uma zoeira difusa apesar da visão ainda nítida. O Hilton foi o primeiro a perceber e me ofereceu uma barra melecada de cereais com chocolate derretido para repor o nível de açúcar no sangue. Foi o suficiente para alcançar o cume do Luar ao meio-dia do sábado de carnaval.

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Atitude x Proselitismo
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Num dos muitos e enriquecedores diálogos, entre uma fatia de pizza feita em casa e uma taça de tinto, o Vita (Paulo Henrique Schmidlin) traz um texto e pergunta se não me recorda alguém. Claro que lembra, é o retrato do sujeito, mas também de muitas outras pessoas. Concluímos que a praga é viral.

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